Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

drama

  • [Onde o coração está]

    [Onde o coração está]

    Sempre duvidei da tua perfeição
    E do teu mundo paralelo
    Emoldurado por palavras
    Entre o coral e o amarelo

    Duvidei do coração
    Pelo quanto de nós que você esquecia
    Cada vez que o sono fugia
    E abocanhava tua podridão

    Duvidei das nossas prioridades mundanas
    Tantas vezes irônicas
    Julgamos ser o que mais desejamos
    E nos perdemos num ciúme insano

    Duvidei do nosso querer insaciável
    E das tuas fantasias eletivas
    Escolhi mudar o imutável
    Pra sentir aquele frio na barriga

    Te fiz nobre
    Te fiz rato
    Pensei ser forte
    Ardi no asfalto

    Duvidei que teus versos
    Trariam lágrimas
    A meus olhos decrépitos
    Sorvendo páginas e páginas

    Enquanto teus livros fétidos
    Ganhavam prateleiras
    E cabeceiras
    De amantes céticos

    Duvidei da segunda-feira
    E da minha vida alheia
    Sobrevivi, mesmo feia
    Senti na veia

    Porque se lar é onde o coração está
    Com você o meu não tinha onde morar

    Duvidei da verdade
    E da pseudo liberdade
    Que você me dava
    Encolhendo minhas asas

    Se foi timing ou desatino
    Tracei meu novo destino
    E aprendi a amar teu conflito
    Que hoje apenas admiro

    Eu sei, eu consigo

    Pois do teu talento
    Ah, do teu talento
    Deste eu nunca duvidei
    Cedi meu tempo
    Perdi um pouco do jeito
    Sambei na cara do respeito
    Aprendi na marra, bem feito
    Desenhei um mocinho
    Pra descasar do bandido…

    E foi então que me encontrei


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Desenho em garrafa do projeto Toka, da designer e ilustradora portuguesa Marta Carvalho, que seleciona e desenha em garrafas vazias usando uma caneta do tipo Posca.

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  • [Jardim]

    [Jardim]

    Você e seu jardim
    Um olho na terra
    Outro no jasmim
    Queria uma festa
    Pra bailar sem fim
    E fazer teus dois olhos
    Se virarem pra mim

    Fico aqui tão desmedida
    Tanta coisa borbulhando
    Ainda pra ser dita

    E você aí, todo enterrado
    Desde sei lá quando
    Desbravando raízes
    Descobrindo enquantos
    Talvez sonhando
    Com vivaz matizes

    Tenho ciúme das suas flores
    Que bebem suas lágrimas
    E mastigam minha dores

    Um dia ainda quero ser flor
    Assim, do nada e por tudo
    Pra ganhar o seu calor
    Me despetalar de amor
    E morrer dentro dos seus olhos

    Numa segunda-feira qualquer
    Seja como for


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: O JARDIM DO MONGE WU, uma pintura de Fernando José Karl.

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  • [Diálogos] – parte 2 – de mim pra ti de novo

    [Diálogos] – parte 2 – de mim pra ti de novo

    Adoro buscar no teu coração
    A batida dos nossos diálogos
    A despeito de toda desconfiança
    De todo afago, de toda cobrança
    De todos os segredos polvilhados no tempo
    Destruídos por palavras alheias
    Mas reinventados em versos estreitos
    Que escrevo deitada em teu peito
    Enquanto o timbre do teu cheiro
    Inunda meu sonho inteiro
    Feito geleia de amora no pão de centeio

    Adoro tua densidade fugidia
    Que vai do gostar ao tanto faz
    E paira entre o impecável e o problemático
    Numa indefinição temporária fugaz
    Segunda-feira tardia

    Adoro tua imperfeição
    E teu deslumbre disforme
    Que me ensina coisas tão simples
    Como o convívio com meus cabelos surtados
    E com tua impaciência incólume
    Cheia de contradições e discursos decorados
    Ancorados no subsolo da memória
    Das tuas verdades distorcidas
    E da tua vida distraída

    Adoro nossos diálogos
    E nossos dias
    E nossos logos
    E nossos esforços
    Que inundam nossos olhos
    E cuidam para que a ligeireza
    Não atrapalhe a precaução
    Nem contamine nossas juras
    Ou nossas curas
    Ninguém tem culpa
    Minha escolha, tua desculpa
    Tua música, minha decisão


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Romain Gérard: Speech balloons | Classwork by Romain Gérard (2TID2) at HEAJ (Haute Ecole Albert Jacquard, Namur, B): graphic research inspired by Saul Steinberg’s work.

