Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

segunda-feira

  • [Será que pode?]

    [Será que pode?]

    Sua presença
    Minha ausência
    Encontro perdido
    Pista de dança

    Compartilhamos olhares
    E partilhamos mares
    Inebriantes patamares
    Esquinas fugidias
    Escadas frias
    Beijo seco
    Segunda-feira do avesso

    Olho no olho, tudo bem
    Só se for agora
    Na Segunda-feira, meu bem
    Cara virada e alma lavada

    Face a face num pedido
    É só o que eu preciso
    Aqui dentro eu digo:
    Escolhi sumiço
    E antes o incerto
    Do que um beijo perto
    Perdeu o feitiço
    Tão longe, tão certo

    A música levou a semana embora
    A dúvida definiu a memória
    Um carinho breve
    O que houve ali ficou pra história

    Ciranda cirandinha
    Vem agora me buscar
    Meu sono é protegido
    Volta e meia tudo pode mudar

    Meia noite é hora da ceia
    Noite inteira, meia sobremesa
    Mudou tudo e não era nada
    Segunda-feira de boas maneiras

    Que venha o sonho sem critério
    Que o filtro evoque seu mistério
    Que outras Segundas voltem
    Que o feltro forje e a saia rode
    E o sorriso roubado molde
    Mas… Será que pode?


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Tempestade]

    [Tempestade]

    Completamente descontrolada
    Feito um raio na tempestade
    Era Segunda-feira e eu tava revoltada
    Pulverizada numa telepatia afiada

    Cada raio era um sorriso emoldurado
    Que segurava meu bocejo em prantos
    E me entregava um botão de flor desbotado
    Rascunho de feltro, preto no branco

    Vivo e morro na tempestade
    Cada risco, cada raio, não arrisco
    Corro pra dentro de mim
    Totalmente entusiasmada
    Tem coisa que não se diz
    Tem coisa que não se faz
    Tempestade que não se vai
    Tem prece que esvai
    Escorre pelo traço incerto
    Do raio que me desfaz
    E me fragmenta em trecos
    Colorindo estações paralelas
    Mudando o curso do universo
    E tornando tudo assim
    Demasiado cômodo
    Demasiado frouxo
    Demais extasiado
    Celeste e iluminado

    Na claridade relativa dos meus atos
    Sinto o raio do destino me fisgar

    Atravesso a tempestade
    Holofotes de ansiedade

    Penso, logo desisto
    Existo, logo reflito
    Absorvo, portanto habito
    Largo, quase profundo
    Tempestade no infinito
    Raio profano, imundo
    Dito pelo não dito

    Formalidade distorcida
    Tempestade na medida

    Não tema o choque
    Ouça seu coração
    Cuide do seu coração
    Fale com seu coração
    Sinta seu coração
    Veja seu coração conversando
    Sacuda o medo
    Chacoalhe o pranto
    Boceje por enquanto
    Segunda-feira, ainda te alcanço
    Tempestade sem descanso


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [The second fairy]

    [The second fairy]

    Foi algo que eu disse?
    Foi algo que eu fiz?
    Foi algo assim… idiotice?
    Foi tarde o final feliz…

    Foi forte, foi fogo, foi sim
    Foi fadiga
    Foi falta de sorriso?
    Foi ferrugem, festim
    Foram mares desmedidos
    Fenda sem fim

    Fui à feira na Segunda
    Segundo a segundo
    Prefiro o fundo
    Se fui teu mundo
    Feri a chuva
    Faquir de foices
    It was your choice
    And it wasn’t fair

    Faça de novo
    The second fairy
    The second chance
    The second flame
    It wasn’t only my fault
    So please, don’t blame me
    Segunda-feira perfeita
    Falei de novo
    Falhei de novo
    Não foi por desfeita
    Mas eu reprovo
    O amor faliu

    Foi algo que eu disse?
    The second fairy
    Fada Berenice
    Fadada a se fazer de Alice
    Don’t get scary
    Don’t fly away
    Você me deve um desejo
    Não me deixe à desdém

