Poemas contemporâneos sobre relacionamentos, escolhas de vida, comportamentos e aflições do cotidiano. 

  • [Banho de Chuva]

    [Banho de Chuva]

    Quase nem te reconheci
    Debaixo daquele guardachuva
    Quase
    Quase esqueci
    De todas as chuvas que brincamos juntos
    Quase
    I’m a mess I confess
    I’m a little bit stressed
    Chove uma música arredia
    Nessa rua vazia
    Passos insanos me perseguem
    E a cortina d’água silencia meu drama
    Enquanto na poça derrama a chama
    E tua voz me chama
    E inflama
    A angústia de uma tarde que clama

    Na chuva tua voz reclama
    Na chuva meus cabelos escondem
    Quase toda a trama
    Da Segunda-feira tardia

    Era tarde e era dia
    Tinha chuva e eu ardia
    Era quente a calçada
    Mas a água era fria
    Era quase e você não vinha
    Marquise na esquina não tinha
    Banho de chuva quase nua
    Nua de alma
    Na rua calma
    Sob o som da quase palma
    Da voz que abafa
    Era chuva ou era aplauso?
    Era música ou descaso?
    Era quase ou era um passo?
    Era você ou só o acaso?


    ❝ by Tina Teresa ★ @DiaboliqVioletpanicmonday

    **

    Photo by DiaboliqViolet

  • [Brigadeiro…]

    [Brigadeiro…]

    Tem coisa que não tem por quê
    Precisa explicar?
    Tem coisa que é assim, com gostinho de saquê
    Precisa detalhar?
    Tem resposta que não existe
    Tem momento que apenas persiste
    Tem sorriso que transparece a alma
    Tem pergunta que não cala
    Como se o silêncio dissesse tudo
    E uma simples respiração movesse o mundo

    Tem jeito que surge e ganha vida
    Jeito de falar, de escutar,
    de escolher a comida
    Tem jeito que aparece sem avisar
    E toma conta do jardim de casa
    Faz florescer uma nova morada
    Uma nova segunda-feira alucinada
    Da sacada à colina
    Do lençol à lamparina
    Do sonho de menina à flanela da cortina

    E é ótimo, sabe por quê?
    Porque a falta de motivo brinca com a rotina
    Manda flores no meio da tarde
    E leva brigadeiro com gosto de saudade
    A falta de motivo me duvida, mas me mima
    Me carinha, mas me cala
    Me espera e me guarda
    Me solta e me aguarda
    Me segura e me encanta
    Enquanto eu cato em cada canto
    Mais motivos pra sonhar

    O que é ótimo
    É simples assim
    Geleia cor de carmim
    Feito minha boca entreaberta
    Que espera mais um beijo
    Mais um chamego
    Um carinho assim, assim

    Chega de falta de motivos
    Vem pra perto, aqui no meu ouvido
    E fala mais um pouco
    Discurso manso, desejo louco
    Nada de extraordinário
    Apenas o necessário
    Assim, na medida
    Nem demais, nem de menos
    De leve, breve, palavra colorida
    Tanto faz, já é eterno

    O que é ótimo basta
    Não tem por quê
    Karaokê a contraponto
    Não tem clichê
    Ah, se eu pudesse
    Mostrar pra você
    Toda a adrenalina que circula
    Aqui dentro do meu ser
    Você veria cada curva
    Cada drift, cada fala muda
    E aceitaria
    Que você é ótimo
    Por ser o que é
    Por fazer o que faz
    E sentir o que me traz
    Esse aperto todo
    Sem medo tolo
    Sem emoção fugaz


    ❝ by Tina Teresa | @DiaboliqVioletpanicmonday

  • [Tempestade]

    [Tempestade]

    Completamente descontrolada
    Feito um raio na tempestade
    Era Segunda-feira e eu tava revoltada
    Pulverizada numa telepatia afiada

    Cada raio era um sorriso emoldurado
    Que segurava meu bocejo em prantos
    E me entregava um botão de flor desbotado
    Rascunho de feltro, preto no branco

    Vivo e morro na tempestade
    Cada risco, cada raio, não arrisco
    Corro pra dentro de mim
    Totalmente entusiasmada
    Tem coisa que não se diz
    Tem coisa que não se faz
    Tempestade que não se vai
    Tem prece que esvai
    Escorre pelo traço incerto
    Do raio que me desfaz
    E me fragmenta em trecos
    Colorindo estações paralelas
    Mudando o curso do universo
    E tornando tudo assim
    Demasiado cômodo
    Demasiado frouxo
    Demais extasiado
    Celeste e iluminado

