Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

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  • [Acordei]

    [Acordei]

    Acordei com a luz do sol
    Batendo no meu rosto nu
    Havia uma fresta
    Na minha cortina azul 

    Acordei ainda com sono
    Embriagada pela segunda-feira
    Havia uma réstia
    De sonho à espreita 

    Acordei faceira
    No meio do seu abraço
    Que parecia uma pintura
    Me fazendo um afago 

    Acordei
    E de olhos fechados
    Procuro seus lábios
    Pra findar a noite
    E abrir o dia
    Segunda-feira minha
    Me destila

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Watercolor painting by Mayorova Anna.  

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  • [Segunda-feira quimera]

    [Segunda-feira quimera]

    Havia uma névoa na segunda-feira
    Uma névoa que me cegava
    Algo de novo
    Algo de insano
    Alguma coisa de bobeira
    Na semana que chegava

    Uma névoa cor-de-rosa 
    Segunda-feira nebulosa
    Que me deixava prosa
    No meio da roda
    Plantando bananeira
    Antes que tatuagem fosse moda 

    Havia uma névoa
    Que me permitia me ver por dentro
    Sem relento
    Sem tormento
    Alguma coisa em movimento
    Na semana que invadia 

    Ah, segunda-feira arredia
    Névoa que me arrepia
    Que me revela
    Me descabela
    Me desafia
    Segunda-feira quimera

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: capture by ArtmanImagery with model Amanda Rose [@threefootwonder].  

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  • [Universo de pano]

    [Universo de pano]

    Resolvi me esconder na noite
    Pra lua não me encontrar
    Enlacei-me na segunda-feira
    Antes que a lua ficasse cheia
    E fizesse seu apoite
    Na canção de ninar

    Fico aqui pensando
    Se o céu seria um pedaço de pano
    Ou apenas um poema profano
    Esperando a segunda-feira passar 

    Então me perco no universo
    Enquanto danço em versos
    No leve deleite de amar

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: “Enlace” by Ana Novaes [@itg.art].  

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  • [Sem fim]

    [Sem fim]

    A chuva uma hora passa
    O frio passa
    A ventania passa
    A segunda-feira passa
    Até a uva passa
    O tempo passa
    O tempo cura
    O que aperta, segura
    A lua reflete da rua
    Minha alma na sua
    Enquanto espero
    Mais um mistério
    Mais uma estação
    Nesse hemisfério 

    Tudo urge
    Quando o sol surge
    Nada apaga
    Quando a nuvem afaga
    Minha pele de cetim
    Segunda-feira sem fim

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: artwork by Ruth Speer 

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  • [Planos soberanos]

    [Planos soberanos]

    Cansei da
    rotina 
    Segunda-feira menina
    Chega de
    hipocrisia 
    Partiu
    adrenalina

    Chega de
    recostar 
    Sobre os
    lençóis 
    E esperar
    o corpo
    Se tingir
    de azuis  

    Chega de
    esperar
    O sol se
    pôr 
    Por acaso
    o ocaso

    chegou  

    O que
    passou, passou 
    Já me
    levantei 
    Já foquei
    a ReTina
    Meu
    coração se acalmou  

    Com você
    Atravesso
    oceanos 
    Invento
    novos planos 
    Nossos
    planos 
    Soberanos 
    Sobre
    todos 
    Os
    próximos anos 

    Segunda-feira eu amo

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: Lazy Days by Joshua Roman Art

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  • [Raro efeito]

    [Raro efeito]

    À sombra peço
    Um recomeço breve
    E me entorpeço 

    À segunda-feira entrego

    Meu desejo leve
    E me despeço  

    No tempo eu prego
    Deixo teu beijo inerte
    E me contento

    Com esse inverno eterno
    Gelado e estéril
    Feito um rio de gelo
    Sem tempero
    Nem apelo 

    Segunda-feira
    eu carrego
    Teu colo no meu peito
    Raro efeito 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: art by @ricardo_munhoz.  

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  • [A segunda-feira não é de lata]

    [A segunda-feira não é de lata]

    Fiquei
    parada, só existindo 
    Esperando
    o domingo cessar 
    Mirando o
    teto, olhando pro nada 
    Aguardando
    a segunda-feira chegar 

    Fiquei
    chocada 
    Com seu
    olhar ácido 
    E seus
    linguajar flácido 
    Lamentando
    o fardo 
    Que
    seguia seus dias pálidos 
    Como se o
    mundo 
    Fosse
    acabar 

    Explosão
    só abre passagem 
    Quando
    pedras 
    Bloqueiam
    o caminho 

    Porque se
    nos trilhos

    corações 
    Esbravejar
    sem razões 
    Pode
    destruir de mansinho 

    Aflição
    não rega paisagem 
    Nem
    quando as rédeas 
    Se perdem
    do ninho 

    A segunda-feira
    não é de ferro 
    Nem de
    lata, nem de caramelo 
    Nem de
    chocolate 
    Nem de
    sorrisos sinceros, apenas  

    Ela é só
    mais um castelo 
    Feita do
    que você é 
    Do que
    você crê 
    Do que
    você quer, sem pena  

    Então me
    diga|
    O que
    você vê? 
    E o que
    você quer ser 
    Quando
    deixar de ser 
    o que te
    condena? 

