Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Pressuposto]

    [Pressuposto]

    Prove que teu gosto

    é mais forte que essa chuva

    que me prende, aguda

    num breve tempo deposto 

    Quisera fosse Agosto

    e que a prova fosse flor

    ou fogo de prova, tentador

    que prova que nada, pressuposto 

     Alguém nos acuda! 

    Garganta entrava,
    segunda-feira abafa 
    Até a ladeira afaga o rancor.

    – by @DiaboliqViolet

  • [Amores impossíveis]

    [Amores impossíveis]

    Sim, percebi:
    numa faísca de olhar

    nem ontem, nem hoje,
    num viés de tempo

    tão tênue, tão vivo,
    tão tenro

    amores impossíveis
    podem flutuar 

    Seria o avesso do desejo?

    O reflexo do imperfeito
    num riacho de mim? 

    Ou a percepção de um nada sem fim? 

    Minha presença,
    tua incoerência,
    nosso relampejo. 

    Segunda-feira eu vejo.

    Duvido da eternidade

    Porque outro dia foi mero tempero

    Tão longe, tão perto, gosto de liberdade 

    Cada toque compartilhado

    fez do teu cheiro meu travesseiro

    mato molhado no meu canteiro

    – by @DiaboliqViolet

  • [Escrita]

    [Escrita]

    O que sua escrita reflete?

    Seria um ser entre tantos?

    Seriam palavras?

    Seriam encantos?

    Ou letras soltas

    Em prantos…

    Entre tantas segundas-feiras 
    presas na garganta.

     –

  • [Sílabas tortas]

    [Sílabas tortas]

    Unhas descascadas,
    cutículas machucadas.
    Não, uma sílaba não é nada simples:
    pode levar do céu ao inferno.
    Ou o inverso. 

    Nem toda revolta
    gera uma revolução.
    Mas uma evolução
    pode nascer de pouco menos
    de cinquenta tons
    de uma única frustração. 

    E sem nenhum verso pra contar história.
    Lembranças fazem cócegas,
    sorrisos são vírgulas
    que aguardam palavras. 

    Uma sílaba pode ser uma palavra inteira.
    Inteira, repleta, cheia…
    cheia de nada no meio do nada.
    No meio.
    Meio, metade, quase tudo, quase nada.
    Algodão. 

    É na segunda-feira que a semana começa?
    Qual a melhor música
    para inundar dias repletos de nada? 

    Qual mescla de letras transparece
    a melhor mescla de uma tentação? 

    Penso. Denso. Tenso. Imenso. Propenso.
    Cheiro da chuva de ontem de noite.
    Cheiro da grama recém cortada
    de ante-ontem.
    Cheiro de segunda-feira

    Músicas, muitas músicas, músicas sem fim.
    Sílabas em espiral. Tortas. Quase mortas. 

    Teriam as canções o poder de transformar
    meus comportamentos (e o dos outros)
    com a mesma eloquência e drama
    com que saem da minha boca? 

    Enquanto a boca canta,
    o estômago espreme as sílabas
    da sutil idiotice de existir. 

    Porque o porvir nada pede.
    Mas se algo está por vir,
    de que vale soletrar
    se a preguiça vai irritar
    a sílaba gritada,
    a sílaba quebrada? 

    O momento da decisão
    rasgou a unha num V. 

    Uma letra cravada no meio
    que atrapalha a minha pegada.
    Por quê? 

    O que virá? Quem viver, verá.
    Mais um verso.
    Reverso. Repenso. Convenço.
    Posso usar esse seu lenço? 

    Canto aqui no meu canto
    breves canções em contra-senso
    enquanto encanto,
    num pânico condescendente,
    mais uma segunda-feira sem silêncio.


