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Cata
Só por um momento
Penso
Em quase nada
Enquanto cato tempo
E ganho tempo
Pra uma nova segunda-feira
Que me cata
E descarta
Tampa o tempo
Tanto tempo
Vem por tanto
Vento tanto
Tento tanto
Por tanto tempo
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[catavento]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2012/09/tumblr_mcmxhtrSiJ1rjsev1o1_640-1.jpg)
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Cata
Só por um momento
Penso
Em quase nada
Enquanto cato tempo
E ganho tempo
Pra uma nova segunda-feira
Que me cata
E descarta
Tampa o tempo
Tanto tempo
Vem por tanto
Vento tanto
Tento tanto
Por tanto tempo
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[café]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2026/02/The-lucky-break-to-make-a-wish-by-@coco_woah.jpg)
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fiz um pequeno tratado sobre cair
e ser amparada no que coube
uma segunda-feira de camadas
onde o amargo aprende a dançar com o doce
pra semana começar
com o café acordando a língua,
pousando feito pó de pensamento
em estado de abraço,
feito laço,
sem embaraço
desacelerei o tempo
com as mexidas da colher
pra a pressa perder o fôlego
e a segunda-feira
ganhar cara de sobremesa,
ocupando a mesa,
esticando a conversa,
espalhando migalhas de pausa
no meio do dia,
no meio da ceia,
no meio do peito
onde medos e sonhos
seguem acordados, apertados,
pedindo intervalo,
pedindo colo
e desejos novos
por favor, me espere
quando eu me demoro
_
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
**
★ ilustração deste poema: “the lucky break to make a wish” by @coco_woah
![[Embreagem]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2013/02/d5ed9aa5519c141d1cd7dbd46a05dfac272fcfe2.jpg)
Eu quero muito. E isso me move.
Entendo que nem todo querer é viável.
Entendo que a gente se acostuma
e o querer se transforma numa utopia,
num sonho inatingível,
num amor platônico
que paira numa realidade inventada.
Mas continuo querendo.
Mesmo sabendo
que nem todo o ter traz felicidade,
que nem todo o ter é pra ser,
que querer demais pode desequilibrar,
desestabilizar, desconcertar.
Talvez coisas, pessoas ou momentos
também tenham seus próprios tempos,
suas próprias segundas-feiras…
e cruzar nosso caminho seja escolha alheia
e não nossa.
Decisão comedida
de um fragmento de vida
que dura o que tem que durar
e perdura no que fica,
seja memória ou saudade,
experiência ou liberdade,
aventura ou sinceridade.
Em verdade não temos nada.
Breve efemeridade.
Tempo a tempo. Cumplicidade.
Porque a gente se acostuma,
mesmo que seja a não se acomodar.
Mas quando vem a necessidade
de pisar na embreagem,
o pé esquerdo nem se dá conta,
já que há tempos só descansa,
não afronta.
E a marcha não engata,
a cabeça trava,
o carro não anda,
o mundo não gira,
a gargalhada pira
e o que um dia foi rotina
precisa voltar à tona.
E eu continuo querendo.
Mesmo que tropeçando,
caindo, trottoando.
Assumindo incertezas,
aceitando ignorâncias,
desejando novas conquistas,
desenhando novos sonhos.
Aprendendo e desaprendendo.
Criando e desconstruindo.
Chorando o risco de ver sumir no ar
existências tão lindas.
Mesmo querendo sempre,
a felicidade de viver esse tempo
que é só meu me consome em caldas.
Porque minha paz é inquieta e insegura
mas me acalma,
me transcende,
me acende e,
parece que não,
mas me entende.
Numa certeza mansa,
uma presença que encanta.
Eu quero estar aqui.
Cada vez mais.
E isso é o máximo.
É belo. É pleno.
Sem veneno, só chocolate.
Que derrete na boca,
lambuza a roupa
e brinca com minha vaidade.
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[Memórias]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2012/11/tumblr_mdx72lbLOH1rjsev1o1_500-1.jpg)
Tropecei na escada rolante das minhas memórias
Era um trânsito de vontades que se esbarravam
E não respeitavam o ir e vir das discórdias
Diálogos de quereres em dias de glória
Luta de antagonias que nos apoia em prosa
E nos diverge em versos
Ventania passageira, ilusão rebordosa
Tonteria em estágios diversos
Era o mesmo filme passando
A mesma cena entrando em colapso
O mesmo tempo perdido que voltava chorando
Memória em compasso
Filme de vida,
lembrança tardia,
desci o degrau em lapso
Transe transitório,
tontos passos
segunda-feira ardida
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[Caos]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2012/09/tumblr_mchulaaMjY1rjsev1o1_640-1.jpg)
Se tua ordem
Me chama
É porque o caos
Me derrama
Em prantos
Em cantos
Enquanto
Um universo inteiro
Ganha morada
Segunda-feira guardada
Em meu canteiro
De obras
De sobras
Desordem
Estrelas explodem
Decifra-me
E me convida
Pra ser sua rua
Sua pele nua
Sua namorada
_
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[Contentamento descontente]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2013/07/tumblr_moy94zAoxH1rjsev1o1_500-1.jpg)
Contentamento descontente
Cheiro de lua, cama nua
Segunda-feira, pasta de dente
Serpente no canto da rua
Cabe mais um?
