Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Impropérios]

    [Impropérios]

    Eu acho
    um exagero
    quando
    você chega a esmo 
    falando
    redundâncias 
    pelos
    cotovelos  

    Parece
    que falta tempero 
    ou sobra
    desespero 
    quando
    você inventa motivos meus 
    para
    anular os erros teus  

    Mas o
    pior de tudo 
    são os
    impropérios 
    esses insultos gratuitos 
    escondendo refúgios 
    jogando pesadas
    mazelas 
    nas
    minhas costelas 
    segunda-feira intrépida 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: draw by 

    Gretchen Lewis Art.

    **

  • [Casamento]

    [Casamento]

    Lá fora, é só mais uma segunda-feira
    Mas não
    aqui dentro
    Porque o
    relógio bate mais lento 
    Aqui no
    meu peito 
    E a cada
    segundo me atento 
    Ao seu
    movimento 

    Lá fora,
    a segunda-feira chora 
    Mas não
    no meu firmamento  
    Porque
    você nunca demora 
    Nem no
    tempo
    Nem no
    agora  
    Você
    nunca vai embora 
    Nem no
    poente
    Nem na
    aurora 

    Para
    tudo 
    Me
    devora 
    Me
    decora 
    Sem
    fuso 
    Sem
    hora 
    Me
    desposa 
    Me namora  
    Me
    liberta 
    Desta
    caixa de Pandora 
    Me
    levanta na sua teia 
    Me deixa
    prosa 
    Me
    narra 
    Me
    agarra 
    Na segunda-feira
    a gente se casa 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema:

    Michael Vincent Manalo 

    – Artworks

    **

  • [Absurdamente perfeito]

    [Absurdamente perfeito]

    O amor
    invadiu a segunda-feira 
    E trouxe
    do limbo uma nova certeza 
    O amor
    transformou a flor mais feia 
    Em luz,
    ardor e cor que incendeia  

    O amor
    acordou zonzo 
    Transfigurado
    em panaceia 
    O amor
    acordou pronto 
    Surpreendendo
    a plateia  

    Ai, amor,
    por favor
    Por onde
    você andou 
    Por que
    me fez esperar tanto 
    Por que
    me fez sentir o pranto 
    Pra só
    depois tirar a dor?  

    Por que
    você tantas vezes se disfarça 
    E faz a
    gente ficar sem graça 
    Fazendo
    planos profanos 
    Atrás de
    compromissos suburbanos?  

    Ai, amor,
    você me acordou 
    Com uma
    paisagem encantada 
    Na minha
    manhã ensolarada 
    Você me
    mostrou 
    Que a segunda-feira
    fechada  
    Também
    pode virar balada 
    E que meu
    choro absorto 
    Pode
    servir de conforto 
    Pro seu
    colo torto  

    Ai, amor,
    você pintou 
    A parede
    da minha rua 
    Pra eu
    desfilar nua 
    Nos seus
    braços largados 
    E
    abandonar os cacos mofados 
    Que me
    marcaram 
    E me
    largaram 
    No seu
    leito 
    Desse
    jeito 
    Um pouco
    raro, um pouco rarefeito 
    Absurdamente
    perfeito  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    “Love” the work of Michael Owen in Baltimore

    **

  • [Pedra]

    [Pedra]

    Eu me
    deitei no seu leito 
    Recostei
    meu coração no seu peito 
    Respirei
    para entender o seu jeito 
    E deixei
    a segunda-feira tirar seu proveito  

    Eu
    amarrei no seu coração 
    A minha linha-guia 
    E tracei
    na minha mão 
    Uma nova
    sincronia  

    Segunda-feira estou inteira 
    Nos seus
    braços
    Nos seus
    passos 
    Nos seus
    espaços marcados   

    Segunda-feira eu sou a primeira 
    A escavar
    seus buracos 
    A abrir
    seus inchaços 
    A curar
    teu cansaço  

    Sou a
    primeira a lhe amar 
    A lhe
    salvar do apocalipse iminente 
    Do
    eclipse incipiente 
    Do
    paraíso previsível que sua rotina lhe trazia  

    Cheguei
    pra lhe dar fantasias, medos e manias
    Pra
    tornar imprevisível o fim do dia
    Pra
    dormir lado a lado, acordar lado a lado
    Pra ficar
    grudado, sentir saudade e desesperar de preocupação 
    Cheguei
    numa segunda-feira 
    Um pouco
    torta, um pouco inteira 
    Um pouco
    morta, um pouco arteira 
    Pra
    quebrar essa pedra 
    Me
    leva 
    Segunda-feira tem festa 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema:

    Sculpure by Pascale Archambault.

