Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

relacionamento

  • [Não sei lidar]

    [Não sei lidar]

    Com seus medos

    E seus desejos

    Com seus bom-dias

    E suas nostalgias

    Com suas palavras

    E suas almofadas

    Com sua fome

    E como soletra meu nome

    Com seu cheiro

    Importa quem chegou primeiro?

    Com sua cama

    E a palavra na sua boca

    Achando que me ama

    Achando que me acha

    Me chamando de louca

    Achando que logo passa

    Não sei lidar com essa sede

    Tampouco com a parede

    Nem com o recado

    Ou o retrato falado

    Já é segunda-feira
    E eu tenho sede

     –
    by Tina Teresa

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  • [O que te inspira?]

    [O que te inspira?]

    O barulho da cidade
    O zumbido do mosquito
    A poesia na garganta
    esmagada entre bordas
    breves vocais, leves cordas
    Leve-me aos teus locais
    Quero ver tua dignidade
    espalhada na lembrança
    de um passado aflito
    enquanto reflito
    e respiro
    teu cheiro morno
    com gosto de sereno
    que me arrepia
    Então pergunto: o que te inspira?

    — Você. Você me inspira.
    Com essas perguntas bobas
    e essas frases soltas
    Com esse jeito lento
    de querer ser eterno
    Com esse olhar incompleto
    e essas dúvidas todas
    É um tormento, uma nóia
    troco passos sem memória
    e você rodopia
    sem foco nem pouso
    Parece uma centopeia
    sambando uma nota torta
    Todo dia você me inspira

    Todo dia, o dia todo?
    Ou por todo um dia de quando em vez?
    De tanto em quanto
    por todo o pranto
    derramando teu encanto
    em toda a minha tez?

    Não diga que a segunda-feira
    é só uma anedota
    que te leva a rir e a esquecer meu nome
    que te espreita, que te derrota
    que te desenha assim, com essa paciência perfeita

    — Você escolhe o melhor dia
    Com ou sem essa roupa amassada
    Você escolhe chá ou café
    Já te disse: é você quem me inspira.

    Mas como escolher qual final de tarde ficará para a eternidade?
    E como escolher qual a melhor versão de mim?

    — Lá vem você
    Com tantas incertezas
    Com tantos planos
    Galgando, querendo, sofrendo
    Tão só
    Não ligue, tudo muda
    Tua incoerência me neblina
    Foi-se o tempo de menina
    Mas teus sonhos ainda pulsam
    Pra que tanto medo?
    Pratique o desapego
    Tenho eu receio de te inspirar
    E então você se jogar
    E aprender a amar o vento no cabelo
    E decidir que não há versão definitiva
    apenas a “de verdade”
    Que tal?

    Prefiro não pensar
    Gosto dos teus argumentos
    Tua stamina me alimenta
    Não me canso de perguntar: o que te inspira?


    by Tina Teresa

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  • [Sobre nós]

    [Sobre nós]

    Levo horas
    desatando os nós
    dos meus cabelos,
    diariamente. 

    Lavo horas.Tantos nós.
    Nós diários. Nós na mente.
    Pensamentos, pensa mente.
    Enozadamente. 

    Enozada mente. 
    Segunda-feira latente.

    Nós que travam dedos.
    Entre nós. 

    Se tenho segredos,
    os guardo entre nós.
    Porque se dali os solto,
    é pela minha pele
    que eles deslizam. 

    Entre cachos.
    Sobre nós.
    Sobre a chuva morna
    que bagunça
    esses fios cor de mel.
    Chuva sem céu. 

    Ah, esses nós!
    Que lavam mágoas
    e levam histórias árduas
    por entre águas
    que escorrem entre nós. 

    Banhe-se comigo
    e sinta os dentes do pente
    desatando os nós
    dos meus cabelos
    que bailam feito serpentes
    sem destino.
    Breve desatino. 

    Quantos nós
    unem essa dança? 

    Seriam feiticeiras
    minhas madeixas? 

    Quais dentes as soltam?
    Meu pente?
    Ou sua boca caliente
    mordiscando segredos
    debaixo do chuveiro? 


    by @DiaboliqViolet

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