Vinho do porto
Tapete roxo
Sorriso torto
Tropeço um pouco
Bailarina
Se no chão cai vinho, nem noto
Tudo bem, só mais um gole
Escreva seu nome, distorça o foco
Se perco o tom, desboto
Tonteria de morfina
Lenço de papel ou guardanapo?
Um bilhete atrasado
Perdido, quase esquecido, surrado
Era um poema ou um recado?
Segredo de menina
O papel faz cortes invisíveis
Que vertem e ardem saudade
Você trocaria momentos incríveis
Por palavras travestidas de verdade
O mundo muda numa esquina
No papel eu escrevo
Só um pouco de bobagem
Segunda-feira bêbada de medos
Tapete no vinho é brinquedo
A mancha agora é inquilina
Se meu coração de tinta
Transborda palavras derretidas
Junte os trapos e apenas sinta
Forme uma frase descontraída
E guarde numa mordida
Cada um lê com os olhos que tem
Cada gole que toca o peito
É uma gota que não cai no tapete
Palavra rasgada; pedaço de bilhete
Segunda-feira fluída, tão fina
Vamos dançar?
Mais uma taça, pra embalar
Não importa que tudo derrame
Se der, ame; não reclame
Cristal, cristalina, Cristina
–
by Tina Teresa ♡
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