Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

drama

  • [Farpas e sorte]

    [Farpas e sorte]

    Eu sei que você acordou nublado
    E não foi por causa do sol que não nasceu 

    Foi o passado
    Que chegou como um fardo
    E te estremeceu 

    Foi a segunda-feira
    Derradeira
    Que te escolheu 

    Só pra te mostrar
    Que as feridas nascem e morrem
    Que a vida é bandida
    Mas o sangue é forte
    Que o inimigo é louco
    Mas existe um Norte
    Pode parecer pouco
    Mas tu mordes a morte
    Com tuas garras
    Que preparas
    Nos sulcos das tuas farpas
    Enquanto brincas com a sorte

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: clever art on cardboard by @reemtwaim.  

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  • [Banho]

    [Banho]

    Banhei-me com flores
    Para livrar-me das dores
    E dos rumores
    Que a segunda-feira
    Vomita aos arredores 

    Banhei-me sem tempo
    Pois o vento sobra ao contrário
    Espalhando meus cabelos ao relento 

    Fiquei sem alento
    Segunda-feira insolúvel
    Banho sem consentimento 

    Segunda-feira volúvel
    Chuva de tormento
    Banho interminável

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Insoluble 27 x 40″ oil on linen $20,000 Casey Krawczyk.  

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  • [Sem fim]

    [Sem fim]

    A chuva uma hora passa
    O frio passa
    A ventania passa
    A segunda-feira passa
    Até a uva passa
    O tempo passa
    O tempo cura
    O que aperta, segura
    A lua reflete da rua
    Minha alma na sua
    Enquanto espero
    Mais um mistério
    Mais uma estação
    Nesse hemisfério 

    Tudo urge
    Quando o sol surge
    Nada apaga
    Quando a nuvem afaga
    Minha pele de cetim
    Segunda-feira sem fim

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: artwork by Ruth Speer 

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  • [Asas invisíveis]

    [Asas invisíveis]

    Interessante seria
    Se asas eu tivesse
    Pra sair da monotonia
    E pairar pelo mundo
    Por apenas um segundo
    Sem controvérsias 

    Por um instante eu pediria
    Asas invisíveis
    Pra voar a segunda-feira embora
    Antes da aurora
    Pra sobrar só nostalgia
    Sem demora

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    drawing by Zach Tuinman.  

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  • [Tormento]

    [Tormento]

    Com os cabelos soltos
    E os passos marcados
    Busco caminhos envoltos
    Em arbustos encharcados

    Me escondo das gotas de chuva
    Tão leves e coloridas
    Persigo histórias chulas
    Segunda-feira ferida

    Eu vou e volto em versos
    Me concentro no tempo
    Quando me chamam, desconverso

    Eu já nem me lembro
    Quantos jardins desconexos
    Já atravessei em desatento

    Eu já nem tento
    Apenas sigo
    Por caminhos ao vento

    Seria cada segunda-feira
    Um novo tormento?

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: 📸 Azariah_moonstone

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  • [A segunda-feira não é de lata]

    [A segunda-feira não é de lata]

    Fiquei
    parada, só existindo 
    Esperando
    o domingo cessar 
    Mirando o
    teto, olhando pro nada 
    Aguardando
    a segunda-feira chegar 

    Fiquei
    chocada 
    Com seu
    olhar ácido 
    E seus
    linguajar flácido 
    Lamentando
    o fardo 
    Que
    seguia seus dias pálidos 
    Como se o
    mundo 
    Fosse
    acabar 

    Explosão
    só abre passagem 
    Quando
    pedras 
    Bloqueiam
    o caminho 

    Porque se
    nos trilhos

    corações 
    Esbravejar
    sem razões 
    Pode
    destruir de mansinho 

    Aflição
    não rega paisagem 
    Nem
    quando as rédeas 
    Se perdem
    do ninho 

    A segunda-feira
    não é de ferro 
    Nem de
    lata, nem de caramelo 
    Nem de
    chocolate 
    Nem de
    sorrisos sinceros, apenas  

    Ela é só
    mais um castelo 
    Feita do
    que você é 
    Do que
    você crê 
    Do que
    você quer, sem pena  

    Então me
    diga|
    O que
    você vê? 
    E o que
    você quer ser 
    Quando
    deixar de ser 
    o que te
    condena? 

    Sério, me
    diga
    Por que
    você reclama 
    De quem
    te ama? 
    Por que
    você inflama 
    Se não há
    chama 
    Que
    apague 
    a segunda-feira
    da semana 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: art by Shingo Matsunuma.  

