Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[Tempestade]

Completamente descontrolada
Feito um raio na tempestade
Era Segunda-feira e eu tava revoltada
Pulverizada numa telepatia afiada

Cada raio era um sorriso emoldurado
Que segurava meu bocejo em prantos
E me entregava um botão de flor desbotado
Rascunho de feltro, preto no branco

Vivo e morro na tempestade
Cada risco, cada raio, não arrisco
Corro pra dentro de mim
Totalmente entusiasmada
Tem coisa que não se diz
Tem coisa que não se faz
Tempestade que não se vai
Tem prece que esvai
Escorre pelo traço incerto
Do raio que me desfaz
E me fragmenta em trecos
Colorindo estações paralelas
Mudando o curso do universo
E tornando tudo assim
Demasiado cômodo
Demasiado frouxo
Demais extasiado
Celeste e iluminado

Na claridade relativa dos meus atos
Sinto o raio do destino me fisgar

Atravesso a tempestade
Holofotes de ansiedade

Penso, logo desisto
Existo, logo reflito
Absorvo, portanto habito
Largo, quase profundo
Tempestade no infinito
Raio profano, imundo
Dito pelo não dito

Formalidade distorcida
Tempestade na medida

Não tema o choque
Ouça seu coração
Cuide do seu coração
Fale com seu coração
Sinta seu coração
Veja seu coração conversando
Sacuda o medo
Chacoalhe o pranto
Boceje por enquanto
Segunda-feira, ainda te alcanço
Tempestade sem descanso


❝ by Tina Teresa | @DiaboliqVioletpanicmonday

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[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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