Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Suspiro]

    [Suspiro]

    Duelo desconcertante
    Rosto amendoado
    Segunda-feira errante
    Olhos abafados

    Cabelos de algodão
    Atalho machucado
    Sorriso inebriante
    Sol gelado

    Melodia exclusiva
    Trovoadas e raios
    Nostalgia lasciva
    Amanheço e desmaio

    Dilema equivocado
    Berço de flores negras
    Lágrima inflama
    Desejo boceja

    A vida me chama
    Me abriga, me beija
    Me tortura, relampeja
    Duvido do teu enredo

    Mas não tenho medo
    Teu drama na minha cama
    Me consome, me reclama
    Me pede, me ama

    Me impede, me demora
    Me acorda em soluços
    Acorde lusco-fusco fora de hora
    Reflexo, refluxo, agora

    Te meço, te busco
    Te duvido, me perturbo
    Caio no sono
    Te amo no susto

    Seria monótono
    Se não fosse brusco
    Haveria dúvida
    Se não tivesse pulso

    Minha saliva, tua música
    Palavra pausada na rua
    Ainda resta a dúvida
    Saudade amarrotada

    Seria justo?
    Te quero absurdo
    Assim doce, assim puro
    Um pouco torto, um pouco surdo

    Se ainda te duvido
    É porque te amo, te juro
    Te espero, te curo
    Te quero, me embrulho

    E tudo o que eu não te digo
    Paira no abismo… (*suspiro*)
    Onde pulei contigo
    Até o fundo


    ❝ by Tina Teresapanicmonday


    ilustração deste poema: Hug by passavodiquipercaso

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  • [Ouça-me]

    [Ouça-me]

    Ouça-me
    Com sua pele tensa
    Sua vontade imensa
    E sua boca intensa

    Ouça-me
    Com seu olhar intrigante
    Seu abraço inebriante
    E seu sorriso ofegante

    Ouça-me
    Com sua rotina quebrada
    Sua ânsia esmagada
    E sua certeza esgotada

    Tenha-me
    Com sua memória
    Sua boemia ilusória
    E sua destreza transitória

    Cale-me
    Com sua sede insana
    Sua melodia plana
    E sua voz cigana

    Ouça-me
    Com seu corpo inteiro
    Mas dispa-se primeiro
    De todo o seu desespero

    Lace-me
    Com sua culpa adormecida
    Sua barriga mordida
    E sua promessa entorpecida

    Ouça-me
    Talvez eu fale agora
    Talvez eu abra a porta
    E espante o medo embora

    Leia-me
    Com sua risada faceira
    Sua rima primeira
    Ou segunda, se for feira

    Toque-me
    Com seu universo
    Seu carinho (in)verso
    E seu tempo incerto

    Beba-me
    Estrela por estrela
    Engula cada centelha
    Da vida que me incendeia


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Art: Fluorescent landscapes painted on female bodies by artist John Poppleton

  • [Pode ser lambretta]

    [Pode ser lambretta]

    Logo vi que de forte não tenho nada… não tenho vaga na calçada, não como bolinho com mostarda nem apareço na sua lembrança da noite passada… Pois é, só que a carne é fraca… mas não há de ser nada, não. Pode ser que eu chore, pode ser que eu volte, pode ser que eu quebre a cara.

    Eu to de bota e to de boa, mas não pense que fico à toa ainda por muito tempo… Pode ser que a espera vire desprezo. Pode ser que você mesmo não me escolha. Pode ser que a folhagem morra e que a paisagem encolha. Pode ser que eu me arrependa, pode ser que você me renda.

    Queria agora poder olhar na sua cara e entender porquê você só me ama quando está na minha casa. Porquê você me leva na manha, me arranha e me abraça forte quando vai embora. Queria saber porque você não me chama se é pra mim que você reclama quando pesadelos povoam sua cama.

    Cansei da sombra, cansei da água, cansei da perna dobrada. E do braço cruzado, da panca de otário, do copo quebrado. Cansei de cair de barriga. Cansei de guardar lugar na fila. Cansei de remar, de sonhar, cansei de olhar pro lado e te ver ali embriagado caçando sorrisos mofados.

    Quem você pensa que é? Qual o seu disfarce quando conversa comigo sobre cenários e abismos, sobre glossários e eufemismos, sobre salafrários e casos ambíguos? Confio no seu umbigo. E no seu discurso frenético. Mas pode ser que seu tempero cético não queira nada sério.

    Que patético!

