Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

my poem

  • [Ponto a ponto]

    [Ponto a ponto]

    Muda o timbre
    Muda o tom
    Muda o som
    Muda o frame
    De repente, a gente treme
    Segunda-feira a gente sente
    Todo o tempo
    Muda o leme
    Crème de la crème
    Foi tão bom
    E tão perene
    Agora o ventre
    Tem nova flame
    Que chama
    Inflama
    E abocanha
    Toda distância
    Toda direção
    Toda escolha
    Coração
    Grito na boca
    Novo rumo
    Nova vida
    A despedida ficou no passado
    A nova acolhida
    Brindou o trabalho
    O destino brincou com a premissa
    E a promessa tilintou na barriga
    Só uma frase
    Nova fase

    Oh, I love mondays…
    A new begining
    A new bikini
    A new life
    A new job
    A new love
    If you make me happy
    I’ll love you so
    Let’s work and play
    And drink chardonnay
    Se eu fugir sem plano
    Você me busca
    De trem, asa delta ou aeroplano
    Se eu perder o ponto
    Você me acha
    E a gente faz um encontro
    Se você me abraça
    A gente conta um conto
    Ponto a ponto


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Registro do festival Burning Man – evento de contra-cultura dedicado à vida em comunidade, arte, auto-expressão, auto-suficiência, meditação e qualquer outra coisa que rompa a barreira da moral e do medo do ridículo – feito pelo fotógrafo Victor Habchy, que viaja o mundo com mochila nas costas, olhar curioso e máquina sempre pronta para encontrar o disparo perfeito. Ele comprou sua passagem com a ajuda de uma campanha de crowdfunding mesmo sem saber como chegar ao evento, que acontece anualmente em Nevada (EUA) no meio do deserto.

    **

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  • [Sem teto] ou [Em queda livre…]

    [Sem teto] ou [Em queda livre…]

    Foi quando fiquei sem chão
    Que o céu se abriu sem nexo
    Depois de um dia comum, em vão
    O mundo se queixou perplexo
    O futuro estava tão perto
    E escorreu por minhas mãos
    De repente, não tinha graça
    Não tinha nada, não tinha teto
    Não tinha sexo, não tinha casa
    Não tinha som, nem alma, nem asa
    Em queda livre numa cova rasa
    Segunda-feira amarga

    Fiquei preso àquelas vontades
    Escravo de uma razão torta
    De uma carência ambígua
    Alimentada por um medo antigo
    E por um desejo infinito
    Quando me vi banido, varrido
    A vi absorta e um pouco afoita
    Até achei que ficaria diferente,
    Mas apenas uma árvore nova nasceu
    Onde antes o arrependimento
    Impregnava o presente
    Segunda-feira reincidente

    Sem teto
    Avesso ao universo
    E a tudo mais que prezo
    Esfolado da cabeça aos passos descalços
    Interrompido por uma visceral falta de sentido
    Surpreendido, bandido
    Na densidade do dia seguinte
    Acordado pelo coração nos olhos
    E as lágrimas no sorriso
    Rasgado pelo ralo entorpecido
    Em queda livre, bandido
    Segunda-feira acordei decidido

    Naquele dia não podia
    Eu até achei que não queria
    Mas quando me deparei com seus olhos
    Ah, seus mornos olhos
    Tudo mudou, tudo virou
    Num piscar de olhos
    Eu vi meu mundo caótico
    Por vezes psicótico e profético
    Tragi-cômico e patético
    Virar filme Technicolor
    Em queda livre eu te decoro
    Segunda-feira eu choro

    Minhas convicções imutáveis
    Se perderam nos teus passos rasos
    Meu coração arisco de repente ficou calmo
    Minha pressa áspera mudou teu repertório
    Sei lá, pelo menos é o que eu acho
    Você chegou falando baixo
    Sabe, repertório se faz com o que se vê
    E eu quero mostrar meu mundo pra você
    Em queda livre, sem teto
    De perto, de olhos abertos
    Até que nossos olhos pisquem pela última vez
    Segunda-feira talvez


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: ‘Colourant’ is a series of images produced by the duo of artists Floto+Warner (Jeremy Floto and Cassandra Warner) that seemingly turns large splashes of colorful liquid into sculptures that hover in midair. The photos were shot at a speed of 1/3,500th of a second, transforming the non-discernible and ephemeral to the eternal. The essence of photography – immortalize the transitory.

