Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

panicmonday

  • [Coração]

    [Coração]

    — Eu fico aqui…
    Minha mesa, meu note, meu cel, um guardanapo de papel… Um pedaço de céu.

    — Eu vou praí…
    Uma praia, uma varanda, uma risada, uma dança. Uma brincadeira de criança.

    — Musa é a lua.
    E não minha prece nua que despe em curva essa rua rasa. Musa é a sua morada.

    — Agradeço as memórias.
    E as noias. E as promessas veladas entre farpas. E os sorrisos invisíveis em patamares insondáveis.

    — E se houver brilho…
    A gente dispersa do mundo e foca um no outro. E troca os pratos e divide amassos.

    — E esconde a navalha.
    Pois se há corte que valha, já estiquei os braços e encolhi as pernas para o muito o que me resta.

    — Eu salto.
    De salto alto da beira do asfalto para a areia movediça dos começos e das fatias, das metades e das tardes vazias.

    — Eu sinto.
    E minto que não há saudade por pura maldade/faz-de-conta. Debaixo da sombra a gente sonha com o perto/longe que afronta.

    — E se houver sobremesa…
    Você escolhe manjar depois do jantar. Ou alfajor, só pra rimar com major. Ou sorvete de chocolate pra dar empate.

    — Mas se houver guerra…
    Não te espero não, não quero mais soldado machucado, tampouco safado, esfolado, escaldado, sem rumo, sem fardo, sem banca armada.

    — Se quiser, venha.
    Mas venha sem farda. Sem desculpas ou falhas. Sem agenda marcada, sem planos. Só com seu sorriso insano.

    — De coração…
    Desapego, logo chego. Decore, folclore, perfile, não demore. Dê alma, dê corpo, dê ventre, desejo, em vão?

    — Que seja segunda-feira.
    Que hajam estrelas e fagulhas e centelhas e rasuras. Que haja saga, mágica e tempestade. Entre, fique à vontade.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    Illustration by Julian Gallash [binary heart]

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  • [Música Miúda]

    [Música Miúda]

    Tudo o que a gente precisa
    Cabe no tempo de uma música
    To miúda
    To moída

    De pernas pra cima
    De cabeça úmida
    Encolhida
    Numa canção única

    Entro em mim
    E planto
    Em prantos
    Um jardim

    Foram tantos
    Vinte e tantos
    Que a Segunda
    É sem fim

    To moída
    To miúda
    Doida, doída
    To Neruda

    Nem te conto
    To desnuda
    To precisa
    To no ponto

    Tenho música
    Tenho teto
    Papo reto
    Fino trato

    Gato preto
    No concreto
    Tão discreto
    Tão quieto

    To miúda
    To moída
    Tenho música
    Na barriga

    Gato mia
    Freguesia
    Sou melodia
    Minha companhia

    Pois tudo o que eu queria
    Cabia numa cantiga
    Numa música perdida
    Engolida


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Cresça]

    [Cresça]

    Apareça entre frestas e faça sua festa
    Descubra-se, desvende-se, desnude-se
    Abra os olhos para o tempo que lhe resta
    Tenha medo não, já é hora: mude!

    Mas não se mude nem emudeça-se
    Não culpe a Segunda-feira travessa

    Nem fique necessariamente triste
    Porque o jardim de girassóis está lá
    Iluminado iluminando seus guardados
    Burlando crenças em pequenas oferendas

    A previsão tem se contrariado
    Sinto-lhe adversário de si mesmo
    Frases bem vestidas, encontro marcado
    Por que você veio de olhos fechados?

    Casaco jogado no asfalto
    Falsete no canto da boca
    Fuga de uma vida breve sem marcos
    Momento avesso, ciranda rouca

    Seriam estranhos amigos que ainda não se conhecem?
    Seria um banho de orvalho se nada é por acaso?
    Nada por casaco… Nado por acaso num casaco de nada…
    Mais um caso ao acaso… nadando no nada…
    Caçando no ocaso por algo que o valha
    Navalha na veia da voz que me vaza

    Nunca aprendi a andar de patins
    Há um céu e um inferno dentro de mim
    Há cárceres e voos livres
    Será que é só cansaço?

