Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Cresça]

    [Cresça]

    Apareça entre frestas e faça sua festa
    Descubra-se, desvende-se, desnude-se
    Abra os olhos para o tempo que lhe resta
    Tenha medo não, já é hora: mude!

    Mas não se mude nem emudeça-se
    Não culpe a Segunda-feira travessa

    Nem fique necessariamente triste
    Porque o jardim de girassóis está lá
    Iluminado iluminando seus guardados
    Burlando crenças em pequenas oferendas

    A previsão tem se contrariado
    Sinto-lhe adversário de si mesmo
    Frases bem vestidas, encontro marcado
    Por que você veio de olhos fechados?

    Casaco jogado no asfalto
    Falsete no canto da boca
    Fuga de uma vida breve sem marcos
    Momento avesso, ciranda rouca

    Seriam estranhos amigos que ainda não se conhecem?
    Seria um banho de orvalho se nada é por acaso?
    Nada por casaco… Nado por acaso num casaco de nada…
    Mais um caso ao acaso… nadando no nada…
    Caçando no ocaso por algo que o valha
    Navalha na veia da voz que me vaza

    Nunca aprendi a andar de patins
    Há um céu e um inferno dentro de mim
    Há cárceres e voos livres
    Será que é só cansaço?

    Então eu peço: cresça!
    E palavras me apunhalam pelas costas

    Deite-se comigo no jardim ausente
    Olhe-se pra dentro e floresça
    Desaperte-se do que quer que seja
    Alimente-se da sobremesa

    Amplie seu espaço interno
    Deite-se de braços abertos
    Sinta a chuva cair das estrelas
    Mude a dança, embale a planta e cresça

    Deixe que amanheça
    It’s Monday and it’s over
    Apenas cresça e viva as tristezas
    E as alegrias da vida que você escolheu

    Espectador de si mesmo
    Encantador de momentos
    Vá procurar sua alegria
    E cresça num encontro inédito
    Abrace mais um dia
    Respire e sorria já que é só sua essa melodia


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Depois Olivia]

    [Depois Olivia]

    De lado, de novo
    De noite, depois
    Devolvo
    Resolvo
    Revolvo
    Nós dois

    Não da nada, de nada
    Obrigada, não foi
    Madrugada
    Segunda-feira rasa
    Embriagada
    Tolstói

    De novo, depois
    Mais um gole
    Não demore
    Just a bit more
    Sinto muito
    Sinto nós

    Sinto nada
    Nada além
    De volta
    De bem
    Depois você vem
    Tudo bem

    Não enrole
    Wormhole
    Noite fria
    Não demore
    Depois Olivia
    Ainda to viva


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Vigília]

    [Vigília]

    Dei corda no meu coração
    E arrisquei uma valsa
    Na sincera atmosfera
    Da espera

    Noite arredia
    Estrela vazia
    Poço de lume prata
    Diplomacia alucinada
    Invada-me
    Brilhe em meu peito
    Rarefeito

    Negra noite
    Vaga-lume metálico
    Azul pálido
    Sorriso febril
    Estrelas férteis
    Bicho delicado
    Inerte

    O que te aflige?
    O sol não voltar a nascer
    Ou o seu coração escurecer?

    Observo-te pulsando
    É Segunda-feira e é Dezembro
    Desmembro-me e lembro
    Que dia longo!
    Entre passos e escombros: assombro
    Gota de chuva no ombro
    Foi mesmo

    Anáforas espaçadas
    Cabelo molhado
    Pensamento refrescado
    Labirinto dissipado
    Que susto!
    Quase caí do telhado
    Na calçada

    Ainda te vejo partindo
    Distraído, sorrindo
    Me partindo em duas
    Dissipando dunas
    Ferindo


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Será que pode?]

    [Será que pode?]