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  • [Diálogos] – parte 1 – de mim pra ti

    [Diálogos] – parte 1 – de mim pra ti

    Adoro te ver na penumbra
    E sentir teu cheiro de sol
    Adoro repousar no teu ventre
    De segunda a segunda
    Enquanto teu peito chia
    Feito rádio fora de sintonia
    Misturado ao barulho do mar
    Ecoando na tua barriga fria
    E fazendo dobras no meu lençol

    Adoro acordar do teu lado
    E trocar cochichos descompassados
    Enquanto a redundância mista tua
    Faz gentilezas sobre a alma minha nua
    Domingo, dormindo, subindo pelas paredes
    Zunindo, saindo, entrando, pedindo
    Expelindo sonhos e coletando encontros
    Desejos perdidos em canções ardentes
    Enquanto que o que existe, resiste
    E as cordas da viola choram tuas dores
    Para além da saudade e dos outros amores

    Adoro nossas impressões compartilhadas
    Nossas figuras de linguagem atravessadas
    Nossos diálogos desritmados
    Sem preferências estrábicas
    Definidas por convenções limitadas
    Ou por opiniões repartidas
    Numa curiosa simetria
    Dissimulada por tua respiração arredia
    Mergulhada no silêncio da noite
    Abafada por teus extremos
    E pelos teus risos altos
    À espera do dia seguinte
    E de todos os dias outra vez
    Tua voz na minha tez
    Destino atroz que te refez


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Styven Magnes: Speech balloons | Classwork by Styven Magnes (2TID1) at HEAJ (Haute Ecole Albert Jacquard, Namur, B): graphic research inspired by Saul Steinberg’s work.

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  • [Desenho]

    [Desenho]

    Deixa, vai, só um pouquinho
    Prometo que não vai doer
    É só um risquinho, você vai ver

    Deixa eu te pintar
    Com meu cheiro de sossego

    Deixa que o toque, o suor e o enfoque
    Nos enforque, nos troque, nos mostre

    Deixa, vai, tem que ser agora
    Quero te marcar
    Te invadir, te dedicar
    Quero te escrever
    Com minha letra viciada
    Te entorpecer
    Fumaça borrifada
    Suspiros azuis
    Teu vento é meu sustento
    Teu tempo me devora

    Deixa eu te desenhar
    Numa prece sincera
    Na beira da minha janela

    Deixa, vai, de segunda a segunda
    Eu te desenho e você me inunda

    Meu coração é feito de tinta
    Eu te desenho e você me pinta

    Deixa eu te rabiscar inteiro
    Com todos os meus devaneios
    Deixa eu te carimbar
    Com meu dasatino
    Vem ser meu destino

    Sou menina e traço poemas
    Se eu te desenho,
    É você meu menino?


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Emptying Gestures by Heather Hansen, a contemporary performance artist and dancer in New Orleans, who has come up with an elegant and creative way to capture her dancing motions on paper – she gets up-close and personal with a big piece of paper and some charcoal.

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  • [Suspiro]

    [Suspiro]

    Duelo desconcertante
    Rosto amendoado
    Segunda-feira errante
    Olhos abafados

    Cabelos de algodão
    Atalho machucado
    Sorriso inebriante
    Sol gelado

    Melodia exclusiva
    Trovoadas e raios
    Nostalgia lasciva
    Amanheço e desmaio

    Dilema equivocado
    Berço de flores negras
    Lágrima inflama
    Desejo boceja

    A vida me chama
    Me abriga, me beija
    Me tortura, relampeja
    Duvido do teu enredo

    Mas não tenho medo
    Teu drama na minha cama
    Me consome, me reclama
    Me pede, me ama