    Então eu peço: cresça!
    E palavras me apunhalam pelas costas

    Deite-se comigo no jardim ausente
    Olhe-se pra dentro e floresça
    Desaperte-se do que quer que seja
    Alimente-se da sobremesa

    Amplie seu espaço interno
    Deite-se de braços abertos
    Sinta a chuva cair das estrelas
    Mude a dança, embale a planta e cresça

    Deixe que amanheça
    It’s Monday and it’s over
    Apenas cresça e viva as tristezas
    E as alegrias da vida que você escolheu

    Espectador de si mesmo
    Encantador de momentos
    Vá procurar sua alegria
    E cresça num encontro inédito
    Abrace mais um dia
    Respire e sorria já que é só sua essa melodia


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Depois Olivia]

    [Depois Olivia]

    De lado, de novo
    De noite, depois
    Devolvo
    Resolvo
    Revolvo
    Nós dois

    Não da nada, de nada
    Obrigada, não foi
    Madrugada
    Segunda-feira rasa
    Embriagada
    Tolstói

    De novo, depois
    Mais um gole
    Não demore
    Just a bit more
    Sinto muito
    Sinto nós

    Sinto nada
    Nada além
    De volta
    De bem
    Depois você vem
    Tudo bem

    Não enrole
    Wormhole
    Noite fria
    Não demore
    Depois Olivia
    Ainda to viva


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Vigília]

    [Vigília]

    Dei corda no meu coração
    E arrisquei uma valsa
    Na sincera atmosfera
    Da espera

    Noite arredia
    Estrela vazia
    Poço de lume prata
    Diplomacia alucinada
    Invada-me
    Brilhe em meu peito
    Rarefeito

    Negra noite
    Vaga-lume metálico
    Azul pálido
    Sorriso febril
    Estrelas férteis
    Bicho delicado
    Inerte

    O que te aflige?
    O sol não voltar a nascer
    Ou o seu coração escurecer?

    Observo-te pulsando
    É Segunda-feira e é Dezembro
    Desmembro-me e lembro
    Que dia longo!
    Entre passos e escombros: assombro
    Gota de chuva no ombro
    Foi mesmo

    Anáforas espaçadas
    Cabelo molhado
    Pensamento refrescado
    Labirinto dissipado
    Que susto!
    Quase caí do telhado
    Na calçada

    Ainda te vejo partindo
    Distraído, sorrindo
    Me partindo em duas
    Dissipando dunas
    Ferindo


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Será que pode?]

    [Será que pode?]

    Sua presença
    Minha ausência
    Encontro perdido
    Pista de dança

    Compartilhamos olhares
    E partilhamos mares
    Inebriantes patamares
    Esquinas fugidias
    Escadas frias
    Beijo seco
    Segunda-feira do avesso

    Olho no olho, tudo bem
    Só se for agora
    Na Segunda-feira, meu bem
    Cara virada e alma lavada

    Face a face num pedido
    É só o que eu preciso
    Aqui dentro eu digo:
    Escolhi sumiço
    E antes o incerto
    Do que um beijo perto
    Perdeu o feitiço
    Tão longe, tão certo

    A música levou a semana embora
    A dúvida definiu a memória
    Um carinho breve
    O que houve ali ficou pra história

    Ciranda cirandinha
    Vem agora me buscar
    Meu sono é protegido
    Volta e meia tudo pode mudar

    Meia noite é hora da ceia
    Noite inteira, meia sobremesa
    Mudou tudo e não era nada
    Segunda-feira de boas maneiras

    Que venha o sonho sem critério
    Que o filtro evoque seu mistério
    Que outras Segundas voltem
    Que o feltro forje e a saia rode
    E o sorriso roubado molde
    Mas… Será que pode?


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Banho de Chuva]

    [Banho de Chuva]

    Quase nem te reconheci
    Debaixo daquele guardachuva
    Quase
    Quase esqueci
    De todas as chuvas que brincamos juntos
    Quase
    I’m a mess I confess
    I’m a little bit stressed
    Chove uma música arredia
    Nessa rua vazia
    Passos insanos me perseguem
    E a cortina d’água silencia meu drama
    Enquanto na poça derrama a chama
    E tua voz me chama
    E inflama
    A angústia de uma tarde que clama

    Na chuva tua voz reclama
    Na chuva meus cabelos escondem
    Quase toda a trama
    Da Segunda-feira tardia

    Era tarde e era dia
    Tinha chuva e eu ardia
    Era quente a calçada
    Mas a água era fria
    Era quase e você não vinha
    Marquise na esquina não tinha
    Banho de chuva quase nua
    Nua de alma
    Na rua calma
    Sob o som da quase palma
    Da voz que abafa
    Era chuva ou era aplauso?
    Era música ou descaso?
    Era quase ou era um passo?
    Era você ou só o acaso?


