Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

tinateresa

  • [Dança de Outono]

    [Dança de Outono]

    Acabou o Verão
    E agora aqueço o coração
    com as folhas caídas
    da nova estação 

    Acabou o Verão
    E com eles as promessas guardadas,
    os amores perdidos
    e os beijos em fusão

    Foi apenas tesão?
    Os abraços suados
    e os banhos gelados
    nos inundaram em vão?

    Ou nossa dança imunda
    uniu nossas almas
    de segunda à segunda
    feito segredo que amarga
    um palpite, uma pausa,
    uma declaração profunda
    sobre o tempo em questão?

    Será agora a segunda-feira invisível?
    Ou será o Outono que aflora simplesmente incrível? 

    It’s Fall
    Let’s fall in love
    no matter how
    te quero sem igual

    O Verão foi embora
    e a segunda-feira chora
    Mas meu beijo ainda te espera
    sem conjuras
    sem demora
    antes que o vento lá fora
    resolva assoviar em outra aurora

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: leaf cutting art by Kanat Nurtazin

    **

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  • [Invasão]

    [Invasão]

    Só agora você veio
    E só agora a segunda-feira chegou
    Logo agora, displicente
    Gosto quando a gente adormece de repente
    Assim, tudo atravessado, no meio
    No meio da cama, da noite, do seio
    Meio sem rumo, sem freio
    Perdidos na distância de um segundo

    Justo agora você veio
    Bem enquanto eu me distraía
    Entre um travesseiro e um beijo
    Entre um abraço e meu receio
    Justo agora quando vinha o recheio
    Que seja eterno enquanto mútuo
    Que seja leve enquanto flútuo
    Segunda-feira o dia tá cheio

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: invasions by Charles Pétillon

    **

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  • [Intriga]

    [Intriga]

    É legal escrever teu nome no vento
    E rebolar entre o ir e o não ir
    É legal pensar em você de madrugada
    Sonhando acordada
    Com as paisagens que te prometi

    Só não é legal esperar
    A segunda-feira marcada
    Debruçada na sacada
    Com a camisola amassada
    Até você se decidir

    Quero compartilhar momentos
    E te trazer pra minha vida
    Mas você só fica se escondendo
    Revidando minhas investidas
    E dando mãos ou até beijos
    Só quando não tem ninguém vendo
    Será que você não tá nem aí?
    Tá esperando o circo cair?
    Ou será que tem vergonha de mim?

    Por que você não me convida
    Pra passear, viajar,
    Ficar de pernas pro ar?
    Por que você não me abriga
    Nos teus abraços descalços
    Divididos entre a terra e o mar
    Entre o trabalho e o sonho
    Entre o orvalho e nossos demônios?
    Por que você não me atira
    De cabeça, mesmo sem destreza
    Pra dentro da tua vida?
    Chega de me chamar só de amiga
    Já passou do tempo da gente se amar

    Toda a segunda-feira a mesma intriga
    Será que você vai me ligar?
    Quando será que vai chegar o dia
    Daquele frio na barriga
    Fazer a gente voar?
    O passado quer repousar
    O futuro bate na porta todo dia
    Você me fascina
    Mas sempre insiste em me deixar
    Sozinha na esquina
    Sem sina
    Esperando
    A segunda-feira acabar

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Art by Rita Renoir

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  • [Mania feia]

    [Mania feia]

    Às vezes me chateia
    Essa tua mania feia
    De jogar palavras no ar
    E largar frases soltas ao chão
    Pra eu juntar os pedaços depois
    Como se tudo fosse poeira 

    Às vezes me incendeia
    Essa tua vergonha alheia
    Das piadas que eu digo
    Ou dos tropeços que eu finjo
    Como se tudo fosse brincadeira 

    Pode vir, segunda-feira
    Não é você quem determina
    Quando um assunto começa
    Ou quando ele termina
    Mas às vezes você me estapeia

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: the scars nobody sees” by @kelogsloops

    **

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  • [Chama]

    [Chama]

    Você é chama
    quando me chama
    tarde da noite
    na segunda-feira insana

    Você é chama
    quando reclama
    dos pesadelos taciturnos
    que povoam tua cama

    Você é chama
    quando me inflama
    com palavras páfias
    polvilhadas no meu drama 

    Você é chama
    quando acha que me engana
    ou que me comove
    a cada começo de semana

    A segunda-feira chama

    Chama teu nome
    disfarçado de anagrama
    no meu telefone perdido
    atrás da persiana…

    Chama teu fogo
    disfarçado de bobo
    bobo da corte, me poupe
    vem, arranca meu pijama

    Ah, chama sacana
    você se acha soberana?
    teu fogo em mim
    você derrama
    você me arde feito amburana
    queima minha pele
    invade minha grama
    segunda-feira leviana

