Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

vida

  • [Restos]

    [Restos]

    Restos de domingo assombram a segunda-feira
    Dia sem fim, noite sem beira
    Prefiro um pedaço de caqui

    Choveu e eu nem vi
    A luz dos postes brilha na rua molhada
    Mas o piso da sacada continua quente
    Silêncios que só eu ouvi

    Nos pés descalços gruda o cheiro gorduroso
    Que vem pelo ar sem avisar
    Algum vizinho fez festa, será?
    Orvalho misturado com pedaços de almoço

    Criei minha própria tempestade
    Numa taça de cristal tão frágil, tão limpa
    Trincada por raios e trovões, sobrevivi

    Nem me dei conta que meus pés não estavam no chão
    Boiei em bolhas de champagne
    E esperei o arco-íris surgir


    by Tina Teresa

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  • [Prazo de validade]

    [Prazo de validade]

    Será que tudo tem prazo de validade? Se sim, será que é o grau de intensidade o que determina esse prazo? Don’t panic! A segunda-feira está quase no fim e a música que embala minha preguiça conversa comigo. Aliás, é comum músicas conversarem comigo.

    Ah, se essa e outras canções tivessem o poder de transformar comportamentos. E então daí as atitudes teriam prazos de validade. Teria valia? Quanto vale uma nota musical? Uma nota, certamente. E um adágio? Um pedágio?

    Outro dia me disseram que o sentido da vida depende da relação que estabelecemos com as pessoas. Enquanto cantamos sentimentos debaixo do chuveiro ou detrás do volante do carro, percebemos que cada relação depende da admiração que temos por essa ou por aquela pessoa.

    Talvez por isso as relações tenham prazos de validade. Será que só admiramos até onde a vista alcança? Se ‘ad mirar’ é ter próximo aos olhos, que dizer das canções que choram amores ou provocam sabores sem nada mostrar mas tudo revelar?

    As roupas que escolhi não vestir vão se amontoando do lado de fora do armário, criando um mundo à parte, solitário, que só eu vejo enquanto bocejo. Enquanto canto embalada e sinto sua presença velada disfarçada de lua cheia que invade minha sacada pedindo para ser admirada.

    Teria a luz que reflete a lua validade prorrogada já que o escuro toma conta quando fecho os olhos? Qual o futuro do infinito se o que percebo são defeitos sem efeito, sem reflexo, sem pó de pirilimpimpim? Cabe a lua no meu jardim? Ou prefere ela adormecer um sonho bonito?

    Cabe este canto no canto do seu encanto? Quanto tempo ainda tenho nesse tenso embalo intenso? Be yourself. E quem sabe eu te admire mesmo de olhos fechados. Mesmo que o prazo de validade expire. Mesmo que eu pire. E que aquele mundo à parte gire.


    by Tina Teresa

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  • [Das coisas mortas pelo caminho…]

    [Das coisas mortas pelo caminho…]

    Da borboleta tenho dó:
    o desfrute das asas coloridas
    chega de repente, resplandecente. 

    Vê-la caída no chão reflete
    a fatia de tempo cortada
    pelo rasante final. 

    Da ratazana, que dizer?
    Pelos amassados, olhos esbugalhados.
    Fim trágico de uma corrida mal sucedida. 

    Da barata passo perto por mero descuido.
    O que realmente quero
    é que seu último suspiro fique longe
    ou sou capaz de plantar bananeira no muro. 

    Das formigas que pisoteio,
    melhor deixar de escanteio o pensamento
    antes que venha um morcego. 

    Do passarinho, exclamo: “Oh!”
    e fico imaginando
    se foi acidente de percurso ou atropelo. 

    Da aranha, que drama. 

    A cidade invade e muita coisa nela mais não cabe. 
    A segunda-feira chama e tudo se reparte.

    Be part. Not apart.


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  • [Violeta]

    [Violeta]

    Enquanto chove, floresço.
    Enquanto enquadro, anoiteço.
    Enquanto trago, violeta.
    Enquanto você não chega, percebo
    segunda-feira ainda é cedo  
    e cada paisagem que invento, borboleta.

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  • [Amarelinha]

    [Amarelinha]

    Depois você me diz
    se é mesmo verdade
    essa sua mania
    de pular amarelinha
    em toda calçada quadrada
    encontrada no seu caminho,
    seja na segunda-feira ou
    no meio da madrugada.

    Se fosse você,
    eu desenhava com giz
    e tornava real
    essa brincadeira banal. 