    **

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  • [Desenho]

    [Desenho]

    Deixa, vai, só um pouquinho
    Prometo que não vai doer
    É só um risquinho, você vai ver

    Deixa eu te pintar
    Com meu cheiro de sossego

    Deixa que o toque, o suor e o enfoque
    Nos enforque, nos troque, nos mostre

    Deixa, vai, tem que ser agora
    Quero te marcar
    Te invadir, te dedicar
    Quero te escrever
    Com minha letra viciada
    Te entorpecer
    Fumaça borrifada
    Suspiros azuis
    Teu vento é meu sustento
    Teu tempo me devora

    Deixa eu te desenhar
    Numa prece sincera
    Na beira da minha janela

    Deixa, vai, de segunda a segunda
    Eu te desenho e você me inunda

    Meu coração é feito de tinta
    Eu te desenho e você me pinta

    Deixa eu te rabiscar inteiro
    Com todos os meus devaneios
    Deixa eu te carimbar
    Com meu dasatino
    Vem ser meu destino

    Sou menina e traço poemas
    Se eu te desenho,
    É você meu menino?


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Emptying Gestures by Heather Hansen, a contemporary performance artist and dancer in New Orleans, who has come up with an elegant and creative way to capture her dancing motions on paper – she gets up-close and personal with a big piece of paper and some charcoal.

    **

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  • [Suspiro]

    [Suspiro]

    Duelo desconcertante
    Rosto amendoado
    Segunda-feira errante
    Olhos abafados

    Cabelos de algodão
    Atalho machucado
    Sorriso inebriante
    Sol gelado

    Melodia exclusiva
    Trovoadas e raios
    Nostalgia lasciva
    Amanheço e desmaio

    Dilema equivocado
    Berço de flores negras
    Lágrima inflama
    Desejo boceja

    A vida me chama
    Me abriga, me beija
    Me tortura, relampeja
    Duvido do teu enredo

    Mas não tenho medo
    Teu drama na minha cama
    Me consome, me reclama
    Me pede, me ama

    Me impede, me demora
    Me acorda em soluços
    Acorde lusco-fusco fora de hora
    Reflexo, refluxo, agora

    Te meço, te busco
    Te duvido, me perturbo
    Caio no sono
    Te amo no susto

    Seria monótono
    Se não fosse brusco
    Haveria dúvida
    Se não tivesse pulso

    Minha saliva, tua música
    Palavra pausada na rua
    Ainda resta a dúvida
    Saudade amarrotada

    Seria justo?
    Te quero absurdo
    Assim doce, assim puro
    Um pouco torto, um pouco surdo

    Se ainda te duvido
    É porque te amo, te juro
    Te espero, te curo
    Te quero, me embrulho

    E tudo o que eu não te digo
    Paira no abismo… (*suspiro*)
    Onde pulei contigo
    Até o fundo


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Hug by passavodiquipercaso

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  • [Ouça-me]

    [Ouça-me]

    Ouça-me
    Com sua pele tensa
    Sua vontade imensa
    E sua boca intensa

    Ouça-me
    Com seu olhar intrigante
    Seu abraço inebriante
    E seu sorriso ofegante

    Ouça-me
    Com sua rotina quebrada
    Sua ânsia esmagada
    E sua certeza esgotada

    Tenha-me
    Com sua memória
    Sua boemia ilusória
    E sua destreza transitória

    Cale-me
    Com sua sede insana
    Sua melodia plana
    E sua voz cigana

    Ouça-me
    Com seu corpo inteiro
    Mas dispa-se primeiro
    De todo o seu desespero

    Lace-me
    Com sua culpa adormecida
    Sua barriga mordida
    E sua promessa entorpecida

    Ouça-me
    Talvez eu fale agora
    Talvez eu abra a porta
    E espante o medo embora

    Leia-me
    Com sua risada faceira
    Sua rima primeira
    Ou segunda, se for feira

    Toque-me
    Com seu universo
    Seu carinho (in)verso
    E seu tempo incerto

    Beba-me
    Estrela por estrela
    Engula cada centelha
    Da vida que me incendeia


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Art: Fluorescent landscapes painted on female bodies by artist John Poppleton

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  • [Pode ser lambretta]

    [Pode ser lambretta]

    Logo vi que de forte não tenho nada… não tenho vaga na calçada, não como bolinho com mostarda nem apareço na sua lembrança da noite passada… Pois é, só que a carne é fraca… mas não há de ser nada, não. Pode ser que eu chore, pode ser que eu volte, pode ser que eu quebre a cara.

