Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [40 outonos]

    [40 outonos]

    Minha definição
    De inferno astral
    Acabou de alcançar 
    Um novo patamar 

    40 outonos 
    Sobre meus ombros 
    Segunda-feira
    Não tenho dono 

    Chegou a hora
    De construir meu próprio trono 
    Chegou a hora 
    De arregaçar o quimono 
    E esquecer o sono 
    Chegou a hora
    De alongar as costas 
    Recolher a mesa posta 
    E me libertar 

    Depois de 40 outonos
    Me sinto livre para me livrar 
    Das falsas crenças 
    De um fracasso crasso 
    De um falso passo fraco 
    De um franco flanco escasso 

    40 outonos 
    Sobre meus ombros 
    Cada vez mais eu me apaixono 
    Pelas segundas-feiras faceiras 
    Que nunca me abandonam 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Anna Kincaide’s piece ‘Have You Got Somewhere Better to Be’.  

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  • [Doces ou berloques]

    [Doces ou berloques]

    Se são doces ou berloques, já nem sei
    A segunda-feira chegou precoce
    Antes do que esperei 

    Sempre me confundo
    Quando tua voz escapa do meu toque
    E o vento, mudo
    Muda o rumo
    Em choque 

    Acabou meu estoque
    De veneno
    De aceno
    De ipuprofeno 

    A segunda-feira me deixou
    Molhada de sereno

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: le céramiste coréen  Jae Yong Kim créée de délicieux donuts en céramiques aux glaçages inspirés d’éléments de la pop-culture. Entre références vintage et motifs modernes, ses décorations sont magnifiques et appétissantes. Retrouvez ses sculptures sur Instagram, et sur son website.

    **

  • [Guia]

    [Guia]

    Eu queria
    ter te conhecido 
    Desde que
    você nasceu
    Sei que é
    um sonho impossível 
    Mas o que
    posso fazer?

    Eu queria
    ter te escolhido 
    Antes do
    sol se esconder 
    E da
    chuva cair 
    Antes da
    lua se cansar de tanto brilhar
    Quando
    fica cheia de si 
    E da
    nuvem se estremecer toda 
    Se
    precipitando… ou seria fazendo pipi?

    Se eu
    pudesse realizar um pedido
    Pediria o
    passado, passado a limpo 
    Diante
    dos meus olhos aflitos 

    Pra eu me
    inserir de mansinho 
    Num
    cantinho bem pequeninho
    No meio
    do seu coração 

    Você não
    ia nem me notar 
    Mas iria,
    aos poucos, se apaixonar 

    Até que
    um dia,
    Numa segunda-feira em
    festa,
    Eu te
    diria, no pé do ouvido:
    — Feliz
    aniversário, meu amor. 
    Você é
    minha escolha mais linda.

    Te amo
    até o fim dos nossos dias 
    Nos dias
    quentes e nas noites frias 

    Abraçados
    em nossa nostalgia 
    Segunda-feira você me guia 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: selfie no espelho by Renato Heusi &Tina Teresa.

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  • [Aquário]

    [Aquário]

    Feche os olhos
    E deixe os pensamentos saltarem 
    Deixe os cabelos voarem 
    Deixe o mar escorrer 
    Pelos cílios rarefeitos 
    E pelos peitos imperfeitos 
    Que amargam seu leito 

    Esqueça o orvalho 
    Segunda-feira eu espalho 
    Minhas lágrimas 
    No seu chão de carvalho 
    Segunda-feira eu me calo
    No seu ato falho 
    Enquanto os peixes gralham 

    by Tina Teresa 


    ilustração deste poema: artwork by Elesq. 

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  • [Caminho]

    [Caminho]

    Cada vez
    que cruzo seu caminho
    Faço
    assim, bem de mansinho
    Pra ver se
    você me nota 
    Segunda-feira torta
    Pra ver
    se você me entende 
    Enquanto
    a segunda-feira ascende 
    E
    enquanto o sol se esconde 
    Eu me
    perco não sei por onde 
    Eu te
    vejo no horizonte 
    Eu te
    chamo, mas você não me responde 

    Segunda-feira eu clamo
    Apareça ou
    nunca mais me inflame 
    Nunca
    mais fique assim distante 
    Segunda-feira eu digo 
    Com todas
    as letras
    Com todos
    os hinos 
    Segunda-feira no seu caminho
    De
    mansinho… eu te amo

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: Photo by @connorsurdiphoto.  

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  • [Mirror ball]

    [Mirror ball]

    Preciso
    de um espelho 
    Pra
    enxergar a minha sina 
    Cansei de
    ser menina
    Cansei de
    ouvir conselho 

    Quero uma
    festa gigante 
    Com luzes
    por todos os lados 
    Quero uma
    festa no asfalto 
    Segunda-feira extravagante 

    Não tenho
    medo do escuro
    Nem de
    purpurina 
    Segunda-feira ferina 
    Cadê o
    sonho que procuro?