    **

  • [Sintonia]

    [Sintonia]

    Você
    trouxe uma sintonia 
    No meio
    da noite 
    No meio
    do dia
    Uma
    sintonia fina 
    Disfarçada
    de rotina  

    Você
    trouxe uma ironia 
    Pra minha
    segunda-feira vazia 
    Sem cerimônia 
    Sem
    nostalgia 
    Somente
    com um bom-dia  

    Se foi
    desejo ou simpatia 
    Destino
    ou sincronia 
    Acaso ou
    analogia 
    Agora
    minha segunda-feira fria 
    Carrega a
    sua sina 
    Na rima
    dos meus dias  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    Hong Kong NAP’s URI LED Light Bulbs.

    **

  • [Mundo infinito]

    [Mundo infinito]

    Amo nossos tudos e nossos nadas. 

    Amo nossos dias, nossas noites e nossas tardes ensolaradas. 

    Amo nossos domingos e nossas segundas-feiras lotadas. 

    Amo nossos encaixes e nossas risadas largadas. 

    Amo nossos beijos e nossas piadas. 

    Amo nossos dedos grudados feito ventosas. 

    Amo nossas prosas e nossas manhãs gostosas. 

    Amo nossas passadas tortas. 

    Amo nossos cheiros absortos e nossos abraços rotos. 

    Amo nossos lugares preferidos, nossa cumplicidade absurda, nossos sonhos lúcidos, nossos choros lindos e nossas pelugens fartas. 

    Amo nossa linguagem inata. 

    Amo nosso mundo infinito. 

    Amo você. 

    Muito obrigada.

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: artwork by Ally Lilith.

    **

  • [Musa]

    [Musa]

    Estou
    ogra, bruta, desorientada 
    Ando
    distraída, pensando em tudo e em nada 
    Troco a segunda-feira
    pela madrugada 
    Afugento
    até alma penada 

    Estou
    suja, torpe, agoniada 
    Nem
    contrasto com tua roupa amassada 
    Nem
    reparo na minha cara cansada 
    Segunda-feira espalhada 

    Estou
    confusa 
    Numa hora
    você quer saber tudo
    Em outra
    me prefere calada 

    Não sou
    tua musa 
    Talvez eu
    deva ficar reclusa 
    Segunda-feira derrotada  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: Lauren YS HUGE mural in CanCun, “Octo Girl”.

    **

  • [Segunda-feira atroz]

    [Segunda-feira atroz]

    Tua
    indiferença me resseca 
    Me
    apodrece por dentro 
    Me faz
    tremer a carne e os ossos 
    Me faz
    perder o centro 
    (se é que
    tenho algum) 
    Me sinto
    de ressaca 
    Ressaca
    dos teus argumentos 
    Do teu
    drama flácido 
    Das tuas
    frases ácidas 
    Me
    sinto escassa 
    Escassa
    dos teus protocolos 
    Da tua
    falta de colo quando choro 
    Ou quando
    imploro 
    Por um
    sorriso insólito 
    Minhas
    juntas doem 
    Enquanto
    tuas putas roem 
    O pouco
    que restou de nós 
    Segunda-feira atroz  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    “Glass.” Gorgeous digital art piece by Greg Bowen.

    **

  • [Sorte]

    [Sorte]

    Às vezes
    penso alto demais
    A segunda-feira
    não volta atrás 
    O tempo
    só muda o documento 
    Mas não
    muda o discurso fugaz  

    Às vezes
    falo o que não devo 
    Faço
    caretas que não tenho 
    Ouço
    vozes que nem lembro 
    Nem na segunda-feira
    eu tento 
    Consertar
    o ferimento 
    Exposto a
    céu aberto 
    Misturado
    ao firmamento  

    Às vezes
    só lamento 
    Segunda-feira voraz 
    Tua mágoa
    me destrói 
    Enquanto
    busco paz  

    Às vezes
    tenho medo
    De
    engolir tua fala adentro 
    E vomitar
    um estiramento 
    Segunda-feira eu aumento 
    A
    dose 
    A
    tosse 
    A
    sentença de morte 
    Segunda-feira eu tiro a sorte 

    – 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: Photo by Agnès Geoffray.

