Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

poesia

  • [Winter is coming]

    [Winter is coming]

    Essas estações invertidas deixam a gente confusa.
    Já era para usar sandálias,
    mas as botas de cano alto
    ainda fazem parte dos meus looks. 

    E a sensação de rumar ao inverno me confunde.
    Eu já deveria ter largado as gotinhas pra rinite,
    mas como the winter is coming, não consigo desapegar.
    E prendo-me ao vício enquanto a respiração tranca.
    E destranca ideias. 

    Não, eu não tinha que estar fazendo isso agora,
    mas o friozinho me apetece.
    Dedos gelados digitam mais rápido.
    Seria legal se você não ficasse tão na beirada da cama. 

    Quer saber, vou deitar de ponta cabeça
    enquanto te observo se vestir
    fazendo poser de super hero. 

    Pode rir se eu me escondo debaixo do edredom.
    E fico esperando a segunda-feira chegar.
    Pode virar. Pode morder.
    Já não sinto mais frio. Já respiro.
    Já retiro as unhas das suas costelas.
    Você já saiu, mas ainda sinto arrepios. 

     –
    by @DiaboliqViolet

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  • [Entre trocas e sonhos]

    [Entre trocas e sonhos]


    À medida que another panic monday se aproxima, meu receio de que o dia não fosse grande o bastante para todos os meus sonhos tirava meu sono. 

    Como sonhar sem dormir? 

    Como relaxar e dormir se tantos sonhos me povoam? 

    Como esperar a segunda-feira me ferir?

    Já sei, vou aproveitar para levar o lixo pra fora. Não, o zelador só abre a portinha às 8h. Como assim, são apenas 3h? Dorme, criatura. Trocar a roupa de cama logo que levantar, dará tempo? 

    Quero tanto colocar a fronha do conjunto do edredom novo que eu ainda não usei… E as neosaldinas que eu comprei da última vez? Já tomei todas e não lembro? Guardei em algum lugar, só pode. Mas onde? Será que ficaram na bolsa vermelha? 

    Não, não vou levantar pra ver isso agora. Senti dor de cabeça antes de dormir. Senti fome também. E preguiça, muita preguiça. Tive vontade de dormir cedo, mas não fui. E ainda assim fico acordando de tempo em tempo confusa por não ter o que planejar. 

    Sério. 

    O domingo foi intenso, ainda sinto o cheiro. Se o que eu queria que fosse já tinha sido, o que esperar? Começa logo, dia tenso. 

    5h ainda? Vou meditar. E me ditar alguns sonhos só pra ver no que dá. Lençóis cinza vão combinar. 

     –
    by @DiaboliqViolet

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  • [Mistério]

    [Mistério]


    Se escrevo é porque tenho
    O tempo na garganta
    A intensidade nas mãos
    E sorriso de criança

    Se escrevo é porque tento
    Segurar o infinito
    Apertar o grito junto ao peito
    E abrir qualquer pedaço restrito

    Se sonho é porque quero
    Que a segunda-feira venha
    E traga afago, traga renda
    Na neblina desse mistério


    by Tina Teresa

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  • [Preguiça]

    [Preguiça]

    Gosto de você, mas

    O que posso fazer?

    Suas escolhas o definem

    E reprimem

    Seu desejo de ter-me

    E parece um crime ver-me

    Poderia ser bom

    E divertido

    Estaria você perdido?

    Ou iludido?

    Ou apenas decidido a não pular?

    Será que o tempo vai trazer

    Seu beijo pro meu colo?

    Ou sua vida pro meu mundo

    Profundo

    Sutilmente

    Lentamente

    Num salto latente

    Segunda-feira, de repente

    Sem sono nem medo

    Com seu gosto morno

    Pedindo aconchego

    E sorrindo

    Curtindo

    O que seus olhos nublados

    Prometeram um dia

    Sem pensar?

    Acho que você até sonhou magia

    Mas a deixou de lado

    Dominada

    Por uma preguiça arredia

    Pura melancolia

    Que me fere

    Sem ao menos contar-me

    Ou sequer lembrar-me

    Que você também queria

    Brincar de fazer poesia

    Com meus cabelos de jasmim 


    by @DiaboliqViolet

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  • [Alma calma]

    [Alma calma]

    Nem precisa um turismo por dentro de mim
    pra saber que minha alma não é calma.
    Tranquila, sim; equilibrada, um pouco;
    coerente, certamente;
    desatinada, sempre.