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    **

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  • [Brigadeiro…]

    [Brigadeiro…]

    Tem coisa que não tem por quê
    Precisa explicar?
    Tem coisa que é assim, com gostinho de saquê
    Precisa detalhar?
    Tem resposta que não existe
    Tem momento que apenas persiste
    Tem sorriso que transparece a alma
    Tem pergunta que não cala
    Como se o silêncio dissesse tudo
    E uma simples respiração movesse o mundo

    Tem jeito que surge e ganha vida
    Jeito de falar, de escutar,
    de escolher a comida
    Tem jeito que aparece sem avisar
    E toma conta do jardim de casa
    Faz florescer uma nova morada
    Uma nova segunda-feira alucinada
    Da sacada à colina
    Do lençol à lamparina
    Do sonho de menina à flanela da cortina

    E é ótimo, sabe por quê?
    Porque a falta de motivo brinca com a rotina
    Manda flores no meio da tarde
    E leva brigadeiro com gosto de saudade
    A falta de motivo me duvida, mas me mima
    Me carinha, mas me cala
    Me espera e me guarda
    Me solta e me aguarda
    Me segura e me encanta
    Enquanto eu cato em cada canto
    Mais motivos pra sonhar

    O que é ótimo
    É simples assim
    Geleia cor de carmim
    Feito minha boca entreaberta
    Que espera mais um beijo
    Mais um chamego
    Um carinho assim, assim

    Chega de falta de motivos
    Vem pra perto, aqui no meu ouvido
    E fala mais um pouco
    Discurso manso, desejo louco
    Nada de extraordinário
    Apenas o necessário
    Assim, na medida
    Nem demais, nem de menos
    De leve, breve, palavra colorida
    Tanto faz, já é eterno

    O que é ótimo basta
    Não tem por quê
    Karaokê a contraponto
    Não tem clichê
    Ah, se eu pudesse
    Mostrar pra você
    Toda a adrenalina que circula
    Aqui dentro do meu ser
    Você veria cada curva
    Cada drift, cada fala muda
    E aceitaria
    Que você é ótimo
    Por ser o que é
    Por fazer o que faz
    E sentir o que me traz
    Esse aperto todo
    Sem medo tolo
    Sem emoção fugaz


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Tempestade]

    [Tempestade]

    Completamente descontrolada
    Feito um raio na tempestade
    Era Segunda-feira e eu tava revoltada
    Pulverizada numa telepatia afiada

    Cada raio era um sorriso emoldurado
    Que segurava meu bocejo em prantos
    E me entregava um botão de flor desbotado
    Rascunho de feltro, preto no branco

    Vivo e morro na tempestade
    Cada risco, cada raio, não arrisco
    Corro pra dentro de mim
    Totalmente entusiasmada
    Tem coisa que não se diz
    Tem coisa que não se faz
    Tempestade que não se vai
    Tem prece que esvai
    Escorre pelo traço incerto
    Do raio que me desfaz
    E me fragmenta em trecos
    Colorindo estações paralelas
    Mudando o curso do universo
    E tornando tudo assim
    Demasiado cômodo
    Demasiado frouxo
    Demais extasiado
    Celeste e iluminado

    Na claridade relativa dos meus atos
    Sinto o raio do destino me fisgar

    Atravesso a tempestade
    Holofotes de ansiedade

    Penso, logo desisto
    Existo, logo reflito
    Absorvo, portanto habito
    Largo, quase profundo
    Tempestade no infinito
    Raio profano, imundo
    Dito pelo não dito

    Formalidade distorcida
    Tempestade na medida

    Não tema o choque
    Ouça seu coração
    Cuide do seu coração
    Fale com seu coração
    Sinta seu coração
    Veja seu coração conversando
    Sacuda o medo
    Chacoalhe o pranto
    Boceje por enquanto
    Segunda-feira, ainda te alcanço
    Tempestade sem descanso


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Flor congelada]

    [Flor congelada]

    Pedaço perdido de inverno só pra mim
    Ou um pedaço de primavera?
    Inferno enfermo que congelei
    Flores que ganhei e pendurei na janela

    Preces roubadas, momento abafado
    Flores que inundei com lágrimas de requinte
    Naquele momento em que o óbvio ainda é um fardo
    E não dá pra imaginar o segundo seguinte

    Que seria do futuro se o gelo derretesse
    E as cores das flores sumissem
    E se fundissem num quadro de Matisse?