    Me impede, me demora
    Me acorda em soluços
    Acorde lusco-fusco fora de hora
    Reflexo, refluxo, agora

    Te meço, te busco
    Te duvido, me perturbo
    Caio no sono
    Te amo no susto

    Seria monótono
    Se não fosse brusco
    Haveria dúvida
    Se não tivesse pulso

    Minha saliva, tua música
    Palavra pausada na rua
    Ainda resta a dúvida
    Saudade amarrotada

    Seria justo?
    Te quero absurdo
    Assim doce, assim puro
    Um pouco torto, um pouco surdo

    Se ainda te duvido
    É porque te amo, te juro
    Te espero, te curo
    Te quero, me embrulho

    E tudo o que eu não te digo
    Paira no abismo… (*suspiro*)
    Onde pulei contigo
    Até o fundo


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Hug by passavodiquipercaso

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  • [Pode ser lambretta]

    [Pode ser lambretta]

    Logo vi que de forte não tenho nada… não tenho vaga na calçada, não como bolinho com mostarda nem apareço na sua lembrança da noite passada… Pois é, só que a carne é fraca… mas não há de ser nada, não. Pode ser que eu chore, pode ser que eu volte, pode ser que eu quebre a cara.

    Eu to de bota e to de boa, mas não pense que fico à toa ainda por muito tempo… Pode ser que a espera vire desprezo. Pode ser que você mesmo não me escolha. Pode ser que a folhagem morra e que a paisagem encolha. Pode ser que eu me arrependa, pode ser que você me renda.

    Queria agora poder olhar na sua cara e entender porquê você só me ama quando está na minha casa. Porquê você me leva na manha, me arranha e me abraça forte quando vai embora. Queria saber porque você não me chama se é pra mim que você reclama quando pesadelos povoam sua cama.

    Cansei da sombra, cansei da água, cansei da perna dobrada. E do braço cruzado, da panca de otário, do copo quebrado. Cansei de cair de barriga. Cansei de guardar lugar na fila. Cansei de remar, de sonhar, cansei de olhar pro lado e te ver ali embriagado caçando sorrisos mofados.

    Quem você pensa que é? Qual o seu disfarce quando conversa comigo sobre cenários e abismos, sobre glossários e eufemismos, sobre salafrários e casos ambíguos? Confio no seu umbigo. E no seu discurso frenético. Mas pode ser que seu tempero cético não queira nada sério.

    Que patético!

    Pode ser que eu solte o que me amarra. Pode ser que eu cresça, pode ser que eu inverta minhas certezas. Pode ser que eu entenda que suas prioridades não têm lugar pra minha agenda. Pode ser que na segunda-feira você me prenda. Pode ser que eu compre uma lambretta. Pode ser que você me perca.


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

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    ilustração deste poema:
    Efeito sobre photo de Emerson Alexandre

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  • [Vestida de flores]

    [Vestida de flores]

    Visto-me de flores
    Pra te encontrar
    Perfumo sabores
    Provo cores
    Troco promessas por tenores
    Pra você não tergiversar

    Escondo dores
    Pra te fazer sorrir
    Rabisco poses
    Ensaio pequenos tremores
    Aperto o passo nos corredores
    Pra você não fugir

    Apago temores
    Pra te abraçar
    Desenho acrobatas e aviadores
    Desfilo sonhos e amores
    Disfarço pudores
    Pra te encantar

    Visto-me de flores
    Pra você me despir
    Desprendo-me do ir e vir
    Até teu beijo me invadir
    Reinventar meu devir
    E me nutrir

    Vestida de flores eu chego
    Misturada a teus enredos
    Coberta por pétalas e medos
    Descobrindo desejos
    Exalando aromas estreitos
    Segunda-feira eu tento…

    Vestida de flores eu quero
    Teu presente mais sincero
    Camuflado num buquê de alface
    Ou escondido num castelo
    Pra te encontrar sem disfarce
    Vestida de cetim belo e efêmero

    Roupa que se desfaz
    Cenário que jaz
    Pra te descobrir
    Te dobrar, te colorir, te seduzir
    Te inserir na minha rotina fugaz
    Pra segunda-feira fruir



