Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Recado]

    [Recado]

    Não me provoque, moço
    Não quero ver seu rosto
    Abafar meu esforço
    Fundo sem poço
    Segunda-feira eu ouço
    De novo
    O recado que você deixou
    De nada adiantou
    Foi tão forte que esgotou
    Sua sorte me levou
    Seu silêncio me calou
    E agora?
    Me leve lá fora
    Me leve ao se lado
    Releve o que não for leve
    Tá tudo trocado
    Fui ouvir o seu recado
    Você já tinha ido embora

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    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: sent from above by Michael David Adams

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  • [Arlequim]

    [Arlequim]

    Você não reparou
    Meu olhar mudou
    É que a chama apagou, meu bem
    E você nem notou

    Agora acabou
    Essa palhaçada tosca
    Segunda-feira roxa
    Madrugada frouxa

    Continue sendo trouxa
    Aprenda a lavar sua roupa
    Ou espere a garoa
    Levar sua piada às moscas

    Continue assim, Arlequim
    De esquina em esquina
    Atrás de alguma Colombina
    Que ache graça da sua pirraça

    Deixe em paz meu jardim
    Prefiro nadar sozinha
    A saltar contigo do trampolim
    Enquanto o futuro toca a campainha

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Tela TWO GIRAFFES AT LEAST by Rogério Fernandes.

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  • [Solte-me]

    [Solte-me]

    Já ficou apertado demais
    A segunda-feira passou rápido
    Deixou rastro
    Deixou fardo
    Estragou a grama
    Minha pele inflama
    Chega de drama
    Solte-me, se você for capaz
    E volte
    À sua ode
    À sua vida fugaz
    Não quero rugas
    Nem auguras
    Chega de responder
    Tantas perguntas

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    L’artiste turc Mehmet Ali Uysal place au coeur de ses oeuvres la question de la place et la taille des objets du quotidien. Avec cette pince à linge géante, il permet d’intriguer le visiteur. Mise en place à l’occasion d’une exposition d’Art contemporain dans le parc de Chaudfontaine en Belgique.

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  • [flores, dores, amores, vapores]

    [flores, dores, amores, vapores]

    Os pés inchados
    de todas as formas de amar
    torciam os passos
    desencontrados

    tudo bem olhar pra trás
    mesmo que você não mude
    o tempo passado
    a segunda-feira zoada
    o calçado surrado
    ou a costela marcada

    tudo bem, aliás
    que você pule
    ou afunde
    nas lembranças de voar
    tanto faz

    se teus pés inchados
    errarem o caminhar
    você volta
    e solta
    flores
    dores
    amores
    vapores

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Não era eu]

    [Não era eu]

    Não era eu quem perguntava
    “onde está você?” 
    ou “já em casa?”

    Não era eu quem deseja “boa viagem”
    e pedia pra avisar se chegou bem
    ou se ficou cansada 

    Não era eu quem sonhava acordada
    nem quem se assustava
    com a frase seguinte,
    com o passo seguinte,
    com o dia seguinte 

    Não era eu quem esperava
    a segunda-feira quase acabar
    para o pranto derramar 

    Não era eu quem tecia
    planos por engano
    Não era apenas
    eu quem queria

    Não era eu
    quem não existia 

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    L’artiste australien Jack Of The Dust présente ses sublimes créations, qui rappellent à chacun la maxime latine Memento Mori. Modelés sur un crâne véritable, ces crânes artificiels en PVC sont recouverts d’un bonsaï, dans la plus pure tradition antique. Chaque crâne est fait à la main. Il représente des petites scènes telles qu’un jardin de bonsaï traditionnel, un cimetière miniature, ou encore un jardin de cerisiers en fleurs. Ces fabuleuses pièces d’art décorent joliment un intérieur tout au long de l’année.

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  • [Devir]

    [Devir]

    Esperei solicitude
    e esperei sentada
    mesmo não sabendo nada
    mesmo não sendo fada

    Esperei sua atitude
    e até li virtudes
    nos seus olhos pardos
    nos seus sonhos opacos
    abusando da liberdade
    e desafiando a verdade

    Sei lá, esperei…
    Esperei da valsa
    um giro ousado
    um giro forte
    um giro impávido

    Sei lá, esperei…
    E esperei sentada,
    ainda bem…
    Esperei o porvir
    e não gostei do que vi

    Caí em soluços
    no susto
    Mas não me arrependi
    Troquei noia por devir
    Claraboia por luzir
    Segunda-feira por debris
    E esperei o tempo distrair

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: artwork by Jason Cantoroconcept: dance like nobody knows you have social anxiety. 