    Tina Teresa

    • Artwork by Merna’s Artwork

  • [Trilha]

    [Trilha]

    Já é segunda-feira e não tenho sono.
    Sinto-me travada enquanto o mundo gira.
    Não quero dormir, não quero acordar.
    Amanhã vou levantar mais cedo,
    o dia será longo.
    Por que tanta coisa a comprovar?
    Se me provo, logo, existo?
    Exausta. Desisto.
    Segunda-feira sem lei.
    Vida bandida.
    Converso com versos perversos.
    Breve despedida.
    Desapego. Abandono.
    Se algum músculo
    do meu corpo
    não dói,
    desconheço.
    Vamos fazer uma trilha?

    Você vai na frente,
    eu vou de quimono.


    by @DiaboliqViolet

  • [Gatos pardos]

    [Gatos pardos]

    Meia-noite.
    Os gatos pardos se esgueiram
    pelas esquinas catando frestas.
    E eu não me rendo. 

    Quem seria o grande culpado
    desse meu andar tremelicado?
    Penso que o meu destino
    seja querer sempre mais. 

    But, don’t panic!
    Traço rendas, sinto fome.
    Qual é o seu nome?
    Venha me contar o que fiz
    para merecer esse andar.
    E esse olhar.

    Ou melhor: esse seu observar de soslaio.
    Que me notifica mas me nega.
    Que me prega peças sem costurar. 
    A segunda-feira já vai começar.

    Os momentos efêmeros que te roubei
    justificam seus pulos inseguros
    do chão ao muro?
    Fico (mais) tonta.
    Gatos não são inseguros. 

    Estou pronta.
    Sua cauda escaldada
    me deixa desaTINAda.
    Deslavada. Destravada.
    Enquanto travo rimas de ninar. 

    Melhor abstrair sem sondar.
    E existir sem pensar.
    Agora tanto faz.
    Afinal, como ensina o poeta Chacal:
    é proibido pisar na grama;
    o jeito é deitar e rolar. 

    Anything is better than nothing.
    E sempre pode piorar.

     –
    by @DiaboliqViolet

  • [Wolverine]

    [Wolverine]

    15h. Agonia tem hora marcada?
    Vejo sorriso entre barbas
    e nem preciso fechar os olhos. 

    Sinto aperto nas costelas
    enquanto esqueço de respirar.
    Doem minhas costelas.

    Chá de camomila. 
    Segunda-feira maldita.
    Não me deixe aflita. 

    Essa incoerência me relaxa
    mas me fisga as escápulas.
    Se eu penso que é só pose?
    Eu penso. E sei que você adora.
    Não pose de Conde Drácula.
    Faça-me de fanzine, Wolverine. 

    Risque e rabisque, encha o peito,
    aperte os braços, puxe-me os cabelos.
    Respire. Não pare. 

    Tá pensando no que agora?
    Eu lembro de tudo.
    Are you still performing? Eu to.


    by @DiaboliqViolet

  • [Winter is coming]

    [Winter is coming]

    Essas estações invertidas deixam a gente confusa.
    Já era para usar sandálias,
    mas as botas de cano alto
    ainda fazem parte dos meus looks. 

    E a sensação de rumar ao inverno me confunde.
    Eu já deveria ter largado as gotinhas pra rinite,
    mas como the winter is coming, não consigo desapegar.
    E prendo-me ao vício enquanto a respiração tranca.
    E destranca ideias. 

    Não, eu não tinha que estar fazendo isso agora,
    mas o friozinho me apetece.
    Dedos gelados digitam mais rápido.
    Seria legal se você não ficasse tão na beirada da cama. 

    Quer saber, vou deitar de ponta cabeça
    enquanto te observo se vestir
    fazendo poser de super hero. 

    Pode rir se eu me escondo debaixo do edredom.
    E fico esperando a segunda-feira chegar.
    Pode virar. Pode morder.
    Já não sinto mais frio. Já respiro.
    Já retiro as unhas das suas costelas.
    Você já saiu, mas ainda sinto arrepios. 