    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Art by @grace_ciao

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  • [Sober]

    [Sober]

    Hoje eu espero, prometo
    Tenho pensado demais
    Sonhado demais
    Sofrido demais
    Suspirado demais
    Pirado demai

    Não posso absorver teus problemas
    Nem quero aceitar teu destino por pena

    Você me deixa em quarentena
    E não me inclui na tua arena

    Não quero supor que essa correria
    É o que te impede de me ligar
    Pra conversar ou me agradar
    Pra eu divagar

    Não quero depor contra o tempo
    Nem contra teus argumentos

    Não quero assumir a possibilidade
    De tua presença ser apenas
    Só mais uma passagem
    Pra me ensinar a admirar a paisagem
    Enquanto o mundo da voltas
    Ao redor da tua coragem

    Hoje eu espero, prometo
    Espero teu bom dia
    Pra desconstruir tua postura arredia
    Espero ser tua escolha primeira
    E postergo a realidade
    Até a próxima segunda-feira

    Não quero ficar sozinha na sexta à noite
    Não quero puxar a cordinha sem saber onde descer do ônibus
    Não quero te ver se perder por outrem
    Não quero te ter só quando lhe faz bem

    It’s Monday and I’m sober
    Sóbria da tua frieza

    Seria proeza demais esperar
    Pela alegria e pela tristeza
    Se não te vejo ter certeza
    Hoje eu espero, but it’s over

    Cocei demais meus pensamentos
    Sigo sóbria sem fundamento

    Cocei até tirar sangue
    Pensamentos em pane

    Hoje eu espero, não temo
    Deixo as ondas quebrarem minha cabeça
    Deixo o sal verter em lágrimas
    Deixo a alma virar tormento

    Mas antes que eu me esqueça
    Antes que eu me perca
    Antes que só a lembrança permaneça
    Sigo sóbria sem sentença

    Hoje eu espero por menos
    Menos saudades dissimuladas
    Menos vontades, mais virtudes
    Menos ondas quebradas, mais altitude
    Menos fronhas amarrotadas
    Mais atitude

    Hoje eu só quero
    Ficar sóbria por inteiro


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Art: surreal portrait series blended into landscape photos by Antonio Mora

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  • [Super]

    [Super]

    O céu fechou em riste
    Choveu em teu semblante triste

    Deixou tudo escuro
    Inundou teu coração impuro

    Até que era bonito
    Pra não dizer esquisito

    Teus demônios em luta
    Numa poça d’água funda

    Eternidade disfarçada
    Afogada na calçada

    Esperando a luz voltar
    Esperando o sol brilhar

    Pra eu poder compartilhar contigo
    E entender os teus motivos

    Tava tudo indo tão bem
    Mas o céu fechou em riste, meu bem

    Nos teus olhos d’água eu vi
    Feridas encharcadas so sweet

    Feridas vertidas em sal e poeira
    Ardendo, arranhando, rasgando tua vida inteira

    Chorando na frente do espelho
    Entre a abstinência e o vermelho

    Na sobra da segunda-feira seca
    Tua sombra cicatrizou tão lenta

    Pro mundo girar sozinho um pouco
    Pra tudo fazer sentido louco

    Será?

    Tem muita coisa pra superar
    Tem muito super pra descoisar

    Tem muita água pra rolar embora
    O céu fechou em riste e foi agora

    Mas vai passar

    Você é super e tá machucado
    Deixe a tempestade esvaziar teu passado

    Super limpo, super lindo
    De peito aberto, cravado de infinito

    Super forte, de toda a sorte
    Metáfora de morte

    Pra tua dor derreter
    Pra eu entender o teu ok


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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    Art: Superman in powerwashing

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  • [Vontade inventada]

    [Vontade inventada]

    Sigo dormindo, acordada, chorando, viajando ou rabiscando nas suas costas com minhas unhas macias de segunda a segunda enquanto você sonha (ou não). Sei lá se você desconfia…

    Acredite você ou não, entenda ou não, aceite ou não… Eu sigo… E sinto uma vontade danada de trazer teus passos lentos direto pra minha armadilha. E quando eu sinto a tua pele, então? Sai faísca de mim… Ah, você sabe… Mas… E se for mentira?

