Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Espelho maldito]

    [Espelho maldito]

    Não sei se consigo
    Outra paz aqui comigo
    Coração aflito
    Encontro fictício

    Foi amor ou feitiço?
    Armadilha do destino
    Diálogo tremido
    Abraço merecido

    Não sei se ainda vivo
    Se sou prece ou alívio
    Futuro dividido
    Passado atravessado

    Caminho bagunçado
    Poema despedaçado
    Pensei em você no sábado
    E no domingo escondido 

    Você ainda lembra de mim?
    Sinceramente, eu duvido
    Segunda-feira eu grito
    E troco seu sorriso

    Por um beijo coagido
    Atrás do espelho maldito
    Enquanto eu reflito
    Nosso desejo destemido

    Tenho um sonho contido
    Um segredo adormecido
    Uma vontade insana
    De fazer amor contigo


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday 

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    Photo by Tina Teresa

  • [Futuro faminto]

    [Futuro faminto]

    Sobre
    Voando
    Sobrando
    Vazando
    Volátil
    Nobre
    Sono
    Trono
    Abandono
    Dano
    Dono
    Segunda-feira de pano
    Plano, flano
    Sabe
    Sobe
    Voando
    Varando
    Bradando
    Dando
    Desdobrando
    Andando
    Voltando
    Futuro
    Faminto
    Minto
    Sinto
    Brando
    Brado
    Dobro
    Formo
    Firmo
    Finito
    Furo
    Vindo
    Vivendo
    Movendo
    Mudando
    Muro
    Volando
    Bailando
    Livrando
    Lavrando

    Livro
    Te livro
    Te leio
    Lindo
    Lendo
    Limando
    Amando
    Lambendo
    Banhando
    Bebendo
    Babando
    Sorvendo

    Vendo
    Sonho
    Novo
    Devendo
    Revendo
    Devolvo
    Remendo
    De novo
    Revolvo
    Revivo
    Sorrindo
    Indo
    Partindo
    Parindo
    Rindo
    Sentindo
    Tinindo
    Querendo
    Crescendo
    Sendo
    Tendo
    Sofrendo
    Tentando
    Tem tanto
    Tem tudo
    Tramado
    Trama
    Derrama
    Me ama
    Me chama
    Chamego
    Logo chego
    Dobrando
    Vertendo
    Sobrevoando


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    *

    Arte: Colorização by Patty Stazak sobre fotografia de Juliana Mozart | Casamento decorado com borboletas de origami.

  • [Tatuagem]

    [Tatuagem]

    Palavras na pele
    Letras, cortes
    Cicatrizes escolhidas
    Encolhidas
    em tortas linhas,
    tontas tintas,
    dobras de vida

    Rasuras
    Pedaços de guardanapos
    Travessuras codificadas
    Sonhos formatados
    Desenhos inventados

    Momento suspenso
    Segunda-feira tensa
    Talvez por insistência
    Talvez por existência

    Meus dedos doem

    Sinto dor de desenhar
    Dor de existir
    De aguardar o tempo cravar
    em meu corpo
    um desfecho absorto
    uma moldura dura
    dura de amargura

    Desenhos emoldurados
    feito pacotes dourados
    percorrem cada pedaço de pele meu
    Seriam presentes embrulhados
    por serpentes descontentes?

    Se o tempo presente é um presente
    Que dizer do futuro
    que atordoa e afoga de repente?

    Passado estampado na pele


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Não sei fazer conta]

    [Não sei fazer conta]

    Carrossel dividido
    Chuva de setes
    Quanto custa
    um olhar arrependido?

    Meu cálculo se repete
    Por que você foi embora?
    Na matemática do seu retorno
    É onde eu conto as horas

    Conto, conto e o tempo não passa
    Ou será que o tempo para
    Segunda-feira fica pronto
    Segunda-feira me dispara 

    Conto, conto e faço de conta
    Que eu não sei fazer conta
    Só pra ver se você volta
    Enquanto o vento se demora


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    Arte de Sônia Menna Barreto chamada Enxuta e feita em glicée, palavra francesa usada nos EUA para nomear o processo de microjato de tinta, a uma determinada pressão, usado na impressão desta nova geração de gravuras. É feita na máquina “Giclée Printer”, que jateia aproximadamente 4 milhões de microscópicos pingos de tinta por segundo, em papel (100% algodão, 220 g) ou tela. Podem ser usadas até 16 milhões de cores numa só giclée.
    *

  • [Solidão]

    [Solidão]

    Pra te esquecer, te escrevi
    Quando você partiu, me encontrei
    Lembranças jazem num instante
    E a grama cresce verdejante
    Não importa se é solidão ou saudade
    Somos eternos enquanto vivos
    E nos confundimos com a liberdade

    Pra te cantar, escolhi
    Uma sinfonia inacabada
    Mas as palavras me perseguem
    E não entendo essa urgência em provocar
    Em cutucar o destino desmaiado
    Em tentar te bater com luvas de pelica
    Com spikes nas pontas dos dedos mofados