    Foi uma fábula?
    Fada safada
    Furtou meu sonho
    Segunda-feira nublada

    Foi tarde, uma falácia
    Ficou saudade
    Virou filme inacabado
    Fiquei firme sem recado
    Foi algo que eu fiz?
    Faísca, cicatriz, audácia

    Foi falta de afeto, second fairy
    Foi feltro, foi renda, foi quase perto
    Foi algo assim… Sol, Lá, Si, Dó
    Foi algo mais… Dó, Ré, Mi, Fá

    Não volte, não, my dear fairy
    Foi algo que eu disse e foi em vão
    Foi farta que fiquei, unnecessary
    Foi algo que eu fiz, algodão

    The second chance
    The second fairy
    Don’t be on defense
    O que vai, volta
    O que foi que eu fiz?
    Filosofei frases de aprendiz
    Furei a fotografia
    Fugi do feitiço de giz
    Flutuei na Segunda-feira
    Furtei seu final feliz


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  • [Domingos]

    [Domingos]

    Há gente que leva a vida no piloto automático.
    Há gente que decide viver várias vidas e conhece o Domingos.
    E aprende que o gosto de vida real é muito mais legal que o melhor comercial.
    Que nos intervalos acontecem muito mais coisas que na rotina.
    Que o desequilíbrio pode ser motivador e interessante.
    Que ser chamado de Domingos é viver um eterno fim de semana.
    E que a felicidade está no coração de quem abre a cortina da vida.
    E espia e interage e questiona e sorri e dança e canta e muda e gira.

    Falar sobre o pânico da segunda-feira, a renovação que o dia representa e a oportunidade que a gente tem de replanejar, tomar uma nova atitude, assumir uma nova postura e cumprir aquela promessa tardia me levou ao Rio de Janeiro. Vem cá, se a segunda-feira é um réveillon semanal, Janeiro é a segunda-feira do ano, tá certo?

    Cheguei no domingo no “Rio de Segunda-Feira” e fui recepcionada pelo Domingos, motorista da TV Globo há oito anos e, como ele mesmo diz, “se é pra fazer trabalho de confiança, ir em casa de artista, levar dinheiro ou documentos, ouvir conversas capciosas, sou eu que eles chamam”.

    De um bom humor espetacular – como todos com os quais interagi no Projac, diga-se de passagem -, Domingos logo perguntou sobre o que eu falaria no dia seguinte, no Encontro com Fátima Bernardes. “Sobre segunda-feira! Não é irônico falar sobre a segunda, numa segunda, e ainda ser levada pelo Domingos?” Risos.

    Neste momento lembrei que o motorista que levou minha última mudança chamava-se Segundo. Já mudei de cidade muitas vezes e cada conflito, cada escolha, cada plano frustrado, cada nova oportunidade, cada amigo novo, cada passo marcado provocava uma vertigem diferente, um sorriso descompassado e uma vontade urgente.

    Conhecer a nós mesmos é um processo sem volta. Escolher um ensejo é viver a vida envolta em sorrisos e muitas fagulhas de luz. Num segundo, tudo vira prosa.

    No dia 7 dei outros passos, conheci outros pés e outros dedos, outros sorrisos e outros desejos. E por 7 segundos vi um novo mundo descortinado suas asas sobre meus olhos. Domingos me buscou no hotel e chegamos ao Projac em menos de 7 minutos. Outros 7 bastaram para o credenciamento e menos que o dobro disso para a maquiagem perfeita. Para o momento perfeito. Sabe que o Domingos se parece com o prefeito? “O pessoal do ‘Caldeirão’ é quem tira mais onda disso”, diz. Bem feito.

    Domingos tem 7 irmãos. E há pouco mais de 7 anos ele é motorista na Rede Globo de Produção. Estudei Jornalismo pra ficar nos bastidores. Quase que nem o Domingos. Mas de repente me vejo em frente às câmeras, falando sobre o que eu mais gosto de fazer: brincar com palavras. Inventar e me refazer quase sempre. Propor um ano novo toda semana. Deixar gente contente. Descobrir o diferente.

