Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

poemapuro

  • [Poema puro, às vezes]

    [Poema puro, às vezes]

    Às vezes tenho vontade
    de adotar aquela frase
    que saiu inacabada
    da tua boca desenhada

    Às vezes, só às vezes
    tua saliva bordada
    parece ora um poema sedento
    ora uma prece, ora um segredo

    Ora um pranto lento

    Às vezes a segunda-feira chega
    como vírgulas no teu sorriso
    e me convidam ao abismo

    Às vezes eu nem ligo
    se teus cílios curvos
    são muros

    Ou se teu coração duro 
    quer me escrever no escuro

    Não precisa gritar, eu te escuto
    vamos fazer como da última vez?

    Pode cair, eu te seguro
    e às vezes até juro
    que este poema puro
    foi você quem fez


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: The pencil on paper drawings of Julia Randall from Lick Line Collection: a series of disembodied mouths floating in space. “Rendered in exacting detail, the tongues protrude and beckon the viewer to come close. The mouth is the body’s critical site, where we eat, speak, kiss and bite; it is both ferocious and tender. We see the mouth and tongue all the time, yet they are highly intimate. Seen as a group the mouths undulate and bounce. Like many voices talking at once, they strangely invade our space with humor and perversity”.

    **

    Continue: [Poema puro, às vezes]