Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

sonhos

  • [Fragmentos]

    [Fragmentos]

    Pode o coração mudar de lugar?
    Depois do sol, depois da chuva,
    do primeiro olhar, do primeiro beijo… 
    Pode o coração mudar de lugar?
    Eu sei, não era pra divagar
    sobre apertos no peito,
    mas seu olhar cor de champagne
    todos os dias pela manhã
    todas às segundas… devagar
    segunda-feira a divagar
    você joga a pergunta no ar:
    pode o coração mudar de lugar? 

    Depois de um carinho altruísta,
    depois de uma rasteira egoísta,
    depois de o outono chegar… 

    Não me diga que é mentira,
    essa tua fala vazia
    esconde uma melodia. 

    E as asas prateadas
    camufladas no sótão
    daquela casa abandonada?
    Eu vi.
    Teu olhar arrefecido e vermelho
    Teu olhar seguiu meu rasante
    e tuas asas brilharam.
    E meu coração mudou de lugar. 
    Passou a bater descompassado, 
    queria fugir, virar faísca, 
    nunca mais vislumbrar. 

    Isso sim parece mentira.
    Mas se eu acredito no faz-de-conta,
    do not panic, it’s organic!
    Não chore, foi apenas um pesadelo. 

    Pode uma mesma casa
    reunir tantas entradas?
    Enquanto uma passagem serve de lar
    seu olhar cor de champagne
    no degrau da escada a descansar,
    outra paisagem esquece
    as correspondências no chão
    por dias
    e as folhas das revistas
    que alguém um dia assinou
    entortam-se e colecionam serenos. 

    Não me destile teu veneno
    porque eu passei e você não me seguiu.
    Nem meu cheiro você sentiu. 

    Mas a faísca…
    Ah, a faísca você viu.
    Só que você não vai me encontrar…

    Porque meu coração mudou de lugar.
    Ele está onde você menos imagina,
    não o procure na esquina
    dos meus sonhos…
    Lá, sabe o que você pode achar?

    Fragmentos de paisagem.

    Liberdade.

    Decolagem.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    ilustração deste poema: foto de arquivo pessoal.

    **

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  • [Tempo moribundo]

    [Tempo moribundo]

    De vez em
    quando
    Busco um
    canto
    Pra
    embalar meus prantos

    Segunda-feira de ponta-cabeça
    Peço que
    todo sal me esqueça 
    Mas que o
    sonho prevaleça

    Viro o
    mundo 
    Num
    segundo 
    E o raso
    vira fundo 
    E o prazo
    gira surdo
    Enquanto
    o tempo moribundo 
    Passa por
    baixo, quase mudo,
    dos meus
    cabelos imundos

    Segunda-feira eu me confundo

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    be panic…
    panicmonday.com.br
    panicmday@gmail.com


    ilustração deste poema: CJ Tajonera Bio creates surreal photographs that depicts human emotions through visual storytelling. This one is about let life turned upside down, so you can learn how to live right side up.

    **

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  • [Quintal de Sonhos]

    [Quintal de Sonhos]

    Quando
    meus sonhos escapam
    Eu me
    calo
    E deixo
    que eles voem
    Pra
    debaixo dos teus sapatos 

    Pra que
    teus pés flutuem 
    Feito
    nuvem 
    No mundo
    paralelo 
    Que te
    consome 

    Não me
    culpe 
    Não me
    cuspa tua fome  
    Não
    atente a sorte 
    Nem
    perfume a morte 

    Não me
    insulte 
    Segunda-feira banal 
    Queria só
    ser teu plural 
    Só que o
    sonho é desigual 
    Teu sonho
    escapa 
    No
    primeiro vendaval 
    E pula
    etapas, cercas, mapas 
    Meu sonho
    repousa no quintal 

    Da minha segunda-feira
    acidental

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: graphite by @bonnieleemanart ’When Dreams Escape

    **

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  • [Rabiscos]

    [Rabiscos]

    Nem sempre somos vistos como nos vemos.
    Nem sempre somos vistos.
    Nem sempre vemos.
    Nem sempre somos.
    Às vezes sonhos.
    Em outras, riscos.
    Ou rabiscos que risco enquanto arrisco um novo sonho.
    Um sonho arisco nem sempre assim tão novo.
    Um sonho de molho que cai no chão.
    E salta ao colo.
    E vira renda nas tuas mãos.
    Um sonho leve quase uma prece.
    Não tem receita, nem segunda-feira.
    Nem sintonia perfeita.
    Nem sempre vemos, nem sempre temos.
    Às vezes desenhamos rabiscos velhos em acordes novos.
    Às vezes fomos. 
    Às vezes risos.
    Segunda-feira eu improviso.
    Rabiscos.

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Mandalas desenhadas na rua by Bicho de Pé.

    **

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  • [Será que pode?]

    [Será que pode?]