    Eu pintava o céu e o inferno
    com fagulhas de cristal
    e esperava brilhar
    tua poesia no meu carnaval. 


    by Tina Teresa

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  • [Etapas]

    [Etapas]

    Os olhos se abrem novamente.
    Mais um dia. Mais uma etapa.
    Adoro etapas, ciclos, fases, vidas. 

    Tudo muda o tempo todo,
    o minuto seguinte já passou,
    de passo em passo,
    de salto em salto,
    amarelinha, céu e inferno,
    paradoxos que se encontram,
    se invertem, divertem, convertem. 

    Dormir em etapas é tão bom:
    refresca a cabeça,
    reorganiza as ideias,
    entorpece e esclarece. 

    Porque o mundo é efêmero.
    A vida é efêmera.
    A cor é efêmera,
    basta olhar para o céu. 

    Tem gente que muda de humor
    de acordo com o céu.
    Tem gente que de tanto mau humor
    nem olha o céu. 

    Se bem que caminhar
    com a cabeça nas nuvens
    pode te fazer tropeçar.
    No entanto um tropeço
    pode ser um belo começo. 

    Tem gente que sorri à toa,
    tem gente que sorri com os olhos,
    tem gente que cerra os lábios em dor
    para depois verter em lágrimas de amor. 

    Todos os dias são dias comuns,
    até que alguma coisa acontece.
    Até que uma nova etapa ganha forma
    Até que a segunda-feira fica torta  
    e toma conta. E faz de conta…


    by Tina Teresa

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  • [Ela | Ele]

    [Ela | Ele]

    Se há momentos em que tudo cansa,
    aquele era um deles:
    tudo tão mecânico e previsível
    que o pensamento abandona o corpo. 

    Não entendia o alcance das palavras
    que diziam cuidar de mim. 

    Do canto do quarto,
    a cena era angustiante e lastimável.
    Parecia um filme leviano
    já assistido uma dúzia de vezes;
    um filme com final incerto
    guiado por uma aterrorizante monotonia. 

    Os corações pulsavam juntos,
    mas em direções e talvez
    por motivos diferentes.
    Por horas.
    Horas que aguardavam
    apenas só mais um pulsar de ponteiros
    para a decisão aterradora. 

    Segunda-feira avassaladora.

    Penso que os homens
    que deitaram sobre o meu corpo
    não sabiam qual era realmente
    o valor do meu pudor. 

    Seus desejos ocupavam os espaços
    entre os ponteiros que pulsavam. 

    A gentileza é necessária,
    como o carinho, o adorno, o afago. 
    Tanto quanto o abraço, o esforço,
    o esmero, o suporte, o estofo.
    Gentileza é um sopro, um toque,
    um espasmo, um grito.
    E paz.
    Assim como o fogo.
    E a guerra. 

     Estar vivo é estar em conflito permanente,
    produzindo dúvidas e certezas questionáveis. 

    A gente aplaude quando gosta,
    questiona quando se sente atordoado
    e lamenta quando as expectativas não são atingidas. 

    No dia-a-dia a gente enxerga tendências,
    capta informações únicas
    e vivencia momentos puros. 

    Mas o difícil e atraente é captar a essência,
    o dinamismo e o significado de cada gesto,
    compostos por diversas sintonias e linguagens. 

    A gente sofre querendo e buscando,
    e também corre o risco
    de sofrer ainda mais com o resultado.
    Seja ele positivo ou negativo. 

    Quando queremos obstinadamente alguma coisa
    parece que ela está sempre distante,
    de um jeito ou de outro.
    Entretanto, o desejo ardente evoca fantasmas:
    insegurança, medo, fraquezas, responsabilidade. 

    É preciso estar preparado para o fim de uma história,
    ou, para o começo de outra.
    Afinal, o que fazer com o resultado? 

    A questão é que experiências ruins existem,
    fazem parte da nossa existência, sim.
    Só assim aprendemos a fazer boas escolhas,
    ganhamos esperteza e destreza
    perante as coisas da vida: vivendo.
    Mudamos de idéia, nos surpreendemos às vezes,
    nos decepcionamos outras.
    E ninguém deve ser responsabilizado
    pelas nossas más escolhas. 

    É graças a experiências ruins
    que nos deleitamos com
    (e valorizamos) as boas.
    Elas não devem e não podem
    ser evitadas. 

    Todo mundo é a favor de mudar e inovar,
    mas pouca gente está disposta
    a afastar-se da zona de conforto
    e assumir os riscos. 

    E daí diariamente a gente afunda,
    sem se dar conta,
    no traiçoeiro terreno movediço da irrelevância.

    Segunda-feira tansa. 