    Na claridade relativa dos meus atos
    Sinto o raio do destino me fisgar

    Atravesso a tempestade
    Holofotes de ansiedade

    Penso, logo desisto
    Existo, logo reflito
    Absorvo, portanto habito
    Largo, quase profundo
    Tempestade no infinito
    Raio profano, imundo
    Dito pelo não dito

    Formalidade distorcida
    Tempestade na medida

    Não tema o choque
    Ouça seu coração
    Cuide do seu coração
    Fale com seu coração
    Sinta seu coração
    Veja seu coração conversando
    Sacuda o medo
    Chacoalhe o pranto
    Boceje por enquanto
    Segunda-feira, ainda te alcanço
    Tempestade sem descanso


    ❝ by Tina Teresa | @DiaboliqVioletpanicmonday

  • [Flor congelada]

    [Flor congelada]

    Pedaço perdido de inverno só pra mim
    Ou um pedaço de primavera?
    Inferno enfermo que congelei
    Flores que ganhei e pendurei na janela

    Preces roubadas, momento abafado
    Flores que inundei com lágrimas de requinte
    Naquele momento em que o óbvio ainda é um fardo
    E não dá pra imaginar o segundo seguinte

    Que seria do futuro se o gelo derretesse
    E as cores das flores sumissem
    E se fundissem num quadro de Matisse?

    Tenho receio de descobrir o que pode acontecer
    Tenho medo do que está por vir
    Prefiro parar o tempo e congelar o momento

    Tenho medo de sentir coragem
    E perder teu beijo, teu cheiro, tua margem
    Segunda-feira não é mera paisagem

    Flor congelada não chora, não sofre, não morre
    Não ama, não vive, não canta, não sonha nem comemora
    Flor congelada apenas contempla o tempo de um momento
    Um instante condenado a pairar sempre no presente


    ❝ by Tina Teresa | @DiaboliqVioletpanicmonday

  • [The second fairy]

    [The second fairy]

    Foi algo que eu disse?
    Foi algo que eu fiz?
    Foi algo assim… idiotice?
    Foi tarde o final feliz…

    Foi forte, foi fogo, foi sim
    Foi fadiga
    Foi falta de sorriso?
    Foi ferrugem, festim
    Foram mares desmedidos
    Fenda sem fim

    Fui à feira na Segunda
    Segundo a segundo
    Prefiro o fundo
    Se fui teu mundo
    Feri a chuva
    Faquir de foices
    It was your choice
    And it wasn’t fair

    Faça de novo
    The second fairy
    The second chance
    The second flame
    It wasn’t only my fault
    So please, don’t blame me
    Segunda-feira perfeita
    Falei de novo
    Falhei de novo
    Não foi por desfeita
    Mas eu reprovo
    O amor faliu

    Foi algo que eu disse?
    The second fairy
    Fada Berenice
    Fadada a se fazer de Alice
    Don’t get scary
    Don’t fly away
    Você me deve um desejo
    Não me deixe à desdém

    Foi uma fábula?
    Fada safada
    Furtou meu sonho
    Segunda-feira nublada

    Foi tarde, uma falácia
    Ficou saudade
    Virou filme inacabado
    Fiquei firme sem recado
    Foi algo que eu fiz?
    Faísca, cicatriz, audácia

    Foi falta de afeto, second fairy
    Foi feltro, foi renda, foi quase perto
    Foi algo assim… Sol, Lá, Si, Dó
    Foi algo mais… Dó, Ré, Mi, Fá

    Não volte, não, my dear fairy
    Foi algo que eu disse e foi em vão
    Foi farta que fiquei, unnecessary
    Foi algo que eu fiz, algodão

    The second chance
    The second fairy
    Don’t be on defense
    O que vai, volta
    O que foi que eu fiz?
    Filosofei frases de aprendiz
    Furei a fotografia
    Fugi do feitiço de giz
    Flutuei na Segunda-feira
    Furtei seu final feliz


    ❝ by Tina Teresa | @DiaboliqVioletpanicmonday

  • [Borboleta]

    [Borboleta]

    Sabe aqueles primeiros momentos da manhã?
    Aqueles que ainda ninguém usou
    Que ninguém ainda ousou descartar
    Aqueles momentos que existem só no seu sonho
    Porque você também ainda não acordou?