    Pode ser que eu solte o que me amarra. Pode ser que eu cresça, pode ser que eu inverta minhas certezas. Pode ser que eu entenda que suas prioridades não têm lugar pra minha agenda. Pode ser que na segunda-feira você me prenda. Pode ser que eu compre uma lambretta. Pode ser que você me perca.


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

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    ilustração deste poema:
    Efeito sobre photo de Emerson Alexandre

  • [Vestida de flores]

    [Vestida de flores]

    Visto-me de flores
    Pra te encontrar
    Perfumo sabores
    Provo cores
    Troco promessas por tenores
    Pra você não tergiversar

    Escondo dores
    Pra te fazer sorrir
    Rabisco poses
    Ensaio pequenos tremores
    Aperto o passo nos corredores
    Pra você não fugir

    Apago temores
    Pra te abraçar
    Desenho acrobatas e aviadores
    Desfilo sonhos e amores
    Disfarço pudores
    Pra te encantar

    Visto-me de flores
    Pra você me despir
    Desprendo-me do ir e vir
    Até teu beijo me invadir
    Reinventar meu devir
    E me nutrir

    Vestida de flores eu chego
    Misturada a teus enredos
    Coberta por pétalas e medos
    Descobrindo desejos
    Exalando aromas estreitos
    Segunda-feira eu tento…

    Vestida de flores eu quero
    Teu presente mais sincero
    Camuflado num buquê de alface
    Ou escondido num castelo
    Pra te encontrar sem disfarce
    Vestida de cetim belo e efêmero

    Roupa que se desfaz
    Cenário que jaz
    Pra te descobrir
    Te dobrar, te colorir, te seduzir
    Te inserir na minha rotina fugaz
    Pra segunda-feira fruir



    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Art by @grace_ciao

  • [Sober]

    [Sober]

    Hoje eu espero, prometo
    Tenho pensado demais
    Sonhado demais
    Sofrido demais
    Suspirado demais
    Pirado demai

    Não posso absorver teus problemas
    Nem quero aceitar teu destino por pena

    Você me deixa em quarentena
    E não me inclui na tua arena

    Não quero supor que essa correria
    É o que te impede de me ligar
    Pra conversar ou me agradar
    Pra eu divagar

    Não quero depor contra o tempo
    Nem contra teus argumentos

    Não quero assumir a possibilidade
    De tua presença ser apenas
    Só mais uma passagem
    Pra me ensinar a admirar a paisagem
    Enquanto o mundo da voltas
    Ao redor da tua coragem

    Hoje eu espero, prometo
    Espero teu bom dia
    Pra desconstruir tua postura arredia
    Espero ser tua escolha primeira
    E postergo a realidade
    Até a próxima segunda-feira

    Não quero ficar sozinha na sexta à noite
    Não quero puxar a cordinha sem saber onde descer do ônibus
    Não quero te ver se perder por outrem
    Não quero te ter só quando lhe faz bem

    It’s Monday and I’m sober
    Sóbria da tua frieza

    Seria proeza demais esperar
    Pela alegria e pela tristeza
    Se não te vejo ter certeza
    Hoje eu espero, but it’s over

    Cocei demais meus pensamentos
    Sigo sóbria sem fundamento

    Cocei até tirar sangue
    Pensamentos em pane

    Hoje eu espero, não temo
    Deixo as ondas quebrarem minha cabeça
    Deixo o sal verter em lágrimas
    Deixo a alma virar tormento

    Mas antes que eu me esqueça
    Antes que eu me perca
    Antes que só a lembrança permaneça
    Sigo sóbria sem sentença

    Hoje eu espero por menos
    Menos saudades dissimuladas
    Menos vontades, mais virtudes
    Menos ondas quebradas, mais altitude
    Menos fronhas amarrotadas
    Mais atitude

    Hoje eu só quero
    Ficar sóbria por inteiro


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Art: surreal portrait series blended into landscape photos by Antonio Mora

  • [Solar flare]

    [Solar flare]

    Meio sem querer
    Quase sem perceber
    Daqui parece tão longe
    De perto parece tão frágil
    No centro parece tão forte
    Tão quente, ardente, inconsciente
    Tão lindo, gigante, latente

    A luz que ofusca
    Esconde a busca
    Pela vida partida
    Que explode perdida
    E encontra na avenida
    Uma nova rota
    Subtraída

