Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Much more]

    [Much more]

    Eu quero muito mais do que essa vida pré-histórica
    Quero muito mais do que segunda-feira vaga
    Pra encontrar uma fada que me faça rir

    Quero muito mais do que um vestido caro
    Ou outro caso raro de nostalgia inócua
    Por esse tempo raso que você me deu

    Ou você acha que eu espero?
    Não quero esmero, quero um sorriso mais belo

    Quero muito mais do que um castelo
    Quero um armário amarelo

    Pra guardar meu universo paralelo 

    – 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Princesas da Disney transformadas em velociraptors by Laura Cooper, que ainda ‘adapta’ as músicas das heroínas para dinossauros.

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  • [Doce céu]

    [Doce céu]

    Eu queria escrever um poema, mas o vento te ganhou. Eu teria pena se ave fosse. Se fizesse pose. Eu teria pena mas o céu é doce. Meu amor, você voou.

    Eu temia perder a cena, mas o tempo te abocanhou. Seria apenas uma fase, se quase fosse. Se tivesse doze avos de amor. 

    Sim, o céu é doce e tem nuvens de sabão, por quê não? Se segunda-feira fosse, choveria algodão-doce derretendo até o chão.

    Tudo bem que você voe. Desde que não doe teu amor em vão.

    Que o vento seja o teu refrão.

    Enquanto as penas pousam e repousam no meio da multidão.

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: foto by Luciano Sievers no Morro da Pipa, em Canelinha.

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  • [Sombra e rosto]

    [Sombra e rosto]

    Rosto escondido no escuro
    Sombra na neblina da noite
    Medo da luz
    Medo da foice

    Toda segunda-feira chega sem querer
    Querendo me convencer
    Que cada sonho que te roubo
    É um pedaço do meu rosto

    Se dou de ombros quando acordo
    É porque choro com teus olhos
    Enquanto o sonho me consome
    E a madrugada dorme

    Abra os olhos para os sonhos
    Abra os sonhos para a noite
    Abra o sol para o rosto
    E o rosto para o ontem

    É lá que a sombra vai estar
    É lá que a onda vai quebrar

    Deixe o sol entrar
    Repouse o rosto no sonho
    Deixe a sombra padecer no amanhecer
    Seja águia, abraço, assombro

    – 

    Poema criado a partir do tema “Se virar teu rosto para o sol, as sombras ficarão pra trás”, proposto por Thomas Arrosi.

    – 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Walt Whitman’s “Song of Myself,” reimagined in beautiful illustrations by artist Allen Crawford.

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  • [Don’t panic]

    [Don’t panic]

    Don’t panic
    Another Monday is coming
    Another chance to try
    Another reason to fly

    Don’t vanish
    The time is turning
    The streets are burning
    And I want you to be mine, so mine

    Não chore agora, eu quero mais
    Mais uma segunda-feira

    Mais uma vida inteira
    Derradeira
    Tanto faz

    Don’t panic
    Winter is coming
    Monday is shining
    And we are flying 

    – 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: imagem publicada no MyConfinedSpace

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  • [Depois]

    [Depois]

    Depois passa
    Depois melhora
    Depois apaga
    Depois não é agora
    Mas agora eu não quero
    Mesmo que o depois não venha
    Segunda-feira, veja
    Apenas seja 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Anthropologie Knotted Melati Hanging Chair

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  • [Inércia]

    [Inércia]

    Vamos parar o tempo
    No template do meu prato
    No tempero do teu vento
    No pedaço do nosso cansaço

    Vamos parar o tempo
    Na cadência do compasso
    Na ternura do momento
    No aconchego de um abraço

    Vamos parar o tempo
    Na batida do teu ato
    No frame do meu jeito
    No sorriso de um pensamento

    Vamos parar o tempo
    Na neblina da estrada
    Na pressa do efêmero
    Num sincero lamento

    Vamos parar o tempo
    Na aspereza de um beijo lento
    No mergulho de um fundo raro
    No suor de um passatempo

    Vamos parar o tempo
    Na maciez do amanhecer na praia
    Na palidez do outono pleno
    Na escassez da saudade

    Vamos parar o tempo
    Porque a vida pede um tempo
    Porque o tempo pede um tempo
    Porque esse é o nosso momento

    Vamos parar o tempo

    Na poesia das coisas todas

    No tic-tac das bodas

    Na inércia dessa segunda-feira tonta

    _

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Vida urbana]

    [Vida urbana]

    ubiquidade
    sobriedade
    facilidade
    autoridade
    finalidade
    virilidade
    intimidade
    prioridade
    solenidade
    fatalidade

    modalidade

    segunda feira sem idade

    sonoridade
    felicidade
    quantidade
    imensidade
    tempestade
    serenidade
    mobilidade
    dificuldade
    austeridade

    amenidade

    perenidade
    na cidade

    segunda feira em sociedade

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    Capa da revista do The New York Times criada através de uma composição fotográfica de 62 pedaços, montados por uma equipe de 20 pessoas que chegaram ao local às 4 da matina do dia 11 de Abril e ficaram ali durante 3 horas e meia preparando essa imagem de 45 metros, que ocupa praticamente toda a superfície da praça. Um gigante que só pode ser visto do alto e que é invisível para os pedestres.

