Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

panico

  • [Embaçada]

    [Embaçada]

    Sinto sono
    Como um engodo
    Enterro o rosto
    No travesseiro escuro
    Pergunto as horas
    Pro criado-mudo
    Deve ser segunda-feira,
    logo suponho
    Amanheceu e eu nem me encontro

    A vista embaça
    A neblina me abraça
    Onde está a calçada
    Não enxergo nada

    A pista escapa
    A lista acaba
    A risca estica
    O sono amarra

    Onde foi parar o foco?
    A segunda-feira
    se dividiu em blocos
    E caiu sobre meus ombros
    Como um galope

    Onde foi parar o Norte?
    A segunda-feira
    me deixou na sorte
    Perambulando feito boba da corte
    Tentando encontrar um recorte
    Uma fresta
    Uma aresta
    Por onde eu possa enxergar
    E respirar
    Pra que eu possa atravessar esse dia
    E me livrar desse sono
    Medonho
    Que me cega
    Enquanto a neblina sossega
    E paira
    Embaçada
    Sobre meu colo
    Sobre minha segunda-feira
    falha 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet


    ilustração deste poema: Stella Im Hultberg’s “Beholden” [Sumi ink, watercolor, and colored pencil on watercolor paper]. 

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