Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [segunda-feira-alada]

    [segunda-feira-alada]

    Outro dia
    Em plena
    luz do dia
    Eu andava
    entorpecida
    Sonhei
    que estava acordada 
    E que
    você não existia 
    Porque do
    nada, você mudou tudo
    Deu voz
    ao meu coração mudo 
    E asas
    pra segunda-feira escassa 

    Do nada,
    engoli o absurdo 
    E deixei
    o mundo 
    Girar um
    pouco mais devagar 
    Pra eu
    observar
    O mar nos
    teus olhos 
    E sentir
    Teus
    beijos de veludo
    Pra
    aprender a te amar 
    Além do
    nada e do contudo 

    Ah, segunda-feira-alada
    Eu fico
    aqui
    Um tanto
    pura
    Um tanto misturada 
    Um tanto
    pronta 
    Um tanto
    abestalhada 
    Com uma
    vontade tonta 
    De voar
    pelada 
    Despida
    de todas as mágoas 
    Praonde
    você faz morada 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:
    “Metamorfosear-se | Metamorphose up” by Filite – São Carlos, São Paulo, Brasil

    **

  • [Incompletude]

    [Incompletude]

    De
    repente a gente lembra
    De tantas
    lendas 
    Tantos
    momentos 
    Perdidos
    no tempo 

    De
    repente faz sentido 
    Mudar o
    destino contigo 
    Repetir
    histórias 
    Pra criar
    outras memórias 

    De
    repente a segunda-feira 
    Chega de
    bobeira 
    Trazendo
    um pouco de frio 
    Pra gente
    fugir do vazio 

    De
    repente eu quero 
    Apenas um
    sonho sincero 
    Trançando
    nossas pernas 
    Debaixo
    das cobertas 

    Simplesmente
    de repente 
    A gente
    se conhece desde sempre 
    E a segunda-feira
    é um presente 
    Perdida
    Num tempo
    displicente 
    Que
    abriga 
    Esse frio
    na barriga
    Por vezes
    áspero
    Impávido  
    Por vezes
    apenas inocente 
    Numa
    incompletude independente

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: This was as far as

    glenn_arthur_art

    got during his live painting at @moderneden

    **

  • [Blindagem]

    [Blindagem]

    Resolvi me despir 
    Dos meus sonhos 
    Meus demônios 
    Até das minhas tatuagens 
    Pra alcançar tua margem 
    Perdida na paisagem 
    Diluída na segunda-feira 
    Sem sapatinho de cristal 
    Nem carruagem  

    Resolvi corrigir 
    Minha rota 
    Minha dança torta 
    Até minha molecagem 
    E minha falta de coragem 
    Em aceitar a derrota 
    Que chega voando
    Feito um anjo 
    Avisando 
    Com uma simples mensagem 
    Pra eu buscar outras
    viagens  

    Dizem que os anjos agem 
    Nos nossos dias mais
    frágeis 
    Se deitam em nossos ombros 
    E brincam com nossos sonhos 
    Mudam nossos planos
    Invertem nossas chances 
    E distorcem nossos
    desenganos 
    Com se tudo
    fosse ménage 
    De resto, tudo certo
    Só cansei de brincar de
    massagem 
    Ou de auto-piedade 
    Enquanto navego em teus
    olhos 
    Num lento e efêmero caiaque

    Acho que a segunda-feira
    quebrou minha blindagem 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: Night In The Field’ by @sivan​.ka

    **

  • [Quintal de Sonhos]

    [Quintal de Sonhos]

    Quando
    meus sonhos escapam
    Eu me
    calo
    E deixo
    que eles voem
    Pra
    debaixo dos teus sapatos 

    Pra que
    teus pés flutuem 
    Feito
    nuvem 
    No mundo
    paralelo 
    Que te
    consome 

    Não me
    culpe 
    Não me
    cuspa tua fome  
    Não
    atente a sorte 
    Nem
    perfume a morte 

