Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Devir]

    [Devir]

    Esperei solicitude
    e esperei sentada
    mesmo não sabendo nada
    mesmo não sendo fada

    Esperei sua atitude
    e até li virtudes
    nos seus olhos pardos
    nos seus sonhos opacos
    abusando da liberdade
    e desafiando a verdade

    Sei lá, esperei…
    Esperei da valsa
    um giro ousado
    um giro forte
    um giro impávido

    Sei lá, esperei…
    E esperei sentada,
    ainda bem…
    Esperei o porvir
    e não gostei do que vi

    Caí em soluços
    no susto
    Mas não me arrependi
    Troquei noia por devir
    Claraboia por luzir
    Segunda-feira por debris
    E esperei o tempo distrair

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: artwork by Jason Cantoroconcept: dance like nobody knows you have social anxiety. 

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  • [Precipício]

    [Precipício]

    Danço na tempestade
    e alcanço
    a tua liberdade

    Ah, se eu pudesse
    te prender suspenso
    dentro do meu peito
    por toda eternidade
    eu faria do domingo
    tão lindo
    pra sempre segunda-feira
    e te deixaria rindo
    na beira
    do precipício
    na ponta do meu seio
    bem ali no meio

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Surreal is Real…Stormbringer by b-jan, via Deviant Art.

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  • [Salve-se]

    [Salve-se]

    Salve-se quem puder
    Tem som na beira da areia

    O céu ficou lilás, tua voz a ecoar
    E eu bailando feito sereia

    Salve-se quem quiser
    Vem fugir da segunda-feira
    Vem me amar
    Jogar as pernas pro ar
    Ficar de bobeira

    O que é sólido desmancha no mar
    O líquido condensa no ar
    E a chuva dá coceira de brincar

    Salve-se quem tiver fôlego na barriga
    Raio de sol respinga

    vida

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    O fotógrafo canadense Michael Davies resolveu brincar com a premissa científica que a água quente se transforma em uma nuvem de cristais de gelo quando entra em contato com temperaturas abaixo de zero e conseguiu capturar o fenômeno em fotografias. Só que ao invés de água, ele usou chá fervente de fronte ao pôr do sol no Círculo Ártico.

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  • [Cio]

    [Cio]

    Resolvi contar tudo
    Mas você ficou mudo
    A b s u r d o
    Agora ganho o mundo
    Flutuo
    Seio rubro
    Meio claro
    Meio escuro
    Meio vazio
    Meio cheio
    Tudo o que eu falo
    Sussurro
    No cio
    No meio 
    A segunda-feira veio

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Obra “pretendiente del pasado en el futuro”, by  Eduardo Anderson.

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  • [Pedidos perdidos]

    [Pedidos perdidos]

    Fiz uma lista
    nada muito caro
    nem muito idealista
    nada muito sério
    tudo situacionista

    sugestões de presentes
    pedidos perdidos
    desejos contidos
    viagens pendentes
    Papai Noel, não desista
    serei mais prudente

    Fiz uma lista
    daquelas que só a segunda-feira agita

    Pra você se fazer presente
    nos meus dias de artista

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Arte criada por Ray Bartkus –

    artista, residente de Nova York – em Marijampolé, na Lituânia. O mural foi pintado de cabeça para baixo intencionalmente, a fim de que nadadores, remadores, golfinhos e cisnes apareçam refletidos na superfície de Šešupé, um rio que flui para o centro da cidade.

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  • [Neblina]

    [Neblina]

    Reduza agora
    antes que seja tarde
    antes que a vida amargue
    lá fora

    O brilho aflora
    não me largue
    respeite a trave
    depois melhora

    Se não foi agora, não era hora
    tudo bem parecer covarde
    segunda-feira sem alarde
    de mansinho, sem demora

    Em silêncio
    a neblina esconde
    um predicado inteiro
    cinzento

    Se és sujeito, entendo
    ainda há tempo

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: detalhe do rooftop do edifício Smart, em Blumenau.

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  • [earresistable]

    [earresistable]

    Você ouve tudo o que eu falo
    Você sabe tudo o que eu sinto
    Mesmo quando eu me calo
    E toco o assunto a fundo
    Ou faço de conta que minto
    Com afinco

    Você chove no molhado
    Enquanto aquece meu sossego
    Te cheiro, te vejo, te mexo
    Tudo o que eu preparo
    Te deixo
    No meio de um abraço

    Faço chá, faço festa,
    Ainda há tanto o que me resta
    Se for café, tudo bem
    Chocolate com canela também
    Cada história lhe convém
    Vem que tem

    Agora não conte nada pra ninguém
    Não conte nada do que lhe digo
    Pois falo no teu ouvido
    Entre um gole e um suspiro
    E confio no teu silêncio
    Imenso

    Pode deixar que eu me viro
    Segunda-feira eu grito
    Meu segredo está contido
    Sei que é irresistível
    Mas eu respiro
    … eu giro

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: every day our mugs listen and give us their warmth. They are our soulpeace keepers. Um chá ou café quentinho podem ouvir muitas histórias. Chamada de ‘uho’ (palavra russa que significa ‘orelha’), esta caneca foi criada por Pavel e Maria Sidorenko, ele designer de produto e ela ceramicista e designer gráfica. “Our aim is to create functional and playful products that retains its simplicity, interacting with the space and user. To create not only incorporate pragmatic necessity, but also transmit an emotional quality within the everyday environment”, they say.