    Sua presença
    Minha ausência
    Encontro perdido
    Pista de dança

    Compartilhamos olhares
    E partilhamos mares
    Inebriantes patamares
    Esquinas fugidias
    Escadas frias
    Beijo seco
    Segunda-feira do avesso

    Olho no olho, tudo bem
    Só se for agora
    Na Segunda-feira, meu bem
    Cara virada e alma lavada

    Face a face num pedido
    É só o que eu preciso
    Aqui dentro eu digo:
    Escolhi sumiço
    E antes o incerto
    Do que um beijo perto
    Perdeu o feitiço
    Tão longe, tão certo

    A música levou a semana embora
    A dúvida definiu a memória
    Um carinho breve
    O que houve ali ficou pra história

    Ciranda cirandinha
    Vem agora me buscar
    Meu sono é protegido
    Volta e meia tudo pode mudar

    Meia noite é hora da ceia
    Noite inteira, meia sobremesa
    Mudou tudo e não era nada
    Segunda-feira de boas maneiras

    Que venha o sonho sem critério
    Que o filtro evoque seu mistério
    Que outras Segundas voltem
    Que o feltro forje e a saia rode
    E o sorriso roubado molde
    Mas… Será que pode?


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Banho de Chuva]

    [Banho de Chuva]

    Quase nem te reconheci
    Debaixo daquele guardachuva
    Quase
    Quase esqueci
    De todas as chuvas que brincamos juntos
    Quase
    I’m a mess I confess
    I’m a little bit stressed
    Chove uma música arredia
    Nessa rua vazia
    Passos insanos me perseguem
    E a cortina d’água silencia meu drama
    Enquanto na poça derrama a chama
    E tua voz me chama
    E inflama
    A angústia de uma tarde que clama

    Na chuva tua voz reclama
    Na chuva meus cabelos escondem
    Quase toda a trama
    Da Segunda-feira tardia

    Era tarde e era dia
    Tinha chuva e eu ardia
    Era quente a calçada
    Mas a água era fria
    Era quase e você não vinha
    Marquise na esquina não tinha
    Banho de chuva quase nua
    Nua de alma
    Na rua calma
    Sob o som da quase palma
    Da voz que abafa
    Era chuva ou era aplauso?
    Era música ou descaso?
    Era quase ou era um passo?
    Era você ou só o acaso?


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Brigadeiro…]

    [Brigadeiro…]

    Tem coisa que não tem por quê
    Precisa explicar?
    Tem coisa que é assim, com gostinho de saquê
    Precisa detalhar?
    Tem resposta que não existe
    Tem momento que apenas persiste
    Tem sorriso que transparece a alma
    Tem pergunta que não cala
    Como se o silêncio dissesse tudo
    E uma simples respiração movesse o mundo

    Tem jeito que surge e ganha vida
    Jeito de falar, de escutar,
    de escolher a comida
    Tem jeito que aparece sem avisar
    E toma conta do jardim de casa
    Faz florescer uma nova morada
    Uma nova segunda-feira alucinada
    Da sacada à colina
    Do lençol à lamparina
    Do sonho de menina à flanela da cortina

    E é ótimo, sabe por quê?
    Porque a falta de motivo brinca com a rotina
    Manda flores no meio da tarde
    E leva brigadeiro com gosto de saudade
    A falta de motivo me duvida, mas me mima
    Me carinha, mas me cala
    Me espera e me guarda
    Me solta e me aguarda
    Me segura e me encanta
    Enquanto eu cato em cada canto
    Mais motivos pra sonhar

    O que é ótimo
    É simples assim
    Geleia cor de carmim
    Feito minha boca entreaberta
    Que espera mais um beijo
    Mais um chamego
    Um carinho assim, assim

    Chega de falta de motivos
    Vem pra perto, aqui no meu ouvido
    E fala mais um pouco
    Discurso manso, desejo louco
    Nada de extraordinário
    Apenas o necessário
    Assim, na medida
    Nem demais, nem de menos
    De leve, breve, palavra colorida
    Tanto faz, já é eterno

    O que é ótimo basta
    Não tem por quê
    Karaokê a contraponto
    Não tem clichê
    Ah, se eu pudesse
    Mostrar pra você
    Toda a adrenalina que circula
    Aqui dentro do meu ser
    Você veria cada curva
    Cada drift, cada fala muda
    E aceitaria
    Que você é ótimo
    Por ser o que é
    Por fazer o que faz
    E sentir o que me traz
    Esse aperto todo
    Sem medo tolo
    Sem emoção fugaz


