Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

Speech balloons

  • [Diálogos] – parte 2 – de mim pra ti de novo

    [Diálogos] – parte 2 – de mim pra ti de novo

    Adoro buscar no teu coração
    A batida dos nossos diálogos
    A despeito de toda desconfiança
    De todo afago, de toda cobrança
    De todos os segredos polvilhados no tempo
    Destruídos por palavras alheias
    Mas reinventados em versos estreitos
    Que escrevo deitada em teu peito
    Enquanto o timbre do teu cheiro
    Inunda meu sonho inteiro
    Feito geleia de amora no pão de centeio

    Adoro tua densidade fugidia
    Que vai do gostar ao tanto faz
    E paira entre o impecável e o problemático
    Numa indefinição temporária fugaz
    Segunda-feira tardia

    Adoro tua imperfeição
    E teu deslumbre disforme
    Que me ensina coisas tão simples
    Como o convívio com meus cabelos surtados
    E com tua impaciência incólume
    Cheia de contradições e discursos decorados
    Ancorados no subsolo da memória
    Das tuas verdades distorcidas
    E da tua vida distraída

    Adoro nossos diálogos
    E nossos dias
    E nossos logos
    E nossos esforços
    Que inundam nossos olhos
    E cuidam para que a ligeireza
    Não atrapalhe a precaução
    Nem contamine nossas juras
    Ou nossas curas
    Ninguém tem culpa
    Minha escolha, tua desculpa
    Tua música, minha decisão


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Romain Gérard: Speech balloons | Classwork by Romain Gérard (2TID2) at HEAJ (Haute Ecole Albert Jacquard, Namur, B): graphic research inspired by Saul Steinberg’s work.

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  • [Diálogos] – parte 1 – de mim pra ti

    [Diálogos] – parte 1 – de mim pra ti

    Adoro te ver na penumbra
    E sentir teu cheiro de sol
    Adoro repousar no teu ventre
    De segunda a segunda
    Enquanto teu peito chia
    Feito rádio fora de sintonia
    Misturado ao barulho do mar
    Ecoando na tua barriga fria
    E fazendo dobras no meu lençol

    Adoro acordar do teu lado
    E trocar cochichos descompassados
    Enquanto a redundância mista tua
    Faz gentilezas sobre a alma minha nua
    Domingo, dormindo, subindo pelas paredes
    Zunindo, saindo, entrando, pedindo
    Expelindo sonhos e coletando encontros
    Desejos perdidos em canções ardentes
    Enquanto que o que existe, resiste
    E as cordas da viola choram tuas dores
    Para além da saudade e dos outros amores

    Adoro nossas impressões compartilhadas
    Nossas figuras de linguagem atravessadas
    Nossos diálogos desritmados
    Sem preferências estrábicas
    Definidas por convenções limitadas
    Ou por opiniões repartidas
    Numa curiosa simetria
    Dissimulada por tua respiração arredia
    Mergulhada no silêncio da noite
    Abafada por teus extremos
    E pelos teus risos altos
    À espera do dia seguinte
    E de todos os dias outra vez
    Tua voz na minha tez
    Destino atroz que te refez


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Styven Magnes: Speech balloons | Classwork by Styven Magnes (2TID1) at HEAJ (Haute Ecole Albert Jacquard, Namur, B): graphic research inspired by Saul Steinberg’s work.

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