    Talvez eu ame a segunda-feira porque vivo, como o Domingos, num eterno fim de semana. Talvez seja porque os conflitos da minha alma encontram neste ciclo um novo vício. Talvez porque a vida real é bem mais sensacional que um bom comercial. Talvez porque eu entenda que felicidade não é consequência de uma vida normal. Já que de perto, ninguém é mesmo normal, não é, Caetano? Ou porque o meu plano seja reinventar o cotidiano, ouvir histórias, compartilhar memórias e criar poemas que contam dramas que contorcem a barriga, que confundem a cantiga e que dão sabor à vida.

    E você? Já parou pra pensar que Segunda-feira é dia de amar um novo começo? Domingos nasceu num domingo; Segundo nasceu logo após seu irmão gêmeo, chamado Primogênito. Já passei muitos sábados desencaixotando peças de mudança. Já fui mais magra, mais gorda, mais chata, mais fofa. Já tive cabelos curtinhos, compridos, loiros, lisos, cacheados, roxos… Já quis jogar tudo pro alto, já queimei os pés no asfalto. Se eu for como todo mundo, quem será como eu? Não entre em pânico! Ame a Segunda-feira, encante-se à sua maneira. “Olha o bom: na Segunda você já viu o Domingo!”, brinca o motorista. E não apenas um. Vários. Domingos. Sejam bem-vindos.


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  • [Ciclos]

    [Ciclos]

    Sete erros
    Jogo bobo
    Muda o medo
    Muda o troco
    Não reparei
    Foi por pouco
    Quase errei
    Te deixei louco
    Foi mais um ciclo
    Mais um sufoco
    Chegou num pulo
    E passou fosco
    Cabeça girando
    Coração tosco
    Sete notas
    Sete cores
    Sete erros
    Sete amores
    Sete anos
    Sete fardos
    Vida louca
    Gato pardo
    Sete ciclos
    Sete chakras
    Sete pecados
    Sete vidas
    Machucados
    A sete palmos
    Doce veneno
    Suor amargo
    Tem certeza?
    Te quero livre
    Não grite
    Te quero meu
    Sem deslize
    Eu te espero
    Sorriso aberto
    Sete infernos
    Tava tão perto
    Mudei o rumo
    Pulei o muro
    Troquei a rota
    E roubei a aposta
    Perdi o prumo
    E primei por mim
    Foi mais um ciclo
    Fugi de mim
    Temperatura
    Pela cintura
    Flor de jasmim
    Sete mentiras
    Almocei capim
    Segunda-feira
    Angústia carmim
    Sete feiras
    Sem asneiras
    Sete dias na semana
    Sete passos na lama
    Sete erros
    Joguei ao vento
    Sete marias
    À revelia
    À minha maneira
    Por sete tempos
    Descontento
    Sete magias
    Você viria?


    by Tina Teresa

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  • [Rotina]

    [Rotina]

    Cafeína
    Matutina rotina
    Enquanto o dia não acontece,
    A gente imagina
    E faz planos assim, meio por cima
    Porque a segunda-feira
    Me pegou desprevenida
    Cafeína
    Tire a bunda da cadeira, menina
    Vamos cair no asfalto?
    Vamos subir a colina?
    E enterrar os pés na lama
    No próximo fim de semana?
    Cafeína
    Segunda-feira chegou de mansinho
    E eu aqui no meu cantinho


    by Tina Teresa

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  • [Ar/mar]

    [Ar/mar]

    Décimo primeiro andar
    Trigésima terceira segunda-feira
    Da janela, o ar parece mar
    Ar/mar, como não amar?
    Décimo primeiro andar
    Desce a sintonia do seu andar
    Desce a melodia
    Do balanço do mar
    Da ternura do ar
    Vem me abraçar
    Amada história
    Não fui eu
    A má da história
    Percebeu?
    Décimo primeiro andar
    Trigésima terceira segunda-feira
    Pestanejar
    Marejar
    Só quero amar
    E quero que o mar
    Inunde o seu olhar
    E cristalize
    E se eu, Cris, estiver Alice
    Que você me carregue
    E me guie
    Sem perder a fantasia
    Mas mostrando que há caminhos
    Adivinhando cada planície
    Mesmo que o mar pedisse
    E cada segredo que você disse
    Simplesmente sumisse
    E cada nova palavra que surgisse
    Cristalizasse
    Enquanto eu, Cris, imaginasse
    Daqui, do décimo primeiro andar
    Uma paisagem
    Assim, de passagem
    Pela trigésima terceira segunda-feira
    Que me teletransportasse
    Para o seu mar
    Para o seu ar
    Ar/mar
    Até cada olho
    Um de cada vez
    Marejar


    by Tina Teresa

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  • [Segunda-feira num segundo]

