Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

silencio

  • [Restos]

    [Restos]

    Restos de domingo assombram a segunda-feira
    Dia sem fim, noite sem beira
    Prefiro um pedaço de caqui

    Choveu e eu nem vi
    A luz dos postes brilha na rua molhada
    Mas o piso da sacada continua quente
    Silêncios que só eu ouvi

    Nos pés descalços gruda o cheiro gorduroso
    Que vem pelo ar sem avisar
    Algum vizinho fez festa, será?
    Orvalho misturado com pedaços de almoço

    Criei minha própria tempestade
    Numa taça de cristal tão frágil, tão limpa
    Trincada por raios e trovões, sobrevivi

    Nem me dei conta que meus pés não estavam no chão
    Boiei em bolhas de champagne
    E esperei o arco-íris surgir


    by Tina Teresa

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  • [Silêncio]

    [Silêncio]

    Não, eu não sei de nada
    Não pergunte se sinto saudade
    Não banalize a palavra
    Não espere que minha liberdade
    Seja motivo de piada
    Minha boca machucada
    Falou maldade
    E a segunda-feira virada
    Brincou com a afinidade
    Desculpe, minha mancada
    Não era só amizade
    Não chore debaixo da escada
    Não chame meu nome pela metade
    Não me espere até a madrugada
    Não minta sua idade
    Porque eu não quero saber de nada
    Não quero fazer sua vontade
    Não quero cama nem roupa lavada
    Não sonho intimidade
    Nem aguardo com a porta fechada
    Eu valorizo a verdade
    Mesmo acreditando em conto de fada
    Pois pouco importa a realidade
    Se a lua me olha na sacada
    Se a rua me invade
    Não, eu não sei de nada
    Foi sacanagem
    Não importa se caneca estava quebrada
    Não tema a coragem
    Nem mantenha sua boca calada
    Porque cada palavra vale por toda a paisagem


    by @DiaboliqViolet

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