    Cadê o
    amor mais puro?
    Cadê o
    futuro?
    Cadê o
    holofote fumegante?
    Onde foi
    parar a segunda-feira andante?

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    dutch-based design agency studio bureau’s installation ‘schaalkabaal’ in utrecht, the netherlands, took place at the biggest construction site of the country and became a great public art event. the one-off urban disco was accompanied by large curled, mirror panels and a gigantic disco ball with a diameter of 6 meters. Source: designboom.  


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  • [Moradia]

    [Moradia]

    intensa e
    frágil
    como um
    raio de sol
    tua pele
    se adere 
    ao meu
    suor 

    você
    ultrapassa
    minha
    zona de contágio 
    sem pagar
    pedágio 
    sem pagar
    pra ver 
    o
    contrário 

    ao meu
    ver 
    você já
    viu 
    o que
    tinha de ser 
    você já
    sabia
    que minha
    euforia 
    era mais
    que um presságio 

    você já
    sabia
    que a segunda-feira 
    viria 
    dia após
    dia 
    pra
    sempre
    enquanto
    a gente 
    se
    escondia 

    por isso
    eu salto
    de olhos
    fechados 
    nos teus
    braços incautos 

    você já
    sabia 
    amor da
    minha vida
    você é
    minha moradia 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Incredible painting, “Death Perception,” by Casey Weldon

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  • [Encanto]

    [Encanto]

    Não me cronometre
    Ou o tempo vai amaldiçoar o amor
    Toda palavra compromete
    Toda carência se repete
    Toda segunda-feira deve
    Amenizar a dor

    Toda tolerância arde
    Até que o grito abafe
    E a angústia afague
    O ataque do arpoador 

    Todo controle fere
    O ciúme fede
    O espinho está no caule
    Não há culpa no botão da flor 

    E o Carnaval
    Que já acabou faz tempo
    Esquece que tem um rival
    Chamado ressentimento 

    Por isso essa máscara  
    Na tua cara
    Me desforra
    Em dissabor 

    Teu cronômetro me tolda
    Enquanto o mundo dá uma volta
    O tempo parece que para
    Meu coração dispara
    Em prantos
    Para meu espanto
    E aí a segunda-feira
    Por besteira
    Perde o todo o seu encanto

    Poem by Tina Teresa 


    ilustração deste poema: photo by Thalita Schuh.   

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  • [Perdóname]

    [Perdóname]

    Perdóname
    la falta de compostura
    Y la
    ternura
    De mis
    besos en su boca
    Cuando
    me quedo roja
    Y
    totalmente tuya 

    Perdóname
    Los
    ciegos suspiros
    En tu
    ombligo
    Subiendo
    por tus costillas
    Mientras
    me ensillas 

    Perdóname
    Mi
    pasión avasalladora
    Todos
    los lunes
    Piscando feito vagalume
    A cada segunda-feira
    encantadora 

    Perdóname
    Cuando
    me quedo sin sueño
    Y
    revoco tus pellos
    Con mis
    dedos
    A
    través del espejo

    Ah,
    perdóname
    Cuando
    te quiero tanto
    Cue a
    veces hasta llanto
    Por los
    túneles blancos
    Da
    cidade em prantos

    Segunda-feira eu canto
    Todo meu
    amor no teu ouvido
    Bem baixinho
    Quase escondido
    Para ecoar
    feito um grito
    No meu
    lugar preferido

    Poem by Tina Teresa 


    ilustração deste poema: Dain en Tabacalera by 

    madridstreetartproject.

      

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  • [Skazi]

    [Skazi]

    Eu nunca imaginei que veria seus olhos se fecharem para
    sempre

    Tampouco imaginei que o imbróglio no meu estômago seria
    coerente um dia

    Ah, um dia
    Um dia eu sonhei que você corria
    Enquanto meu coração te acolhia

    Um dia eu olhei para o céu
    Enquanto você dormia

    E lembrei cada folia, cada aventura, cada revelia
    Como quando você se escondia
    Ou só fazia de conta que fugia
    De mim, da cortina, dos fogos de artifício, daquela guria…

    Eu lembrei do conforto que você me trazia
    E ainda traz
    Eu lembrei do teu passo voraz
    E do teu beijo fugaz
    Nos meus dedos nus
    Enquanto o céu azul
    Invadia teu sorriso largo
    Ah, como eu sinto falta do teu abraço
    E do teu pelo macio dourado
    Com cheiro de capim molhado
    Lá de cima do terraço

    Como eu sinto falta da tua voz
    E dos teus sussurros
    Pois é, eu ainda te procuro
    Eu te vejo em cada canto
    Em cada pranto
    Em cada carro
    Em cada sábado regado a cerveja e cigarros
    Em cada segunda-feira que começa cheia de erros
    Em cada momento efêmero
    Em cada tropeço, em cada recomeço
    Cada vez que me esqueço
    Do teu endereço

    Eu ainda te procuro
    No meu lado obscuro
    Enquanto olho por cima do muro
    E me perco no filme em cartaz
    Ah, Skazi, eu te juro
    O que sinto por você é o amor mais puro
    E mesmo que a saudade esprema meu coração duro
    Agora estou em paz


    Para Skazi (cachorro do meu marido), 

    2004  2017, in memorian.