    Não vou lembrar de nada disso
    Nem agora, nem na próxima Segunda-feira
    O modelo sempre simplifica a realidade
    E o que sobra é o meu coração indeciso
    Que amortece o soluço da vontade
    E desenha um poema de improviso


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Ferida alada]

    [Ferida alada]

    Acordo alada
    Ao seu lado
    Levo o fardo
    De ser amada

    Sua amada
    Boicotada
    Recortada
    Recitada
    Empodeirada
    Empoleirada
    Escondida
    Temida
    Com frio na barriga
    Enquanto cores ganham vida

    Me testo e me descubro
    Só mais uma mordida
    Acordo alada
    Perdida
    Ladeada
    Perseguida
    Rapunzel adormecida
    Ferida
    Decidida
    Alada amada
    Amordaçada

    Ledo engano
    pedaço de pano
    Retalho amassado
    Sonho rasgado
    Paixão noturna
    Céu estrelado
    Acordo alada
    Ao seu lado

    Mas durmo nua
    Sob o beijo da lua
    E brilho enquanto
    Engulo o pranto

    Carne crua
    Lá fora, na rua
    Alada acordo
    Apenas concordo

    Seu soslaio
    Invade minha janela
    Um dia caio
    Um dia saio
    De maio a maio
    E desmaio

    Você cabisbaixo
    Entende o drama
    Prepara a cama
    Enquanto encaixo
    Meu disfarce
    Meu olhar amassado
    Você vem manso
    Sem descanso

    Seu solstício
    É meu destino
    Um dia eu finjo
    Um dia eu minto
    Um dia eu sinto
    Muito
    Um dia eu fujo
    Segunda eu junto
    Você faminto
    Troco mordida
    Por despedida
    E acordo de lado
    Com asas partidas


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Rock me]

    [Rock me]

    Pisei no rabo da gata
    E levei uma dentada
    Dedilhei sua guitarra
    De madrugada

    Rock me now, it’s Monday
    Prolongue o fim de semana
    Around the clock
    Come back to Sunday

    Encoste seus lábios no meu ouvido
    Mas não grite, nem sibile
    Suas sílabas amargas me enjoam
    Suas promessas povoam
    Minhas entranhas
    E eu duvido

    A trilha escolhida
    Despedida
    Rock me now
    Festival
    Desdobre-me em cifras
    En-cante-me
    Mas não cante
    Senão eu cedo
    Sua voz é meu placebo
    Entre o bem e o mal

    Foi tão cedo
    Foi tão lento
    E intenso
    Na velocidade do pensamento
    Que tormento
    Música muda
    Tudo muda
    Quando a noite surta

    E por mais que eu sonhe
    What did rock me there
    Will never rock me again
    Tudo o que foi dito
    Foi apenas uma música surda
    Que entrou por um ouvido
    E saiu por uma curva torta
    E eu duvido
    De cada estribilho
    Do brilho do meu brinco
    Que caiu mal criado
    Criado mudo, suor lavado
    Rock me then
    Again and again
    Segunda-feira, vem!
    Mesmo que eu peça
    Outra semana começa
    E não há nada que impeça
    Refrão mordido
    É, eu duvido


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Teia roxa]

    [Teia roxa]

    No meio da rua
    No seio da chuva
    Na veia da teia
    Na cheia da aldeia

    Incêndio na chuva
    Banho de mundo
    Poças de ruas
    Travessos segundos

    Atravesso de rua
    Perseguida, sumida
    Na teia despedida
    Na palavra nua

    Debaixo dos olhos
    Padrões escondidos
    Caos perdidos
    Sorrisos achados

    Peças sortidas de vida
    Quebra-cabeça irreversível
    Angústia destemida
    Teia que nos liga

    Teia que semeia
    Que nos une e nos pune
    Que nos cede vaga-lumes
    Que vaga e cega na areia

    Vida ditada
    Determinada pelo vento
    Sopro de cordas
    Na poça do tempo

    Na Segunda tento
    Segunda-feira
    Segunda teia
    Primeira inteira

    Teia roxa
    Nós de destinos
    Iô-iô de sorrisos
    Desatino colorido


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Medo de escada]

    [Medo de escada]

    Cada vez que desço escadas
    Imagino o joelho travando
    O tornozelo torcendo
    O quadril desequilibrando
    E a queda acontecendo

    Vejo o futuro se desdobrando
    E despencando em tropeços
    Vejo o corrimão sumindo
    O chão se abrindo
    E todo meu pranto caindo

    Um passo de cada vez, vamos lá
    Atenção, chega pra cá
    Vem ser meu apoio
    Meu braço de ouro
    Desce comigo pra eu não me espatifar

    Cada vez que olho pra baixo
    Vejo degraus machucados
    Medo de fino trato
    Escada lesada
    Passada tonta

    Para descer as escadas
    Sorrio baixinho
    E me apoio de mansinho
    No corrimão gelado
    Enquanto olho devagar de lado

    Desço a tempo no meu tempo
    Desço sem respirar muito forte
    Desço aos poucos, num passo lento
    Pra não cair, pra não falhar
    Pra tentar abraçar

    Pra tentar chegar lá
    Ou logo ali
    Desço atenta numa tormenta
    Tem abraço lá embaixo?
    Ou só alívio imediato?