    Quero provocar um eclipse
    Pra tua luz me invadir
    Me vazar, me sobrar, me parir
    Pra tua voz me beijar
    Ainda com os olhos fechados
    E me embalar dançando, antes de dormir
    Pra eu seguir sonhando, antes de acordar

    Me apaixono por tua cumplicidade
    A cada passo que gente dá
    Como se as pegadas na areia da praia
    Fossem pequenas promessas
    Marcadas pelo peso dos nossos corpos
    Levadas ao mar pelo vento
    E seladas pelo firmamento

    Na velocidade que o mundo gira
    Não tem como ficar parado
    Tudo muda, tudo voa, tudo pira
    A cumplicidade, no entanto, permanece lado a lado
    Mas é preciso reinventá-la numa prece
    E cobrir a luz do sol
    Pra descobrir a explosão que verte

    Na segunda-feira a gente vê
    O que sobrou dessa explosão
    Se no final de semana a gente faz fuzuê
    Na segunda-feira a gente gruda
    Todas as memórias surdas
    E elimina a paranoia
    Antes que o cansaço fuja

    To be unremarkable for others is remarkable for me
    Just like a solar flare is how I imagine you to be
    Your voice broke my monday evening
    And everything in between
    Your heart beats my song
    Your eyes are my sky, my life, my world enough
    Please never leave me alone

    Be my atmosphere
    Let me shine
    Flare by my side
    My only sunshine
    Be Panic
    Take me to fly…
    Be mine


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

    Illustration: a look at the mid-level solar flare from Sunday, August 24th, 2014’s taken with the LASCO C2 coronagraph on NASA/ESA’s SOHO spacecraft. A coronagraph is a special type of telescope that uses a solid disk to actually cover up the Sun itself, completely blocking direct sunlight, and allowing us to see the atmosphere around. Taken 2 hours after the flare, this image allow us to see the hot plasma of charged particles being ejected towards the side of the Sun.

  • [Super]

    [Super]

    O céu fechou em riste
    Choveu em teu semblante triste

    Deixou tudo escuro
    Inundou teu coração impuro

    Até que era bonito
    Pra não dizer esquisito

    Teus demônios em luta
    Numa poça d’água funda

    Eternidade disfarçada
    Afogada na calçada

    Esperando a luz voltar
    Esperando o sol brilhar

    Pra eu poder compartilhar contigo
    E entender os teus motivos

    Tava tudo indo tão bem
    Mas o céu fechou em riste, meu bem

    Nos teus olhos d’água eu vi
    Feridas encharcadas so sweet

    Feridas vertidas em sal e poeira
    Ardendo, arranhando, rasgando tua vida inteira

    Chorando na frente do espelho
    Entre a abstinência e o vermelho

    Na sobra da segunda-feira seca
    Tua sombra cicatrizou tão lenta

    Pro mundo girar sozinho um pouco
    Pra tudo fazer sentido louco

    Será?

    Tem muita coisa pra superar
    Tem muito super pra descoisar

    Tem muita água pra rolar embora
    O céu fechou em riste e foi agora

    Mas vai passar

    Você é super e tá machucado
    Deixe a tempestade esvaziar teu passado

    Super limpo, super lindo
    De peito aberto, cravado de infinito

    Super forte, de toda a sorte
    Metáfora de morte

    Pra tua dor derreter
    Pra eu entender o teu ok


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

    **

    Art: Superman in powerwashing

  • [Vontade inventada]

    [Vontade inventada]

    Sigo dormindo, acordada, chorando, viajando ou rabiscando nas suas costas com minhas unhas macias de segunda a segunda enquanto você sonha (ou não). Sei lá se você desconfia…

    Acredite você ou não, entenda ou não, aceite ou não… Eu sigo… E sinto uma vontade danada de trazer teus passos lentos direto pra minha armadilha. E quando eu sinto a tua pele, então? Sai faísca de mim… Ah, você sabe… Mas… E se for mentira?

    Daí você aparece com esse sorriso largo improvisado, me olha de cantinho, meio de lado, e quando eu percebo eu te quero. E quero tanto que chega a doer e claro que rola um medinho gelado. Seja segunda-feira, seja meu casaco bordado, seja meu grito abafado.

    E eu fico cuidando pra não transparecer, pra não atropelar o destino, pra não mudar teu rumo ou direcionar teu caminho… Mas a verdade é que mesmo que as esquinas que você cruzou sem mim tenham roubado muito de você, eu não me importo de ficar com o que ficou. Acredito que tuas sobras são muito mais do que já me pertenceu e, junto com as minhas, formam mundos ainda mais belos e mais sinceros.

