Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Paisagem riscada ]

    [Paisagem riscada ]

    Ainda estou aqui
    Equilibrando-me
    Dançando com o vento
    torcendo o tempo
    à espera de ti

    Ainda estou aquia
    guardando o sol
    e guardando dó
    entre nuvens de pó

    Um dia eu chego aí
    um dia qualquer, talvez
    ou na segunda-feira da minha timidez
    enquanto busco a nitidez

    Ou a lucidez
    de uma paisagem riscada
    pelos meus passos parados
    solidificados

    amarrados no espaço
    de um abraço cortês
    descaso marcado
    amasso descalço

    Toda a calma
    da minha nudez
    revela na minha alma
    a tua insensatez

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    The Land of Giants™: Proposal for Landsnet, Iceland.

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  • [Many]

    [Many]

    Many lives
    Many times
    Many bytes I sent to you

    Many tries
    Many lies
    Many flies I spent with you

    Many dimes
    Many rhymes
    Sometimes I wanna find
    Why the distance in your eyes
    Brought an ocean to my life

    Many dives
    Many crimes
    Many spaces to confine

    It’s monday, you are mine

    I am fine 

    – 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Escultura Many by  Eleonora Hoshino.

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  • [Awa]

    [Awa]

    Sai dessa bolha
    Sai dessa cama gorda
    Segunda-feira sorda
    Sai que te dou corda
    Te quero bem, te quero forte,
    te quero perto, te quero sorte
    Não tenho tempo
    Pra tempo ruim
    Tenho fermento
    e bolhas azuis
    Pra fazer vento 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    A Awaglass é uma criação de Norihiko Terayama e no seu interior não tem areia, mas sim água e bolhas. Sim, bolhas grandes e pequenas que passam em velocidades diferentes, mudando completamente a referência de tempo. “Awa” significa bolhas em japonês, por isso o nome e o resultado desta mistura é uma peça incrível e cheia de estilo.

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  • [Até agora]

    [Até agora]

    Desde que você partiu o céu não para de chorar
    Da última vez que você sorriu pra mim até agora o tempo passou a passar devagar
    E eu passei a pacificar o passo pra não descompassar

    Tua ausência é meu tormento
    Ao mesmo tempo, tenho tempo pra sonhar quietinha
    Tenho tempo pra contar os passos sem pressa, na minha

    Enquanto o céu chora
    Enquanto o sonho se demora
    Sepia-toned, sem memória
    Cor de café, cor de história
    E a segunda-feira chega sem ter hora
    No meio do dia, agora

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    @coffeetopia – also know as Ghidaq al-Nizar – began as a latte artist, but has taken his craft to another level by deconstructing frothy brews and utilizing their most basic component – coffee – his medium of choice. Al-Nizar takes the steamy, soothing drink out of the cup and artistically applies it to an equally unconventional canvas – leaves and other odd objects. The result is a series of sepia-toned scenes featuring a beautiful blend of nature and the pigmented, earthy, grainy remnants of a cup of coffee.

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  • [Prefiro]

    [Prefiro]

    Eu poderia correr mas não quero perder um só segundo de você. 

    Prefiro chegar atrasada, com a barra da calça dobrada e a boca molhada, obrigada, não tem de quê. 

    Chega de dor de cabeça, antes que amanheça eu termino esse saquê. 

    Já fiz todas as rimas que eu conhecia com a segunda-feira. De bobeira a bebedeira. Agora não sei mais o que fazer. 

    Vem me trazer um beijo. Só peço teu aconchego pra acalmar essa deprê. 

    Eu sabia que o teu cheiro não sairia do meu travesseiro. Passo horas, devaneio, prefiro não saber. 

    Prefiro o desespero de um poema passageiro. 

    Prefiro tua loucura, meu amor, olhe pra lua, eu vejo o que você vê. 

    Será que você vem bater na porta de surpresa ou será que a tua ausência ainda vai me amortecer?

    Prefiro a chuva na janela do que a música na tela do cinema sem você.
    Prefiro a dúvida àquela promessa sem cabeça que os teus lábios sussurraram na paisagem degradê. 

    Prefiro tua imagem disforme nos meus olhos em choque enquanto o tempo dorme. 

    Prefiro, prefiro, prefiro você.

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Imagining a settlement on mars constructed using an array of pre-programmed, semi-autonomous robots, foster and partners have released their entry for the 3D printed habitat challenge organized by america makes and NASA. Proposed by the international practice’s new york office, their modular habitat ‘envisions a robust 3D-printed dwelling for up to four astronauts constructed using regolith – the loose soil and rocks found on the surface of mars.’

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  • [Sentido contido]

    [Sentido contido]

    Eu só espero que você me espere
    Eu só quero que você me queira
    Sinto, tento, tenho tempo
    Nos teus sonhos, você me vê?

    Tenho tido dias sem sentido
    Mas faz sentido o dia que você não vem?

    Tenho sentido o que nem sempre faz sentido
    Tenho dias sem porquê
    De repente, tudo tem motivo
    Já que o sentido não está embutido
    Naquilo que você vê.

    O sentido pode vir vestido
    Com o vestido que escolhi pra você
    Na segunda-feira clichê
    O sentido está na relação que se estabelece
    Entre quem você é e o que você vê.