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  • [Embaçada]

    [Embaçada]

    Sinto sono
    Como um engodo
    Enterro o rosto
    No travesseiro escuro
    Pergunto as horas
    Pro criado-mudo
    Deve ser segunda-feira,
    logo suponho
    Amanheceu e eu nem me encontro

    A vista embaça
    A neblina me abraça
    Onde está a calçada
    Não enxergo nada

    A pista escapa
    A lista acaba
    A risca estica
    O sono amarra

    Onde foi parar o foco?
    A segunda-feira
    se dividiu em blocos
    E caiu sobre meus ombros
    Como um galope

    Onde foi parar o Norte?
    A segunda-feira
    me deixou na sorte
    Perambulando feito boba da corte
    Tentando encontrar um recorte
    Uma fresta
    Uma aresta
    Por onde eu possa enxergar
    E respirar
    Pra que eu possa atravessar esse dia
    E me livrar desse sono
    Medonho
    Que me cega
    Enquanto a neblina sossega
    E paira
    Embaçada
    Sobre meu colo
    Sobre minha segunda-feira
    falha 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet


    ilustração deste poema: Stella Im Hultberg’s “Beholden” [Sumi ink, watercolor, and colored pencil on watercolor paper]. 

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  • [Sem igual]

    [Sem igual]

    Cada segunda-feira
    é um desafio.

    Ela pode ser fria ou se abrir como um abismo.

    Pode parir um filho ou ficar pra titia.

    Cada segunda-feira
    é um desatino.

    Ela pode chegar fina ou esconder um brio.

    Se fazer de sina ou arrastar um vil mortal.

    Sem igual.

    Sem tempero nem cheiro.

    Sem fadiga nem dinheiro.

    Cada segunda-feira
    é um desaviso.

    Um réveillon imoral.

    Uma paródia da vida real.

    Sorria, já é quase Natal.

    Tudo passa, menos o último Carnaval.

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    “Cross My Heart”, 2.5″ by 3″, ballpoint pen, watercolor and metallic gold acrylic on paper by Caitlin Hackett.  

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  • [Buquê de sóis]

    [Buquê de sóis]

    Resolvi dar uma volta pelo universo
    Para ver onde se dependuravam os sóis
    Fechei os olhos e imaginei alguns versos
    Pelos quais caminhei em caracóis

    O céu estava límpido e claro
    As nuvens dançavam sem margens
    O vento me aproximava de um perfume amargo
    Por volta das quatro da tarde

    Nem reparei que dia era
    Poderia ser segunda-feira,
    Domingo, ou qualquer outra quimera

    Dei uma volta pelo universo
    E recolhi alguns sóis num buquê
    Nem reparei que dia era 
    Nem reparei se havia porquê
    Agora me diga você:
    Por qual motivo a planura
    Parece fazer ondas de saquê
    Quando a olhamos ao longe
    E ainda assim a fingimos não ver?

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: desenho à mão livre by Tina Teresa. 

    (Tanto o desenho quanto o poema dessa semana são resultados de uma das atividades da Jornada Criativa by @esqueceacaixa.) 

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  • [Desenredo]

    [Desenredo]

    Vem, segunda-feira
    Mas vem sem medo
    Vem como a onda
    Que desponta
    No horizonte pêndulo  

    Vem, me afronta
    Me faz de louca
    Me deixa manca…
    Sonâmbula
    Ah, segunda-feira
    tonta
    Você não me desmonta

    Vem tirar meu sossego
    Meu fôlego
    Meu desespero

    Vem, segunda-feira
    Vem ser meu desenredo

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Bubbles And Frown Haberdashery Shoppe.  

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  • [Atrasada]

    [Atrasada]

    Cheguei atrasada
    Toda atrapalhada
    Com a roupa amassada
    E a maquiagem desajeitada

    Cheguei atrasada
    Mas não mais que a segunda-feira
    Que encontrou a porta trancada
    E a cabeça virada
    Pro outro lado a estrada

    Cheguei atrasada
    Bem depois da hora marcada
    Estressada, embaçada, descompensada
    Com todos os braços atravessados
    Por entre os passos descompassados
    Segunda-feira arrasada

    Cheguei atrasada
    O tempo não para
    O mundo não par
    A vida não para
    Ou é você que não repara?

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    fantastic visual stories in paintings by Kevin Sloan.  

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  • [Ultimato]

    [Ultimato]

    Foi breve
    Como se atreve?
    A segunda-feira deve
    Acalentar a dor

    Foi febre
    Nada leve
    Veloz feito lebre
    Amargo feito bolor

    Foi ultimato
    Sem meio termo
    Sem aparato
    Segunda-feira eu me calo

    Foi ultimato
    De imediato
    Parecia boato
    Mas era um convite velado
    Pra me fazer de gato e sapato

    Meu olhar abstrato
    Era só pra deixar barato
    O teu hálito putrefato
    Segunda-feira eu falo

    Foi ultimato
    Mas eu ainda vivo
    Foi aberta a caça ao rato
    Quem vai entrar de gaiato?
    Quem é mocinho?
    Quem é bandido?

    Foi ultimato, eu sei
    Primeiro o lance
    Depois o desacato

    O que foi feito não se apaga
    Não se desfaz
    Não se naufraga
    Teu ultimato me embriaga
    Segunda-feira eu me cansei

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Eraser Collection ✏️ by @lisacongdon.  

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