    Sim, aqueles momentos que não têm dono
    Repletos de lembranças que só eu consigo saborear

    São notas de música que misturam o vinho na minha barriga
    Com todas as borboletas que me habitam
    São toques macios… ora de cordas, ora de dedos
    Que aparecem entre cores e me abraçam com desejo

    Você sabe? Sabe de quais momentos eu falo?
    Às vezes parecem que momentos assim não existem
    Não sei dizer se é sonho ou conjuntivite
    Ou uma obra de Magritte

    Poderia ser um momento desses uma música do Pearl Jam?
    Ou uma balada do Red Hot que eu não sei cantar muito bem
    Porque eu só tinha ainda em mente o som do seu discman
    E você me pegou desprevenida: sem tempero, sem medida
    E me ganhou com uma mordida

    Eu me distraio e me divido
    Revivo cada gosto, cada corredor partido
    Cada palavra, cada brisa, cada gole, cada nota, cada grito
    Cada reflexo invertido

    Tudo o que peço
    Vem em verso
    Tudo o que eu vivo
    Tem eco
    Que persiste no amanhecer
    Daquele momento seguinte
    Que não sei bem se existe
    Segunda-feira is ending

    Momento que sobra
    Depois que a borboleta bate sua asa
    E deixa no ar uma leve saudade
    E uma doida vontade
    De ter 15 anos por toda eternidade


    ❝ by Tina Teresa | @DiaboliqVioletpanicmonday

  • [Domingos]

    Há gente que leva a vida no piloto automático.
    Há gente que decide viver várias vidas e conhece o Domingos.
    E aprende que o gosto de vida real é muito mais legal que o melhor comercial.
    Que nos intervalos acontecem muito mais coisas que na rotina.
    Que o desequilíbrio pode ser motivador e interessante.
    Que ser chamado de Domingos é viver um eterno fim de semana.
    E que a felicidade está no coração de quem abre a cortina da vida.
    E espia e interage e questiona e sorri e dança e canta e muda e gira.

    Falar sobre o pânico da segunda-feira, a renovação que o dia representa e a oportunidade que a gente tem de replanejar, tomar uma nova atitude, assumir uma nova postura e cumprir aquela promessa tardia me levou ao Rio de Janeiro. Vem cá, se a segunda-feira é um réveillon semanal, Janeiro é a segunda-feira do ano, tá certo?

    Cheguei no domingo no “Rio de Segunda-Feira” e fui recepcionada pelo Domingos, motorista da TV Globo há oito anos e, como ele mesmo diz, “se é pra fazer trabalho de confiança, ir em casa de artista, levar dinheiro ou documentos, ouvir conversas capciosas, sou eu que eles chamam”.

    De um bom humor espetacular – como todos com os quais interagi no Projac, diga-se de passagem -, Domingos logo perguntou sobre o que eu falaria no dia seguinte, no Encontro com Fátima Bernardes. “Sobre segunda-feira! Não é irônico falar sobre a segunda, numa segunda, e ainda ser levada pelo Domingos?” Risos.

    Neste momento lembrei que o motorista que levou minha última mudança chamava-se Segundo. Já mudei de cidade muitas vezes e cada conflito, cada escolha, cada plano frustrado, cada nova oportunidade, cada amigo novo, cada passo marcado provocava uma vertigem diferente, um sorriso descompassado e uma vontade urgente.

    Conhecer a nós mesmos é um processo sem volta. Escolher um ensejo é viver a vida envolta em sorrisos e muitas fagulhas de luz. Num segundo, tudo vira prosa.

    No dia 7 dei outros passos, conheci outros pés e outros dedos, outros sorrisos e outros desejos. E por 7 segundos vi um novo mundo descortinado suas asas sobre meus olhos. Domingos me buscou no hotel e chegamos ao Projac em menos de 7 minutos. Outros 7 bastaram para o credenciamento e menos que o dobro disso para a maquiagem perfeita. Para o momento perfeito. Sabe que o Domingos se parece com o prefeito? “O pessoal do ‘Caldeirão’ é quem tira mais onda disso”, diz. Bem feito.

    Domingos tem 7 irmãos. E há pouco mais de 7 anos ele é motorista na Rede Globo de Produção. Estudei Jornalismo pra ficar nos bastidores. Quase que nem o Domingos. Mas de repente me vejo em frente às câmeras, falando sobre o que eu mais gosto de fazer: brincar com palavras. Inventar e me refazer quase sempre. Propor um ano novo toda semana. Deixar gente contente. Descobrir o diferente.