    Desço porque antes subi
    Desço pra voltar de onde vim
    Ou pra chegar de onde parti
    Desço mesmo com medo
    Segunda-feira que esqueci


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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    Photo by Tina Teresa

  • [Desembrulho]

    [Desembrulho]

    Laçada de orgulho
    Desembrulho
    Pedaço de euforia
    Kriptonita
    Segunda-feira maldita
    Pedregulho
    Saudade simples dos pés gelados
    Debaixo da coberta amassada
    Saudade de um drinque
    Enquanto você me olha
    E depois me brinca
    Me abafa em beijos
    Me afoga em carinho
    Me invade em silêncio
    E me desembrulha
    E me teletransporta
    O tempo todo
    Por todo o mundo
    Pra qualquer tempo
    Praquele momento
    Praquele “oi” dito de fora pra dentro
    Como que me convidando
    A fazer parte do seu tempo
    Sem pestanejar
    Porque você é o meu lugar
    Nossos pés se tocam
    E trocam
    Milhares de paisagens
    Em cada olhar uma mensagem
    Do alto do muro
    Abraço puro
    Amasso no escuro
    Eu te seguro
    E grito
    Em negrito
    O quanto eu quero
    Caramelo
    E desembrulho
    Seu coração
    No meu castelo
    Onde chove algodão
    E adormece um universo paralelo
    Sensação
    Presente terno
    Tão belo
    Te encontrar foi singelo
    Te querer é um novelo
    Que eu desembrulho
    E me enrolo
    Porque é em você que eu moro
    Porque é seu gosto que eu decoro
    E repito em goles cada vez melhores
    É com você que eu namoro
    E adoro
    E desembrulho
    E desenrolo
    Segunda-feira aflita
    Volte, eu imploro
    Repita
    Segunda-feira tem visita
    Que bonita
    Você é meu presente
    Que eu desembrulho
    E desenho nosso futuro
    Com meus cabelos
    Amarelos


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Coração]

    [Coração]

    — Eu fico aqui…
    Minha mesa, meu note, meu cel, um guardanapo de papel… Um pedaço de céu.

    — Eu vou praí…
    Uma praia, uma varanda, uma risada, uma dança. Uma brincadeira de criança.

    — Musa é a lua.
    E não minha prece nua que despe em curva essa rua rasa. Musa é a sua morada.

    — Agradeço as memórias.
    E as noias. E as promessas veladas entre farpas. E os sorrisos invisíveis em patamares insondáveis.

    — E se houver brilho…
    A gente dispersa do mundo e foca um no outro. E troca os pratos e divide amassos.

    — E esconde a navalha.
    Pois se há corte que valha, já estiquei os braços e encolhi as pernas para o muito o que me resta.

    — Eu salto.
    De salto alto da beira do asfalto para a areia movediça dos começos e das fatias, das metades e das tardes vazias.

    — Eu sinto.
    E minto que não há saudade por pura maldade/faz-de-conta. Debaixo da sombra a gente sonha com o perto/longe que afronta.

    — E se houver sobremesa…
    Você escolhe manjar depois do jantar. Ou alfajor, só pra rimar com major. Ou sorvete de chocolate pra dar empate.

    — Mas se houver guerra…
    Não te espero não, não quero mais soldado machucado, tampouco safado, esfolado, escaldado, sem rumo, sem fardo, sem banca armada.

    — Se quiser, venha.
    Mas venha sem farda. Sem desculpas ou falhas. Sem agenda marcada, sem planos. Só com seu sorriso insano.

    — De coração…
    Desapego, logo chego. Decore, folclore, perfile, não demore. Dê alma, dê corpo, dê ventre, desejo, em vão?

    — Que seja segunda-feira.
    Que hajam estrelas e fagulhas e centelhas e rasuras. Que haja saga, mágica e tempestade. Entre, fique à vontade.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    Illustration by Julian Gallash [binary heart]

  • [Música Miúda]

    [Música Miúda]

    Tudo o que a gente precisa
    Cabe no tempo de uma música
    To miúda
    To moída

    De pernas pra cima
    De cabeça úmida
    Encolhida
    Numa canção única

    Entro em mim
    E planto
    Em prantos
    Um jardim

    Foram tantos
    Vinte e tantos
    Que a Segunda
    É sem fim

    To moída
    To miúda
    Doida, doída
    To Neruda

    Nem te conto
    To desnuda
    To precisa
    To no ponto

    Tenho música
    Tenho teto
    Papo reto
    Fino trato

    Gato preto
    No concreto
    Tão discreto
    Tão quieto

    To miúda
    To moída
    Tenho música
    Na barriga

    Gato mia
    Freguesia
    Sou melodia
    Minha companhia

    Pois tudo o que eu queria
    Cabia numa cantiga
    Numa música perdida
    Engolida


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
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