Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

segunda-feira

  • [Atrasada]

    [Atrasada]

    Cheguei atrasada
    Toda atrapalhada
    Com a roupa amassada
    E a maquiagem desajeitada

    Cheguei atrasada
    Mas não mais que a segunda-feira
    Que encontrou a porta trancada
    E a cabeça virada
    Pro outro lado a estrada

    Cheguei atrasada
    Bem depois da hora marcada
    Estressada, embaçada, descompensada
    Com todos os braços atravessados
    Por entre os passos descompassados
    Segunda-feira arrasada

    Cheguei atrasada
    O tempo não para
    O mundo não par
    A vida não para
    Ou é você que não repara?

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    fantastic visual stories in paintings by Kevin Sloan.  

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  • [Textura]

    [Textura]

    Eu me deitei no chão frio para ver as estrelas
    E desenhei teu nome no céu brilhante
    Segunda-feira eu
    sonhei com centelhas
    Centenas de estrelas cintilantes

    Eu acordei com os pés gelados
    No meio na noite
    No meio da lua
    Eu te procurei ao meu lado
    E te achei aninhado
    Nos meus cabelos emaranhados

     

    Segunda-feira nua
    Minha boca na tua
    Tua alma flutua
    Na minha cintura

    Segunda-feira
    crua
    Estrelas borbulhantes
    Não obstante, a lua continua
    Mesmo que o tempo pare
    Ou que o céu dispare
    Uma chuva de amargura

    Segunda-feira pura
    Quero teu colo
    Sem censura
    Sem protocolo
    Enquanto eu me enrolo
    Nos teus braços, nos teus laços
    Nos teus passos largos
    Minha candura
    Tua envergadura
    Chuva de estrelas
    Teu gosto
    Minha textura

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    “Black Sheep” by Siames Escalante.  

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  • [Segunda-feira assim]

    [Segunda-feira assim]

    Segunda-feira intensa
    Propensa Imensa
    Tão densa quanto tensa
    Me deixa suspensa
    Quando nada mais compensa 

    Segunda-feira feliz
    Não me diz
    Que foi por um triz
    Da flor-de-lis ao chafariz
    Me deixa cheia de cicatriz
    Depois de tudo o que eu fiz

    Segunda-feira relativa
    Ora afetiva
    Ora adversativa
    Ora maior que qualquer neblina
    Ofuscando o farol de milha
    Frente à minha sina superlativa 

    Segunda-feira assim
    Tão tua
    Tão nua
    Dentro de mim

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet


    ilustração deste poema: artwork by Andreea Cioran

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  • [Faz-de-conta]

    [Faz-de-conta]

    Sempre há algo na
    frente

    Uma cortina de fumaça

    Uma máscara

    Um filme

    Uma maquiagem borrada

    Uma lágrima

    Uma segunda-feira
    abafada

    Uma neblina

    Uma sina

    Um dimer

    Um sorriso pequeno

    Uma gota de veneno

    Um vapor

    Um amor

    Um pedido de socorro

    Por favor, senão eu morro

    Um grito

    Um motivo

    Sempre há alguma afronta

    Segunda-feira é
    só mais um dia

    Nessa terra de faz-de-conta


    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    photo by Skyler King on Unsplash.  

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  • [40 outonos]

    [40 outonos]

    Minha definição
    De inferno astral
    Acabou de alcançar 
    Um novo patamar 

    40 outonos 
    Sobre meus ombros 
    Segunda-feira
    Não tenho dono 

    Chegou a hora
    De construir meu próprio trono 
    Chegou a hora 
    De arregaçar o quimono 
    E esquecer o sono 
    Chegou a hora
    De alongar as costas 
    Recolher a mesa posta 
    E me libertar 

    Depois de 40 outonos
    Me sinto livre para me livrar 
    Das falsas crenças 
    De um fracasso crasso 
    De um falso passo fraco 
    De um franco flanco escasso 

    40 outonos 
    Sobre meus ombros 
    Cada vez mais eu me apaixono 
    Pelas segundas-feiras faceiras 
    Que nunca me abandonam 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Anna Kincaide’s piece ‘Have You Got Somewhere Better to Be’.  