    É uma fuga, sim.
    Do destino, do presente, da angústia, do impensável.
    Enquanto isso, os ponteiros pulsam. 


    by @DiaboliqViolet

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  • [Sobre nós]

    [Sobre nós]

    Levo horas
    desatando os nós
    dos meus cabelos,
    diariamente. 

    Lavo horas.Tantos nós.
    Nós diários. Nós na mente.
    Pensamentos, pensa mente.
    Enozadamente. 

    Enozada mente. 
    Segunda-feira latente.

    Nós que travam dedos.
    Entre nós. 

    Se tenho segredos,
    os guardo entre nós.
    Porque se dali os solto,
    é pela minha pele
    que eles deslizam. 

    Entre cachos.
    Sobre nós.
    Sobre a chuva morna
    que bagunça
    esses fios cor de mel.
    Chuva sem céu. 

    Ah, esses nós!
    Que lavam mágoas
    e levam histórias árduas
    por entre águas
    que escorrem entre nós. 

    Banhe-se comigo
    e sinta os dentes do pente
    desatando os nós
    dos meus cabelos
    que bailam feito serpentes
    sem destino.
    Breve desatino. 

    Quantos nós
    unem essa dança? 

    Seriam feiticeiras
    minhas madeixas? 

    Quais dentes as soltam?
    Meu pente?
    Ou sua boca caliente
    mordiscando segredos
    debaixo do chuveiro? 


    by @DiaboliqViolet

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  • [Leviandade]

    [Leviandade]

    É, eu sei que sou séria quando quero, o problema é conseguir ser séria em momento lúdico, em que o perfume que ele usava, para que todos sentissem, não estava sendo sentido por outra pessoa naquele momento a não ser por mim.

    Leviandade? Pode ser. Mas… Se a gente nunca se esquece de andar de bicicleta, por que parar de sentir assim tão forte, de se apaixonar e de se permitir à sorte? Se nossas memórias são armazenadas de forma difusa, trancadas num padrão de conexões entre diversos neurônios, por que não podemos ter amantes que nos provoquem sensações inesquecíveis; feromônios?

    Afinal de contas, a recuperação espontânea das nossas memórias perdidas não pode ser ignorada… E então eu deixo de pensar e flutuo, mais leve que o ar, no aroma onírico dos meus sonhos e no brilho profundo daquele olhar que alcança minha alma e me embala… E então eu me entrego e me pergunto se estou errada, mas só consigo pedir para ser mais beijada.

    Leviandade? Talvez. Mas fazer o quê se as memórias insistem em vir à tona? E olha que isso é cientificamente provado: a recuperação espontânea não é apenas possível, mas inevitável. A gente nunca se esquece de se apaixonar. Segundas-quentes, terças-confidentes, quartas-feiras, quintas-incandescentes, sextas-dormentes, sábados, domingos latentes.

    Aliás, isso deve acontecer porque ninguém consegue preservar qualquer forma de prazer nos mesmos níveis por muito tempo. A intensidade da dor ou do prazer ao longo da exposição de um mesmo estímulo tende a diminuir com o tempo; um fenômeno inconsciente chamado de psicoadaptação. Isso quer dizer que por mais que a gente queira emoções cada vez mais fortes, logo, logo a gente se acostuma. E daí a gente quer mais uma, mais uma e mais uma.

    Augusto Jorge Cury* explica que a energia emocional não é estática, mas dinâmica. Ela se organiza, se desorganiza e se reorganiza num fluxo vital contínuo e ininterrupto; assim, nossa capacidade de permanecer em estado de êxtase é limitada. Então, por conta disso, a sensação de felicidade é condicional e sem estabilidade. Mas daí ele aparece, a saudade pulsa, a boca estremece, os olhos cativam e beijo acontece. Uma amizade pode sim ser colorida e a vida, mais divertida.

    Leviandade? E por que não? Quando ele vem de mansinho e me segura com firmeza e carinho, me devolve depois ainda mais viva… Por mais que exista uma tentativa frustrante de deslocar os pensamentos inoportunos, pelo menos aqueles que queriam antever os próximos acontecimentos soturnos, eu me entrego, não nego. A lógica é consistente, apesar de parecer inexplicável. Se eu estou certa ou não; eu não sei. Se paixão é sinônimo de isenção… Será que não?

    As frustrações, as dores da existência, as preocupações cotidianas sufocam os lampejos de felicidade que possuímos. Assim… Por que ficar sempre consciente se a gente pode extrapolar e estratificar o sentimento ao menos por um breve momento? É claro que isso depende da definição de felicidade que a gente resolve adotar… Mas, o que os olhos não vêem o coração não sente, e… Às vezes, a gente fica carente. E daí a gente sente um cheiro diferente…

    Leviandade? Talvez… A biologia justifica, a sociedade abomina. De quem é a vez?