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  • [Paisagem riscada ]

    [Paisagem riscada ]

    Ainda estou aqui
    Equilibrando-me
    Dançando com o vento
    torcendo o tempo
    à espera de ti

    Ainda estou aquia
    guardando o sol
    e guardando dó
    entre nuvens de pó

    Um dia eu chego aí
    um dia qualquer, talvez
    ou na segunda-feira da minha timidez
    enquanto busco a nitidez

    Ou a lucidez
    de uma paisagem riscada
    pelos meus passos parados
    solidificados

    amarrados no espaço
    de um abraço cortês
    descaso marcado
    amasso descalço

    Toda a calma
    da minha nudez
    revela na minha alma
    a tua insensatez

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    The Land of Giants™: Proposal for Landsnet, Iceland.

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  • [Many]

    [Many]

    Many lives
    Many times
    Many bytes I sent to you

    Many tries
    Many lies
    Many flies I spent with you

    Many dimes
    Many rhymes
    Sometimes I wanna find
    Why the distance in your eyes
    Brought an ocean to my life

    Many dives
    Many crimes
    Many spaces to confine

    It’s monday, you are mine

    I am fine 

    – 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Escultura Many by  Eleonora Hoshino.

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  • [Awa]

    [Awa]

    Sai dessa bolha
    Sai dessa cama gorda
    Segunda-feira sorda
    Sai que te dou corda
    Te quero bem, te quero forte,
    te quero perto, te quero sorte
    Não tenho tempo
    Pra tempo ruim
    Tenho fermento
    e bolhas azuis
    Pra fazer vento 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    A Awaglass é uma criação de Norihiko Terayama e no seu interior não tem areia, mas sim água e bolhas. Sim, bolhas grandes e pequenas que passam em velocidades diferentes, mudando completamente a referência de tempo. “Awa” significa bolhas em japonês, por isso o nome e o resultado desta mistura é uma peça incrível e cheia de estilo.

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  • [Até agora]

    [Até agora]

    Desde que você partiu o céu não para de chorar
    Da última vez que você sorriu pra mim até agora o tempo passou a passar devagar
    E eu passei a pacificar o passo pra não descompassar

    Tua ausência é meu tormento
    Ao mesmo tempo, tenho tempo pra sonhar quietinha
    Tenho tempo pra contar os passos sem pressa, na minha

    Enquanto o céu chora
    Enquanto o sonho se demora
    Sepia-toned, sem memória
    Cor de café, cor de história
    E a segunda-feira chega sem ter hora
    No meio do dia, agora

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    @coffeetopia – also know as Ghidaq al-Nizar – began as a latte artist, but has taken his craft to another level by deconstructing frothy brews and utilizing their most basic component – coffee – his medium of choice. Al-Nizar takes the steamy, soothing drink out of the cup and artistically applies it to an equally unconventional canvas – leaves and other odd objects. The result is a series of sepia-toned scenes featuring a beautiful blend of nature and the pigmented, earthy, grainy remnants of a cup of coffee.

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  • [Prefiro]

    [Prefiro]

    Eu poderia correr mas não quero perder um só segundo de você. 

    Prefiro chegar atrasada, com a barra da calça dobrada e a boca molhada, obrigada, não tem de quê. 

    Chega de dor de cabeça, antes que amanheça eu termino esse saquê. 

    Já fiz todas as rimas que eu conhecia com a segunda-feira. De bobeira a bebedeira. Agora não sei mais o que fazer. 

    Vem me trazer um beijo. Só peço teu aconchego pra acalmar essa deprê. 

    Eu sabia que o teu cheiro não sairia do meu travesseiro. Passo horas, devaneio, prefiro não saber. 

    Prefiro o desespero de um poema passageiro. 

    Prefiro tua loucura, meu amor, olhe pra lua, eu vejo o que você vê. 

    Será que você vem bater na porta de surpresa ou será que a tua ausência ainda vai me amortecer?

    Prefiro a chuva na janela do que a música na tela do cinema sem você.
    Prefiro a dúvida àquela promessa sem cabeça que os teus lábios sussurraram na paisagem degradê. 

    Prefiro tua imagem disforme nos meus olhos em choque enquanto o tempo dorme. 

    Prefiro, prefiro, prefiro você.

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Imagining a settlement on mars constructed using an array of pre-programmed, semi-autonomous robots, foster and partners have released their entry for the 3D printed habitat challenge organized by america makes and NASA. Proposed by the international practice’s new york office, their modular habitat ‘envisions a robust 3D-printed dwelling for up to four astronauts constructed using regolith – the loose soil and rocks found on the surface of mars.’

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[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
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