[sintaxe do intervalo]

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não procuramos respostas
procuramos testemunhas
alguém que impeça
as coisas de desaparecerem
no meio dos prazeres
das dores
e de todos os nossos odores
há quem faça isso
errando o nome de uma rua
há quem desarrume
uma frase
num suspiro grave
que bate na trave
talvez por isso a linguagem
nunca tenha pertencido
apenas às palavras
e sim a um copo esquecido sobre a mesa
à demora entre duas sílabas
entre frequências
que não aprendemos a medir
numa espécie de sintaxe
feita de intervalo
onde as lembranças
continuam respirando
e os vazios também conjugam verbos
onde escutamos com os olhos,
respondemos movendo uma cadeira,
abrindo uma janela,
arrumando os sapatos na beira do armário
ou demorando um pouco mais
antes de ir embora
em plena segunda-feira
há mensagens
que chegam pelo corpo,
pela pausa,
pela hesitação,
pela forma
rearranjando o mundo
dentro de uma frase
ou dentro de um gesto
contextos,
tensões,
ausências,
frequências,
há conversas
que dispensam tradução
há lembranças
brincando com a repetição
há presença
sem disputa com ruído
e há histórias
encontrando quem permanece
até a última palavra
até a última segunda-feira
até antes do que mesmo
poderia ter ido, sido ou dito
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❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday
★ ilustração deste poema: Foto by @helena.o.k
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[durma até sonhar, viva até acordar…]



