Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

poema

  • [Mirror ball]

    [Mirror ball]

    Preciso
    de um espelho 
    Pra
    enxergar a minha sina 
    Cansei de
    ser menina
    Cansei de
    ouvir conselho 

    Quero uma
    festa gigante 
    Com luzes
    por todos os lados 
    Quero uma
    festa no asfalto 
    Segunda-feira extravagante 

    Não tenho
    medo do escuro
    Nem de
    purpurina 
    Segunda-feira ferina 
    Cadê o
    sonho que procuro?

    Cadê o
    amor mais puro?
    Cadê o
    futuro?
    Cadê o
    holofote fumegante?
    Onde foi
    parar a segunda-feira andante?

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    dutch-based design agency studio bureau’s installation ‘schaalkabaal’ in utrecht, the netherlands, took place at the biggest construction site of the country and became a great public art event. the one-off urban disco was accompanied by large curled, mirror panels and a gigantic disco ball with a diameter of 6 meters. Source: designboom.  


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  • [Moradia]

    [Moradia]

    intensa e
    frágil
    como um
    raio de sol
    tua pele
    se adere 
    ao meu
    suor 

    você
    ultrapassa
    minha
    zona de contágio 
    sem pagar
    pedágio 
    sem pagar
    pra ver 
    o
    contrário 

    ao meu
    ver 
    você já
    viu 
    o que
    tinha de ser 
    você já
    sabia
    que minha
    euforia 
    era mais
    que um presságio 

    você já
    sabia
    que a segunda-feira 
    viria 
    dia após
    dia 
    pra
    sempre
    enquanto
    a gente 
    se
    escondia 

    por isso
    eu salto
    de olhos
    fechados 
    nos teus
    braços incautos 

    você já
    sabia 
    amor da
    minha vida
    você é
    minha moradia 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Incredible painting, “Death Perception,” by Casey Weldon

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  • [Encanto]

    [Encanto]

    Não me cronometre
    Ou o tempo vai amaldiçoar o amor
    Toda palavra compromete
    Toda carência se repete
    Toda segunda-feira deve
    Amenizar a dor

    Toda tolerância arde
    Até que o grito abafe
    E a angústia afague
    O ataque do arpoador 

    Todo controle fere
    O ciúme fede
    O espinho está no caule
    Não há culpa no botão da flor 

    E o Carnaval
    Que já acabou faz tempo
    Esquece que tem um rival
    Chamado ressentimento 

    Por isso essa máscara  
    Na tua cara
    Me desforra
    Em dissabor 

    Teu cronômetro me tolda
    Enquanto o mundo dá uma volta
    O tempo parece que para
    Meu coração dispara
    Em prantos
    Para meu espanto
    E aí a segunda-feira
    Por besteira
    Perde o todo o seu encanto

    Poem by Tina Teresa 


    ilustração deste poema: photo by Thalita Schuh.   

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  • [Perdóname]

    [Perdóname]

    Perdóname
    la falta de compostura
    Y la
    ternura
    De mis
    besos en su boca
    Cuando
    me quedo roja
    Y
    totalmente tuya 

    Perdóname
    Los
    ciegos suspiros
    En tu
    ombligo
    Subiendo
    por tus costillas
    Mientras
    me ensillas 

    Perdóname
    Mi
    pasión avasalladora
    Todos
    los lunes
    Piscando feito vagalume
    A cada segunda-feira
    encantadora 

    Perdóname
    Cuando
    me quedo sin sueño
    Y
    revoco tus pellos
    Con mis
    dedos
    A
    través del espejo

    Ah,
    perdóname
    Cuando
    te quiero tanto
    Cue a
    veces hasta llanto
    Por los
    túneles blancos
    Da
    cidade em prantos

    Segunda-feira eu canto
    Todo meu
    amor no teu ouvido
    Bem baixinho
    Quase escondido
    Para ecoar
    feito um grito
    No meu
    lugar preferido

    Poem by Tina Teresa 


    ilustração deste poema: Dain en Tabacalera by 

    madridstreetartproject.

      

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  • [Samba no céu]

    [Samba no céu]


    Eu não sei onde, nem quando e
    nem como nos perdemos

    Sei que não foi quando
    eu me senti injustiçado e quis trocar de escola
    Também não foi quando
    me levou pra tirar foto no rebocador
    Também não foi quando
    eu cismei de fazer natação com Lelinho

    Não foi na Copa de 82
    Não foi

    Não foi quando saímos
    juntos no Bloco do Beco da Dona Gilda (de pijama e na chuva)
    Nem quando saímos
    juntos no Cartola de Prata (com uma fantasia arranjada em cima da hora)
    E tampouco nos blocos
    de sujo na rua da rodoferroviária

    Não foi quando me
    levou pra ver os jogos no CAP
    No Seleto
    E na Estradinha