    Talvez eu ame a segunda-feira porque vivo, como o Domingos, num eterno fim de semana. Talvez seja porque os conflitos da minha alma encontram neste ciclo um novo vício. Talvez porque a vida real é bem mais sensacional que um bom comercial. Talvez porque eu entenda que felicidade não é consequência de uma vida normal. Já que de perto, ninguém é mesmo normal, não é, Caetano? Ou porque o meu plano seja reinventar o cotidiano, ouvir histórias, compartilhar memórias e criar poemas que contam dramas que contorcem a barriga, que confundem a cantiga e que dão sabor à vida.

    E você? Já parou pra pensar que Segunda-feira é dia de amar um novo começo? Domingos nasceu num domingo; Segundo nasceu logo após seu irmão gêmeo, chamado Primogênito. Já passei muitos sábados desencaixotando peças de mudança. Já fui mais magra, mais gorda, mais chata, mais fofa. Já tive cabelos curtinhos, compridos, loiros, lisos, cacheados, roxos… Já quis jogar tudo pro alto, já queimei os pés no asfalto. Se eu for como todo mundo, quem será como eu? Não entre em pânico! Ame a Segunda-feira, encante-se à sua maneira. “Olha o bom: na Segunda você já viu o Domingo!”, brinca o motorista. E não apenas um. Vários. Domingos. Sejam bem-vindos.


    ❝ by Tina Teresa ★ @DiaboliqVioletpanicmonday

  • [Ciclos]

    [Ciclos]

    Sete erros
    Jogo bobo
    Muda o medo
    Muda o troco
    Não reparei
    Foi por pouco
    Quase errei
    Te deixei louco
    Foi mais um ciclo
    Mais um sufoco
    Chegou num pulo
    E passou fosco
    Cabeça girando
    Coração tosco
    Sete notas
    Sete cores
    Sete erros
    Sete amores
    Sete anos
    Sete fardos
    Vida louca
    Gato pardo
    Sete ciclos
    Sete chakras
    Sete pecados
    Sete vidas
    Machucados
    A sete palmos
    Doce veneno
    Suor amargo
    Tem certeza?
    Te quero livre
    Não grite
    Te quero meu
    Sem deslize
    Eu te espero
    Sorriso aberto
    Sete infernos
    Tava tão perto
    Mudei o rumo
    Pulei o muro
    Troquei a rota
    E roubei a aposta
    Perdi o prumo
    E primei por mim
    Foi mais um ciclo
    Fugi de mim
    Temperatura
    Pela cintura
    Flor de jasmim
    Sete mentiras
    Almocei capim
    Segunda-feira
    Angústia carmim
    Sete feiras
    Sem asneiras
    Sete dias na semana
    Sete passos na lama
    Sete erros
    Joguei ao vento
    Sete marias
    À revelia
    À minha maneira
    Por sete tempos
    Descontento
    Sete magias
    Você viria?


    by @DiaboliqViolet

  • [Trovoada na areia da praia]

    [Trovoada na areia da praia]

    Conversei com minha sombra na areia da praia
    Mergulhei de cabeça e queimei os pés
    Descobri segredos e perdi pedaços
    Afoguei mágoas e desatei laços

    Na sombra, todas as cores se confundem
    E se fundem num lugar nenhum
    Seja no café dos meus olhos ou no mar dos teus
    Seja na jura breve que ninguém prometeu

    Passeei com minha sombra na areia
    E tentei roubar abraços
    De uma paisagem que ninguém desenhou

    Conversei com minha sombra na areia da praia
    E mesmo em silêncio ela me deu
    Todas as respostas que eu não perguntei

    Minha sombra me olhou profundamente
    Silhueta salgada de conchas
    Marcas das escolhas que fiz em repentes

    Era um domingo na praia
    Quando minha sombra me disse
    Que o sol queima dentro da gente
    Que a segunda-feira chega sem pedir licença
    Que as marcas do sol quente
    Desenham pecados calados
    Calcados em calos latentes

    Vontade de voltar no tempo
    De mudar o verso
    De fazer tudo ao inverso
    De trocar aquele momento
    Por um passo lento, um passo certo

    Conversei com minha sombra na areia
    E pedi que nunca anoiteça
    Para que os contornos não se percam na dor

    Conversei com minha sombra
    Nada mais me afronta
    Eu tava na praia e tava tonta
    Depois de tanta trava
    Eu tava avoada
    E queimei meus pés
    Trovoada na areia da praia


    by @DiaboliqViolet

  • [Dilema]

    [Dilema]

    Também pensei naquele café
    No meio da tarde, no meio da chuva
    No meio de tanto destempero
    Foi o que era ou é o que é?

