Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Mundo infinito]

    [Mundo infinito]

    Amo nossos tudos e nossos nadas. 

    Amo nossos dias, nossas noites e nossas tardes ensolaradas. 

    Amo nossos domingos e nossas segundas-feiras lotadas. 

    Amo nossos encaixes e nossas risadas largadas. 

    Amo nossos beijos e nossas piadas. 

    Amo nossos dedos grudados feito ventosas. 

    Amo nossas prosas e nossas manhãs gostosas. 

    Amo nossas passadas tortas. 

    Amo nossos cheiros absortos e nossos abraços rotos. 

    Amo nossos lugares preferidos, nossa cumplicidade absurda, nossos sonhos lúcidos, nossos choros lindos e nossas pelugens fartas. 

    Amo nossa linguagem inata. 

    Amo nosso mundo infinito. 

    Amo você. 

    Muito obrigada.

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: artwork by Ally Lilith.

    **

  • [Musa]

    [Musa]

    Estou
    ogra, bruta, desorientada 
    Ando
    distraída, pensando em tudo e em nada 
    Troco a segunda-feira
    pela madrugada 
    Afugento
    até alma penada 

    Estou
    suja, torpe, agoniada 
    Nem
    contrasto com tua roupa amassada 
    Nem
    reparo na minha cara cansada 
    Segunda-feira espalhada 

    Estou
    confusa 
    Numa hora
    você quer saber tudo
    Em outra
    me prefere calada 

    Não sou
    tua musa 
    Talvez eu
    deva ficar reclusa 
    Segunda-feira derrotada  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: Lauren YS HUGE mural in CanCun, “Octo Girl”.

    **

  • [Segunda-feira atroz]

    [Segunda-feira atroz]

    Tua
    indiferença me resseca 
    Me
    apodrece por dentro 
    Me faz
    tremer a carne e os ossos 
    Me faz
    perder o centro 
    (se é que
    tenho algum) 
    Me sinto
    de ressaca 
    Ressaca
    dos teus argumentos 
    Do teu
    drama flácido 
    Das tuas
    frases ácidas 
    Me
    sinto escassa 
    Escassa
    dos teus protocolos 
    Da tua
    falta de colo quando choro 
    Ou quando
    imploro 
    Por um
    sorriso insólito 
    Minhas
    juntas doem 
    Enquanto
    tuas putas roem 
    O pouco
    que restou de nós 
    Segunda-feira atroz  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    “Glass.” Gorgeous digital art piece by Greg Bowen.

    **

  • [Sorte]

    [Sorte]

    Às vezes
    penso alto demais
    A segunda-feira
    não volta atrás 
    O tempo
    só muda o documento 
    Mas não
    muda o discurso fugaz  

    Às vezes
    falo o que não devo 
    Faço
    caretas que não tenho 
    Ouço
    vozes que nem lembro 
    Nem na segunda-feira
    eu tento 
    Consertar
    o ferimento 
    Exposto a
    céu aberto 
    Misturado
    ao firmamento  

    Às vezes
    só lamento 
    Segunda-feira voraz 
    Tua mágoa
    me destrói 
    Enquanto
    busco paz  

    Às vezes
    tenho medo
    De
    engolir tua fala adentro 
    E vomitar
    um estiramento 
    Segunda-feira eu aumento 
    A
    dose 
    A
    tosse 
    A
    sentença de morte 
    Segunda-feira eu tiro a sorte 

    – 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: Photo by Agnès Geoffray.

    **

  • [Paradigma]

    [Paradigma]

    Havia um
    paradigma 
    A segunda-feira
    vinha 
    Enquanto
    eu me abstinha 
    Dos teus
    abraços apertados 
    Que ainda
    nem existiam 

    Havia um
    paradigma 
    Eu não
    queria grude 
    Nem
    mordidas tímidas 
    Mas,
    antes que eu mergulhe, 
    Seria
    você minha sina?

    Havia um
    paradigma 
    Um medo
    de ser menina 
    Por todas
    as ervas daninhas 
    Que já
    bailaram 
    Nas
    minhas segundas-feiras frias 

    Havia uma
    luta de esgrima 
    Uma
    disputa de rimas 
    Um
    pequeno paradigma 
    Entre
    nossas vidas 
    Entre
    nossas certezas… 
    e nossas
    reticências 
    Nossas
    dúvidas e nossas ironias… 

    Havia uma
    lamparina 
    Descansando
    na beira da esquina 
    Esperando
    dissipar a neblina 
    Que
    pairava sobre nossas retinas 
    Pra então
    eu te amar sem receios 
    De segunda
    a segunda 
    De
    janeiro a janeiro 
    Com o
    coração inteiro 
    E com a
    barriga vazia 
    Pra que
    as borboletas voem livres 
    No meu
    ventre em declive 
    Enquanto
    você vive 

    – 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: Be
    Yourself
    ’ >> collage by Gabriela G. @pourpose

    **

  • [Amor inteiro]

    [Amor inteiro]

    Como pode um só minuto 
    levar tanto tempo pra passar?

    Como pode a saudade 
    apertar tanto até transbordar?

    Como podem as lágrimas 
    verterem tanto sem cessar?

    Como pode a segunda-feira 
    nos aproximar e nos afastar?

    E essa distância da nossa infância, 
    como pode nos sarar?

    E essas lembranças cheia de vontades 
    como podem me fazer cada vez mais te amar?