    Mas calma, nunca. 

    Guardo risadas que não dei,
    lágrimas que não derrubei.
    Vou lavar os cabelos e já volto,
    algo que eu comi pesou no estômago,
    vai virar rotina isso agora? 

    Segunda-feira não demora.

    Vou tomar água
    enquanto falo em letra cursiva,
    pra ninguém entender. 

    Tanta gente me quer bem,
    tanta gente que nem vem,
    tanta gente que aparece
    e a festa corre solta,
    vamos brincar de quermesse?
    Vamos saltar nuvens?
    Vamos voar e sair de dentro da gente,
    brincar de para-pente
    e espalhar pasta de dente? 

    – by @DiaboliqViolet

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  • [Ela | Ele]

    [Ela | Ele]

    Se há momentos em que tudo cansa,
    aquele era um deles:
    tudo tão mecânico e previsível
    que o pensamento abandona o corpo. 

    Não entendia o alcance das palavras
    que diziam cuidar de mim. 

    Do canto do quarto,
    a cena era angustiante e lastimável.
    Parecia um filme leviano
    já assistido uma dúzia de vezes;
    um filme com final incerto
    guiado por uma aterrorizante monotonia. 

    Os corações pulsavam juntos,
    mas em direções e talvez
    por motivos diferentes.
    Por horas.
    Horas que aguardavam
    apenas só mais um pulsar de ponteiros
    para a decisão aterradora. 

    Segunda-feira avassaladora.

    Penso que os homens
    que deitaram sobre o meu corpo
    não sabiam qual era realmente
    o valor do meu pudor. 

    Seus desejos ocupavam os espaços
    entre os ponteiros que pulsavam. 

    A gentileza é necessária,
    como o carinho, o adorno, o afago. 
    Tanto quanto o abraço, o esforço,
    o esmero, o suporte, o estofo.
    Gentileza é um sopro, um toque,
    um espasmo, um grito.
    E paz.
    Assim como o fogo.
    E a guerra. 

     Estar vivo é estar em conflito permanente,
    produzindo dúvidas e certezas questionáveis. 

    A gente aplaude quando gosta,
    questiona quando se sente atordoado
    e lamenta quando as expectativas não são atingidas. 

    No dia-a-dia a gente enxerga tendências,
    capta informações únicas
    e vivencia momentos puros. 

    Mas o difícil e atraente é captar a essência,
    o dinamismo e o significado de cada gesto,
    compostos por diversas sintonias e linguagens. 

    A gente sofre querendo e buscando,
    e também corre o risco
    de sofrer ainda mais com o resultado.
    Seja ele positivo ou negativo. 

    Quando queremos obstinadamente alguma coisa
    parece que ela está sempre distante,
    de um jeito ou de outro.
    Entretanto, o desejo ardente evoca fantasmas:
    insegurança, medo, fraquezas, responsabilidade. 

    É preciso estar preparado para o fim de uma história,
    ou, para o começo de outra.
    Afinal, o que fazer com o resultado? 

    A questão é que experiências ruins existem,
    fazem parte da nossa existência, sim.
    Só assim aprendemos a fazer boas escolhas,
    ganhamos esperteza e destreza
    perante as coisas da vida: vivendo.
    Mudamos de idéia, nos surpreendemos às vezes,
    nos decepcionamos outras.
    E ninguém deve ser responsabilizado
    pelas nossas más escolhas. 

    É graças a experiências ruins
    que nos deleitamos com
    (e valorizamos) as boas.
    Elas não devem e não podem
    ser evitadas. 

    Todo mundo é a favor de mudar e inovar,
    mas pouca gente está disposta
    a afastar-se da zona de conforto
    e assumir os riscos. 

    E daí diariamente a gente afunda,
    sem se dar conta,
    no traiçoeiro terreno movediço da irrelevância.

    Segunda-feira tansa. 

    É uma fuga, sim.
    Do destino, do presente, da angústia, do impensável.
    Enquanto isso, os ponteiros pulsam. 


    by @DiaboliqViolet

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  • [Sobre nós]

    [Sobre nós]

    Levo horas
    desatando os nós
    dos meus cabelos,
    diariamente. 