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Tempestade]

    [Tempestade]

    Completamente descontrolada
    Feito um raio na tempestade
    Era Segunda-feira e eu tava revoltada
    Pulverizada numa telepatia afiada

    Cada raio era um sorriso emoldurado
    Que segurava meu bocejo em prantos
    E me entregava um botão de flor desbotado
    Rascunho de feltro, preto no branco

    Vivo e morro na tempestade
    Cada risco, cada raio, não arrisco
    Corro pra dentro de mim
    Totalmente entusiasmada
    Tem coisa que não se diz
    Tem coisa que não se faz
    Tempestade que não se vai
    Tem prece que esvai
    Escorre pelo traço incerto
    Do raio que me desfaz
    E me fragmenta em trecos
    Colorindo estações paralelas
    Mudando o curso do universo
    E tornando tudo assim
    Demasiado cômodo
    Demasiado frouxo
    Demais extasiado
    Celeste e iluminado

    Na claridade relativa dos meus atos
    Sinto o raio do destino me fisgar

    Atravesso a tempestade
    Holofotes de ansiedade

    Penso, logo desisto
    Existo, logo reflito
    Absorvo, portanto habito
    Largo, quase profundo
    Tempestade no infinito
    Raio profano, imundo
    Dito pelo não dito

    Formalidade distorcida
    Tempestade na medida

    Não tema o choque
    Ouça seu coração
    Cuide do seu coração
    Fale com seu coração
    Sinta seu coração
    Veja seu coração conversando
    Sacuda o medo
    Chacoalhe o pranto
    Boceje por enquanto
    Segunda-feira, ainda te alcanço
    Tempestade sem descanso


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Flor congelada]

    [Flor congelada]

    Pedaço perdido de inverno só pra mim
    Ou um pedaço de primavera?
    Inferno enfermo que congelei
    Flores que ganhei e pendurei na janela

    Preces roubadas, momento abafado
    Flores que inundei com lágrimas de requinte
    Naquele momento em que o óbvio ainda é um fardo
    E não dá pra imaginar o segundo seguinte

    Que seria do futuro se o gelo derretesse
    E as cores das flores sumissem
    E se fundissem num quadro de Matisse?

    Tenho receio de descobrir o que pode acontecer
    Tenho medo do que está por vir
    Prefiro parar o tempo e congelar o momento

    Tenho medo de sentir coragem
    E perder teu beijo, teu cheiro, tua margem
    Segunda-feira não é mera paisagem

    Flor congelada não chora, não sofre, não morre
    Não ama, não vive, não canta, não sonha nem comemora
    Flor congelada apenas contempla o tempo de um momento
    Um instante condenado a pairar sempre no presente


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [The second fairy]

    [The second fairy]

    Foi algo que eu disse?
    Foi algo que eu fiz?
    Foi algo assim… idiotice?
    Foi tarde o final feliz…

    Foi forte, foi fogo, foi sim
    Foi fadiga
    Foi falta de sorriso?
    Foi ferrugem, festim
    Foram mares desmedidos
    Fenda sem fim

    Fui à feira na Segunda
    Segundo a segundo
    Prefiro o fundo
    Se fui teu mundo
    Feri a chuva
    Faquir de foices
    It was your choice
    And it wasn’t fair

    Faça de novo
    The second fairy
    The second chance
    The second flame
    It wasn’t only my fault
    So please, don’t blame me
    Segunda-feira perfeita
    Falei de novo
    Falhei de novo
    Não foi por desfeita
    Mas eu reprovo
    O amor faliu

    Foi algo que eu disse?
    The second fairy
    Fada Berenice
    Fadada a se fazer de Alice
    Don’t get scary
    Don’t fly away
    Você me deve um desejo
    Não me deixe à desdém

    Foi uma fábula?
    Fada safada
    Furtou meu sonho
    Segunda-feira nublada

    Foi tarde, uma falácia
    Ficou saudade
    Virou filme inacabado
    Fiquei firme sem recado
    Foi algo que eu fiz?
    Faísca, cicatriz, audácia