    Não me
    insulte 
    Segunda-feira banal 
    Queria só
    ser teu plural 
    Só que o
    sonho é desigual 
    Teu sonho
    escapa 
    No
    primeiro vendaval 
    E pula
    etapas, cercas, mapas 
    Meu sonho
    repousa no quintal 

    Da minha segunda-feira
    acidental

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: graphite by @bonnieleemanart ’When Dreams Escape

    **

  • [Segredo]

    [Segredo]

    O céu amanheceu
    nublado
    No Dia
    dos Namorados
    E você
    acordou atordoado
    Quando um
    passarinho azulado
    Deixou um
    segredo guardado
    No meu
    coração machucado 

    Você
    ficou desconfiado
    Que o teu
    nome tinha tento
    Guardado
    sem cadeado
    Lá dentro
    do segredo
    E foi
    tentando abrir meu peito
    Com dedos
    desatentos

    Mas o
    segredo não tinha nome
    Não tinha
    medo, nem sobrenome
    O segredo
    só tinha fome
    Fome de
    amor, fome de goles
    Goles de
    um futuro disforme
    Que a segunda-feira
    consome

    O segredo
    tinha sonhos
    E também
    alguns planos
    Ele
    desenhava um amor colorido
    Por fogos
    de artifício
    Daqueles
    que aparecem no réveillon
    Pra segunda-feira
    dar o tom

    Pra tua
    brincadeira
    De
    desvendar segredos
    Virar
    folguedo 
    Dentro do
    meu coração 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: “The secret” – work inspired by @gucci, made

    by @mercedes_lagunas

    **

  • [Ressonância]

    [Ressonância]

    Me
    cansa 
    Essa
    distância 
    Essa
    implicância 
    Com o
    tempo 
    Com o
    vento 

    lamento 
    Segunda-feira mansa 
    Saudade
    em abundância 
    Onde foi
    parar a importância
    Aos
    momentos
    Aos
    segredos 
    Não teno
    medo
    A segunda-feira alcança 
    A tua
    extravagância 
    Com
    elegância
    Deixo a
    água chegar 
    Não vai
    me faltar ar
    Nem tua
    ânsia
    Vai me
    embriagar 
    Nem a
    ressonância
    Da segunda-feira perdida na infância 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    “Immersion” by lantomo

    **

  • [Sem querer]

    [Sem querer]

    Nothing happened by chance
    Everybody lies
    Everything changes  

    Nada é o que parece ser
    O sempre é nunca mais
    O tudo é eu e você

    A formas formam sem saber
    Ilusões que insistem em se esconder

    A segunda-feira chega sem querer
    Pra entre sonhos padecer


    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: série de esculturas batizada de
    “Arbori”, inspiradas na obra do cineasta Hayao Miyazaki, mestre
    da animações japonesas, como A Viagem de Chihiro, criadas
    pela artista Emily Coleman 

    **

  • [Promessa]

    [Promessa]

    Eu dancei
    com meus dedos roídos
    Dancei
    pertinho do teu ouvido
    Inventei
    movimentos no caminho
    Pra te
    deixar destemido 

    Na segunda-feira
    tem nós dois
    Não tenho
    pressa nem reza
    Não faço
    promessa
    O destino
    vem depois 

    Segunda-feira de ponta-cabeça
    Dancei
    com meus dedos no teu ouvido
    Parecia
    veneno cochichando saudade
    Parecia
    um segredo desfalecido 
    Querendo
    espaço, querendo um trago 
    Querendo
    apenas tirar vantagem 
    Do teu
    ouvido distraído

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: Completely SICK wearable art from the ‘Midnight Dance’ collection by JOJI KOJIMA

    **

  • [Dimensão]

    [Dimensão]

    As cenas
    de todo dia
    criam meu
    visual
    meu
    astral
    minha
    lágrima de cristal 

    As
    antenas sobre tua cabeceira fria
    emitem um
    aviso parcial 
    irracional
    segunda-feira é dia de ritual  

    Eu me
    visto de prédios 
    de
    tédios 
    em busca
    de um qualquer Graal  

    Eu me
    visto de assédios 
    sem
    remédios 
    Em mais
    uma segunda-feira habitual  

    É o
    começo do caos 
    Nos meus
    cabelos, vendaval 
    No
    coração, um punhal 
    Na segunda-feira,
    um temporal 
    No
    próximo passo, uma espiral 
    Na
    dimensão do teu quintal 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: Architect and fashion illustrator Shamekh brilliantly combines both his passions – his fashion sketches with patterns and scenery that he comes across on the streets – in this series of photos, resulting in intricate tile designs or a busy street scene being projected onto the dresses in his sketches.

