Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

vinho

  • [Tapete roxo]

    [Tapete roxo]

    Vinho do porto
    Tapete roxo
    Sorriso torto
    Tropeço um pouco
    Bailarina

    Se no chão cai vinho, nem noto
    Tudo bem, só mais um gole
    Escreva seu nome, distorça o foco
    Se perco o tom, desboto
    Tonteria de morfina

    Lenço de papel ou guardanapo?
    Um bilhete atrasado
    Perdido, quase esquecido, surrado
    Era um poema ou um recado?
    Segredo de menina

    O papel faz cortes invisíveis
    Que vertem e ardem saudade
    Você trocaria momentos incríveis
    Por palavras travestidas de verdade
    O mundo muda numa esquina

    No papel eu escrevo
    Só um pouco de bobagem
    Segunda-feira bêbada de medos
    Tapete no vinho é brinquedo
    A mancha agora é inquilina

    Se meu coração de tinta
    Transborda palavras derretidas
    Junte os trapos e apenas sinta
    Forme uma frase descontraída
    E guarde numa mordida

    Cada um lê com os olhos que tem
    Cada gole que toca o peito
    É uma gota que não cai no tapete
    Palavra rasgada; pedaço de bilhete
    Segunda-feira fluída, tão fina

    Vamos dançar?
    Mais uma taça, pra embalar
    Não importa que tudo derrame
    Se der, ame; não reclame
    Cristal, cristalina, Cristina


    by Tina Teresa

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  • [Que feio]

    [Que feio]

    Que feio
    Cadê o compromisso?
    Cadê o devaneio?

    Segunda-feira fria
    Combina com vinho e poesia
    Combina com sinfonia

    Que feio
    Deixar na mão a rebeldia
    Largar a conversa no meio

    Segunda-feira arredia
    Presente ausente inconsequente
    O brinde virou nostalgia

    Que feio
    Esperei na tempestade
    Uma taça de vontade

    Segunda-feira sem malícia
    Traga um gole de liberdade
    Leve um trago de saudade

    Que feio
    Se tivesse bebido o presente
    Não teria vinho no meu seio


    by Tina Teresa

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