Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

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  • [Nó maldito]

    [Nó maldito]

    O inverso
    padece 
    Na espera
    do que precede 
    O que
    acontece 
    Ou vira
    prece 
    Ou vira
    praga 
    Ou
    cresce 
    Ou
    draga 
    Vértice 
    Mágoa  

    Sinto dor
    Dor de
    barriga 
    Dor nas
    pernas 
    Dor nos
    braços 
    Dor na
    alma 
    Dor na
    vida 
    Segunda-feira sofrida 
    Dúvida
    dividida 
    Entre o
    céu e a ferida  

    Joelhos
    inchados 
    Pés
    esfolados 
    Coração
    endurecido 
    Nariz
    entupido 
    Segunda-feira em negrito 
    Olhos
    ardidos 
    Arrancados 
    Pra não
    ver o passado 
    Pra não
    prever o futuro 
    E o vento
    zunindo 
    Empurrando
    pra frente 
    Pra eu
    não cair no grito 
    Pra você
    não ir pro escuro  

    Porque há
    de passar 
    Todo esse
    rito 
    Esse
    brado aflito 
    Esse
    fardo amargo 
    Esse
    nó 
    Apertado 
    Esfarrapado 
    Doído 
    Esse nó
    maldito 
    Incrédulo 
    Áspero 
    Esse nó
    que nos amordaça 
    Que nos
    atrasa 
    E nos
    arrasta 
    Esse nó,
    tenho dito 
    Vai
    desatar  

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: Creepy little girl by Maria Rubinke.  

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  • [Pasmaceira]

    [Pasmaceira]

    Desculpe a poeira
    Nesta segunda-feira
    Desculpe a sujeira
    Que o vento trouxe
    Junto com o ano novo
    E toda essa doideira 

    Desculpe a trincheira
    De travesseiros suados
    Nessa calor mofado  
    Derretendo barreiras 

    Desculpe o chá de cadeira
    Enquanto não vinha a saideira
    Enquanto não vinha
    Enquanto não
    Enquanto 

    Desculpe a bobeira
    Desculpe o pranto 

    Desculpe a cara de caveira
    E o desencanto 

    Dizem que o dia mais triste
    É a primeira segunda-feira do ano 

    Então desculpe o riste
    E a pasmaceira 

    Hoje é só mais uma Segunda-feira

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Haunting Illusion by Pablo Matil.  

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  • [Véspera mortal]

    [Véspera mortal]

    Todo salto é mortal
    Se a segunda-feira for imortal
    Se a ladeira for imoral
    Se o compasso for fatal
    Num passo a passo surreal 

    Todo vasto é sepulcral
    Se o asfalto for nefasto
    Enquanto a segunda-feira se afasta
    De um passado ornamental
    E se aproxima do Natal 

    Toda desforra é sem sal
    Se o alvo não for salvo
    Da segunda-feira letal 

    Todo dia vira nostalgia
    Quando a penúltima segunda-feira do ano
    Cai justamente na véspera de Natal

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    artwork by @nicolerifkin in @theartidote.  

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  • [Mormaço]

    [Mormaço]

    Às vezes eu queria
    Ser um passarinho
    Bem pequeno
    Bem mansinho
    Quase invisível
    Quase um carinho
    Pra chegar bem de mansinho
    E sugar de dentro da sua boca
    Todo mau humor que dela emana
    Todo stress, toda a lama
    Toda raiva que dela inflama
    Toda aira que nela paira
    Feito mormaço
    Num dia de Verão
    Feito segunda-feira 
    No meio da explosão

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    The so sensitive art of Ninette Eponyme.  

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  • [Geometrizada]

    [Geometrizada]

    Quando viro pro lado
    E observo de soslaio
    Pratico um ensaio
    Antes do desmaio
    Dos meus olhos cansados 

    Geometrizo o acaso
    Pra parecer tudo bem
    Parametrizo o passado
    Pra me sentir zen
    E me ofusco nos teus braços
    Pra segunda-feira não me ver

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: Madame Athènais, 2016, acrylique sur toile, 60x60cm by Sheriometry.

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  • [Certeza escolhida]

    [Certeza escolhida]

    Tem gente que reinicia a gente
    São nossos réveillons
    Nossas segundas-feiras
    Nosso ano ano novo
    Pra sempre 

    Tem gente que reconecta a gente
    Como se sempre “sesse”
    De dia, de noite
    Como se um poema transparecesse
    Uma segunda-feira irreverente 

    Tem gente que vem pra gente
    De repente
    Como um destino
    Ou um desatino
    Bem no meio de um sol poente 

    Ou no meio de uma chuva fina
    Dobrando a esquina
    Realizando sonhos
    Descobrindo mundos
    Quebrando escudos
    E acenando pra vida
    Tão descabida
    Ferida
    Caída nos teus braços
    Certeza escolhida

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: Dániel Taylor “Think Too Much”.  

