Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Talvez, carpe diem]

Talvez seja melhor você não pagar suas dívidas comigo
Talvez meu pânico vire sonho se pairar dúvida sem brilho
Toda vez que eu sinto frio ou quando eu me viro

Talvez seja melhor essa sensação ilusória de certeza
A permitir que a mente crie cenários dementes na aspereza
Na tentativa de evitar que o bom humor vire tristeza
Na defesa dos sorrisos, dos abraços, dos suspiros
Toda vez que seu momento coincide com meu abrigo

Talvez seja melhor sobreviver me lambuzando com geleia de amora
A esperar seu bom-dia entorpecido num buquê de “onze-horas”
A sonhar com seu desejo esquecido misturado com saliva
Ou ouvir o que você me diz com suas palavras mofadas
Toda vez que sua escolha coincide com minha alvorada

A vida não é um teatro com tudo ensaiado e combinado
Não tenho ideia do que é certo (ou errado?)
Não tenho ideia do que é estar sempre por perto (ou do lado…)

Não gosto de esperar. Nem de soluçar…
Talvez seja melhor eu lembrar de respirar fundo
Pra aliviar a voz ao falar contigo, toda vez que você ligar

Paciência nunca foi meu forte
I love and hate monday in panic
Encontrar você foi um gole de sorte
Uma vírgula sortida na delícia da despedida
Na malícia da segunda-feira bandida

Talvez seja melhor dizer o que se quer dizer
Com palavras certas em frases incertas
Ditas sem pensar no que se quis permitir
Ditas sem pedir o que ficou prometido
Do que calar e deixar o sonho fluir

Será?

Talvez seja melhor falar sem medir
A fingir palpável o alcance frágil
Toda vez que você me invade

Talvez seja melhor aguardar a segunda-feira
A esperar presença, sentença e aconchego
Na crença de que sua alma me pertença

Você pra mim é só isso e tudo isso
Algo que ainda não defino
Se é que algum dia ainda te sinto

Talvez seja melhor carpe diem
Mesmo que eu queira de segunda a segunda
Por crer que momentos a gente aproveita ainda melhor
Em companhia de quem nos incendeia
Toda vez que amanhece uma nova segunda-feira

Que te parece?

Talvez seja melhor parar o mundo
Toda vez, todo segundo
Talvez eu queira existir, só existir
Talvez eu queira partir
Partir meu coração, abrir minha vida
Dividir meu cheiro, meu caminho inteiro
Pra ladear contigo e alardear sorrisos
Talvez seja melhor beber um vinho
Talvez seja melhor compartilhar seu limbo
Toda vez que eu desafio
A afinidade e a contrariedade nos nossos sons
Que brincam entre ventos e marés
Feito palavras que vêm e vão
E ecoam e ressoam em modulações

Talvez seja melhor…
Secar o suor.


❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

**
Photography by Josephine Sicad

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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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