_
Cata
Só por um momento
Penso
Em quase nada
Enquanto cato tempo
E ganho tempo
Pra uma nova segunda-feira
Que me cata
E descarta
Tampa o tempo
Tanto tempo
Vem por tanto
Vento tanto
Tento tanto
Por tanto tempo
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[catavento]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2012/09/tumblr_mcmxhtrSiJ1rjsev1o1_640-1.jpg)
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Cata
Só por um momento
Penso
Em quase nada
Enquanto cato tempo
E ganho tempo
Pra uma nova segunda-feira
Que me cata
E descarta
Tampa o tempo
Tanto tempo
Vem por tanto
Vento tanto
Tento tanto
Por tanto tempo
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[Embreagem]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2013/02/d5ed9aa5519c141d1cd7dbd46a05dfac272fcfe2.jpg)
Eu quero muito. E isso me move.
Entendo que nem todo querer é viável.
Entendo que a gente se acostuma
e o querer se transforma numa utopia,
num sonho inatingível,
num amor platônico
que paira numa realidade inventada.
Mas continuo querendo.
Mesmo sabendo
que nem todo o ter traz felicidade,
que nem todo o ter é pra ser,
que querer demais pode desequilibrar,
desestabilizar, desconcertar.
Talvez coisas, pessoas ou momentos
também tenham seus próprios tempos,
suas próprias segundas-feiras…
e cruzar nosso caminho seja escolha alheia
e não nossa.
Decisão comedida
de um fragmento de vida
que dura o que tem que durar
e perdura no que fica,
seja memória ou saudade,
experiência ou liberdade,
aventura ou sinceridade.
Em verdade não temos nada.
Breve efemeridade.
Tempo a tempo. Cumplicidade.
Porque a gente se acostuma,
mesmo que seja a não se acomodar.
Mas quando vem a necessidade
de pisar na embreagem,
o pé esquerdo nem se dá conta,
já que há tempos só descansa,
não afronta.
E a marcha não engata,
a cabeça trava,
o carro não anda,
o mundo não gira,
a gargalhada pira
e o que um dia foi rotina
precisa voltar à tona.
E eu continuo querendo.
Mesmo que tropeçando,
caindo, trottoando.
Assumindo incertezas,
aceitando ignorâncias,
desejando novas conquistas,
desenhando novos sonhos.
Aprendendo e desaprendendo.
Criando e desconstruindo.
Chorando o risco de ver sumir no ar
existências tão lindas.
Mesmo querendo sempre,
a felicidade de viver esse tempo
que é só meu me consome em caldas.
Porque minha paz é inquieta e insegura
mas me acalma,
me transcende,
me acende e,
parece que não,
mas me entende.
Numa certeza mansa,
uma presença que encanta.
Eu quero estar aqui.
Cada vez mais.
E isso é o máximo.
É belo. É pleno.
Sem veneno, só chocolate.
Que derrete na boca,
lambuza a roupa
e brinca com minha vaidade.
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[Inércia]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2013/06/tumblr_mopy9d0O8Q1rjsev1o1_500-1.jpg)
Vamos parar o tempo
No template do meu prato
No tempero do teu vento
No pedaço do nosso cansaço
Vamos parar o tempo
Na cadência do compasso
Na ternura do momento
No aconchego de um abraço
Vamos parar o tempo
Na batida do teu ato
No frame do meu jeito
No sorriso de um pensamento
Vamos parar o tempo
Na neblina da estrada
Na pressa do efêmero
Num sincero lamento
Vamos parar o tempo
Na aspereza de um beijo lento
No mergulho de um fundo raro
No suor de um passatempo
Vamos parar o tempo
Na maciez do amanhecer na praia
Na palidez do outono pleno
Na escassez da saudade
Vamos parar o tempo
Porque a vida pede um tempo
Porque o tempo pede um tempo
Porque esse é o nosso momento
Vamos parar o tempo
Na poesia das coisas todas
No tic-tac das bodas
Na inércia dessa segunda-feira tonta
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❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[Desembrulho]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2014/01/tumblr_mmn3rhIzuR1rh03yko1_640-1.jpg)
Laçada de orgulho
Desembrulho
Pedaço de euforia
Kriptonita
Segunda-feira maldita
Pedregulho
Saudade simples dos pés gelados
Debaixo da coberta amassada
Saudade de um drinque
Enquanto você me olha
E depois me brinca
Me abafa em beijos
Me afoga em carinho
Me invade em silêncio
E me desembrulha
E me teletransporta
O tempo todo
Por todo o mundo
Pra qualquer tempo
Praquele momento
Praquele “oi” dito de fora pra dentro
Como que me convidando
A fazer parte do seu tempo
Sem pestanejar
Porque você é o meu lugar
Nossos pés se tocam
E trocam
Milhares de paisagens
Em cada olhar uma mensagem
Do alto do muro
Abraço puro
Amasso no escuro
Eu te seguro
E grito
Em negrito
O quanto eu quero
Caramelo
E desembrulho
Seu coração
No meu castelo
Onde chove algodão
E adormece um universo paralelo
Sensação
Presente terno
Tão belo
Te encontrar foi singelo
Te querer é um novelo
Que eu desembrulho
E me enrolo
Porque é em você que eu moro
Porque é seu gosto que eu decoro
E repito em goles cada vez melhores
É com você que eu namoro
E adoro
E desembrulho
E desenrolo
Segunda-feira aflita
Volte, eu imploro
Repita
Segunda-feira tem visita
Que bonita
Você é meu presente
Que eu desembrulho
E desenho nosso futuro
Com meus cabelos
Amarelos
—
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[Sem tempo]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2013/09/tumblr_mqiuaxZSLm1rjsev1o1_500-1.jpg)
Rugas de datilografia
Contam histórias, nostalgias
Mudas memórias
Tanta rebeldia
Mude a sua sina
Carimbe seu sorriso
Com goles de adrenalina
Troque o tempo
Trote o vento
Furte a cor do pensamento
Deixe a segunda-feira surgir
Pra semana nascer feliz
E todo o resto distrair
E fluir
—
by Tina Teresa ♡
![[Tanto tempo]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2013/07/tumblr_moy9ebsF3P1rjsev1o1_1280.webp)
Tudo contra
Contra tempo
Tanto tudo
Ao mesmo tempo
Tic tac
Tem que ter que
Dar um tempo
Fale tudo
Sinta muito
Pouco mesmo
Tanto muito
O tempo todo
De tempos em tempos
Ame muito
Meu contento
Tudo junto
Nosso mundo
Tempo tanto
Tem portanto
Tanto por
Muito tudo
Por você
Meu amor
Se na segunda-feira eu for
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
★ ilustração deste poema: Times Haiku, um projeto do The New York Times que utiliza algoritmos para identificar poesias acidentais (no formato 5-7-5 sílabas) em seus artigos. A arte deste poema foi extraída do artigo “A Test Track for Tuning Up Supreme Court Arguments”, publicado em 23 de junho de 2013.