    Tenho receio de descobrir o que pode acontecer
    Tenho medo do que está por vir
    Prefiro parar o tempo e congelar o momento

    Tenho medo de sentir coragem
    E perder teu beijo, teu cheiro, tua margem
    Segunda-feira não é mera paisagem

    Flor congelada não chora, não sofre, não morre
    Não ama, não vive, não canta, não sonha nem comemora
    Flor congelada apenas contempla o tempo de um momento
    Um instante condenado a pairar sempre no presente


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [The second fairy]

    [The second fairy]

    Foi algo que eu disse?
    Foi algo que eu fiz?
    Foi algo assim… idiotice?
    Foi tarde o final feliz…

    Foi forte, foi fogo, foi sim
    Foi fadiga
    Foi falta de sorriso?
    Foi ferrugem, festim
    Foram mares desmedidos
    Fenda sem fim

    Fui à feira na Segunda
    Segundo a segundo
    Prefiro o fundo
    Se fui teu mundo
    Feri a chuva
    Faquir de foices
    It was your choice
    And it wasn’t fair

    Faça de novo
    The second fairy
    The second chance
    The second flame
    It wasn’t only my fault
    So please, don’t blame me
    Segunda-feira perfeita
    Falei de novo
    Falhei de novo
    Não foi por desfeita
    Mas eu reprovo
    O amor faliu

    Foi algo que eu disse?
    The second fairy
    Fada Berenice
    Fadada a se fazer de Alice
    Don’t get scary
    Don’t fly away
    Você me deve um desejo
    Não me deixe à desdém

    Foi uma fábula?
    Fada safada
    Furtou meu sonho
    Segunda-feira nublada

    Foi tarde, uma falácia
    Ficou saudade
    Virou filme inacabado
    Fiquei firme sem recado
    Foi algo que eu fiz?
    Faísca, cicatriz, audácia

    Foi falta de afeto, second fairy
    Foi feltro, foi renda, foi quase perto
    Foi algo assim… Sol, Lá, Si, Dó
    Foi algo mais… Dó, Ré, Mi, Fá

    Não volte, não, my dear fairy
    Foi algo que eu disse e foi em vão
    Foi farta que fiquei, unnecessary
    Foi algo que eu fiz, algodão

    The second chance
    The second fairy
    Don’t be on defense
    O que vai, volta
    O que foi que eu fiz?
    Filosofei frases de aprendiz
    Furei a fotografia
    Fugi do feitiço de giz
    Flutuei na Segunda-feira
    Furtei seu final feliz


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Borboleta]

    [Borboleta]

    Sabe aqueles primeiros momentos da manhã?
    Aqueles que ainda ninguém usou
    Que ninguém ainda ousou descartar
    Aqueles momentos que existem só no seu sonho
    Porque você também ainda não acordou?

    Sim, aqueles momentos que não têm dono
    Repletos de lembranças que só eu consigo saborear

    São notas de música que misturam o vinho na minha barriga
    Com todas as borboletas que me habitam
    São toques macios… ora de cordas, ora de dedos
    Que aparecem entre cores e me abraçam com desejo

    Você sabe? Sabe de quais momentos eu falo?
    Às vezes parecem que momentos assim não existem
    Não sei dizer se é sonho ou conjuntivite
    Ou uma obra de Magritte

    Poderia ser um momento desses uma música do Pearl Jam?
    Ou uma balada do Red Hot que eu não sei cantar muito bem
    Porque eu só tinha ainda em mente o som do seu discman
    E você me pegou desprevenida: sem tempero, sem medida
    E me ganhou com uma mordida

    Eu me distraio e me divido
    Revivo cada gosto, cada corredor partido
    Cada palavra, cada brisa, cada gole, cada nota, cada grito
    Cada reflexo invertido

    Tudo o que peço
    Vem em verso
    Tudo o que eu vivo
    Tem eco
    Que persiste no amanhecer
    Daquele momento seguinte
    Que não sei bem se existe
    Segunda-feira is ending

    Momento que sobra
    Depois que a borboleta bate sua asa
    E deixa no ar uma leve saudade
    E uma doida vontade
    De ter 15 anos por toda eternidade


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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