    [Segunda-feira num segundo]

    Tão derradeira, tão assim, tão mundo
    Olhar noturno, luar soturno
    Que protege? Ou promete
    Uma freada brusca
    Vem aqui, me busca
    Traga confete
    A estrada segue em frente
    Nada mais se repete
    Tudo muda num acorde de trompete
    Tudo permanece
    No submundo


    by Tina Teresa

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  • [Palavras cortadas]

    [Palavras cortadas]

    Cada palavra recortada
    É um pedaço de madrugada
    Nesta segunda-feira imaginada

    Uma fala inacabada
    Um desejo de…

    Porque a flor que você não trouxe
    Trouxe nós sobre nós
    Trouxe notícias de papel
    Trouxe palavras de fel

    Trouxe palavras cortadas
    Retiradas do peito
    Recortadas meio sem jeito

    Meias palavras
    Meio duras
    Meio gastas
    Talvez um pouco devassas
    E escassas
    Recortadas
    Sem sentido
    Ah se eu tivesse mantido
    Minha boca fechada


    by Tina Teresa

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  • [White tulip]

    [White tulip]

    Cada segunda-feira que chega
    é um novo começo.
    Um reset de tempo,
    uma tulipa branca.
    Um universo paralelo
    repleto de possibilidades.
    Uma página nova
    para sonhar,
    planejar,
    pestanejar,
    relembrar
    que uma história
    só tem dono
    quando é carimbada
    no coração.
    Panela de pressão.
    Coisas que vêm e vão.
    Coisas que aparecem
    de onde eu chego
    e nem por isso
    o dia amanhece mais cedo.
    Morcego.
    Pé gelado no verão.
    Vigilância solitária
    de um tempo
    que não foi meu.
    Pra que esforço
    ou alvoroço
    se o que sobra
    é apenas sobra.
    Manobra.
    Saudade que nem dói,
    mas corrói.
    Saudade de um novo dia
    que não tarda,
    que não chega,
    que não falha,
    que não pensa,
    que não nega
    nem tolera
    essa cega
    parcela de nós.

    by Tina Teresa

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  • [Mistério]

    [Mistério]


    Se escrevo é porque tenho
    O tempo na garganta
    A intensidade nas mãos
    E sorriso de criança

    Se escrevo é porque tento
    Segurar o infinito
    Apertar o grito junto ao peito
    E abrir qualquer pedaço restrito

    Se sonho é porque quero
    Que a segunda-feira venha
    E traga afago, traga renda
    Na neblina desse mistério


    by Tina Teresa

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  • [Terça-feira]

    [Terça-feira]

    Segunda-feira. De repente eu acordei com uma vontade danada de planejar minha vida inteira. Quero ser famosa e perfeita. Fico rindo à toa, tentando organizar a agenda e só encontro antagonias. Que anta agonia.

    Quem sou eu pra ter controle de tudo? Pra que querer tanto assim? Da próxima vez eu começo a academia. Não vá embora, segunda-feira, ainda não ouvi todas as musicas novas, ainda não decidi pra onde mudo o sofá de lugar.

    Não te quero, terça-feira. Quero a segunda. É na segunda que o planejamento começa. Será que é na terça que ele se torna vivo? Li em algum lugar uma frase que mudou meu mundo. “E a segunda-feira vai embora sem se despedir”. Como assim? Eu não quero que ela se despeça, senão meus planos amortecem na expectativa da semana seguinte. Foi depois dessa frase que decidi escrever aqui. Pode vir, terça-feira, estou preparada pra você. Te quero, sim. Quero todos os dias, cada vez mais. Quero vida, quero planos, quero mordidas e desenganos. Quero pânico.


    by @DiaboliqViolet

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