    Sua presença
    Minha ausência
    Encontro perdido
    Pista de dança

    Compartilhamos olhares
    E partilhamos mares
    Inebriantes patamares
    Esquinas fugidias
    Escadas frias
    Beijo seco
    Segunda-feira do avesso

    Olho no olho, tudo bem
    Só se for agora
    Na Segunda-feira, meu bem
    Cara virada e alma lavada

    Face a face num pedido
    É só o que eu preciso
    Aqui dentro eu digo:
    Escolhi sumiço
    E antes o incerto
    Do que um beijo perto
    Perdeu o feitiço
    Tão longe, tão certo

    A música levou a semana embora
    A dúvida definiu a memória
    Um carinho breve
    O que houve ali ficou pra história

    Ciranda cirandinha
    Vem agora me buscar
    Meu sono é protegido
    Volta e meia tudo pode mudar

    Meia noite é hora da ceia
    Noite inteira, meia sobremesa
    Mudou tudo e não era nada
    Segunda-feira de boas maneiras

    Que venha o sonho sem critério
    Que o filtro evoque seu mistério
    Que outras Segundas voltem
    Que o feltro forje e a saia rode
    E o sorriso roubado molde
    Mas… Será que pode?


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Por enquanto]

    [Por enquanto]

    Nossos momentos todos

    Fazem da vida um eterno por enquanto
    Um pedaço de mar no pensamento

    Um altar de entretantos

    Garoa fina na menina

    Suco de tangerina

    Cheiro de fruta doce

    Flores de seda na cortina

    Café da manhã com neblina

    Segunda-feira matutina
    De vez em quando, parafina

    Croissant, sonho, bananinha

    Passos de bailarina

    Passo o passo passo-a-passo

    E caminho ao seu lado

    Por nossos momentos todos

    E disfarço, por enquanto

    Porque eu te desenhei

    Mesmo que você não saiba

    Mesmo que você nem sonhe

    Desenhei em tons e sons e amores

    Colori alguns momentos
    Para que fossem nossos

    Desenhei apontamentos

    Construí apartamentos

    Imaginei a música que vai tocar

    Quando no colo você me carregar

    Mas por enquanto me contento

    Com cada momento ao relento

    Pois nossos momentos todos

    Fazem da acolhida
    um eterno por enquanto

    E norteiam nossa vida

    Por quantos portantos
    couberem no entretanto

     –
    by Tina Teresa

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  • [Doer, dói sempre]

    [Doer, dói sempre]

    A cada dia fazemos escolhas.
    Da camisa amassada
    ao sapato embolorado,
    da calça que não serve mais
    ao futuro embriagado. 

    Ir ou não ir,
    comer ou não
    aquela torta recheada,
    beijar ou não
    aquela boca safada. 

    Pois é, do sabão a gente faz bolha.
    Da brincadeira de bombeiro ou astronauta
    surgem desenhistas, advogados, jornalistas. 
    Da segunda-feira nascem trapezistas.

    E, sabe de uma coisa?
    Crescer é colecionar sonhos.
    Decidir o que ser quando crescer é tão relativo.
    Fugir pode ser repetitivo.
    Seja em casa, na escola,
    no parquinho ou no trabalho.
    Seja desenhando tratores
    ou rufando tambores.
    Esteja o céu trovejando
    ou o sol brilhando. 

    Crescer é escolher viver.
    E crescer dói,
    já disse Raquel de Queiroz:
    “Doer, dói sempre.
    Só não dói depois de morto.
    Porque a vida toda é um doer.” 

    Entre passos no asfalto
    ou com barro no sapato,
    de moto ou de charrete,
    o que nos aguarda não tarda,
    de repente vem voando num tapete.


    by Tina Teresa

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  • [Entre trocas e sonhos]

    [Entre trocas e sonhos]


    À medida que another panic monday se aproxima, meu receio de que o dia não fosse grande o bastante para todos os meus sonhos tirava meu sono. 

    Como sonhar sem dormir? 

    Como relaxar e dormir se tantos sonhos me povoam? 

    Como esperar a segunda-feira me ferir?

    Já sei, vou aproveitar para levar o lixo pra fora. Não, o zelador só abre a portinha às 8h. Como assim, são apenas 3h? Dorme, criatura. Trocar a roupa de cama logo que levantar, dará tempo? 

    Quero tanto colocar a fronha do conjunto do edredom novo que eu ainda não usei… E as neosaldinas que eu comprei da última vez? Já tomei todas e não lembro? Guardei em algum lugar, só pode. Mas onde? Será que ficaram na bolsa vermelha? 

    Não, não vou levantar pra ver isso agora. Senti dor de cabeça antes de dormir. Senti fome também. E preguiça, muita preguiça. Tive vontade de dormir cedo, mas não fui. E ainda assim fico acordando de tempo em tempo confusa por não ter o que planejar. 

    Sério. 

    O domingo foi intenso, ainda sinto o cheiro. Se o que eu queria que fosse já tinha sido, o que esperar? Começa logo, dia tenso. 

    5h ainda? Vou meditar. E me ditar alguns sonhos só pra ver no que dá. Lençóis cinza vão combinar. 

     –
    by @DiaboliqViolet

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