    Também não foi quando
    me deu uma chuteira nova
    E ficou gritando no
    alambrado do Rio Branco
    Pra eu não subir e
    guardar posição pro ponta esquerda não ficar “nas costas”

    Não foi quando fui
    estudar em Curitiba
    Nem quando fui fazer
    Engenharia em Ponta Grossa
    E tampouco quando
    voltei pra Curitiba pra cursar Direito
     

    Não foi nos bailes de
    carnaval no Seleto
    (Quando ele cuidava de
    mim e dos meus amigos p
    ra gente não entrar
    em confusão)

    Também não foi quando
    fui morar em Guaratuba
    E nem quando mudei pra
    São Paulo
    Certamente não foi

    Não foi quando ele me
    disse que era São Cristóvão
    (que gostava do Bangu)
    E que futebol era um
    negócio “fácil de falar” e “difícil de explicar”

    Não foi nas viagens de
    carro pra Guaraqueçaba
    Nas férias em
    Balneário, Blumenau ou Shangri-lá
    E nem nos fins de
    semanas no Santa Mônica

    Não foi nas madrugadas
    no porto
    Nem nos eventos com a
    mamãe nos fins de semanas
    Não foi não

    Não foi nos
    aniversários na casa da tia Ivone (único lugar onde eu o via comendo algum
    doce)
    Nem nas festas na
    Varanda do Zacal (onde brincava, cantava e dançava)
    Certamente não foi

    Não foi a doença
    Não foi a distância

    Não foi falta de amor,
    carinho e afeto
    Não foi falta de
    sorrisos e nem de abraços
    Não foi 

    No fundo
    Nós dois sabemos que
    nunca nos perdemos
    Que somos mais
    parecidos que diferentes
    E que um dia
    (Um dia)
    A gente vai se
    encontrar de novo

    Talvez isso aconteça numa segunda-feira
    Talvez numa fronteira entre o aqui e o ali
    Talvez navegando num barquinho de papel…
    Ou numa roda de samba, falando besteiras…
    Fazendo batuque no céu…


    Aspas by Carlos Henrique, colocando na ponta do dedo a
    saudade de seu pai; complemento meu, por conhecer, desde a infância, alguns dos
    caminhos descritos.

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: artwork by Gilles Perez de la Vega.

     

    **

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  • [Ventre]

    [Ventre]

    Sabe o
    que acontece
    quando o coração de outra pessoa
    bate dentro da gente?

    A gente sente
    A gente sabe 
    A gente conhece 
    A gente entende 

    A frequência muda quando o outro respira
    Os olhos baixam quando o outro transpira
    E quando o outro simplesmente não te abraça…
    tudo perde a graça
    E quando o outro não te encara….
    mesmo de longe…
    a boca se cala
    E a segunda-feira fica amarga

    Quando o coração de outra pessoa
    bate dentro da gente,
    a vida nunca basta
    o sonho é sempre novo
    e a angústia é partilhada

    A dor é sujeito composto 
    A febre se espelha no outro rosto 
    O pensamento se desprende 
    Enquanto a segunda-feira se rende 

    Quando o coração de outra pessoa 
    bate dentro da gente, 
    o futuro é aflito 
    mas o presente é infinito 
    E o discurso, no susto, 
    às vezes parece restrito 
    Mas o amor é pra sempre 

    Quando o coração de outra pessoa 
    bate dentro da gente, 
    se um fica triste, o outro fica também 
    se um irradia alegria, o outro irradia também 
    se um chora, o outro consola 
    se um prende o riso, o outro faz cócegas 

    Quando o coração de outra pessoa 
    bate dentro da gente, 
    a segunda-feira
    mora dentro do nosso ventre 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: sculpture by Ishibashi Yui.

    **

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  • [Prece]

    [Prece]

    O que
    você decidiu fazer hoje? 
    Daquela
    lista de promessas
    repousando
    na sala de espera…
    Daquela
    vontade secreta
    ainda
    presa no coração…
    O que
    você decidiu fazer 
    com seus
    desejos do último réveillon? 

    De todas
    as suas resoluções,
    qual você
    escolheu realizar hoje?  

    Não
    precisa fazer tudo 
    Mas o
    tudo só começa 
    Depois do
    primeiro passo  

    Você
    escolheria melhor dia 
    pra
    quebrar a monotonia 
    do que em
    uma segunda-feira arredia? 

    Então
    vista-se com seu melhor sorriso 
    Porque é
    hoje, já está decidido 
    Pode ser
    que seja difícil
    E até
    dolorido 
    Mas
    também será divertido  

    Daqui a
    um tempo você
    vai
    agradecer ter começado hoje 
    Faça seu
    momento 
    Ou o
    passado foge 
    Trace seu
    plano 

    R e c o m e c e 

    Faça da segunda-feira uma
    prece 
    Você
    merece  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema:

    Artwork by Koen Hauser.

