Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

Liberdade

  • [Liberdade]

    [Liberdade]

    Chega de perder peças por aí, chega de quebrar cabeça, de dormir sem rumo de buscar o fundo do poço sem rosto. Dito posto, deite-se no meu ombro e encontre um lugar pra ficar. A rotina a gente inventa, não tem problema, pode até chorar na
    praia, depois a gente seca o que sobrar e começa tudo de novo enquanto o almoço aquece no forno, não saia.

    Ah, segunda-feira, não me distraia.

    O amor é emergente, my darling. De urgente, só tatuagem. Yes, I’m single. And you’re gonna have to be amazing to change that. Não, eu não brinco. Quero me encantar pelos teus olhos e pelo teu jeito de andar; pelos teus sonhos e por tudo o que vive no teu caminhar. Pro teu voo insano impulsionar nossos planos, morder meu pescoço, amassar meu dorso e declamar sacanagem.

    Na segunda-feira a gente aprecia a paisagem.

    Não sei se por tudo isto ou se por algo que não se explica. Só sei que quando você me toca, meu coração sai da toca e troca sigilo por tapioca. E aquele tempo… Ah, aquele tempo adolescente que armazenava paixões chega de repente sem esperas sem serpentes, porque o presente nos pertence.

    Segunda-feira eventualmente.

    Por isso me encravo nas covas do teu sorriso, não te olvides, o
    que importa são as conquistas e a vontade que vem quando você me visita. E se nem sempre formos de todo sinceros, pode ser que uma hora a verdade nos sobre e a mentira nos falte. Amor
    é liberdade. 

    E a segunda-feira traz saudade.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday


    ilustração deste poema: coleção ReturnToTiffanyLove em prata de lei by Tiffany & Co.

    **

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  • [Sob a orelha do elefante]

    [Sob a orelha do elefante]

    Sempre muda alguma coisa
    Passo manco
    Solavanco
    Toda a culpa
    Todo encanto
    Fico muda
    Fico estanque
    Guardo o pranto na estante
    Sinto passos de elefante
    Engulo seco e desço
    Do alto do meu tropeço
    Engulo sangue e esqueço
    Que grito não mata sede
    Que lacre não prende alma
    E corrente não acalma
    Rasgos de memória
    Nem remendos de história 

    O sagrado é degradado

    A cor nublada ganha sardas

    Duchas de saliva com terra

    De mordidas com treva

    Despedidas a ingressos contados

    Cada golpe, cada trote

    Cada pose, cada toque…
    grava um marco no meu ventre 
    Enquanto sopro de trás pra frente 
    E sua voz me faz demente 

    Então na lenda onde existo

    Penso no fino e leve cisco

    Que adentra meu sonho apertado

    E pousa no meu olho fechado

    Assim eu choro quando te vejo

    E me curvo ao teu desejo…
    de montar minha pança torta 

    E dançar feito gelatina

    E sentir-se maior que qualquer esquina

    Com o orgulho na retina

    Mas com o estômago encolhido

    E o coração ferido 

    Eu sei

    Eu sinto 

    Mesmo que eu já não ande

    E que o sol misture meu nome

    Com tua beleza radiante

    Sempre muda alguma coisa

    O depois é pra sempre

    Nunca mais é o que era antes

    Se orelhas fossem asas

    Não haveriam elefantes 

    … 

    Nem deuses, nem preces

    Nem causas despedaçadas

    Nem passeios deslumbrantes

    Ou rastros verdejantes

    Nem razão ou prosperidade

    É essa a sua prioridade?

    Segunda-feira por liberdade

    Ou vaidade por alma lavada? 
    …Deixe que te levo 

    Eu sei

    Eu sinto 

    Eu enxergo colorido

    Eu salto agora e já não minto

    Infinito largo meu passo

    Grito surdo no teu abismo 


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    **

    Arte by Robert Jahns.
    ..

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  • [Que feio]

    [Que feio]

    Que feio
    Cadê o compromisso?
    Cadê o devaneio?

    Segunda-feira fria
    Combina com vinho e poesia
    Combina com sinfonia

    Que feio
    Deixar na mão a rebeldia
    Largar a conversa no meio

    Segunda-feira arredia
    Presente ausente inconsequente
    O brinde virou nostalgia

    Que feio
    Esperei na tempestade
    Uma taça de vontade

    Segunda-feira sem malícia
    Traga um gole de liberdade
    Leve um trago de saudade

    Que feio
    Se tivesse bebido o presente
    Não teria vinho no meu seio


    by Tina Teresa

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  • [Ferida, família ou saudade?]

    [Ferida, família ou saudade?]

    _

    Não sei se é fome ou é saudade
    Se é desapego ou liberdade
    Toda essa vontade
    de correr, pular e sorrir sem qualquer dificuldade

    Dezembro chegou e me pegou acordada
    Meia-noite virou e eu ali, toda atravessada
    Trovando verbos, trocando versos, trotando passos dispersos
    Amassando a almofada sem dó nem piedade

    Cheguei chegando
    Com os olhos brilhando
    Sem sono, sem dor, sem ninguém me esperando
    E com todo mundo se abraçando

    Tão bom esse cheiro de aconchego
    De tanto tempo, tanta vida, tanto desespero
    Tanta cor, tanto amor, tanta história sem memória
    Que alimenta esse bocejo de vitória

    Outro momento assim não se repete
    Talvez no céu ou num gole de grapette
    A lembrança de um fim de tarde
    Volte forte mas sem alarde e com gosto de sorvete

    Ferida que arde feito corte de papel
    Não sai sangue nem aparece na pele
    Só faz lembrar que eu também estive lá
    Naquele carrossel de gerações, de ciclos, de pequenas bombonières

    Família é tudo isso e nada disso
    Mistura de arte com feitiço
    Cada uma com sua parte e não se fala mais nisso
    Coceira de bem querer, vem, vamos comer

    Segunda-feira, quem diria, nem te vi
    Mundo sem fundo, caiu uma fagulha aqui
    Se era Verão ou Outono, não tenho dono
    Se foi só mais um sonho, não quero mais dormir

    _

    by Tina Teresa

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  • [Silêncio]

    [Silêncio]

    Não, eu não sei de nada
    Não pergunte se sinto saudade
    Não banalize a palavra
    Não espere que minha liberdade
    Seja motivo de piada
    Minha boca machucada
    Falou maldade
    E a segunda-feira virada
    Brincou com a afinidade
    Desculpe, minha mancada
    Não era só amizade
    Não chore debaixo da escada
    Não chame meu nome pela metade
    Não me espere até a madrugada
    Não minta sua idade
    Porque eu não quero saber de nada
    Não quero fazer sua vontade
    Não quero cama nem roupa lavada
    Não sonho intimidade
    Nem aguardo com a porta fechada
    Eu valorizo a verdade
    Mesmo acreditando em conto de fada
    Pois pouco importa a realidade
    Se a lua me olha na sacada
    Se a rua me invade
    Não, eu não sei de nada
    Foi sacanagem
    Não importa se caneca estava quebrada
    Não tema a coragem
    Nem mantenha sua boca calada
    Porque cada palavra vale por toda a paisagem


    by @DiaboliqViolet

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