    Eu to de bota e to de boa, mas não pense que fico à toa ainda por muito tempo… Pode ser que a espera vire desprezo. Pode ser que você mesmo não me escolha. Pode ser que a folhagem morra e que a paisagem encolha. Pode ser que eu me arrependa, pode ser que você me renda.

    Queria agora poder olhar na sua cara e entender porquê você só me ama quando está na minha casa. Porquê você me leva na manha, me arranha e me abraça forte quando vai embora. Queria saber porque você não me chama se é pra mim que você reclama quando pesadelos povoam sua cama.

    Cansei da sombra, cansei da água, cansei da perna dobrada. E do braço cruzado, da panca de otário, do copo quebrado. Cansei de cair de barriga. Cansei de guardar lugar na fila. Cansei de remar, de sonhar, cansei de olhar pro lado e te ver ali embriagado caçando sorrisos mofados.

    Quem você pensa que é? Qual o seu disfarce quando conversa comigo sobre cenários e abismos, sobre glossários e eufemismos, sobre salafrários e casos ambíguos? Confio no seu umbigo. E no seu discurso frenético. Mas pode ser que seu tempero cético não queira nada sério.

    Que patético!

    Pode ser que eu solte o que me amarra. Pode ser que eu cresça, pode ser que eu inverta minhas certezas. Pode ser que eu entenda que suas prioridades não têm lugar pra minha agenda. Pode ser que na segunda-feira você me prenda. Pode ser que eu compre uma lambretta. Pode ser que você me perca.


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    **
    ilustração deste poema:
    Efeito sobre photo de Emerson Alexandre

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  • [Vestida de flores]

    [Vestida de flores]

    Visto-me de flores
    Pra te encontrar
    Perfumo sabores
    Provo cores
    Troco promessas por tenores
    Pra você não tergiversar

    Escondo dores
    Pra te fazer sorrir
    Rabisco poses
    Ensaio pequenos tremores
    Aperto o passo nos corredores
    Pra você não fugir

    Apago temores
    Pra te abraçar
    Desenho acrobatas e aviadores
    Desfilo sonhos e amores
    Disfarço pudores
    Pra te encantar

    Visto-me de flores
    Pra você me despir
    Desprendo-me do ir e vir
    Até teu beijo me invadir
    Reinventar meu devir
    E me nutrir

    Vestida de flores eu chego
    Misturada a teus enredos
    Coberta por pétalas e medos
    Descobrindo desejos
    Exalando aromas estreitos
    Segunda-feira eu tento…

    Vestida de flores eu quero
    Teu presente mais sincero
    Camuflado num buquê de alface
    Ou escondido num castelo
    Pra te encontrar sem disfarce
    Vestida de cetim belo e efêmero

    Roupa que se desfaz
    Cenário que jaz
    Pra te descobrir
    Te dobrar, te colorir, te seduzir
    Te inserir na minha rotina fugaz
    Pra segunda-feira fruir



    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Art by @grace_ciao

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  • [Sober]

    [Sober]

    Hoje eu espero, prometo
    Tenho pensado demais
    Sonhado demais
    Sofrido demais
    Suspirado demais
    Pirado demai

    Não posso absorver teus problemas
    Nem quero aceitar teu destino por pena

    Você me deixa em quarentena
    E não me inclui na tua arena

    Não quero supor que essa correria
    É o que te impede de me ligar
    Pra conversar ou me agradar
    Pra eu divagar

    Não quero depor contra o tempo
    Nem contra teus argumentos

    Não quero assumir a possibilidade
    De tua presença ser apenas
    Só mais uma passagem
    Pra me ensinar a admirar a paisagem
    Enquanto o mundo da voltas
    Ao redor da tua coragem

    Hoje eu espero, prometo
    Espero teu bom dia
    Pra desconstruir tua postura arredia
    Espero ser tua escolha primeira
    E postergo a realidade
    Até a próxima segunda-feira

    Não quero ficar sozinha na sexta à noite
    Não quero puxar a cordinha sem saber onde descer do ônibus
    Não quero te ver se perder por outrem
    Não quero te ter só quando lhe faz bem

    It’s Monday and I’m sober
    Sóbria da tua frieza

    Seria proeza demais esperar
    Pela alegria e pela tristeza
    Se não te vejo ter certeza
    Hoje eu espero, but it’s over

    Cocei demais meus pensamentos
    Sigo sóbria sem fundamento

    Cocei até tirar sangue
    Pensamentos em pane

    Hoje eu espero, não temo
    Deixo as ondas quebrarem minha cabeça
    Deixo o sal verter em lágrimas
    Deixo a alma virar tormento

