Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

numero

  • [Número]

    [Número]

    Todo mundo tem o direito de mudar de ideia. De planos, de sonhos, de encantos.

    Mas há uma pergunta que não cala: por que você me pediu pra ficar?

    Eu estava quase indo. Partindo. Saindo. Trocando rotinas pífias por outras melodias.

    Mensagens. Promessas. Propostas. Elogios. Projetos. Histórias.

    Parecia incrível. E foi.

    Até não ser mais.

    Até eu virar só mais um número, cortado à navalha.

    Seu foco mudou.

    O que era estratégico virou secundário.

    Do nada você inflou. Crescimento acelerado? Pra onde foi? Um caminho novo a ser traçado, fragmentou. Destroçado por traças roedoras traiçoeiras atrás das frágeis segundas-feiras.

    Palavras. Mágoas.

    Um futuro tolhido. Talhado. Ceifado.

    Um número.

    Um nada.

    O que era soma virou sumiço.

    Desperdício.

    Desperdiçada.

    Despedida.

    Despedaçada.

    Era quarta, mas virou sexta.

    E a quinta virou segunda.

    Mais um dia zero.

    Segunda sem feira.

    Apenas um número.

    À beira da lareira que queima os saldos não salvos das promessas traiçoeiras.

    Por que você me pediu pra ficar?

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    Artworw by henn_kim

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