    **

  • [Saudade guardada]

    [Saudade guardada]

    O que faço com a saudade?

    Guardo na gaveta…

    Deixo no canto da bochecha…

    Tranco no armário…

    Ou empurro pra segunda-feira?

    Não é brincadeira 

    To com uma saudade ligeira 

    Dessas que deixam a gente de bobeira 

    Segunda-feira

    Te espero inteira 

    Saudade arteira 

    Te espero incauta 

    Com um lencinho bordado 

    Amarrado meio de lado 

    No meu abraço apertado 

    A saudade me ligou de verdade 

    E eu saí correndo 

    Ao encontro inusitado 

    Deixei o telefone pendurado 

    Pra ligação nunca cair

    Nem ninguém roubar minha saudade 

    Guardada no meu fôlego 

    No meu suspiro de choro 

    Segunda-feira eu posso

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: empty phone boxes in black and white by Michael Massaia

    **

  • [Amor suspenso]

    [Amor suspenso]

    Teu silêncio me encanta
    E, sendo imenso,
    Me desbanca
    Enquanto penso
    Por extenso
    No amor suspenso
    Que a segunda-feira
    amansa

    Teu silêncio me ensurdece
    E, sendo inteiro,
    Me estremece
    Enquanto tento
    Num momento tenso
    Sentir teu gosto morno
    No meu firmamento

    A segunda-feira
    me cala
    E, sendo minha,
    Me repara
    Enquanto adivinha
    Sem escalas
    Toda a tua sina
    No meio da minha sala

    – 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: reflecting
    holon
    jetske visser and michiel martens’s spherical soap-like
    illusions at dutch design week 2016 is a moving installation that investigates the
    refracting and reflecting properties of light and color. best described as a soap bubble you don’t have to blow yourself,
    the holons are made of razor-thin iridescent strips attached to a rotating
    axis. this movement creates an illusion of a spherical form that breaks and
    disperses the surrounding light just like a soap bubble would: revealing all
    the colors of the rainbow.

    **

  • [Concumbina]

    [Concumbina]

    Doeu… 
    quando
    aquilo
    que eu apenas lia nos teus olhos
    se tornou palavra 

    Seria
    eu… 
    tua
    concubina distraída,
    independente e atrapalhada…
    ocupando tuas noites rasas?

    Eu sempre
    soube…
    pra você
    é indiferente
    se estou triste, alegre ou carente 

    Se nunca
    estou nos teus pensamentos
    nem na escolha do presente…
    Não pense
    que eu sonho
    com um futuro latente 

    Porém, me
    dói 

    A ideia
    de não te ter me dói 
    Escrever
    pra outro alguém me dói 
    Dormir
    sem teus beijos me dói 
    Não
    encontrar teus dedos debaixo do travesseiro me dói 
    Esquecer
    teu cheiro me dói 
    Saber que
    nunca fui teu maior desejo me dói 
    A segunda-feira
    me corrói 
    A verdade
    arde 
    Há em mim
    um amor inteiro 
    Que me
    parte em dois 
    Não me
    deixe só 
    Não me
    encante em Dó 
    Quando eu
    choro em Mi 
    Não me
    dobre ao meio 
    Nem me
    lembre do depois 
    Segunda-feira eu tenho 
    Uma
    ferida no meu peito 
    Uma
    ferida aberta 
    Me
    mantendo alerta 
    Uma
    ferida quente 
    Me
    dizendo sempre 
    Que você
    me dói 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    sketch by Hayley Welsh Artist

    **

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
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