    Foi falta de afeto, second fairy
    Foi feltro, foi renda, foi quase perto
    Foi algo assim… Sol, Lá, Si, Dó
    Foi algo mais… Dó, Ré, Mi, Fá

    Não volte, não, my dear fairy
    Foi algo que eu disse e foi em vão
    Foi farta que fiquei, unnecessary
    Foi algo que eu fiz, algodão

    The second chance
    The second fairy
    Don’t be on defense
    O que vai, volta
    O que foi que eu fiz?
    Filosofei frases de aprendiz
    Furei a fotografia
    Fugi do feitiço de giz
    Flutuei na Segunda-feira
    Furtei seu final feliz


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Borboleta]

    [Borboleta]

    Sabe aqueles primeiros momentos da manhã?
    Aqueles que ainda ninguém usou
    Que ninguém ainda ousou descartar
    Aqueles momentos que existem só no seu sonho
    Porque você também ainda não acordou?

    Sim, aqueles momentos que não têm dono
    Repletos de lembranças que só eu consigo saborear

    São notas de música que misturam o vinho na minha barriga
    Com todas as borboletas que me habitam
    São toques macios… ora de cordas, ora de dedos
    Que aparecem entre cores e me abraçam com desejo

    Você sabe? Sabe de quais momentos eu falo?
    Às vezes parecem que momentos assim não existem
    Não sei dizer se é sonho ou conjuntivite
    Ou uma obra de Magritte

    Poderia ser um momento desses uma música do Pearl Jam?
    Ou uma balada do Red Hot que eu não sei cantar muito bem
    Porque eu só tinha ainda em mente o som do seu discman
    E você me pegou desprevenida: sem tempero, sem medida
    E me ganhou com uma mordida

    Eu me distraio e me divido
    Revivo cada gosto, cada corredor partido
    Cada palavra, cada brisa, cada gole, cada nota, cada grito
    Cada reflexo invertido

    Tudo o que peço
    Vem em verso
    Tudo o que eu vivo
    Tem eco
    Que persiste no amanhecer
    Daquele momento seguinte
    Que não sei bem se existe
    Segunda-feira is ending

    Momento que sobra
    Depois que a borboleta bate sua asa
    E deixa no ar uma leve saudade
    E uma doida vontade
    De ter 15 anos por toda eternidade


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Domingos]

    [Domingos]

    Há gente que leva a vida no piloto automático.
    Há gente que decide viver várias vidas e conhece o Domingos.
    E aprende que o gosto de vida real é muito mais legal que o melhor comercial.
    Que nos intervalos acontecem muito mais coisas que na rotina.
    Que o desequilíbrio pode ser motivador e interessante.
    Que ser chamado de Domingos é viver um eterno fim de semana.
    E que a felicidade está no coração de quem abre a cortina da vida.
    E espia e interage e questiona e sorri e dança e canta e muda e gira.

    Falar sobre o pânico da segunda-feira, a renovação que o dia representa e a oportunidade que a gente tem de replanejar, tomar uma nova atitude, assumir uma nova postura e cumprir aquela promessa tardia me levou ao Rio de Janeiro. Vem cá, se a segunda-feira é um réveillon semanal, Janeiro é a segunda-feira do ano, tá certo?

    Cheguei no domingo no “Rio de Segunda-Feira” e fui recepcionada pelo Domingos, motorista da TV Globo há oito anos e, como ele mesmo diz, “se é pra fazer trabalho de confiança, ir em casa de artista, levar dinheiro ou documentos, ouvir conversas capciosas, sou eu que eles chamam”.

    De um bom humor espetacular – como todos com os quais interagi no Projac, diga-se de passagem -, Domingos logo perguntou sobre o que eu falaria no dia seguinte, no Encontro com Fátima Bernardes. “Sobre segunda-feira! Não é irônico falar sobre a segunda, numa segunda, e ainda ser levada pelo Domingos?” Risos.

    Neste momento lembrei que o motorista que levou minha última mudança chamava-se Segundo. Já mudei de cidade muitas vezes e cada conflito, cada escolha, cada plano frustrado, cada nova oportunidade, cada amigo novo, cada passo marcado provocava uma vertigem diferente, um sorriso descompassado e uma vontade urgente.