    Mas antes que eu me esqueça
    Antes que eu me perca
    Antes que só a lembrança permaneça
    Sigo sóbria sem sentença

    Hoje eu espero por menos
    Menos saudades dissimuladas
    Menos vontades, mais virtudes
    Menos ondas quebradas, mais altitude
    Menos fronhas amarrotadas
    Mais atitude

    Hoje eu só quero
    Ficar sóbria por inteiro


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Art: surreal portrait series blended into landscape photos by Antonio Mora

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  • [Solar flare]

    [Solar flare]

    Meio sem querer
    Quase sem perceber
    Daqui parece tão longe
    De perto parece tão frágil
    No centro parece tão forte
    Tão quente, ardente, inconsciente
    Tão lindo, gigante, latente

    A luz que ofusca
    Esconde a busca
    Pela vida partida
    Que explode perdida
    E encontra na avenida
    Uma nova rota
    Subtraída

    Quero provocar um eclipse
    Pra tua luz me invadir
    Me vazar, me sobrar, me parir
    Pra tua voz me beijar
    Ainda com os olhos fechados
    E me embalar dançando, antes de dormir
    Pra eu seguir sonhando, antes de acordar

    Me apaixono por tua cumplicidade
    A cada passo que gente dá
    Como se as pegadas na areia da praia
    Fossem pequenas promessas
    Marcadas pelo peso dos nossos corpos
    Levadas ao mar pelo vento
    E seladas pelo firmamento

    Na velocidade que o mundo gira
    Não tem como ficar parado
    Tudo muda, tudo voa, tudo pira
    A cumplicidade, no entanto, permanece lado a lado
    Mas é preciso reinventá-la numa prece
    E cobrir a luz do sol
    Pra descobrir a explosão que verte

    Na segunda-feira a gente vê
    O que sobrou dessa explosão
    Se no final de semana a gente faz fuzuê
    Na segunda-feira a gente gruda
    Todas as memórias surdas
    E elimina a paranoia
    Antes que o cansaço fuja

    To be unremarkable for others is remarkable for me
    Just like a solar flare is how I imagine you to be
    Your voice broke my monday evening
    And everything in between
    Your heart beats my song
    Your eyes are my sky, my life, my world enough
    Please never leave me alone

    Be my atmosphere
    Let me shine
    Flare by my side
    My only sunshine
    Be Panic
    Take me to fly…
    Be mine


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Illustration: a look at the mid-level solar flare from Sunday, August 24th, 2014’s taken with the LASCO C2 coronagraph on NASA/ESA’s SOHO spacecraft. A coronagraph is a special type of telescope that uses a solid disk to actually cover up the Sun itself, completely blocking direct sunlight, and allowing us to see the atmosphere around. Taken 2 hours after the flare, this image allow us to see the hot plasma of charged particles being ejected towards the side of the Sun.

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  • [Super]

    [Super]

    O céu fechou em riste
    Choveu em teu semblante triste

    Deixou tudo escuro
    Inundou teu coração impuro

    Até que era bonito
    Pra não dizer esquisito

    Teus demônios em luta
    Numa poça d’água funda

    Eternidade disfarçada
    Afogada na calçada

    Esperando a luz voltar
    Esperando o sol brilhar

    Pra eu poder compartilhar contigo
    E entender os teus motivos

    Tava tudo indo tão bem
    Mas o céu fechou em riste, meu bem

    Nos teus olhos d’água eu vi
    Feridas encharcadas so sweet

    Feridas vertidas em sal e poeira
    Ardendo, arranhando, rasgando tua vida inteira

    Chorando na frente do espelho
    Entre a abstinência e o vermelho

    Na sobra da segunda-feira seca
    Tua sombra cicatrizou tão lenta

    Pro mundo girar sozinho um pouco
    Pra tudo fazer sentido louco

    Será?