    Também pensei que seria eterno
    Mas durou o tempo de um inverno
    Teve calor, torpor e ardor
    E se esvaiu num torpedo moderno

    Será que escrevo sobe o que foi?
    Ou sobre a fadiga, sobre o depois?

    Será que deixo as vozes veladas
    Ditarem novos passos pelas calçadas?

    Não tem poeira no ar, pare de pestanejar
    Não tem dilema, é só mais um poema
    Seu drama parece um texto do Carpinejar
    Não me venha com mais um teorema
    Deixe a segunda-feira chegar
    Deixe-se voar

    Respire fundo e desprenda-se
    Antes que eu me arrependa


    by @DiaboliqViolet

  • [Cão e gato]

    [Cão e gato]

    Eu construí o que eu queria que você fosse e me frustrei porque enxergo o que você realmente é. Não que isso seja de todo ruim, só que não é o que eu quero pra mim.

    E se você insistir que não tem culpa, eu até vou entender, mas vou buscar desculpas pra divergir e te mostrar que sua gramática é pragmática e o que eu sentia era só um querer de brinquedo perfeito numa busca nada sistemática.

    É… na verdade eu sei que você não tem culpa. Porque quando a gente sonha o sonho alheio, a gente cede em devaneio e nem percebe que a alma padece. Então de repente eu não mais queria. E eu sabia que aquela sua ironia me diria que tudo o que existia acabaria um dia. Na periferia.

    Porque eu sou gata e você é cachorro. Quando eu acordo, eu me estico, me torço, ronrono… Eu aprendo rápido, eu desconfio, eu me recolho… E sua carência me tira a paciência porque gato conhece astrofísica e tem plano de contingência. Gato tem habilidade segura e cão… Ah, o cão é pura patetice, que amargura.

    Gato tem apelo intrigante e ensaio dissonante… Cão tem trotoar sem sintonia enquanto o gato é pura melodia. Cachorro mendiga e ainda faz festa. Gato vê tédio no paradigma que lhe resta porque crê num companheirismo distanciado. E cão quer grude, suor e babados.

    Palavras velhas ganham novos significados. Novas palavras são inventadas, sem significado algum… Palavras soltas num discurso etéreo pairam no mistério de lugar nenhum…
    Um passo dado pra frente é um espaço que fica pra trás… Foi uma nova segunda-feira que chegou e tudo mudou. Há um abismo semântico entre nós: você faz au. Eu digo miau. E nada mais.

    Você erra sem querer e fica sem perdão. Eu espaireço na contramão. Porque o entendimento foi em vão e a aliança de papel ficou na memória do mesmo jeito que essa história de cão e gato lado a lado.
    Mesmo que o cartão seja uma pétala que não murcha, o atropelo, o afobo, o engodo… tudo isso suga a energia do que poderia um dia ser magia. Latidos viram nostalgia. E miados seguem esmagados. Na padaria.

    É sempre no final que as histórias começam. Entre o agredir o agradar, melhor partir, pra não latir. E recomeçar um novo miar.


    by @DiaboliqViolet

  • [Sem tempo]

    [Sem tempo]

    Rugas de datilografia
    Contam histórias, nostalgias
    Mudas memórias
    Tanta rebeldia

    Mude a sua sina
    Carimbe seu sorriso
    Com goles de adrenalina

    Troque o tempo
    Trote o vento

    Furte a cor do pensamento

    Deixe a segunda-feira surgir
    Pra semana nascer feliz
    E todo o resto distrair
    E fluir


    by @DiaboliqViolet

[LIVRO]

Versos de um réveillon sem fogos

Reúne fragmentos de dez anos de observação: o humor instável da segunda, o peso dos compromissos, o entusiasmo possível, as pequenas esperanças. É um livro feito de começos — não de finais.

Don’t miss out!
Faça da segunda-feira o seu réveillon semanal particular e recomece com poesia: receba os novos poemas do Panic Monday diretamente na sua caixa de entrada e descubra como um pouco de caos pode ser o início da sua melhor versão.
Invalid email address