Eu quero muito. E isso me move.
Entendo que nem todo querer é viável.
Entendo que a gente se acostuma
e o querer se transforma numa utopia,
num sonho inatingível,
num amor platônico
que paira numa realidade inventada.
Mas continuo querendo.
Mesmo sabendo
que nem todo o ter traz felicidade,
que nem todo o ter é pra ser,
que querer demais pode desequilibrar,
desestabilizar, desconcertar.
Talvez coisas, pessoas ou momentos
também tenham seus próprios tempos,
suas próprias segundas-feiras…
e cruzar nosso caminho seja escolha alheia
e não nossa.
Decisão comedida
de um fragmento de vida
que dura o que tem que durar
e perdura no que fica,
seja memória ou saudade,
experiência ou liberdade,
aventura ou sinceridade.
Em verdade não temos nada.
Breve efemeridade.
Tempo a tempo. Cumplicidade.
Porque a gente se acostuma,
mesmo que seja a não se acomodar.
Mas quando vem a necessidade
de pisar na embreagem,
o pé esquerdo nem se dá conta,
já que há tempos só descansa,
não afronta.
E a marcha não engata,
a cabeça trava,
o carro não anda,
o mundo não gira,
a gargalhada pira
e o que um dia foi rotina
precisa voltar à tona.
E eu continuo querendo.
Mesmo que tropeçando,
caindo, trottoando.
Assumindo incertezas,
aceitando ignorâncias,
desejando novas conquistas,
desenhando novos sonhos.
Aprendendo e desaprendendo.
Criando e desconstruindo.
Chorando o risco de ver sumir no ar
existências tão lindas.
Mesmo querendo sempre,
a felicidade de viver esse tempo
que é só meu me consome em caldas.
Porque minha paz é inquieta e insegura
mas me acalma,
me transcende,
me acende e,
parece que não,
mas me entende.
Numa certeza mansa,
uma presença que encanta.
Eu quero estar aqui.
Cada vez mais.
E isso é o máximo.
É belo. É pleno.
Sem veneno, só chocolate.
Que derrete na boca,
lambuza a roupa
e brinca com minha vaidade.
–
by @DiaboliqViolet