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  • [Cabeça queimada]

    [Cabeça queimada]

    Não queime a cabeça  
    Nem a segunda-feira
    Não queime a dúvida
    Nem a certeza
    O mundo gira
    A dor passa
    A vida se encarrega
    De voltar a ter graça
    Pratique o silêncio
    Agradeça
    Por vezes grite
    Na sua cabeça
    E só um pouco enlouqueça
    Mas não queime
    A sua cabeça
    Antes que o problemas se despeçam
    E o sol desapareça

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: matchstick men sculptures by wolfgang stiller.  

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  • [Farpas e sorte]

    [Farpas e sorte]

    Eu sei que você acordou nublado
    E não foi por causa do sol que não nasceu 

    Foi o passado
    Que chegou como um fardo
    E te estremeceu 

    Foi a segunda-feira
    Derradeira
    Que te escolheu 

    Só pra te mostrar
    Que as feridas nascem e morrem
    Que a vida é bandida
    Mas o sangue é forte
    Que o inimigo é louco
    Mas existe um Norte
    Pode parecer pouco
    Mas tu mordes a morte
    Com tuas garras
    Que preparas
    Nos sulcos das tuas farpas
    Enquanto brincas com a sorte

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: clever art on cardboard by @reemtwaim.  

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  • [Banho]

    [Banho]

    Banhei-me com flores
    Para livrar-me das dores
    E dos rumores
    Que a segunda-feira
    Vomita aos arredores 

    Banhei-me sem tempo
    Pois o vento sobra ao contrário
    Espalhando meus cabelos ao relento 

    Fiquei sem alento
    Segunda-feira insolúvel
    Banho sem consentimento 

    Segunda-feira volúvel
    Chuva de tormento
    Banho interminável

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Insoluble 27 x 40″ oil on linen $20,000 Casey Krawczyk.  

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  • [Intricada conexão]

    [Intricada conexão]

    Maravilha vulnerável
    Intricada conexão
    Segunda-feira inefável  
    Delicada evolução 

    Somos porcelana
    Seres humanos em expansão
    Em busca de equilíbrio
    Em busca de visão 

    A segunda-feira não perdoa
    Impacta sem dó no coração
    No balanço da canoa
    Que navega
    Pelas consciências
    E ecossistemas
    Preenchendo ausências
    Buscando consistências
    Atrás de emoções

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: “A Vulnerable Paradigm of Wonder” is an exploration of the intricate connections found between all living creatures and the fine balance needed for the long-term health of our world. Through the delicacy of porcelain, these creations explore the impacts of human expansion, sharing species affected or changed by human resource consumption and habitat loss. These new creatures call emotion and awareness to our current environmental situations, reminding us of our interwoven ecosystems and dependence on each other for life and wellbeing. Art by Crystal Morey Sculpture.

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  • [Culpa]

    [Culpa]

    Eu não tive culpa
    Foi a segunda-feira
    Que marcou bobeira
    Enquanto eu chamava teu nome
    A noite inteira 

    Eu queria uma desculpa, eu sei
    Uma desculpa absoluta
    Que provocasse uma muvuca
    Mas eu me enganei 

    Na segunda-feira eu me disfarcei
    Escondida
    Aturdida
    Feito Bela Adormecida
    Feito arandela opaca
    Desgastada pelo tempo
    Atrasada pelo vento
    Arrastada pelo remendo
    Sem fronteira 

    Na segunda-feira eu te amei
    Durante um sonho intenso
    Tão longo, tão tenso
    Um ditongo suspenso 

    E eu não tive culpa
    Porque a segunda-feira
    Recitou nos meus ouvidos
    Um poema de Pablo Neruda

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: absolutely beautiful light captured in this piece by PHAZED (@instaphazed).  

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  • [Pés descalços]

    [Pés descalços]

    A gente tem mesmo
    É que andar pra frente
    Mesmo de ponta cabeça
    Mesmo que a segunda-feira esquente  

    Dos meus pés sei eu
    Seja no leito de Morfeu
    Ou nas asas de Perseu

    Aos meus pés, o futuro
    Um brinde mais puro
    Pro caminho vindouro

    Aos inimigos: descaso
    Deixo-os para as solas dos sapatos
    Pra que eles se percam
    Enquanto meus pés
    Estiverem descalços

    Poem by Tina Teresa

    ★ ilustração deste poema: artwork by Michael Page

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