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  • [Guia]

    [Guia]

    Eu queria
    ter te conhecido 
    Desde que
    você nasceu
    Sei que é
    um sonho impossível 
    Mas o que
    posso fazer?

    Eu queria
    ter te escolhido 
    Antes do
    sol se esconder 
    E da
    chuva cair 
    Antes da
    lua se cansar de tanto brilhar
    Quando
    fica cheia de si 
    E da
    nuvem se estremecer toda 
    Se
    precipitando… ou seria fazendo pipi?

    Se eu
    pudesse realizar um pedido
    Pediria o
    passado, passado a limpo 
    Diante
    dos meus olhos aflitos 

    Pra eu me
    inserir de mansinho 
    Num
    cantinho bem pequeninho
    No meio
    do seu coração 

    Você não
    ia nem me notar 
    Mas iria,
    aos poucos, se apaixonar 

    Até que
    um dia,
    Numa segunda-feira em
    festa,
    Eu te
    diria, no pé do ouvido:
    — Feliz
    aniversário, meu amor. 
    Você é
    minha escolha mais linda.

    Te amo
    até o fim dos nossos dias 
    Nos dias
    quentes e nas noites frias 

    Abraçados
    em nossa nostalgia 
    Segunda-feira você me guia 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: selfie no espelho by Renato Heusi &Tina Teresa.

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  • [Aquário]

    [Aquário]

    Feche os olhos
    E deixe os pensamentos saltarem 
    Deixe os cabelos voarem 
    Deixe o mar escorrer 
    Pelos cílios rarefeitos 
    E pelos peitos imperfeitos 
    Que amargam seu leito 

    Esqueça o orvalho 
    Segunda-feira eu espalho 
    Minhas lágrimas 
    No seu chão de carvalho 
    Segunda-feira eu me calo
    No seu ato falho 
    Enquanto os peixes gralham 

    by Tina Teresa 


    ilustração deste poema: artwork by Elesq. 

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  • [Caminho]

    [Caminho]

    Cada vez
    que cruzo seu caminho
    Faço
    assim, bem de mansinho
    Pra ver se
    você me nota 
    Segunda-feira torta
    Pra ver
    se você me entende 
    Enquanto
    a segunda-feira ascende 
    E
    enquanto o sol se esconde 
    Eu me
    perco não sei por onde 
    Eu te
    vejo no horizonte 
    Eu te
    chamo, mas você não me responde 

    Segunda-feira eu clamo
    Apareça ou
    nunca mais me inflame 
    Nunca
    mais fique assim distante 
    Segunda-feira eu digo 
    Com todas
    as letras
    Com todos
    os hinos 
    Segunda-feira no seu caminho
    De
    mansinho… eu te amo

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema: Photo by @connorsurdiphoto.  

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  • [Moradia]

    [Moradia]

    intensa e
    frágil
    como um
    raio de sol
    tua pele
    se adere 
    ao meu
    suor 

    você
    ultrapassa
    minha
    zona de contágio 
    sem pagar
    pedágio 
    sem pagar
    pra ver 
    o
    contrário 

    ao meu
    ver 
    você já
    viu 
    o que
    tinha de ser 
    você já
    sabia
    que minha
    euforia 
    era mais
    que um presságio 

    você já
    sabia
    que a segunda-feira 
    viria 
    dia após
    dia 
    pra
    sempre
    enquanto
    a gente 
    se
    escondia 

    por isso
    eu salto
    de olhos
    fechados 
    nos teus
    braços incautos 

    você já
    sabia 
    amor da
    minha vida
    você é
    minha moradia 

    Poem by Tina Teresa


    ilustração deste poema:

    Incredible painting, “Death Perception,” by Casey Weldon

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  • [Encanto]

    [Encanto]

