Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Tédio]

Tédio? Como assim?
Pisco de leve enquanto o pisco
desce garganta abaixo.
Não leve nada não.
Nem economize sola de sapato.
Passos leves pouco importam.
O tédio espera do outro lado da porta,
mas ela não se abre.
Nem convida a entrar nem nada.
Nado eu, nesse gole de madrugada.
Nessa segunda-feira abafada.
Pisco Sauer. Saio leve. Saia voa.
Não me leve na garoa.
Pisco um sorriso. Pesco à toa.
Te levo até a proa.
Porque o tédio não tem lugar
nessa dança boba.
Descubra-se. Questione-me.
Que porta é essa que não se abre?
Abra seu coração.
Não abra a guarda, mas guarde a chave.
Disfarce.
Não há tédio que desagrade tamanha desilusão.
Adrenalina na contramão.
Cadê a chave do seu coração?
Vem pular na chuva, não solte a minha mão.
Fique com a chave você.
E lembre-se que tudo pode acontecer.
Ou não.
Não há tédio que vença tanta alteração.
Não sou eu quem clama atenção,
é a vida que me puxa e me joga,
que me torce e desafia,
que me pira, me gira, me irradia
de noite e de dia.
Tédio, pisca pra mim.
De longe te aceno, venha sereno,
que o orvalho me entorpece. 
Segunda-feira mais ou menos.

by @DiaboliqViolet

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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