    **

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  • [Amor líquido]

    [Amor líquido]

    Eu choro
    em cor 
    Cada vez
    que você 
    Fala de
    amor  

    Eu lembro
    de cor 
    Cada
    lágrima 
    Em Dó
    menor  

    Eu sinto
    um calor 
    Dentro de
    mim 
    Que
    derrete toda a dor 
    Do meu
    ventre de cetim  

    Eu sinto
    um amor 
    Um amor
    líquido 
    Que faz
    da segunda-feira 
    Um
    arco-íris ensurdecedor  

    Um amor
    infinito 
    Outrora
    aflito 
    No meu
    beijo em flor  

    Então,
    por favor 
    Não seque
    esse pranto 
    Do meu
    recanto 
    Teu amor
    é meu encanto 
    Meu
    arpoador  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: entre digital art et photographie, l’artiste Slime Sunday fais voyager dans un univers parallèle coloré et abstrait, sublime de créativité. Son compte Instagram regorge de pépites visuelles. À suivre absolument.

    **

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  • [Impropérios]

    [Impropérios]

    Eu acho
    um exagero
    quando
    você chega a esmo 
    falando
    redundâncias 
    pelos
    cotovelos  

    Parece
    que falta tempero 
    ou sobra
    desespero 
    quando
    você inventa motivos meus 
    para
    anular os erros teus  

    Mas o
    pior de tudo 
    são os
    impropérios 
    esses insultos gratuitos 
    escondendo refúgios 
    jogando pesadas
    mazelas 
    nas
    minhas costelas 
    segunda-feira intrépida 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: draw by 

    Gretchen Lewis Art.

    **

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  • [Absurdamente perfeito]

    [Absurdamente perfeito]

    O amor
    invadiu a segunda-feira 
    E trouxe
    do limbo uma nova certeza 
    O amor
    transformou a flor mais feia 
    Em luz,
    ardor e cor que incendeia  

    O amor
    acordou zonzo 
    Transfigurado
    em panaceia 
    O amor
    acordou pronto 
    Surpreendendo
    a plateia  

    Ai, amor,
    por favor
    Por onde
    você andou 
    Por que
    me fez esperar tanto 
    Por que
    me fez sentir o pranto 
    Pra só
    depois tirar a dor?  

    Por que
    você tantas vezes se disfarça 
    E faz a
    gente ficar sem graça 
    Fazendo
    planos profanos 
    Atrás de
    compromissos suburbanos?  

    Ai, amor,
    você me acordou 
    Com uma
    paisagem encantada 
    Na minha
    manhã ensolarada 
    Você me
    mostrou 
    Que a segunda-feira
    fechada  
    Também
    pode virar balada 
    E que meu
    choro absorto 
    Pode
    servir de conforto 
    Pro seu
    colo torto  

    Ai, amor,
    você pintou 
    A parede
    da minha rua 
    Pra eu
    desfilar nua 
    Nos seus
    braços largados 
    E
    abandonar os cacos mofados 
    Que me
    marcaram 
    E me
    largaram 
    No seu
    leito 
    Desse
    jeito 
    Um pouco
    raro, um pouco rarefeito 
    Absurdamente
    perfeito  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    “Love” the work of Michael Owen in Baltimore

    **

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  • [Sintonia]

    [Sintonia]

    Você
    trouxe uma sintonia 
    No meio
    da noite 
    No meio
    do dia
    Uma
    sintonia fina 
    Disfarçada
    de rotina  

    Você
    trouxe uma ironia 
    Pra minha
    segunda-feira vazia 
    Sem cerimônia 
    Sem
    nostalgia 
    Somente
    com um bom-dia  

    Se foi
    desejo ou simpatia 
    Destino
    ou sincronia 
    Acaso ou
    analogia 
    Agora
    minha segunda-feira fria 
    Carrega a
    sua sina 
    Na rima
    dos meus dias  

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema:

    Hong Kong NAP’s URI LED Light Bulbs.

    **

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  • [Mundo infinito]

    [Mundo infinito]

    Amo nossos tudos e nossos nadas. 

    Amo nossos dias, nossas noites e nossas tardes ensolaradas. 

    Amo nossos domingos e nossas segundas-feiras lotadas. 

    Amo nossos encaixes e nossas risadas largadas. 

    Amo nossos beijos e nossas piadas. 

    Amo nossos dedos grudados feito ventosas. 

    Amo nossas prosas e nossas manhãs gostosas. 

    Amo nossas passadas tortas. 

    Amo nossos cheiros absortos e nossos abraços rotos. 

    Amo nossos lugares preferidos, nossa cumplicidade absurda, nossos sonhos lúcidos, nossos choros lindos e nossas pelugens fartas. 

    Amo nossa linguagem inata. 

    Amo nosso mundo infinito. 

    Amo você. 

    Muito obrigada.

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet 

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    ilustração deste poema: artwork by Ally Lilith.

    **

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