    __

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: ypography by @lucasmilk​ 

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  • [Cotidiano]

    [Cotidiano]

    Pela primeira vez
    Depois de anos
    Eu fiz planos 

    Foi quando perdi o sono
    Ainda de quimono
    Depois do teu abandono 

    Sei que parece tolo
    E talvez até insano
    Mas penso em você o tempo todo 

    Mesmo quando encontro
    Outras luzes, sons, cores e rostos
    Ou no meio do cotidiano 

    Segunda-feira se não me engano
    Entre acordes de piano
    Resolvi arrancar do meu peito
    Esse coração profano
    Pra poder sonhar sem mando
    Sem ninguém no meu comando 

    Pela primeira vez
    Depois de anos
    Aprendi a dizer eu te amo

    __

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: fotografia by @anendfor durante a primeira edição da aula / workshop / troca de ideias do #365nus em São Paulo. “Acho que essa é a que mais curto do dia, pelo fato de ter muito a ver com a Thays: ela tem essa cicatriz no peito, proveniente de uma operação no coração, que ostenta orgulhosamente – além de também ter um coração gigante ali dentro”, dia o fotógrafo, Fernando Schlaepfer, em sua postagem original, no Instagram.

    **

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  • [Momento cálido]

    [Momento cálido]

    Hoje eu quero
    que o tempo passe rápido…
    quero um momento sem tormento
    pra chamar de meu
    um momento cálido
    que seja eterno
    que seja terno
    e leve embora
    esse coração enfermo
    que insiste em sangrar
    amores pálidos
    que ninguém prometeu 

    Hoje eu quero
    calda de caramelo
    pra jogar no meu castelo
    de sonhos e embalar
    meus tronos de cetim…
    quero uma loucura derradeira
    que não seja passageira
    uma loucura que me dome
    enquanto você dorme
    uma loucura que carregue
    toda minha febre
    pra longe da segunda-feira

    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Acrylic and Watercolor on Paper by Lesya Poplavskaya

    | Motion Effects by rexisky 

    **

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  • [Bagagem]

    [Bagagem]

    Eu não vou esperar
    A segunda-feira chegar
    Pra você me chamar
    Eu não vou simplesmente deixar
    A noite afundar teus problemas entre as estrelas
    Pra você deitar teus pés cansados
    Sobre meu peito abafado
    E suar tua mágoa embora
    Em suspiros velados

    Eu posso te beijar pra te deixar feliz
    Me despir pra te fazer dormir
    E sorrir pra você me notar
    Mas jamais, ah, jamais…
    Permitir à vida escoar
    Ou murchar minhas pétalas pálidas
    Junto às tuas folhas tácitas
    Ali jogadas, quase perdidas, amassadas
    Desconcertadas por tua ausência não planejada

    Dare to look beneath my surface
    Discover the secret place…
    I’m living in
    Dare to be the mate…
    I’m seeking for, by the gate
    Lost in my sin
    I can’t stick around for your garbage
    Nem por tudo e nem por nada
    Nem pela segunda-feira adiada

    But I want to unpack your baggage…

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    Pupa 02 pyro/pigment mini (6″x6″) by Fay Helfer

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  • [Blue Monday]

    [Blue Monday]

    A segunda-feira desconstrói o óbvio
    Com chuviscos dispersos
    Carregando saudade
    Por toda a cidade 

    A segunda-feira me pega de surpresa
    Bem do jeito que eu não gosto
    Blefando minha beleza
    E saindo à francesa

    A segunda-feira se pinta de azul
    Enquanto a lua cheia dança
    Em outra praia, outra vizinhança
    Ou num castelo em Istambul 

    Segunda-feira, troca o disco  
    Chega de esboço ou suspiro efêmero
    Chega de ficar fazendo bico
    Deita em mim que eu te rabisco 

    Segunda-feira, tenha dó  
    Leve embora toda essa dor
    E se preciso for
    Traga mais amor, por favor 

    Segunda-feira, eu te suplico
    Abrasa meus restos de afetos
    Em um único abraço oblíquo
    Do meu admirador secreto

    Porque eu cansei desse desapego
    Cansei ver todo mundo solto
    Salteando fotos e frases prontas
    Em sorrisos que nem percebo 

    Porquê a saudade trava
    Cada vez que eu pego a estrada
    Cada vez que te deixo intenso
    Deitado de lado em silêncio 

    A saudade me embriaga
    A segunda-feira me arremata
    Cada vez que você me larga
    Sem saber se me ama ou me gasta

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: “No Frontiers” by Nether410!