    Lavo horas.Tantos nós.
    Nós diários. Nós na mente.
    Pensamentos, pensa mente.
    Enozadamente. 

    Enozada mente. 
    Segunda-feira latente.

    Nós que travam dedos.
    Entre nós. 

    Se tenho segredos,
    os guardo entre nós.
    Porque se dali os solto,
    é pela minha pele
    que eles deslizam. 

    Entre cachos.
    Sobre nós.
    Sobre a chuva morna
    que bagunça
    esses fios cor de mel.
    Chuva sem céu. 

    Ah, esses nós!
    Que lavam mágoas
    e levam histórias árduas
    por entre águas
    que escorrem entre nós. 

    Banhe-se comigo
    e sinta os dentes do pente
    desatando os nós
    dos meus cabelos
    que bailam feito serpentes
    sem destino.
    Breve desatino. 

    Quantos nós
    unem essa dança? 

    Seriam feiticeiras
    minhas madeixas? 

    Quais dentes as soltam?
    Meu pente?
    Ou sua boca caliente
    mordiscando segredos
    debaixo do chuveiro? 


    by @DiaboliqViolet

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  • [Tédio]

    [Tédio]

    Tédio? Como assim?
    Pisco de leve enquanto o pisco
    desce garganta abaixo.
    Não leve nada não.
    Nem economize sola de sapato.
    Passos leves pouco importam.
    O tédio espera do outro lado da porta,
    mas ela não se abre.
    Nem convida a entrar nem nada.
    Nado eu, nesse gole de madrugada.
    Nessa segunda-feira abafada.
    Pisco Sauer. Saio leve. Saia voa.
    Não me leve na garoa.
    Pisco um sorriso. Pesco à toa.
    Te levo até a proa.
    Porque o tédio não tem lugar
    nessa dança boba.
    Descubra-se. Questione-me.
    Que porta é essa que não se abre?
    Abra seu coração.
    Não abra a guarda, mas guarde a chave.
    Disfarce.
    Não há tédio que desagrade tamanha desilusão.
    Adrenalina na contramão.
    Cadê a chave do seu coração?
    Vem pular na chuva, não solte a minha mão.
    Fique com a chave você.
    E lembre-se que tudo pode acontecer.
    Ou não.
    Não há tédio que vença tanta alteração.
    Não sou eu quem clama atenção,
    é a vida que me puxa e me joga,
    que me torce e desafia,
    que me pira, me gira, me irradia
    de noite e de dia.
    Tédio, pisca pra mim.
    De longe te aceno, venha sereno,
    que o orvalho me entorpece. 
    Segunda-feira mais ou menos.

    by @DiaboliqViolet

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  • [Entre nós]

    [Entre nós]

    Eu quero um romance

    Você solta uma piada

    Eu volto a página

    Você diz que não foi nada

    Me visto de mulher

    Você se faz de menino

    Eu guardo minha infância

    Você se mostra mais criança

    Um cinema…
    Um poema…

    Eu apago a luz

    Você acende o abajur

    Meus olhos abertos

    Sono batendo

    E você na página cinco

    Minto, nem sei.

    Decoro o seu ‘Bom dia, Amor!’

    Você desatento cruza a porta

    Eu sei o seu dia

    Eu conheço o seu perfume

    Eu traço o seu traço

    Eu te acordo com os meus abraços…

    Segunda-feira eu passo

    Você corre para o ataque

    Você aumenta as desculpas

    Desenha a saudade
    e pinta os meus beijos

    Descobre as minhas lágrimas,
     mas cuida dos meus medos…

    Se eu procuro uma sexta

    Você torce pelo domingo

    Sofá, futebol, Playstation…

    Mas, se eu vejo um filme mais de uma vez

    Se eu acredito nas estrelas

    Se o pôr-do-sol se faz de bonito para nós

    Se as margaridas têm mais bem-querer
     do que qualquer outra coisa…

    Eu sei que vejo em cores,
     o que você imagina em P&B…

    Não há almas gêmeas.
     Existem almas que se entendem…

    E (não) gemem por pequenos detalhes.
     Nós dois assim meio ao avesso:

    ao meu gosto
    ao seu pitaco

    ao meu cheiro
    ao seu prazer

    entre nós. 


    by @DiaboliqViolet

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  • [Fim de semana na cama]

    [Fim de semana na cama]

    Comida, TV, literatura, sexo.
    Conversa, conexão, troca, nexo.