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  • [Details]

    [Details]

    São detalhes, mas dizem muito
    São frases soltas que saem da tua boca
    E até me convencem, atônitas
    Mas não por mais de um minuto
    Porque eu vejo, ah, eu vejo
    Eu vejo à medida que sinto
    Eu tenho à medida que brinco
    Tenho certeza até quando minto
    Infinito enquanto vinco
    Segunda-feira eu findo
    Tão lindo, tão lindo, tão lindo
    Não sei até quando insisto… 

     –
    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: 3D fractals created by scotland-based laser physicist-turned-artist and web developer Tom Beddard, aka subBlue. “They are truly fractal in the fact that more and more detail can be revealed the closer to the surface you travel. The fascinating aspect is where combinations of parameters can combine to create structural ‘resonances’ of extraordinary detail and beauty—sometimes naturally organic and other times perfectly geometric. But then like a chaotic system it can completely disappear with the smallest perturbation”, said the artist.

    **

  • [Sobre aniversário, velas, vento e fogo]

    [Sobre aniversário, velas, vento e fogo]

    Mais uma idade me engole
    À luz da metrópole
    Meus ouvidos dormem
    Numa canção de ninar
    Teu abraço me recolhe
    Antes que eu me apavore
    Quem sabe o dia demore
    Quem sabe a segunda-feira chore
    Tudo vai passar

    Talvez o vento sopre
    E as velas se apaguem
    Antes que eu deseje
    Meu desejo de aniversário
    Talvez eu mesma assopre
    As velas do meu bolo
    Antes de pedir socorro
    Ou de me impedir que falhe
    Talvez eu te fale

    Ou talvez eu grite
    Mesmo que seja involuntário
    A segunda-feira engoliu meu aniversário
    Foi até delicado
    Mas me virou ao contrário
    Seria cômico
    Se não fosse trágico
    No fundo, todo aniversário
    É um pouco solitário

    Meu suspiro é meu assopro
    Nas velas, belas
    No etéreo fogo
    Que se fazem de rédeas
    E iluminam meu bolo
    Calma lá, eu chego logo
    Valorizo o esforço
    E torço
    Pro fogo ser eterno


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

  • [Notícias molhadas]

    [Notícias molhadas]

    Vago pelas calçadas
    Largas passadas
    Estou tão cansada 

    Trago notícias molhadas
    Com vista para o mar

    Abra as cortinas
    Pro sol sair da esquina

    Abra os braços
    Pros atrasos
    Espaços

    Abra os pedaços
    Descalços

    Abra o passo
    Saia do asfalto

    Quero um abraço
    Estou tão cansada
    Segunda-feira passou num traço
    E sentou na calçada

    Minhas notícias molhadas
    Afogaram as mágoas
    Na praia

    Abra as cortinas
    Mas feche a janela
    O sol brilha na esquina
    E a chuva se faz bela

    Sente aqui comigo
    Na calçada sossegada 

    Que tal esperar o próximo domingo?

    Notícias molhadas
    Na vidraça
    Na ressaca
    Segunda-feira não basta

    Notícias molhadas
    Despedida encharcada


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    be panic…
    panicmonday.com.br
    panicmday@gmail.com

  • [Sobre o dia que queria ser noite]

    [Sobre o dia que queria ser noite]

    Só no mundo diluído
    quando o céu é distraído
    que eu consigo
    transformar o inferno cativo
    em pleno meio-dia
    esquecido

    Pesco afagos aturdidos
    colho asas de vagalumes perdidos
    e recito cânticos imaginários
    descubro defeitos encalhados
    e transformo tudo ao contrário

    Falo sem pensar
    pra quebrar o silêncio
    mesmo sem ninguém perguntar
    ou nem preparar o momento
    com certa prudência mental
    frente à tamanha impulsividade verbal 

    Mal a segunda-feira chegou
    meu sonho enfadonho evaporou
    enquanto o sol tropeçou
    nos teus calcanhares
    e você desmoronou
    de todos os meus andares

    Se a estrada é esburacada
    vamos construir uma escada
    que nunca se acabe
    meu amor, tudo ainda cabe
    na segunda-feira guardada
    da noite que se abre

    – 

    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Magical long exposure photographs of fireflies parading about the forests of Nagoya City by Yume Cyan.

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  • [Poema puro, às vezes]

    [Poema puro, às vezes]

    Às vezes tenho vontade
    de adotar aquela frase
    que saiu inacabada
    da tua boca desenhada

    Às vezes, só às vezes
    tua saliva bordada
    parece ora um poema sedento
    ora uma prece, ora um segredo

    Ora um pranto lento

    Às vezes a segunda-feira chega
    como vírgulas no teu sorriso
    e me convidam ao abismo

    Às vezes eu nem ligo
    se teus cílios curvos
    são muros

    Ou se teu coração duro 
    quer me escrever no escuro

    Não precisa gritar, eu te escuto
    vamos fazer como da última vez?

    Pode cair, eu te seguro
    e às vezes até juro
    que este poema puro
    foi você quem fez


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: The pencil on paper drawings of Julia Randall from Lick Line Collection: a series of disembodied mouths floating in space. “Rendered in exacting detail, the tongues protrude and beckon the viewer to come close. The mouth is the body’s critical site, where we eat, speak, kiss and bite; it is both ferocious and tender. We see the mouth and tongue all the time, yet they are highly intimate. Seen as a group the mouths undulate and bounce. Like many voices talking at once, they strangely invade our space with humor and perversity”.

    **

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
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