    Então… vem comigo. Vem que a gente traça novos rastros para os teus sonhos que se perderam. Porque eu to cansada dessa montanha-russa de gente na minha vida querendo sumir como se nunca mais fosse voltar e depois voltar como se fosse ficar pra sempre… e não ficar. Eu to cansada. E eu tenho vontade. E eu não quero mais nada que não seja você. Eu quero desenhar junto seja lá o que for, seja lá o que der, do jeito que a gente quiser.

    Talvez você sequer exista. Mas mesmo inventado você ainda é tudo e demais pra mim. O que não existe me pertence? O que eu invento é present tense? Eu trago um gole de café e te ganho com um pedaço de queijo… E te amo, te afago, te invento, te beijo. E te atento tanto que você, mesmo indiferente, de repente… Não, não se despeça, ainda estamos pendentes. Falta o meu presente, falta aquela promessa… Falta aquela vontade inventada de amar eternamente.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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    Illustration by Barbara Ana Gomez, inspired by the song ‘Sophia’ (Laura Marling) > and posted in her colection Illustrated Songs.

  • [De graça, nada]

    [De graça, nada]

    Nada vem de graça. 

    Nossa vida é uma constante transformação, momentos de paz e equilíbrio nos invadem, a segunda-feira vem toda a semana fazendo alarde.

    De repente parece que a rotina não tem graça e um choque de realidade, de pura maldade ou falta de maturidade nos confronta. Então tudo contrasta.

    Quando isso acontece, a acidez nos abraça e o instinto toma conta. Daí a visão se livra da neblina que nos afronta e o aconchego nos abandona.

    Mas é bom. Ignorance is a bliss. Conhecimento dói. Saudade corrói. Palavras ditas docemente criam promessas e desejos inconsequentes. E tudo se despedaça.

    É uma pena que você faça pirraça. É uma pena que nossos assuntos pendentes fujam do presente e se evaporem na vidraça dos nossos sonhos, feito fumaça…

    De ofegante, teu beijo virou tratante. Parecia passeio na praça. Ou na praia, numa agenda falsa. Virou desgraça. Passa ou repassa? Nada vem de graça.

    Mesmo que eu culpe aquela maquiagem frustrada ou a noite lotada de olhares tensos e desencontros intensos.

    Mesmo que uma simples fotografia seja motivo de agonia pelo brilho combinado entre o gole trocado e o pecado anunciado.

    Ou que o recado deixado fira feito adaga atirada nas costas que doem, machucadas. Se a noite é uma criança, que dizer da madrugada?

    Talvez a roupa amassada ou a toalha jogada sejam cartas marcadas. Ou só mais uma rodada, uma aposta inebriada. Uma ameaça atravessada por um oceano de trapaças.

    Do que você acha graça? Você pensa que um “bom dia, gata” disfarça? Você pensa que o teu cheiro grudado no meu travesseiro ainda te aguarda?

    Prepare o vinho que eu levo a taça. Ofereço um brinde à escolha nefasta. If it was a tinder, you better whatch out. #Simplesassim: nada vem de graça.

    Mas ainda há graça nas mancadas do destino. Não economize sorrisos nem esconda essa mágoa isolada sob uma capa mágica. É bom soltar as lágrimas. Tudo passa.


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday

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  • [Mad is needed]

    [Mad is needed]

    Segunda-feira não tem prazo de validade…

    In my head you live and in your mind I fuckin’ stay. If my hair is crazy, let’s make a trip. Let’s plug n’ play. Toda noite tem rock n’ roll, meu amor. Toda noite tem. Todo dia tem. Tem verso ao inverso, tem começo e tem inteiro um universo bem de perto. Mad is needed, confesso. Meu olhar é teu ingresso, não precisa falar nada, você sabe que te amo calada.

    Tuas asas crescem a cada nova largada, a cada nova nota de música descompassada enquanto o mundo nos entrega toda a prosa, toda a bossa, toda a nossa nova alvorada. Descabelada na morada. Namorada. Afogada no teu pranto manso, sonho com estrelas que chovem beijos no meu seio esquerdo. Mad is needed. Tudo e nada.

    Alienada…

    Me apaixonei por você na noite passada. Que sorte, que susto. Surto. Absurdo. Não quero nada, já tenho tudo. Parece justo. Take a deep step. It was just a click, we haven’t care. Now we can fly and flare cheek to cheek through the sky… You and I, babe… You and I… Mad is needed. Be panic. Be my pride. You were bleeding, now you’re mine. 