    Bronx, New York, USA. @elgraffiti​ 

    **

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  • [Estilhaços]

    [Estilhaços]

    Feche os olhos
    Enquanto eu peso no teu colo
    Meus desejos sóbrios 

    Feche a porta 
    Enquanto eu me jogo na tua cama
    Um pouco tonta, um pouco torta 

    Feche o tempo
    Pra que a segunda-feira nunca chegue  
    Ou nunca vá embora, sei lá 

    Contigo eu me contento
    Quero ser teu momento
    Aos pés da lareira que nunca acendemos 
    Ou da banheira que só existe
    No nosso pensamento 

    Contigo eu sinto o vento
    Me beijar em silêncio
    Cada escolha é um risco
    Que eu transformo em rabisco
    Sem nenhum ressentimento  

    Contigo eu nem penso
    Apenas te sustento
    Entre minhas memórias novas
    Entre meus sonhos bobos
    E teus abraços gostosos 

    Então feche o passo
    Pra eu te alcançar com um laço
    Um laço de fita
    De cetim, bem bonita
    A segunda-feira grita
    Esperando ser escrita
    Esperando nosso rastro
    Um pouco tímido, um pouco farto
    Um pouco lindo, um pouco mágico
    Um pouco de mim, um pouco de ti
    Misturando nossos estilhaços 

    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema:

    Street photography by @hobopeeba

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  • [Pássaro louco]

    [Pássaro louco]

    Tuas asas nunca couberam nesse mundo
    Tampouco tuas falas rasas
    Que foram buscar no céu
    Novas rimas
    Novas sinas
    Ou a tua obra-prima
    Que não coube no papel

    Tua ânsia transbordou teu corpo
    Tu és pássaro louco
    E o tempo pra ti foi pouco
    Ele te levou pra cantar com os anjos
    Novos acordes
    Novos arranjos
    Logo antes do ano novo
    O tempo te deixou rouco
    E o vento te fez pranto 

    Tantas penas deixastes
    Molhadas de lágrima e saudades
    Em tantas fendas caístes
    Em busca de liberdade
    Penso que enfim encontrastes
    Tudo o que sempre pedistes
    Teu sonho agora existe
    E teus braços abrem largos
    Pras estrelas que desenhastes 

    A segunda-feira amanheceu triste
    Apenas pra quem insiste
    Em ver teu lado parvo
    Segunda-feira nasceu em riste
    Feito um voo perfeito
    Ou uma onda no ocaso
    Segunda-feira, me feristes
    Pássaro louco machucado
    Vá em paz, enamorado 

    Viva no céu ou no mar
    E faça teu infinito encantado
    Tire as sereias pra dançar
    Brinde teu amor alucinado
    Cante uma canção de ninar
    Embale o sono embriagado
    E deixe o universo te abraçar

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    be panic…
    panicmonday.com.br
    panicmday@gmail.com


    ilustração deste poema: art by Alessandro Gottardo, aka Shout. Born in Pordenone (Italy), this artist, illustrator and designer studied at a specialist art high school in Venice and in the Illustration department of the Istituto Europeo di Design in Milano. SHOUT creates visual art projects for advertising campaigns, design products and publishers in four continents. His works have been featured in these following prestigious annuals: Communications Arts, American Illustrators, Society of Illustrators and 3×3 Magazine.

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  • [Corrosiva]

    [Corrosiva]

    Quem diria
    Que teu blefe seria
    O que te definiria
    Enquanto minha seiva daninha
    Te definharia 

    Quem diria
    Que a segunda-feira viria
    Incandescente e lascívia
    Corroendo o dia
    Doentia 

    Tem um veneno quente
    Circulando no meu ventre
    Vertendo dos meus dentes
    Te trazendo pra mim
    Inconsequente 

    Só não me traga ironia
    A segunda-feira já urgia
    Minha boca já ardia
    Por tudo que teu beijo
    Nunca me dizia 

    Não me diga covardia
    Sem tentar uma simpatia
    Ou ver se alguma estrela-guia
    Muda o curso do teu dia
    Pra minha rebeldia 

    Segunda-feira, quem diria
    Tudo o que eu queria
    Era escrever em letra cursiva
    Um poema diferente
    Pra te cativar à luz do dia 

    Dentro de mim algo jazia
    Feito veneno de serpente
    Dentro de mim eu te queria
    Antes que meu fogo latente
    Te derretesse numa orgia 

    Então teu beijo, quem diria
    Me inundou completamente
    Num sussurro eloquente
    E afogou amargamente
    Minha seiva corrosiva


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Shinji Nakaba é um designer de joias que trabalha no campo desde 1974 e uma de suas mais recentes invenções são as caveiras de pérolas – afinal, sua marca registrada são as criações extremamente diferentes. As pérolas de formatos diferentes conferem à cada caveira um jeito ~especial. E, em cada uma delas, Nakaba escreve a palavra “vanitas”, latim para vaidade – é uma referência à arte funerária do século 17, que colocava ênfase na efemeridade e na falta de propósito de nossas vidas terrenas.

    **

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