Despedidas acumuladas não pesam de uma vez.
Vão se guardando nos cantos —
entre fotos que ninguém revela,
mensagens que param no meio da frase,
e aquele cheiro que insiste em ficar no casaco.
São como poeira de constelação:
cada grão, um instante que partiu,
mas que ainda brilha um pouco antes de sumir.
E, quando a gente menos espera,
essas pequenas partidas se juntam,
fazendo um céu inteiro mudar de cor —
uma segunda-feira que chega sem aviso,
com o peso leve das ausências empilhadas.
Despedir-se não é só ir embora —
é aprender a deixar partir pessoas,
coisas, conceitos, verdades desbotadas,
premissas que perderam o peso,
promessas que viraram vento.
É esvaziar as mãos para que algo novo possa pousar,
é abrir espaço no peito para o que ainda quer nascer,
mesmo que seja o silêncio antes da próxima palavra.
Despedir-se é soltar, soltar, soltar — e ainda assim continuar.
Artwork by Roberta Sant’Anna para Unsplash+