    Conhecer a nós mesmos é um processo sem volta. Escolher um ensejo é viver a vida envolta em sorrisos e muitas fagulhas de luz. Num segundo, tudo vira prosa.

    No dia 7 dei outros passos, conheci outros pés e outros dedos, outros sorrisos e outros desejos. E por 7 segundos vi um novo mundo descortinado suas asas sobre meus olhos. Domingos me buscou no hotel e chegamos ao Projac em menos de 7 minutos. Outros 7 bastaram para o credenciamento e menos que o dobro disso para a maquiagem perfeita. Para o momento perfeito. Sabe que o Domingos se parece com o prefeito? “O pessoal do ‘Caldeirão’ é quem tira mais onda disso”, diz. Bem feito.

    Domingos tem 7 irmãos. E há pouco mais de 7 anos ele é motorista na Rede Globo de Produção. Estudei Jornalismo pra ficar nos bastidores. Quase que nem o Domingos. Mas de repente me vejo em frente às câmeras, falando sobre o que eu mais gosto de fazer: brincar com palavras. Inventar e me refazer quase sempre. Propor um ano novo toda semana. Deixar gente contente. Descobrir o diferente.

    Talvez eu ame a segunda-feira porque vivo, como o Domingos, num eterno fim de semana. Talvez seja porque os conflitos da minha alma encontram neste ciclo um novo vício. Talvez porque a vida real é bem mais sensacional que um bom comercial. Talvez porque eu entenda que felicidade não é consequência de uma vida normal. Já que de perto, ninguém é mesmo normal, não é, Caetano? Ou porque o meu plano seja reinventar o cotidiano, ouvir histórias, compartilhar memórias e criar poemas que contam dramas que contorcem a barriga, que confundem a cantiga e que dão sabor à vida.

    E você? Já parou pra pensar que Segunda-feira é dia de amar um novo começo? Domingos nasceu num domingo; Segundo nasceu logo após seu irmão gêmeo, chamado Primogênito. Já passei muitos sábados desencaixotando peças de mudança. Já fui mais magra, mais gorda, mais chata, mais fofa. Já tive cabelos curtinhos, compridos, loiros, lisos, cacheados, roxos… Já quis jogar tudo pro alto, já queimei os pés no asfalto. Se eu for como todo mundo, quem será como eu? Não entre em pânico! Ame a Segunda-feira, encante-se à sua maneira. “Olha o bom: na Segunda você já viu o Domingo!”, brinca o motorista. E não apenas um. Vários. Domingos. Sejam bem-vindos.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

  • [Ciclos]

    [Ciclos]

    Sete erros
    Jogo bobo
    Muda o medo
    Muda o troco
    Não reparei
    Foi por pouco
    Quase errei
    Te deixei louco
    Foi mais um ciclo
    Mais um sufoco
    Chegou num pulo
    E passou fosco
    Cabeça girando
    Coração tosco
    Sete notas
    Sete cores
    Sete erros
    Sete amores
    Sete anos
    Sete fardos
    Vida louca
    Gato pardo
    Sete ciclos
    Sete chakras
    Sete pecados
    Sete vidas
    Machucados
    A sete palmos
    Doce veneno
    Suor amargo
    Tem certeza?
    Te quero livre
    Não grite
    Te quero meu
    Sem deslize
    Eu te espero
    Sorriso aberto
    Sete infernos
    Tava tão perto
    Mudei o rumo
    Pulei o muro
    Troquei a rota
    E roubei a aposta
    Perdi o prumo
    E primei por mim
    Foi mais um ciclo
    Fugi de mim
    Temperatura
    Pela cintura
    Flor de jasmim
    Sete mentiras
    Almocei capim
    Segunda-feira
    Angústia carmim
    Sete feiras
    Sem asneiras
    Sete dias na semana
    Sete passos na lama
    Sete erros
    Joguei ao vento
    Sete marias
    À revelia
    À minha maneira
    Por sete tempos
    Descontento
    Sete magias
    Você viria?


    by Tina Teresa

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
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