    Não me cronometre
    Ou o tempo vai amaldiçoar o amor
    Toda palavra compromete
    Toda carência se repete
    Toda segunda-feira deve
    Amenizar a dor

    Toda tolerância arde
    Até que o grito abafe
    E a angústia afague
    O ataque do arpoador 

    Todo controle fere
    O ciúme fede
    O espinho está no caule
    Não há culpa no botão da flor 

    E o Carnaval
    Que já acabou faz tempo
    Esquece que tem um rival
    Chamado ressentimento 

    Por isso essa máscara  
    Na tua cara
    Me desforra
    Em dissabor 

    Teu cronômetro me tolda
    Enquanto o mundo dá uma volta
    O tempo parece que para
    Meu coração dispara
    Em prantos
    Para meu espanto
    E aí a segunda-feira
    Por besteira
    Perde o todo o seu encanto

    Poem by Tina Teresa 


    ilustração deste poema: photo by Thalita Schuh.   

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  • [Perdóname]

    [Perdóname]

    Perdóname
    la falta de compostura
    Y la
    ternura
    De mis
    besos en su boca
    Cuando
    me quedo roja
    Y
    totalmente tuya 

    Perdóname
    Los
    ciegos suspiros
    En tu
    ombligo
    Subiendo
    por tus costillas
    Mientras
    me ensillas 

    Perdóname
    Mi
    pasión avasalladora
    Todos
    los lunes
    Piscando feito vagalume
    A cada segunda-feira
    encantadora 

    Perdóname
    Cuando
    me quedo sin sueño
    Y
    revoco tus pellos
    Con mis
    dedos
    A
    través del espejo

    Ah,
    perdóname
    Cuando
    te quiero tanto
    Cue a
    veces hasta llanto
    Por los
    túneles blancos
    Da
    cidade em prantos

    Segunda-feira eu canto
    Todo meu
    amor no teu ouvido
    Bem baixinho
    Quase escondido
    Para ecoar
    feito um grito
    No meu
    lugar preferido

    Poem by Tina Teresa 


    ilustração deste poema: Dain en Tabacalera by 

    madridstreetartproject.

      

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  • [Skazi]

    [Skazi]

    Eu nunca imaginei que veria seus olhos se fecharem para
    sempre

    Tampouco imaginei que o imbróglio no meu estômago seria
    coerente um dia

    Ah, um dia
    Um dia eu sonhei que você corria
    Enquanto meu coração te acolhia

    Um dia eu olhei para o céu
    Enquanto você dormia

    E lembrei cada folia, cada aventura, cada revelia
    Como quando você se escondia
    Ou só fazia de conta que fugia
    De mim, da cortina, dos fogos de artifício, daquela guria…

    Eu lembrei do conforto que você me trazia
    E ainda traz
    Eu lembrei do teu passo voraz
    E do teu beijo fugaz
    Nos meus dedos nus
    Enquanto o céu azul
    Invadia teu sorriso largo
    Ah, como eu sinto falta do teu abraço
    E do teu pelo macio dourado
    Com cheiro de capim molhado
    Lá de cima do terraço

    Como eu sinto falta da tua voz
    E dos teus sussurros
    Pois é, eu ainda te procuro
    Eu te vejo em cada canto
    Em cada pranto
    Em cada carro
    Em cada sábado regado a cerveja e cigarros
    Em cada segunda-feira que começa cheia de erros
    Em cada momento efêmero
    Em cada tropeço, em cada recomeço
    Cada vez que me esqueço
    Do teu endereço

    Eu ainda te procuro
    No meu lado obscuro
    Enquanto olho por cima do muro
    E me perco no filme em cartaz
    Ah, Skazi, eu te juro
    O que sinto por você é o amor mais puro
    E mesmo que a saudade esprema meu coração duro
    Agora estou em paz


    Para Skazi (cachorro do meu marido), 

    2004  2017, in memorian.

    by Tina Teresa | @DiaboliqViolet

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    ilustração deste poema: photo by Rubens Heusi.  

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    Continue: [Skazi]