    A ponto de querer saber e contar tudo.

    Abordagens, vínculos, interação, papo perplexo.

    Parceria, cumplicidade, desejo, beleza, alegria.

    Inteligência, sinceridade, cuidado, reflexo.

    Emoções nada racionais: sedução, surpresa.

    A ponto de não importar mais nada. Gentileza?

    Sol lá fora, calor aqui dentro, não leve embora meu pedaço azul de céu.

    Não deixe minha tez sem tom, sem som sem essa doce cor de mel.

    Soninho bom, ventilador no cabelo, deitada, pelada.

    Fim de semana na cama.
    Segunda-feira adiada.
    Adocicada. 


    by @DiaboliqViolet

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  • [Leviandade]

    [Leviandade]

    É, eu sei que sou séria quando quero, o problema é conseguir ser séria em momento lúdico, em que o perfume que ele usava, para que todos sentissem, não estava sendo sentido por outra pessoa naquele momento a não ser por mim.

    Leviandade? Pode ser. Mas… Se a gente nunca se esquece de andar de bicicleta, por que parar de sentir assim tão forte, de se apaixonar e de se permitir à sorte? Se nossas memórias são armazenadas de forma difusa, trancadas num padrão de conexões entre diversos neurônios, por que não podemos ter amantes que nos provoquem sensações inesquecíveis; feromônios?

    Afinal de contas, a recuperação espontânea das nossas memórias perdidas não pode ser ignorada… E então eu deixo de pensar e flutuo, mais leve que o ar, no aroma onírico dos meus sonhos e no brilho profundo daquele olhar que alcança minha alma e me embala… E então eu me entrego e me pergunto se estou errada, mas só consigo pedir para ser mais beijada.

    Leviandade? Talvez. Mas fazer o quê se as memórias insistem em vir à tona? E olha que isso é cientificamente provado: a recuperação espontânea não é apenas possível, mas inevitável. A gente nunca se esquece de se apaixonar. Segundas-quentes, terças-confidentes, quartas-feiras, quintas-incandescentes, sextas-dormentes, sábados, domingos latentes.

    Aliás, isso deve acontecer porque ninguém consegue preservar qualquer forma de prazer nos mesmos níveis por muito tempo. A intensidade da dor ou do prazer ao longo da exposição de um mesmo estímulo tende a diminuir com o tempo; um fenômeno inconsciente chamado de psicoadaptação. Isso quer dizer que por mais que a gente queira emoções cada vez mais fortes, logo, logo a gente se acostuma. E daí a gente quer mais uma, mais uma e mais uma.

    Augusto Jorge Cury* explica que a energia emocional não é estática, mas dinâmica. Ela se organiza, se desorganiza e se reorganiza num fluxo vital contínuo e ininterrupto; assim, nossa capacidade de permanecer em estado de êxtase é limitada. Então, por conta disso, a sensação de felicidade é condicional e sem estabilidade. Mas daí ele aparece, a saudade pulsa, a boca estremece, os olhos cativam e beijo acontece. Uma amizade pode sim ser colorida e a vida, mais divertida.

    Leviandade? E por que não? Quando ele vem de mansinho e me segura com firmeza e carinho, me devolve depois ainda mais viva… Por mais que exista uma tentativa frustrante de deslocar os pensamentos inoportunos, pelo menos aqueles que queriam antever os próximos acontecimentos soturnos, eu me entrego, não nego. A lógica é consistente, apesar de parecer inexplicável. Se eu estou certa ou não; eu não sei. Se paixão é sinônimo de isenção… Será que não?

    As frustrações, as dores da existência, as preocupações cotidianas sufocam os lampejos de felicidade que possuímos. Assim… Por que ficar sempre consciente se a gente pode extrapolar e estratificar o sentimento ao menos por um breve momento? É claro que isso depende da definição de felicidade que a gente resolve adotar… Mas, o que os olhos não vêem o coração não sente, e… Às vezes, a gente fica carente. E daí a gente sente um cheiro diferente…

    Leviandade? Talvez… A biologia justifica, a sociedade abomina. De quem é a vez?