    O sentido pode estar perdido
    Um anagrama de destino
    Abatido, vencido, torcido
    O sentido pode estar contido
    No lugar mais escondido
    Do coração de quem te lê. 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Divine Makeover > photo and caption by Mahesh Balasubramanian taken during the Mayana Soora Thiruvizha festival, which takes place every March in the small village of Kaveripattinam the day after Maha Shivarathiri (the great night of Shiva). The festival is devoted to Angalamman, a fierce guardian deity worshipped widely in Kaveripattinam, Tamilnadu, India.

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  • [Palavras]

    [Palavras]

    palavras atravessam o corpo e o tempo
    palavras repousam no momento e pairam na memória

    palavras eternizadas
    artes transitórias

    palavras desenham meu firmamento
    e a canção na tua boca
    de tuas asas, palavras são o vento
    sussurro no meu coração de papel

    Segunda-feira de fel

    morro em palavras tuas
    renasço em poemas meus
    letras roucas em frases tortas
    seriam as palavras loucas?
    ou preces soltas no céu?

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: incan laws and ancient scriptures on arms, found here.     

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  • [Rendezvous]

    [Rendezvous]

    Aprendi uma palavra nova em francês
    Uma palavra forte que me fez sonhar
    E acordar perdida, na sorte, pouco depois das 3h

    Penso que preciso ouvir uma música boa antes de dormir
    Uma música boa que me faça pensar em você com calma
    É isso que me salva dessa selva densa, segunda-feira intensa
    que me afaga e tenta me fazer sonhar

    Tudo azul, mon amour, rendezvous

    Aprendi uma palavra nova em francês
    Uma palavra que me levou ao teu encontro
    Se era real ou se era um sonho eu não sei

    Aprendi uma palavra que significa [encontro]
    Você chegou à Paris no Outono
    E me beijou bem no meio do meu sonho

    You’re my soul, mon amour, rendezvous

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Fair at the Jardin de Tuilleries, Paris, France by Timo Elliott.

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  • [Ainda]

    [Ainda]

    Hoje eu acordei mais cedo.

    Vesti-me com o perfume que você me deu e respirei fundo para encarar o dia que insistia em se esconder.

    Meu corpo dói enquanto penso que o tempo se faz lento quando os sonhos repousam.

    Não me lembro se me contento com histórias ao relento ou se apenas penso que o futuro vem a remo.

    Hoje acordei mais cedo e senti teu beijo na minha nuca.

    Talvez o amanhecer tenha gosto de chuva.

    Talvez você me encontre nessa tua busca.

    Hoje acordei mais cedo e achei ter visto você na rua.

    Hoje é segunda-feira e eu acordei ainda mais tua. 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Dany Lizeth, a creative and talented 17-year-old in Mexico, creates expertly detailed and beautifully colorful drawings of animals and people using watercolors and colored pencils. What’s even more impressive than her amazing talent at such a young age, however, is that she taught herself how to draw this well. 

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  • [Saída]

    [Saída]

    Cansei de esperar
    O copo vazio ali do lado
    O tempo espaçado
    Demasiado

    Cansei de ouvir
    Você chamar
    Outro nome que não o meu
    Disforme
    Sobre o orvalho que padeceu

    Tentei afogar
    As mágoas e as chagas
    Sobre as águas

    Tentei abordar
    O trânsito
    E o pranto

    Mas não há saída
    Segunda-feira pálida 

    Sigo encolhida

    – 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Julien Tatham est un artiste pluridisciplinaire Français. Afin de dévoiler la poésie qui se cache dans notre quotidien, Julien essaye de capter les détails qui nous échappent. Pour cette série intitulée « US Stop », le photographe s’est positionné derriere des abribus en verre et a capturé avec son smartphone les silhouettes des inconnus attendant le bus. Les rayons du soleil à travers le verre, les tags et la buée ruisselante contribuent à apporter cette touche infiniment poétique à ses clichés.

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  • [Locomotiva espremida]

    [Locomotiva espremida]

    Fiquei espremida
    Em meio a tantas idas e vindas
    Fiquei dividida
    Na vitrine refletida da esquina

    Ninguém senta
    Ninguém sai
    Segunda-feira
    A vida me distrai

    Você versa
    uma promessa
    Você priva
    Minha perspectiva
    Mas saiba que isso me motiva

    Locomotiva espremida

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: paisagem de Eberswalder Straße by Ligia Fascioni.

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  • [Breve]

    [Breve]

    Você me olha de cima abaixo
    Por dentro, por fora, de lado
    Mas você não sabe de nada

    Nem eu, talvez, sei lá

    Não sei dos sonhos que não tive
    Nem dos beijos em aclive
    Que não molharam meus lábios

    Ninguém sabe de nada
    Nem o melhor detetive
    Nem o pior salafrário

    Você me molha
    segunda-feira, relapso

    Breve amasso

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Jane Long é uma fotógrafa e artista de belas artes e a mente por trás da série extremamente imaginativa Dancing with Costică. A procura de fotos para testar suas habilidades de retoque, encontrou a conta do Flickr de Costică Acsinte, o fotógrafo que tirou as fotos originais dos anos 1930 aos 1940. Depois de ver as fotos, ela sentiu que precisava não apenas reimaginá-las, mas também criar uma história para elas. “Eu provavelmente nunca vou saber as histórias reais dessas pessoas, mas na minha mente, elas se tornaram personagem de contos que eu mesma inventei”, disse Long, ao explicar sobre seu difícil processo de criar as imagens surreais. “Amores complicados, uma garota esperando seu amor voltar para casa, meninos compartilhando uma fantasia, crianças inocentes com uma pontinha de escuridão”. Os resultados são essas séries de imagens que nos levam a uma experiência visual extraordinário digna de sonhos.

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[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
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