Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

[meio amargo]

__

você organiza o caos em gavetas rotuladas

mas o caos aprende a sair pelas frestas

junto com seu café meio amargo

seu chocolate meio amargo

seu bom dia meio amargo

seu humor ácido

meu banho meio amargo

nada prático

apático

redundante

metódico

pesado

tentando domesticar o dia

com listas que não respiram

e prioridades que não se olham nos olhos

em busca de uma segunda-feira perdida

eu já não me perco mais no seu relógio de ponteiros retos

que insiste em marcar horas que não chegam

repetindo o seu o excesso de simetria

eu já não viro página para caber no seu índice

na geometria cansada do seu jeito de insistir

criando notas de rodapé que você chama de afeto

há uma beleza torta no que você desmonta

enxugando gelo com a toalha pronta

que decora a poltrona tonta da sala de estar

e ainda assim

eu sigo aqui

sem retrucar

sem concordar com o eco

sem afronta

rindo por dentro

e chorando pelo tempo

meio amargo

meio pardo

letárgico

que ainda bate

sem compasso

na memória que tenho

das noites de sopa de aspargo

__

❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

ilustração deste poema: “The Weight of Thoughts” bronze sculpture by Thomas Lerooy.

**

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[durma até sonhar, viva até acordar…]

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Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

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