     –
    by @DiaboliqViolet

  • [Entre trocas e sonhos]

    [Entre trocas e sonhos]


    À medida que another panic monday se aproxima, meu receio de que o dia não fosse grande o bastante para todos os meus sonhos tirava meu sono. 

    Como sonhar sem dormir? 

    Como relaxar e dormir se tantos sonhos me povoam? 

    Como esperar a segunda-feira me ferir?

    Já sei, vou aproveitar para levar o lixo pra fora. Não, o zelador só abre a portinha às 8h. Como assim, são apenas 3h? Dorme, criatura. Trocar a roupa de cama logo que levantar, dará tempo? 

    Quero tanto colocar a fronha do conjunto do edredom novo que eu ainda não usei… E as neosaldinas que eu comprei da última vez? Já tomei todas e não lembro? Guardei em algum lugar, só pode. Mas onde? Será que ficaram na bolsa vermelha? 

    Não, não vou levantar pra ver isso agora. Senti dor de cabeça antes de dormir. Senti fome também. E preguiça, muita preguiça. Tive vontade de dormir cedo, mas não fui. E ainda assim fico acordando de tempo em tempo confusa por não ter o que planejar. 

    Sério. 

    O domingo foi intenso, ainda sinto o cheiro. Se o que eu queria que fosse já tinha sido, o que esperar? Começa logo, dia tenso. 

    5h ainda? Vou meditar. E me ditar alguns sonhos só pra ver no que dá. Lençóis cinza vão combinar. 

     –
    by @DiaboliqViolet

  • [Mistério]

    [Mistério]


    Se escrevo é porque tenho
    O tempo na garganta
    A intensidade nas mãos
    E sorriso de criança

    Se escrevo é porque tento
    Segurar o infinito
    Apertar o grito junto ao peito
    E abrir qualquer pedaço restrito

    Se sonho é porque quero
    Que a segunda-feira venha
    E traga afago, traga renda
    Na neblina desse mistério


    by Tina Teresa

  • [Preguiça]

    [Preguiça]

    Gosto de você, mas

    O que posso fazer?

    Suas escolhas o definem

    E reprimem

    Seu desejo de ter-me

    E parece um crime ver-me

    Poderia ser bom

    E divertido

    Estaria você perdido?

    Ou iludido?

    Ou apenas decidido a não pular?

    Será que o tempo vai trazer

    Seu beijo pro meu colo?

    Ou sua vida pro meu mundo

    Profundo

    Sutilmente

    Lentamente

    Num salto latente

    Segunda-feira, de repente

    Sem sono nem medo

    Com seu gosto morno

    Pedindo aconchego

    E sorrindo

    Curtindo

    O que seus olhos nublados

    Prometeram um dia

    Sem pensar?

    Acho que você até sonhou magia

    Mas a deixou de lado

    Dominada

    Por uma preguiça arredia

    Pura melancolia

    Que me fere

    Sem ao menos contar-me

    Ou sequer lembrar-me

    Que você também queria

    Brincar de fazer poesia

    Com meus cabelos de jasmim 


    by @DiaboliqViolet

  • [Alma calma]

    [Alma calma]

    Nem precisa um turismo por dentro de mim
    pra saber que minha alma não é calma.
    Tranquila, sim; equilibrada, um pouco;
    coerente, certamente;
    desatinada, sempre.

    Mas calma, nunca. 

    Guardo risadas que não dei,
    lágrimas que não derrubei.
    Vou lavar os cabelos e já volto,
    algo que eu comi pesou no estômago,
    vai virar rotina isso agora? 

    Segunda-feira não demora.

    Vou tomar água
    enquanto falo em letra cursiva,
    pra ninguém entender. 

    Tanta gente me quer bem,
    tanta gente que nem vem,
    tanta gente que aparece
    e a festa corre solta,
    vamos brincar de quermesse?
    Vamos saltar nuvens?
    Vamos voar e sair de dentro da gente,
    brincar de para-pente
    e espalhar pasta de dente? 

    – by @DiaboliqViolet

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
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