    Tem muita coisa pra superar
    Tem muito super pra descoisar

    Tem muita água pra rolar embora
    O céu fechou em riste e foi agora

    Mas vai passar

    Você é super e tá machucado
    Deixe a tempestade esvaziar teu passado

    Super limpo, super lindo
    De peito aberto, cravado de infinito

    Super forte, de toda a sorte
    Metáfora de morte

    Pra tua dor derreter
    Pra eu entender o teu ok


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    **

    Art: Superman in powerwashing

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  • [Vontade inventada]

    [Vontade inventada]

    Sigo dormindo, acordada, chorando, viajando ou rabiscando nas suas costas com minhas unhas macias de segunda a segunda enquanto você sonha (ou não). Sei lá se você desconfia…

    Acredite você ou não, entenda ou não, aceite ou não… Eu sigo… E sinto uma vontade danada de trazer teus passos lentos direto pra minha armadilha. E quando eu sinto a tua pele, então? Sai faísca de mim… Ah, você sabe… Mas… E se for mentira?

    Daí você aparece com esse sorriso largo improvisado, me olha de cantinho, meio de lado, e quando eu percebo eu te quero. E quero tanto que chega a doer e claro que rola um medinho gelado. Seja segunda-feira, seja meu casaco bordado, seja meu grito abafado.

    E eu fico cuidando pra não transparecer, pra não atropelar o destino, pra não mudar teu rumo ou direcionar teu caminho… Mas a verdade é que mesmo que as esquinas que você cruzou sem mim tenham roubado muito de você, eu não me importo de ficar com o que ficou. Acredito que tuas sobras são muito mais do que já me pertenceu e, junto com as minhas, formam mundos ainda mais belos e mais sinceros.

    Então… vem comigo. Vem que a gente traça novos rastros para os teus sonhos que se perderam. Porque eu to cansada dessa montanha-russa de gente na minha vida querendo sumir como se nunca mais fosse voltar e depois voltar como se fosse ficar pra sempre… e não ficar. Eu to cansada. E eu tenho vontade. E eu não quero mais nada que não seja você. Eu quero desenhar junto seja lá o que for, seja lá o que der, do jeito que a gente quiser.

    Talvez você sequer exista. Mas mesmo inventado você ainda é tudo e demais pra mim. O que não existe me pertence? O que eu invento é present tense? Eu trago um gole de café e te ganho com um pedaço de queijo… E te amo, te afago, te invento, te beijo. E te atento tanto que você, mesmo indiferente, de repente… Não, não se despeça, ainda estamos pendentes. Falta o meu presente, falta aquela promessa… Falta aquela vontade inventada de amar eternamente.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    **
    Illustration by Barbara Ana Gomez, inspired by the song ‘Sophia’ (Laura Marling) > and posted in her colection Illustrated Songs.

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  • [De graça, nada]

    [De graça, nada]

    Nada vem de graça. 

    Nossa vida é uma constante transformação, momentos de paz e equilíbrio nos invadem, a segunda-feira vem toda a semana fazendo alarde.

    De repente parece que a rotina não tem graça e um choque de realidade, de pura maldade ou falta de maturidade nos confronta. Então tudo contrasta.

    Quando isso acontece, a acidez nos abraça e o instinto toma conta. Daí a visão se livra da neblina que nos afronta e o aconchego nos abandona.

    Mas é bom. Ignorance is a bliss. Conhecimento dói. Saudade corrói. Palavras ditas docemente criam promessas e desejos inconsequentes. E tudo se despedaça.

    É uma pena que você faça pirraça. É uma pena que nossos assuntos pendentes fujam do presente e se evaporem na vidraça dos nossos sonhos, feito fumaça…

    De ofegante, teu beijo virou tratante. Parecia passeio na praça. Ou na praia, numa agenda falsa. Virou desgraça. Passa ou repassa? Nada vem de graça.

    Mesmo que eu culpe aquela maquiagem frustrada ou a noite lotada de olhares tensos e desencontros intensos.

    Mesmo que uma simples fotografia seja motivo de agonia pelo brilho combinado entre o gole trocado e o pecado anunciado.

    Ou que o recado deixado fira feito adaga atirada nas costas que doem, machucadas. Se a noite é uma criança, que dizer da madrugada?

    Talvez a roupa amassada ou a toalha jogada sejam cartas marcadas. Ou só mais uma rodada, uma aposta inebriada. Uma ameaça atravessada por um oceano de trapaças.

    Do que você acha graça? Você pensa que um “bom dia, gata” disfarça? Você pensa que o teu cheiro grudado no meu travesseiro ainda te aguarda?

    Prepare o vinho que eu levo a taça. Ofereço um brinde à escolha nefasta. If it was a tinder, you better whatch out. #Simplesassim: nada vem de graça.

    Mas ainda há graça nas mancadas do destino. Não economize sorrisos nem esconda essa mágoa isolada sob uma capa mágica. É bom soltar as lágrimas. Tudo passa.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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