    Daí você aparece com esse sorriso largo improvisado, me olha de cantinho, meio de lado, e quando eu percebo eu te quero. E quero tanto que chega a doer e claro que rola um medinho gelado. Seja segunda-feira, seja meu casaco bordado, seja meu grito abafado.

    E eu fico cuidando pra não transparecer, pra não atropelar o destino, pra não mudar teu rumo ou direcionar teu caminho… Mas a verdade é que mesmo que as esquinas que você cruzou sem mim tenham roubado muito de você, eu não me importo de ficar com o que ficou. Acredito que tuas sobras são muito mais do que já me pertenceu e, junto com as minhas, formam mundos ainda mais belos e mais sinceros.

    Então… vem comigo. Vem que a gente traça novos rastros para os teus sonhos que se perderam. Porque eu to cansada dessa montanha-russa de gente na minha vida querendo sumir como se nunca mais fosse voltar e depois voltar como se fosse ficar pra sempre… e não ficar. Eu to cansada. E eu tenho vontade. E eu não quero mais nada que não seja você. Eu quero desenhar junto seja lá o que for, seja lá o que der, do jeito que a gente quiser.

    Talvez você sequer exista. Mas mesmo inventado você ainda é tudo e demais pra mim. O que não existe me pertence? O que eu invento é present tense? Eu trago um gole de café e te ganho com um pedaço de queijo… E te amo, te afago, te invento, te beijo. E te atento tanto que você, mesmo indiferente, de repente… Não, não se despeça, ainda estamos pendentes. Falta o meu presente, falta aquela promessa… Falta aquela vontade inventada de amar eternamente.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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    Illustration by Barbara Ana Gomez, inspired by the song ‘Sophia’ (Laura Marling) > and posted in her colection Illustrated Songs.

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  • [De graça, nada]

    [De graça, nada]

    Nada vem de graça. 

    Nossa vida é uma constante transformação, momentos de paz e equilíbrio nos invadem, a segunda-feira vem toda a semana fazendo alarde.

    De repente parece que a rotina não tem graça e um choque de realidade, de pura maldade ou falta de maturidade nos confronta. Então tudo contrasta.

    Quando isso acontece, a acidez nos abraça e o instinto toma conta. Daí a visão se livra da neblina que nos afronta e o aconchego nos abandona.

    Mas é bom. Ignorance is a bliss. Conhecimento dói. Saudade corrói. Palavras ditas docemente criam promessas e desejos inconsequentes. E tudo se despedaça.

    É uma pena que você faça pirraça. É uma pena que nossos assuntos pendentes fujam do presente e se evaporem na vidraça dos nossos sonhos, feito fumaça…

    De ofegante, teu beijo virou tratante. Parecia passeio na praça. Ou na praia, numa agenda falsa. Virou desgraça. Passa ou repassa? Nada vem de graça.

    Mesmo que eu culpe aquela maquiagem frustrada ou a noite lotada de olhares tensos e desencontros intensos.

    Mesmo que uma simples fotografia seja motivo de agonia pelo brilho combinado entre o gole trocado e o pecado anunciado.

    Ou que o recado deixado fira feito adaga atirada nas costas que doem, machucadas. Se a noite é uma criança, que dizer da madrugada?

    Talvez a roupa amassada ou a toalha jogada sejam cartas marcadas. Ou só mais uma rodada, uma aposta inebriada. Uma ameaça atravessada por um oceano de trapaças.

    Do que você acha graça? Você pensa que um “bom dia, gata” disfarça? Você pensa que o teu cheiro grudado no meu travesseiro ainda te aguarda?

    Prepare o vinho que eu levo a taça. Ofereço um brinde à escolha nefasta. If it was a tinder, you better whatch out. #Simplesassim: nada vem de graça.

    Mas ainda há graça nas mancadas do destino. Não economize sorrisos nem esconda essa mágoa isolada sob uma capa mágica. É bom soltar as lágrimas. Tudo passa.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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