Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

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  • [catavento]

    [catavento]

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    Cata
    Só por um momento
    Penso
    Em quase nada
    Enquanto cato tempo
    E ganho tempo
    Pra uma nova segunda-feira
    Que me cata
    E descarta
    Tampa o tempo
    Tanto tempo
    Vem por tanto
    Vento tanto
    Tento tanto
    Por tanto tempo

    ❝ by Tina Teresapanicmonday

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  • [Tanto tempo]

    [Tanto tempo]

    Tudo contra

    Contra tempo

    Tanto tudo

    Ao mesmo tempo

    Tic tac

    Tem que ter que

    Dar um tempo

    Fale tudo

    Sinta muito

    Pouco mesmo

    Tanto muito

    O tempo todo

    De tempos em tempos

    Ame muito

    Meu contento

    Tudo junto

    Nosso mundo

    Tempo tanto

    Tem portanto

    Tanto por

    Muito tudo

    Por você

    Meu amor

    Se na segunda-feira eu for

     –
    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    ilustração deste poema: Times Haiku, um projeto do The New York Times que utiliza algoritmos para identificar poesias acidentais (no formato 5-7-5 sílabas) em seus artigos. A arte deste poema foi extraída do artigo “A Test Track for Tuning Up Supreme Court Arguments”, publicado em 23 de junho de 2013.

    **

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  • [Sílabas tortas]

    [Sílabas tortas]

    Unhas descascadas,
    cutículas machucadas.
    Não, uma sílaba não é nada simples:
    pode levar do céu ao inferno.
    Ou o inverso. 

    Nem toda revolta
    gera uma revolução.
    Mas uma evolução
    pode nascer de pouco menos
    de cinquenta tons
    de uma única frustração. 

    E sem nenhum verso pra contar história.
    Lembranças fazem cócegas,
    sorrisos são vírgulas
    que aguardam palavras. 

    Uma sílaba pode ser uma palavra inteira.
    Inteira, repleta, cheia…
    cheia de nada no meio do nada.
    No meio.
    Meio, metade, quase tudo, quase nada.
    Algodão. 

    É na segunda-feira que a semana começa?
    Qual a melhor música
    para inundar dias repletos de nada? 

    Qual mescla de letras transparece
    a melhor mescla de uma tentação? 

    Penso. Denso. Tenso. Imenso. Propenso.
    Cheiro da chuva de ontem de noite.
    Cheiro da grama recém cortada
    de ante-ontem.
    Cheiro de segunda-feira

    Músicas, muitas músicas, músicas sem fim.
    Sílabas em espiral. Tortas. Quase mortas. 

    Teriam as canções o poder de transformar
    meus comportamentos (e o dos outros)
    com a mesma eloquência e drama
    com que saem da minha boca? 

    Enquanto a boca canta,
    o estômago espreme as sílabas
    da sutil idiotice de existir. 

    Porque o porvir nada pede.
    Mas se algo está por vir,
    de que vale soletrar
    se a preguiça vai irritar
    a sílaba gritada,
    a sílaba quebrada? 

    O momento da decisão
    rasgou a unha num V. 

    Uma letra cravada no meio
    que atrapalha a minha pegada.
    Por quê? 

    O que virá? Quem viver, verá.
    Mais um verso.
    Reverso. Repenso. Convenço.
    Posso usar esse seu lenço? 

    Canto aqui no meu canto
    breves canções em contra-senso
    enquanto encanto,
    num pânico condescendente,
    mais uma segunda-feira sem silêncio.


    Tina Teresa

    • Artwork by Merna’s Artwork

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