    **

  • [Paradigma]

    [Paradigma]

    Havia um
    paradigma 
    A segunda-feira
    vinha 
    Enquanto
    eu me abstinha 
    Dos teus
    abraços apertados 
    Que ainda
    nem existiam 

    Havia um
    paradigma 
    Eu não
    queria grude 
    Nem
    mordidas tímidas 
    Mas,
    antes que eu mergulhe, 
    Seria
    você minha sina?

    Havia um
    paradigma 
    Um medo
    de ser menina 
    Por todas
    as ervas daninhas 
    Que já
    bailaram 
    Nas
    minhas segundas-feiras frias 

    Havia uma
    luta de esgrima 
    Uma
    disputa de rimas 
    Um
    pequeno paradigma 
    Entre
    nossas vidas 
    Entre
    nossas certezas… 
    e nossas
    reticências 
    Nossas
    dúvidas e nossas ironias… 

    Havia uma
    lamparina 
    Descansando
    na beira da esquina 
    Esperando
    dissipar a neblina 
    Que
    pairava sobre nossas retinas 
    Pra então
    eu te amar sem receios 
    De segunda
    a segunda 
    De
    janeiro a janeiro 
    Com o
    coração inteiro 
    E com a
    barriga vazia 
    Pra que
    as borboletas voem livres 
    No meu
    ventre em declive 
    Enquanto
    você vive 

    – 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: Be
    Yourself
    ’ >> collage by Gabriela G. @pourpose

    **

  • [Amor inteiro]

    [Amor inteiro]

    Como pode um só minuto 
    levar tanto tempo pra passar?

    Como pode a saudade 
    apertar tanto até transbordar?

    Como podem as lágrimas 
    verterem tanto sem cessar?

    Como pode a segunda-feira 
    nos aproximar e nos afastar?

    E essa distância da nossa infância, 
    como pode nos sarar?

    E essas lembranças cheia de vontades 
    como podem me fazer cada vez mais te amar?

    Como pode a felicidade 
    só fazer sentido quando você está aqui…?

    Aqui no meu peito esquerdo, 
    no meu leito, no meu suspiro rarefeito…
    Aqui no meu universo inteiro, 
    no meu sonho e no meu pesadelo…

    Você é meu amor primeiro 
    único, último e verdadeiro 

    Você é meu mundo perfeito 
    sem limite e sem tempo 
    sem segunda-feira e nem beira 
    em  todos os momentos 
    pra vida inteira 

    Com você eu devaneio 
    e me entrego
    até do lado avesso 
    Porque você é meu começo, meu fim, meu meio

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    “The Snake and the Moon” by patriciaariel.storenvy.com > Patricia Ariel.

    **

  • [Invectiva]

    [Invectiva]

    Eu só
    queria uma magia 
    Pra
    apagar da memória esse dia 
    Segunda-feira invectiva 
    Alma
    vazia 
    Coração
    pesado 
    Futuro
    amassado 
    Passado
    rasgado 
    Abraço
    dilacerado 
    Joelhos
    ralados 
    Andar
    arrastado 
    Segunda-feira eu faço 

    Eu faço um buquê enfadado

    Com um laço
    bem apertado 
    Nesse dia
    nefasto 
    Pra
    deixá-lo bem marcado 
    No tempo,
    no espaço 
    Segunda-feira eu basto 
    Teus
    preceitos baratos 
    Teu
    fastio virado 
    Teu asco
    embriagado 
    Segunda-feira arredia 
    Vou
    lançar uma magia 
    Pra
    apagar esse dia 
    E
    arrancar da minha nostalgia 
    Os
    impropérios patéticos 
    Reflexos
    da tua melancolia   

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: artwork by Aykut Aydoğdu.

    **

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
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