    Sério, me
    diga
    Por que
    você reclama 
    De quem
    te ama? 
    Por que
    você inflama 
    Se não há
    chama 
    Que
    apague 
    a segunda-feira
    da semana 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: art by Shingo Matsunuma.  

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  • [Chuva de flores]

    [Chuva de flores]

    Chovia logo que acordei
    Chovia na nossa janela de flores
    Você dormia como um rei
    E balbuciava alguns sonhos multicores

    Eu abri um guarda-chuva pra nós dois
    Um guarda-chuva com cheiro de flores
    E guardei a chuva pra depois
    Pra nadar com você despida de pudores

    Enquanto a chuva derramar flores
    E a segunda-feira fizer
    seus favores
    Eu espero que nada me desiluda
    Nem a segunda-feira
    muda
    Nem a semana inteira
    Disfarçada de segunda-feira

    Eu espero caminhar
    Por essa chuva de flores
    Sempre ao seu lado
    Com os passos marcados
    E os calos gastos
    E todos os nossos fulgores

    Vamos seguindo
    Acalmando as dores
    Silenciando os fardos
    E nos banhando
    Nessa chuva de flores
    Segunda-feira eu lhe
    aguardo

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: Under my umbrella • Digital/ Ps by valeria_ko_art

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  • [Origami]

    [Origami]

    Dobrei a segunda-feira
    Em várias partes iguais
    Pra ver se ela passava mais depressa
    Antes que fosse tarde demais

    Dobrei a segunda-feira
    E recortei o tempo
    Pra ver se era promessa
    Ou mais um desses dias triviais

    Eu queria um tempo dobrado
    Feito origami inventado
    Dependurado no varal

    Uma segunda-feira avessa
    Dobradura de papel
    Em várias partes banais

    Uma dobradura confessa
    Refletida da minha testa
    Segunda-feira habitual

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Photo by Aleyna Rentz on Unsplash.

     

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  • [Embaçada]

    [Embaçada]

    Sinto sono
    Como um engodo
    Enterro o rosto
    No travesseiro escuro
    Pergunto as horas
    Pro criado-mudo
    Deve ser segunda-feira,
    logo suponho
    Amanheceu e eu nem me encontro

    A vista embaça
    A neblina me abraça
    Onde está a calçada
    Não enxergo nada

    A pista escapa
    A lista acaba
    A risca estica
    O sono amarra

    Onde foi parar o foco?
    A segunda-feira
    se dividiu em blocos
    E caiu sobre meus ombros
    Como um galope

    Onde foi parar o Norte?
    A segunda-feira
    me deixou na sorte
    Perambulando feito boba da corte
    Tentando encontrar um recorte
    Uma fresta
    Uma aresta
    Por onde eu possa enxergar
    E respirar
    Pra que eu possa atravessar esse dia
    E me livrar desse sono
    Medonho
    Que me cega
    Enquanto a neblina sossega
    E paira
    Embaçada
    Sobre meu colo
    Sobre minha segunda-feira
    falha 

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet


    ilustração deste poema: Stella Im Hultberg’s “Beholden” [Sumi ink, watercolor, and colored pencil on watercolor paper]. 

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  • [Sem igual]

    [Sem igual]

    Cada segunda-feira
    é um desafio.

    Ela pode ser fria ou se abrir como um abismo.

    Pode parir um filho ou ficar pra titia.

    Cada segunda-feira
    é um desatino.

    Ela pode chegar fina ou esconder um brio.

    Se fazer de sina ou arrastar um vil mortal.

    Sem igual.

    Sem tempero nem cheiro.

    Sem fadiga nem dinheiro.

    Cada segunda-feira
    é um desaviso.

    Um réveillon imoral.

    Uma paródia da vida real.

    Sorria, já é quase Natal.

    Tudo passa, menos o último Carnaval.

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    “Cross My Heart”, 2.5″ by 3″, ballpoint pen, watercolor and metallic gold acrylic on paper by Caitlin Hackett.  

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