    Monday to Monday. Side by side. From the darkest moon to the sunshine. 



    ❝ by Tina Teresapanicmonday

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    Photo by Tina Teresa

  • [Fuga]

    [Fuga]

    No íntimo do luar
    Um gatilho dispara em mim
    Leve brisa: profuso mar
    Passos desconhecidos sem fim

    Pinceladas de vento nos braços
    Sigo perdida no lilás do firmamento — absorta
    Luarais velhos e devassos
    Segunda-feira mágica, tempo em ondas

    Em vigília, o amor transborda meu corpo informe
    Sem destino, esse sentimento me leva
    enquanto o silêncio dorme

    Ampulhetas escondem estrelas
    Meu coração largo e aflito
    corre, louco, para seu infinito


    ❝ by Tina Teresa ♥ panicmonday 

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    Photo by

    DiaboliqViolet

  • [Quase]

    [Quase]

    Nunca a frase de Saint-Exupéry fez tanto sentido
    Vi a eternidade desbotar diante dos teus olhos tremidos

    Meu amor, não foi tua intenção me cativar
    Que será de mim agora se tua voz
    É só uma lembrança sussurrando no meu ouvido?

    Gosto de espelho, banheiro, edredom, chuveiro
    Do teu sorriso safado, inteligente, criativo, aventureiro

    No teu abraço apertado há demônios e outros amores
    Será que se deixar cativar por alguém é isso?
    É querer algo que não cabe nem na linguagem, nem no infinito?

    Quase o improvável substituiu a distância
    Quase nossas incoerências dissolveram a tolerância

    Nossos nós e nossos defeitos derreteram nossos sonhos
    Nossa incompetência escapou da filosofia careta
    Entre sua atmosfera interior e o resto do planeta

    O cotidiano superou a surpresa
    Teu gosto solúvel avistou meu amor de duquesa

    E as promessas veladas… Ah, as promessas veladas
    Estacionadas no quase imponderável
    Vencidas pela fugaz percepção inefável

    Até quem olhava de fora percebia
    Ancorada em nossos laços pairava a sintonia

    Onde foi parar a eterna responsabilidade?
    Aquele querer respirar junto e cativar a liberdade?
    Onde foi parar o futuro? Foi quase…

    Nós e nossos imperdoáveis medos
    Nós e nossos quases perdidos no tempo

    Tudo remetia ao caminhar conjugado
    Toda a matemática, a literatura, a ciência dos ventos trocados
    Tudo era quase, menos o imponderável

    Você e seu talento pra chegar atrasado
    A nós, resta assistir a tudo calados

    Até quando vamos alimentar essa companhia solitária?
    A quase união foi interrompida pelo abandono
    Os quase momentos viraram desertos sem sono

    Como posso lamentar o que não nos coube?
    Até cheguei a provar-lhe as lágrimas, o que houve?

    Não dá pra ser quase feliz, quase pronto, quase quase
    Nossos tempos incompatíveis, nossos afazeres aqui e ali
    Quase é um advérbio de tempo que não sobrevive ao “vem dormir”

    Nada fácil viver no quase sem fresta
    Nada fácil deixar a porta entreaberta

    É uma irresponsabilidade extraordinária
    Cativar alguém e partir pra indiferença
    Cativar alguém e só agradecer a presença

    Não, o quase não é só isso
    Companhia sem compromisso

    Ou você acha que quase amar
    Permite fugir e se descontrolar
    Separar primeiro para depois se encontrar?

    Não é o acaso que nos prende na tempestade
    São nossas escolhas, nossas verdades e nossas amizades

    “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”
    Não dissolva a eternidade no quase, minha vida
    Não permita que teu vazio abafe a despedida

    Tenho preguiça do teu vacilo que me definha agora
    Não faço mágica nem nada pra tirar sorriso da cartola toda a hora

    Vivo no quase esperando o depois
    Não me esqueço do antes, não esqueço nós dois
    Se houver vontade, a gente grita gol

    Já é quase segunda-feira e eu não decidi ainda
    Se adormeço ou se a dor meço enquanto a noite finda


    ❝ by Tina Teresapanicmonday

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    Art by Jarek Puczel, who approaches his work with the idea that life is a movie or a game of illusion and the world is a playground where different realities play with one another. Quase como um quase.

[LIVRO]

versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
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