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![[Chuva Prata]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2013/06/tumblr_mojlzbSBdt1rjsev1o1_1280-1.jpg)
Não tinha motivo para não ir,
mas rolava um receio,
um aperto no estômago,
não tinha explicação.
Desculpas pra ficar surgiam a todo instante.
A chuva poderia ser a culpada.
A pontinha de dor de cabeça, também.
Assim como o trânsito, a preguiça,
o desconforto no pescoço,
a vontade de ficar debaixo das cobertas
assistindo seriado atrasado…
Mas de repente
a gente tinha hora marcada.
E daí era pra valer.
E o vidro do carro embaçado,
o café adocicado,
as voltas na quadra procurando vaga,
a fruta trocada,
o fone sem estéreo
e o adaptador da tomada
eram motivos de sorrisos.
A chuva nem atrapalhava.
Eu fazia que nada era nada,
que não tava nem aí,
que pouco me importava.
Mas a verdade me esmagava.
A segunda-feira vai chegar atrasada.
Eu não precisei falar nada,
porque você já sabia de tudo.
Fosse preto ou fosse prata,
não rolava mais medo de dar mancada.
Mentira, rolava sim.
Fosse mesmo você mesmo.
Venha o que vier, seja o que for,
se falei demais, se o que li foi muito,
se duvidei um pouco,
se entreguei o jogo… Foi.
E que seja o que tiver de ser.
E que seja o que a gente quiser,
haja o que houver, chova o que chover.
Porque existe um sol dentro da gente
que brilha docemente,
intensamente.
Um sol eloquente.
Que me faz ver estrelas
no céu da tua boca.
E que traz o aroma do mar
para os seus olhos
enquanto a chuva prata
desenha arco-íris
nos meus cabelos dourados.
E daí se estava nublado?
Apenas sinta, não minta.
O tempo tem a cor que a gente pinta
quando estamos com os olhos fechados.
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
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![[White tulip]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2013/01/tumblr_mh1rc0vbKy1rjsev1o1_1280-1.jpg)
Cada segunda-feira que chega
é um novo começo.
Um reset de tempo,
uma tulipa branca.
Um universo paralelo
repleto de possibilidades.
Uma página nova
para sonhar,
planejar,
pestanejar,
relembrar
que uma história
só tem dono
quando é carimbada
no coração.
Panela de pressão.
Coisas que vêm e vão.
Coisas que aparecem
de onde eu chego
e nem por isso
o dia amanhece mais cedo.
Morcego.
Pé gelado no verão.
Vigilância solitária
de um tempo
que não foi meu.
Pra que esforço
ou alvoroço
se o que sobra
é apenas sobra.
Manobra.
Saudade que nem dói,
mas corrói.
Saudade de um novo dia
que não tarda,
que não chega,
que não falha,
que não pensa,
que não nega
nem tolera
essa cega
parcela de nós.
–
by Tina Teresa
![[Enquanto você não vem…]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2013/01/tumblr_mh04seGXhQ1rjsev1o1_500-1.jpg)
O tempo passa tanto.
Tanto tempo num enquanto.
Tanta espera, tanto pranto.
Por que tanto portanto?
Enquanto canto em cada canto,
o tempo canta na varanda
do meu peito.
Não tem jeito.
Ou eu espero ou apenas quero
que esse tempo que eu não tenho
simplesmente apareça
e me vire de ponta cabeça.
Seria o destino me olhando de canto?
Ou um menino de tamanco
sapateando dores,
furtando amores,
trocando sorrisos
por pequenos sabores…
Enquanto a segunda não vem.
–
by Tina Teresa
![[Mistério]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2012/09/tumblr_mpfxr225Qv1rjsev1o1_1280-1.jpg)
Se escrevo é porque tenho
O tempo na garganta
A intensidade nas mãos
E sorriso de criança
Se escrevo é porque tento
Segurar o infinito
Apertar o grito junto ao peito
E abrir qualquer pedaço restrito
Se sonho é porque quero
Que a segunda-feira venha
E traga afago, traga renda
Na neblina desse mistério
–
by Tina Teresa