[vestígios]

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A segunda-feira carrega um mistério discreto. Nunca chega completamente vazia. Nunca revela todos os seus compartimentos secretos.
Traz nos bolsos restos de sonhos, planos adiados, conversas interrompidas, amores perdidos, cafés por tomar e páginas divididas.
Chega carregando vestígios.
De ontem.
De antes.
De longe.
Feito poeira de estrela com o hábito de aparecer nos lugares mais improváveis.
Numa ideia que volta. Num encontro desmarcado. Numa página em branco. Numa qualquer-feira sem sal.
Pequenos fragmentos à deriva.
Nem tudo pede resposta.
Nem tudo procura destino.
A segunda-feira chega.
Só isso.
Na caneca com um gole esquecido de domingo. No mensagem não respondida. No bolso do casaco, num papel dobrado em quatro.
Partículas de lugares distantes.
Fragmentos de histórias antigas.
A segunda-feira chega.
Uma ideia reaparece.
Uma lembrança muda de endereço.
Uma frase espera o momento certo para pousar.
Porque nem todo recomeço precisa de anúncio. Nem toda esperança precisa de discurso. Há momentos em que basta chegar.
A segunda-feira sabe disso.
Chega com seus bolsos cheios de pequenas tentativas, de coragem ainda amassada, de vontades que sobreviveram ao cansaço. Chega feita da mesma matéria dos sonhos que insistem, das histórias que continuam e das estrelas que, mesmo distantes, seguem deixando rastros.
A segunda-feira faz algo curioso com os dias. Recolhe fragmentos da semana que passou e os reorganiza em novas possibilidades.
A segunda-feira às vezes demora, mas chega.
Só isso.
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❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
★ ilustração deste poema: Rob Rey’s ‘Stardust VI’, Oil, 16x20in.
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[durma até sonhar, viva até acordar…]