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: photo by Rubens Heusi.  

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  • [Samba no céu]

    [Samba no céu]


    Eu não sei onde, nem quando e
    nem como nos perdemos

    Sei que não foi quando
    eu me senti injustiçado e quis trocar de escola
    Também não foi quando
    me levou pra tirar foto no rebocador
    Também não foi quando
    eu cismei de fazer natação com Lelinho

    Não foi na Copa de 82
    Não foi

    Não foi quando saímos
    juntos no Bloco do Beco da Dona Gilda (de pijama e na chuva)
    Nem quando saímos
    juntos no Cartola de Prata (com uma fantasia arranjada em cima da hora)
    E tampouco nos blocos
    de sujo na rua da rodoferroviária

    Não foi quando me
    levou pra ver os jogos no CAP
    No Seleto
    E na Estradinha

    Também não foi quando
    me deu uma chuteira nova
    E ficou gritando no
    alambrado do Rio Branco
    Pra eu não subir e
    guardar posição pro ponta esquerda não ficar “nas costas”

    Não foi quando fui
    estudar em Curitiba
    Nem quando fui fazer
    Engenharia em Ponta Grossa
    E tampouco quando
    voltei pra Curitiba pra cursar Direito
     

    Não foi nos bailes de
    carnaval no Seleto
    (Quando ele cuidava de
    mim e dos meus amigos p
    ra gente não entrar
    em confusão)

    Também não foi quando
    fui morar em Guaratuba
    E nem quando mudei pra
    São Paulo
    Certamente não foi

    Não foi quando ele me
    disse que era São Cristóvão
    (que gostava do Bangu)
    E que futebol era um
    negócio “fácil de falar” e “difícil de explicar”

    Não foi nas viagens de
    carro pra Guaraqueçaba
    Nas férias em
    Balneário, Blumenau ou Shangri-lá
    E nem nos fins de
    semanas no Santa Mônica

    Não foi nas madrugadas
    no porto
    Nem nos eventos com a
    mamãe nos fins de semanas
    Não foi não

    Não foi nos
    aniversários na casa da tia Ivone (único lugar onde eu o via comendo algum
    doce)
    Nem nas festas na
    Varanda do Zacal (onde brincava, cantava e dançava)
    Certamente não foi

    Não foi a doença
    Não foi a distância

    Não foi falta de amor,
    carinho e afeto
    Não foi falta de
    sorrisos e nem de abraços
    Não foi 

    No fundo
    Nós dois sabemos que
    nunca nos perdemos
    Que somos mais
    parecidos que diferentes
    E que um dia
    (Um dia)
    A gente vai se
    encontrar de novo

    Talvez isso aconteça numa segunda-feira
    Talvez numa fronteira entre o aqui e o ali
    Talvez navegando num barquinho de papel…
    Ou numa roda de samba, falando besteiras…
    Fazendo batuque no céu…


    Aspas by Carlos Henrique, colocando na ponta do dedo a
    saudade de seu pai; complemento meu, por conhecer, desde a infância, alguns dos
    caminhos descritos.

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: artwork by Gilles Perez de la Vega.

     

    **

  • [Ventre]

    [Ventre]

    Sabe o
    que acontece
    quando o coração de outra pessoa
    bate dentro da gente?

    A gente sente
    A gente sabe 
    A gente conhece 
    A gente entende 

    A frequência muda quando o outro respira
    Os olhos baixam quando o outro transpira
    E quando o outro simplesmente não te abraça…
    tudo perde a graça
    E quando o outro não te encara….
    mesmo de longe…
    a boca se cala
    E a segunda-feira fica amarga

    Quando o coração de outra pessoa
    bate dentro da gente,
    a vida nunca basta
    o sonho é sempre novo
    e a angústia é partilhada

    A dor é sujeito composto 
    A febre se espelha no outro rosto 
    O pensamento se desprende 
    Enquanto a segunda-feira se rende 

    Quando o coração de outra pessoa 
    bate dentro da gente, 
    o futuro é aflito 
    mas o presente é infinito 
    E o discurso, no susto, 
    às vezes parece restrito 
    Mas o amor é pra sempre 

    Quando o coração de outra pessoa 
    bate dentro da gente, 
    se um fica triste, o outro fica também 
    se um irradia alegria, o outro irradia também 
    se um chora, o outro consola 
    se um prende o riso, o outro faz cócegas 

    Quando o coração de outra pessoa 
    bate dentro da gente, 
    a segunda-feira
    mora dentro do nosso ventre 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: sculpture by Ishibashi Yui.

    **

[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
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