    Os olhos até mostram uma traição, mas aquele que acredita na sua própria verdade (ou mentira) não se trai com o olhar nem com a tensão. Amigos, inimigos, conhecidos, amores… A língua não se importa com o que sente o coração. E o coração não se importa com o que pensa o cérebro. Tudo é concentração. Tudo é atmosférico. Leviandade? Pode até parecer um paradoxo, mas não aposte nela sem ponderação nem sem cuidado periférico.

    Neste planeta tudo é lindo e horrível na mesma amplitude. Enquanto isso, carrego em minha bagagem muita atitude, muitos olhares ora sinceros ora injuriados, e também muitas palavras falsas. Palavras ditas, escritas, pensadas, guardadas… E, assim como Fábio de Lima**, vejo o defeito da existência pendurado na língua. Nada é perfeito sempre e é comum se perder pela língua… Ambígua… Ah… Se a gente falasse menos… Mesmo sem guardar as provas, a memória fica. E daí já é suficiente, não precisa dizer nem guardar nada; só sentir, só pensar, só lembrar… Embriagada.

    Leviandade? Qual é o problema? Se a adrenalina rejuvenesce e a rotina entedia, por que não se permitir amar a rebeldia, provocar a nostalgia e apimentar o dia-a-dia? E, se toda experiência é válida, eu vou me jogar; vem me pegar, me abraçar, me amar e se deliciar.

    Depois a gente retoma nosso cotidiano, mas sempre escapando de vez em quando e curtindo, fugindo, porque senão a gente enjoa e a vida é muito curta pra ser levada à toa. Hoje cedo li um texto da Denise Tavares*** e me surpreendi. Depois de assistir Babel sozinha, ela sente-se frustrada por não ter com quem trocar ideias sobre o filme. Na volta pra casa, o céu recém aberto depois das muitas chuvas de janeiro não revela nem estrelas, nem o cometa McNaught****, mas traz a lembrança de um amigo que de lá, do céu, talvez estivesse sorrindo de sua tristeza. E então ela conclui, com delicadeza: estar vivo é cumprir uma travessia com algum sentido e depois partir, deixando saudade para ensinar que o presente deve ser vivido com toda intensidade.


    * Tina Teresa

    • Artwork by US traditional artist Caia Koopman


    *Augusto Jorge Cury > Psiquiatra, cientista, escritor e fundador da Academia de Inteligência, um instituto que promove o treinamento de psicólogos, educadores e profissionais de recursos humanos.
    **Fábio de Lima > Jornalista e escritor ou “contador de histórias”, como prefere ser chamado. É Diretor de Programação da CINETVNET (www.cinetvnet.com.br), TV pela internet. Está escrevendo seu primeiro romance, DOCE DESESPERO.
    ***Denise Tavares > Jornalista, professora e diretora da Faculdade de Jornalismo da PUC – Campinas.
    ****McNaught > O cometa McNaught é atualmente o objeto celeste mais brilhante depois do Sol e da Lua e, em quarenta anos, é o cometa mais brilhante já visto no Brasil. Ficou visível a partir das 20h30 abaixo da linha do Equador durante meados de Janeiro/2007.

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  • [Silêncio]

    [Silêncio]

    Não, eu não sei de nada
    Não pergunte se sinto saudade
    Não banalize a palavra
    Não espere que minha liberdade
    Seja motivo de piada
    Minha boca machucada
    Falou maldade
    E a segunda-feira virada
    Brincou com a afinidade
    Desculpe, minha mancada
    Não era só amizade
    Não chore debaixo da escada
    Não chame meu nome pela metade
    Não me espere até a madrugada
    Não minta sua idade
    Porque eu não quero saber de nada
    Não quero fazer sua vontade
    Não quero cama nem roupa lavada
    Não sonho intimidade
    Nem aguardo com a porta fechada
    Eu valorizo a verdade
    Mesmo acreditando em conto de fada
    Pois pouco importa a realidade
    Se a lua me olha na sacada
    Se a rua me invade
    Não, eu não sei de nada
    Foi sacanagem
    Não importa se caneca estava quebrada
    Não tema a coragem
    Nem mantenha sua boca calada
    Porque cada palavra vale por toda a paisagem


    by @DiaboliqViolet

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