    Como pode a felicidade 
    só fazer sentido quando você está aqui…?

    Aqui no meu peito esquerdo, 
    no meu leito, no meu suspiro rarefeito…
    Aqui no meu universo inteiro, 
    no meu sonho e no meu pesadelo…

    Você é meu amor primeiro 
    único, último e verdadeiro 

    Você é meu mundo perfeito 
    sem limite e sem tempo 
    sem segunda-feira e nem beira 
    em  todos os momentos 
    pra vida inteira 

    Com você eu devaneio 
    e me entrego
    até do lado avesso 
    Porque você é meu começo, meu fim, meu meio

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    “The Snake and the Moon” by patriciaariel.storenvy.com > Patricia Ariel.

    **

  • [Invectiva]

    [Invectiva]

    Eu só
    queria uma magia 
    Pra
    apagar da memória esse dia 
    Segunda-feira invectiva 
    Alma
    vazia 
    Coração
    pesado 
    Futuro
    amassado 
    Passado
    rasgado 
    Abraço
    dilacerado 
    Joelhos
    ralados 
    Andar
    arrastado 
    Segunda-feira eu faço 

    Eu faço um buquê enfadado

    Com um laço
    bem apertado 
    Nesse dia
    nefasto 
    Pra
    deixá-lo bem marcado 
    No tempo,
    no espaço 
    Segunda-feira eu basto 
    Teus
    preceitos baratos 
    Teu
    fastio virado 
    Teu asco
    embriagado 
    Segunda-feira arredia 
    Vou
    lançar uma magia 
    Pra
    apagar esse dia 
    E
    arrancar da minha nostalgia 
    Os
    impropérios patéticos 
    Reflexos
    da tua melancolia   

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: artwork by Aykut Aydoğdu.

    **

  • [Oposto]

    [Oposto]

    Tantas
    faces
    Atrás
    desse disfarce 
    Atrás do
    impasse 
    Atrás do
    muro
    Obscuro 
    Segunda-feira eu juro 
    Que
    desfaço esse apuro 
    E desenho
    teu futuro 
    No meu
    fogo largo 
    Não, eu
    não disfarço
    Eu
    amasso 
    O teu
    passado raso 
    Eu
    arregaço 
    O teu
    grito impuro 
    Eu não
    conjuro 
    Te quero
    puro 
    Te queimo
    lento 
    No
    tempo 
    Sedento 
    Te atiço
    E
    atiro 
    Segunda-feira eu miro
    Meu
    coração no seu abismo 
    Prefiro 
    Andar na
    contra-mão 
    Do que no
    achismo
    Tantos
    rostos 
    Depostos 
    Dispostos 
    Expostos 
    Segunda-feira eu gosto 
    De te
    olhar do lado oposto  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: graphite by @starfightera

    .

    **

  • [Blasfema]

    [Blasfema]

    Segunda-feira pequena
    Não tem problema
    A semana é grande
    O ano é grande
    A vida é grande
    Não tema
    Veja só meu teorema
    Olhe nos meus olhos
    Esqueça as cobras na minha cabeça
    Esqueça as noias
    Esqueça aquele poema
    Segunda-feira torta
    Vou criar um novo lema
    Toda moda sempre volta
    Vem ser meu ecossistema
    Vem desenhar tua bossa
    Na minha segunda-feira blasfema

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: ‘eyes on me’ by V’s art.

    **

  • [Tempo moribundo]

    [Tempo moribundo]

    De vez em
    quando
    Busco um
    canto
    Pra
    embalar meus prantos

    Segunda-feira de ponta-cabeça
    Peço que
    todo sal me esqueça 
    Mas que o
    sonho prevaleça

    Viro o
    mundo 
    Num
    segundo 
    E o raso
    vira fundo 
    E o prazo
    gira surdo
    Enquanto
    o tempo moribundo 
    Passa por
    baixo, quase mudo,
    dos meus
    cabelos imundos

    Segunda-feira eu me confundo

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: CJ Tajonera Bio creates surreal photographs that depicts human emotions through visual storytelling. This one is about let life turned upside down, so you can learn how to live right side up.

    **

  • [Sustento]

    [Sustento]

    Aspiro o tempo
    De segunda a segunda
    Num movimento lento 

    Tua flor ferida
    Sem sustento
    Me dá acolhida 

    Aspiro o senso
    De liberdade
    Do teu momento 

    Buscando vida

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: artwork by

    Paste in Place.

    **

  • [Eternamente]

    [Eternamente]

    Eu dei um
    laço
    Nos
    cadarços
    Dos meus
    coturnos gastos
    E lembrei
    Dos
    passos descalços 
    Que
    outrora ocuparam
    Meus
    caminhos rasos  

    Segunda-feira eu caio
    E me
    calo 
    Nos teus
    abraços 
    E aos
    teus pés 
    Eu
    escavo 
    Nosso
    jardim  

    Segunda-feira eu cativo 
    Teu olhar
    furtivo 
    Nos meus
    calos 
    E no teu
    sorriso eu falo 
    Quanto
    espaço Eu
    ganhei 
    Com o
    brilho
    Do luar
    lascivo 
    Que do
    céu roubei  

    Segunda-feira eu zelo 
    Pelo
    nosso mundo etéreo
    Tão puro,
    tão sério
    Tão
    lúdico e terno 
    Tentando
    ser eterno 
    Somente
    pra você e eu  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: artwork by 

    Chiara Bautista.

    **

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
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