    Os olhos até mostram uma traição, mas aquele que acredita na sua própria verdade (ou mentira) não se trai com o olhar nem com a tensão. Amigos, inimigos, conhecidos, amores… A língua não se importa com o que sente o coração. E o coração não se importa com o que pensa o cérebro. Tudo é concentração. Tudo é atmosférico. Leviandade? Pode até parecer um paradoxo, mas não aposte nela sem ponderação nem sem cuidado periférico.

    Neste planeta tudo é lindo e horrível na mesma amplitude. Enquanto isso, carrego em minha bagagem muita atitude, muitos olhares ora sinceros ora injuriados, e também muitas palavras falsas. Palavras ditas, escritas, pensadas, guardadas… E, assim como Fábio de Lima**, vejo o defeito da existência pendurado na língua. Nada é perfeito sempre e é comum se perder pela língua… Ambígua… Ah… Se a gente falasse menos… Mesmo sem guardar as provas, a memória fica. E daí já é suficiente, não precisa dizer nem guardar nada; só sentir, só pensar, só lembrar… Embriagada.

    Leviandade? Qual é o problema? Se a adrenalina rejuvenesce e a rotina entedia, por que não se permitir amar a rebeldia, provocar a nostalgia e apimentar o dia-a-dia? E, se toda experiência é válida, eu vou me jogar; vem me pegar, me abraçar, me amar e se deliciar.

    Depois a gente retoma nosso cotidiano, mas sempre escapando de vez em quando e curtindo, fugindo, porque senão a gente enjoa e a vida é muito curta pra ser levada à toa. Hoje cedo li um texto da Denise Tavares*** e me surpreendi. Depois de assistir Babel sozinha, ela sente-se frustrada por não ter com quem trocar ideias sobre o filme. Na volta pra casa, o céu recém aberto depois das muitas chuvas de janeiro não revela nem estrelas, nem o cometa McNaught****, mas traz a lembrança de um amigo que de lá, do céu, talvez estivesse sorrindo de sua tristeza. E então ela conclui, com delicadeza: estar vivo é cumprir uma travessia com algum sentido e depois partir, deixando saudade para ensinar que o presente deve ser vivido com toda intensidade.


    * Tina Teresa

    • Artwork by US traditional artist Caia Koopman


    *Augusto Jorge Cury > Psiquiatra, cientista, escritor e fundador da Academia de Inteligência, um instituto que promove o treinamento de psicólogos, educadores e profissionais de recursos humanos.
    **Fábio de Lima > Jornalista e escritor ou “contador de histórias”, como prefere ser chamado. É Diretor de Programação da CINETVNET (www.cinetvnet.com.br), TV pela internet. Está escrevendo seu primeiro romance, DOCE DESESPERO.
    ***Denise Tavares > Jornalista, professora e diretora da Faculdade de Jornalismo da PUC – Campinas.
    ****McNaught > O cometa McNaught é atualmente o objeto celeste mais brilhante depois do Sol e da Lua e, em quarenta anos, é o cometa mais brilhante já visto no Brasil. Ficou visível a partir das 20h30 abaixo da linha do Equador durante meados de Janeiro/2007.

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  • [Terça-feira]

    [Terça-feira]

    Segunda-feira. De repente eu acordei com uma vontade danada de planejar minha vida inteira. Quero ser famosa e perfeita. Fico rindo à toa, tentando organizar a agenda e só encontro antagonias. Que anta agonia.

    Quem sou eu pra ter controle de tudo? Pra que querer tanto assim? Da próxima vez eu começo a academia. Não vá embora, segunda-feira, ainda não ouvi todas as musicas novas, ainda não decidi pra onde mudo o sofá de lugar.

    Não te quero, terça-feira. Quero a segunda. É na segunda que o planejamento começa. Será que é na terça que ele se torna vivo? Li em algum lugar uma frase que mudou meu mundo. “E a segunda-feira vai embora sem se despedir”. Como assim? Eu não quero que ela se despeça, senão meus planos amortecem na expectativa da semana seguinte. Foi depois dessa frase que decidi escrever aqui. Pode vir, terça-feira, estou preparada pra você. Te quero, sim. Quero todos os dias, cada vez mais. Quero vida, quero planos, quero mordidas e desenganos. Quero pânico.


    by @DiaboliqViolet

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