Tempo quente, sorridente
Talvez um gole de rum
Aguardente, momento eloquente
Filme, almofada, vigília estrelada
Chove chuva transparente
Tv, sofá, perna atravessada
Incerteza dentro da gente
Doce tempero, café da manhã
Calor decadente, frio caliente
Da umidade, uma gota de maçã
Enxergo sem ver o que paira na frente
Fatia no prato, vento no asfalto
Velocidade apática, caminho lentamente
Mais um pedaço de doce e fico no anonimato
Aqueça-me friamente
Só mais um beijo, um pão de queijo
Enquanto a textura esfola intimamente
Se temperatura fosse desejo
Amaríamos eternamente
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
![[antes do chão]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2026/01/antesdochao.jpeg)
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eu amo teu sorriso
e até teu deboche
quando diz “eu não preciso”
eu amo teus olhos profundos
e teu caminhar moribundo
amo teu cheiro
teu suspiro partido ao meio
eu amo teu silêncio que se mexe
quando o mundo encosta demais
e tu finges distração
amo teu atraso crônico
para as certezas
e essa pressa curiosa
de viver agora
amo teu jeito de ir
sem sair do lugar
de ficar
sem se explicar
de quase cair
e ainda assim levantar
te reconheço em mim
no modo de respirar antes da fala,
no tempo que segura o gesto
sem travar o movimento,
na pausa que se sustenta
sem pedir tradução,
no riso que acontece
e segue
te reconheço
onde o passo aprende
antes do chão,
onde o tempo passa
e pausa no meu coração
atravessando a segunda-feira
sem pedir licença
ao calendário
ou à contramão
o passo segue
e eu te amo
entre cafés
pensamentos
parafusos
ruas
sou toda tua
sempre
mesmo sem lua
entra ano, sai ano
a vida passa
a pele arde crua
–
❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
★ ilustração deste poema: foto de família editada.
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![[compasso alado]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2026/01/stills_238102_darren-sacks.webp)
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então fica assim
não engula
as perguntas
para seguir
em passo
nem passe
mais um ano
descalço
engula apenas
pra fazer pazes
e dar passagem
pra segunda-feira
que insiste
em se atravessar
algumas perguntas
não sabem esperar
outras
só amadurecem
no estômago
e tem as
que pedem
tempo
e seguem
sem alarde
sem rótulo
sem lados
no compasso
alado
do que ainda
se move
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❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
★ ilustração deste poema: wall with abstract posters affixed BY Darren Sacks
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![[pluribus]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2026/01/pluribus.jpg)
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A segunda-feira não chega sozinha
Vem carregada de restos do domingo, listas mentais, promessas reaproveitadas, desejos que ainda bocejam com gosto de cozinha
Segunda-feira é acúmulo em movimento
Um dia que já nasce atravessado por vozes, tarefas, vontades contraditórias
Café da manhã com cheiro de tormento
Por isso ela assusta e seduz
Por isso ela pede manejo
Por isso ela pede poema
Por isso ela vem vestida de acordo
Por isso ela pede movimento para virar forma
Mais de um, mais de dois, mais do que cabe numa linha torta
A segunda-feira mistura. Fricciona
Desarruma a falsa ideia de unidade pura
É uma multidão de vozes que não precisa virar uma só para fazer sentido
É cheia de camadas e grunhidos
Ela aceita versões, rasuras, respirações diferentes no mesmo verso
Cada segunda singular ao avesso
vira plural que não pede desculpa por existir
E chega e some e soma e cega
A segunda-feira não nega
Você é quem vai decidir
Então decide assim:
com curiosidade,
com margem,
com a coragem de quem sabe
que pensar também é verbo em trânsito
no âmbito dos teus desejos
_
Tina Teresa
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![[Dezembro]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image.png)
Dezembro. A sexta-feira do ano
Um mês em combustão lenta que não termina: incandesce
Mesmo por debaixo dos panos
É quando as promessas ficam com cheiro de papel novo
E as pendências querem estacionar no calendário antigo
De novo?
Dezembro é festa e balanço
É febre de fechamento
,é luz piscando antes do corte,
é a pressa tentando parecer descanso
Tudo quer acabar,
mas nada aceita sair ileso
Entre o que foi dito
e o que ficou atravessado,
o mês arde
E a gente também
Dezembro passa
Deixa marcas
E uma lucidez curiosa:
o ano muda,
mas a segunda-feira sempre reaprende a chegar
Na próxima semana tem mais uma
Você vai fugir ou vai ficar?
_
★
ilustração deste poema:
artwork by David Bowers.
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![[Sob a tela da janela]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2025/12/f355a8583d3ef131dee994dbb95e879e3ac311d4.gif)
Sob a tela da janela
A viagem segue lenta
A paisagem acalenta
O céu esquenta o coração
O tempo dobra os quilômetros
Costura nuvens e estradas
Cada olhar encontra pouso
Cada pausa vira mirada
Na imensidão
Sob a tela eu ensaio
Um passo enfadonho
Talvez um sonho
Um recomeço, um pouco
De uma sina
Nunca antes aceita
Nem seguida
Nem na segunda-feira esquecida
Feito pegada suja no chão
Sob a tela da janela
Revejo meus nãos
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![[Passos roxos]](https://panicmonday.com.br/wp-content/uploads/2025/12/7ca96b27f939336735e5fa27adde3b7ff72b3166.gif)
segunda-feira
é um território de partida
onde o café ainda não sabe o próprio nome
e a rua respira antes de acordar
é o dia em que a semana prova o sapato
e decide se caminha, se dança
ou se inventa um jeito torto de seguir
há quem tema as segundas
eu as coleciono
feito bilhetes deixados por versões minhas
que ainda não descobriram o que vão ser
mas já começaram a ser algo
segunda é vento pelas bordas
rearranjo do mapa
ensaio de recomeço que não pede plateia
porque recomeçar é um verbo cansado
que fica lindo no papel
então abrace o pânico
trace um novo plano
and be monday
be yourself
siga dançando no caos
no seu ventre, no seu âmago
como quem descobre, no meio da rotina,
um caminho que só existe quando você pisa
_