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  • [Precipício]

    [Precipício]

    Danço na tempestade
    e alcanço
    a tua liberdade

    Ah, se eu pudesse
    te prender suspenso
    dentro do meu peito
    por toda eternidade
    eu faria do domingo
    tão lindo
    pra sempre segunda-feira
    e te deixaria rindo
    na beira
    do precipício
    na ponta do meu seio
    bem ali no meio

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Surreal is Real…Stormbringer by b-jan, via Deviant Art.

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  • [Salve-se]

    [Salve-se]

    Salve-se quem puder
    Tem som na beira da areia

    O céu ficou lilás, tua voz a ecoar
    E eu bailando feito sereia

    Salve-se quem quiser
    Vem fugir da segunda-feira
    Vem me amar
    Jogar as pernas pro ar
    Ficar de bobeira

    O que é sólido desmancha no mar
    O líquido condensa no ar
    E a chuva dá coceira de brincar

    Salve-se quem tiver fôlego na barriga
    Raio de sol respinga

    vida

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema:

    O fotógrafo canadense Michael Davies resolveu brincar com a premissa científica que a água quente se transforma em uma nuvem de cristais de gelo quando entra em contato com temperaturas abaixo de zero e conseguiu capturar o fenômeno em fotografias. Só que ao invés de água, ele usou chá fervente de fronte ao pôr do sol no Círculo Ártico.

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  • [Cio]

    [Cio]

    Resolvi contar tudo
    Mas você ficou mudo
    A b s u r d o
    Agora ganho o mundo
    Flutuo
    Seio rubro
    Meio claro
    Meio escuro
    Meio vazio
    Meio cheio
    Tudo o que eu falo
    Sussurro
    No cio
    No meio 
    A segunda-feira veio

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Obra “pretendiente del pasado en el futuro”, by  Eduardo Anderson.

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  • [Pedidos perdidos]

    [Pedidos perdidos]

    Fiz uma lista
    nada muito caro
    nem muito idealista
    nada muito sério
    tudo situacionista

    sugestões de presentes
    pedidos perdidos
    desejos contidos
    viagens pendentes
    Papai Noel, não desista
    serei mais prudente

    Fiz uma lista
    daquelas que só a segunda-feira agita

    Pra você se fazer presente
    nos meus dias de artista

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: Arte criada por Ray Bartkus –

    artista, residente de Nova York – em Marijampolé, na Lituânia. O mural foi pintado de cabeça para baixo intencionalmente, a fim de que nadadores, remadores, golfinhos e cisnes apareçam refletidos na superfície de Šešupé, um rio que flui para o centro da cidade.

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  • [Neblina]

    [Neblina]

    Reduza agora
    antes que seja tarde
    antes que a vida amargue
    lá fora

    O brilho aflora
    não me largue
    respeite a trave
    depois melhora

    Se não foi agora, não era hora
    tudo bem parecer covarde
    segunda-feira sem alarde
    de mansinho, sem demora

    Em silêncio
    a neblina esconde
    um predicado inteiro
    cinzento

    Se és sujeito, entendo
    ainda há tempo

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: detalhe do rooftop do edifício Smart, em Blumenau.

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  • [earresistable]

    [earresistable]

    Você ouve tudo o que eu falo
    Você sabe tudo o que eu sinto
    Mesmo quando eu me calo
    E toco o assunto a fundo
    Ou faço de conta que minto
    Com afinco

    Você chove no molhado
    Enquanto aquece meu sossego
    Te cheiro, te vejo, te mexo
    Tudo o que eu preparo
    Te deixo
    No meio de um abraço

    Faço chá, faço festa,
    Ainda há tanto o que me resta
    Se for café, tudo bem
    Chocolate com canela também
    Cada história lhe convém
    Vem que tem

    Agora não conte nada pra ninguém
    Não conte nada do que lhe digo
    Pois falo no teu ouvido
    Entre um gole e um suspiro
    E confio no teu silêncio
    Imenso

    Pode deixar que eu me viro
    Segunda-feira eu grito
    Meu segredo está contido
    Sei que é irresistível
    Mas eu respiro
    … eu giro

    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: every day our mugs listen and give us their warmth. They are our soulpeace keepers. Um chá ou café quentinho podem ouvir muitas histórias. Chamada de ‘uho’ (palavra russa que significa ‘orelha’), esta caneca foi criada por Pavel e Maria Sidorenko, ele designer de produto e ela ceramicista e designer gráfica. “Our aim is to create functional and playful products that retains its simplicity, interacting with the space and user. To create not only incorporate pragmatic necessity, but also transmit an emotional quality within the everyday environment”, they say.

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[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
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